Data do show:
15/07/2006
Bandas:
Vulkro, Bauopfer, Misdeed, Infernal War, Nox Aderat, Mercilles Tales
Local:
Bali Bar - Lages/SC
Por:
Carrascu (16/07/2006)
 
2 INFERNAL FESTIVAL
 
Lages tem sido conhecida como uma cidade de grandes bandas undergrounds. Por sua qualidade e apoio à cena, a mesma se fortalece na noite desse dia 15 de julho. Um evento bem organizado, num local excelente e com ótimas bandas participando, esse seria um bom resumo do 2° Infernal Festival.
O local do show era muito bom, possui dois andares onde que no segundo é possível assistir ao show. Cabem, deduzo eu, cerca de 250 a 300 pessoas nesse local, acústica muito boa porém o preço da cerveja era alto, 3 pau a lata! Mas não ofuscou em nada o evento, que foi muito bem organizado apesar de ter contado com uma grande baixa que foi a ausência da banda peruana Black Angel, que segundo o organizador Anderson Fabiano da banda Infernal War, ficaram retidos na fronteira.
A primeira banda a tocar foi a florianopolitana Vulkro, que já é bem conhecida por aqui e se apresentou pela segunda vez em Lages. O som da banda é um Doom Metal muito pesado, com um excelente vocal gutural, raras vezes berrado, e um instrumental muito bem entrosado. Apesar da pouca presença do público devido ao fato da banda ter começado a tocar muito cedo, cerca das 20 horas, os poucos presentes agitaram em frente ao palco durante as seis músicas próprias da banda, que esbanjam criatividade e peso. Presença de palco muito boa, do tipo que representa a música com fidelidade, puxando os olhos do público presente para o palco. Destaque para o vocal do baixista Alex, que conseguiu manter um excelente timbre gutural com muita força, as vezes dando impressão de usar algum tipo de distorção, mas era totalmente no gógó mesmo, que se manteve durante os 50 minutos de show da banda.
A próxima banda a se apresentar foi a lageana Bauopfer, que infelismente perdi o início do seu show, pegando-o da metade em diante. Até onde puder acompanhar, a banda executou um Black Metal meio atmosférico, de velocidade controlada e rifes mais "climáticos". O público já estava em maior número, apoiando a banda o tempo todo, que mostrava um bom entrosamento ao vivo e excelente presença de palco do baixista, que as vezes invadia o pouco espaço do guitarrista. O teclado, executado pelo vocalista, também dava um clima mas doentio às músicas da banda, que ao final de seu show executou dois covers do Burzum, muito aclamado pelo público.
A Misdeed foi a terceira banda da noite. Vinda de Florianópolis carregando seu black metal muito criativo, que variam de partes extremamente velozes a outras mais trabalhadas. O som das guitarras pareciam um pouco emboladas devido ao exagero do agudo nas distorções, mas por causa da excelente acústica e aparelhagem que se fazia presente durante todo o festival, a banda conseguiu exibir muito bem o que sabe fazer de melhor, um Black Metal de qualidade, sem nada de Thrash Metal, como certas pessoas já comentaram. O público prestigiou a Misdeed em peso, agitando muito em frente ao palco. Os destaques ficaram pelo ótimo vocal e presença de palco do vocalista William e aos guitarristas que mostraram muita pegada e criatividade, o lado ruim ao meu ver foi pela péssima presença de palco do baixista, que parecia muito desligado e pouco motivado ao tocar, mas não vacilou no som que exercia. A banda prestou homenagem dedicando uma de suas músicas ao baterista Dagon da horda Alocer, que faleceu há alguns dias. Logo após, para encerrar seu show a banda surpreende o público fazendo uma versão da música "Drink Fight anda Fuck" do punk G.G. Allin, que ficou extremamente violenta, muito boa mesmo.
Depois do excelente show da Misdeed, sobe ao palco outra grande banda, a Infernal War. Um black metal muito agressivo e bem entrosado, com músicas de rifes mais simples porém de muita violência. Um som muito veloz, criativo e extremo marcam essa excelente banda que já tem seu debut-CD gravado e estão prestes a lançá-lo por uma gravadora mineira, que tem previsão de lançamento para setembro. A Infernal War, na minha opinião, foi a melhor banda da noite pois quase não mostraram partes ruins, exceto por algumas músicas mais próximas ao final do seu show que mostraram um certo exagero de notas num rife, beirando partes com melodia, mas logo retornando ao black metal crú e violento que é muito marcante nessa banda. Destaques em geral, tanto nas composições das músicas, como na bateria e no vocal. Essa banda, se continuar assim, tem grandes chances de explodir no cenário nacional pois tem muita qualidade e atitude. Foi o melhor público da noite também, já que além do excelente show que a banda vem demonstrando em em suas últimas apresentações, o fato de tocar em casa se tem uma receptividade maior, como em qualquer lugar. O Infernal War, a exemplo da Misdeed, também dedicou uma de suas músicas em memória ao falecido baterista Dagon, da Alocer.
Em seguida vem o show da banda Nox Aderat, de Blumenau/SC, e mostrou um Black Metal com muita violência e boa presença de palco, mas infelismente como todo final de noite o público já não era tão grande como no show anterior, mas o agito dos poucos que estavam presentes foi muito grande e motivou muito a banda a exercer seu black metal cru, com grande destaque do baterista Osculum Infame (ex-Amen Corner, ex-Goat Penis e ex-By Disgrace of God) que esbanjou muita precisão, batidas fortes e muita variação, com excelentes encaixes e viradas que chamaram a atenção. O restante da banda mostrou boa presença de palco, talvez o ponto negativo (mas nem tanto assim) seria a falta de um pouco mais de pegada nos rifes, principalmente na guitarra. Mas o show em si foi excelente, mostrando ser uma grande banda a ser considerada na nossa cena. Em frente ao vocalista foi colocada uma enorme cruz invertida feita de madeira, com base de pedra, que ficou ali pelo menos até a metade do show, quando o vocalista se cansou dela e a pôs em frente a bateria.
Por último um balde de água fria pra maioria dos "Black Metallers" presentes nesse festival que, com 4 bandas de black metal de excelente qualidade, presenciaram o show de heavy metal da banda Mercenary Tales que tocou apenas covers de bandas famosas como AC/DC, Black Sabbath entre outros. Não pude ficar ate o final de seu show, pois dependia da excursão de Florianópolis para ir embora e a mesma já estava indo naquele momento.
O 2° Infernal Festival ficou marcado principalmente pela boa aparelhagem, bandas de extrema qualidade e uma boa organização! Infelismente não tivemos a oportunidade de ver a banda Black Angel do Perú, mas isso com certeza isso não marcou o festival negativamente, pois as bandas que se apresentaram fizeram uma grande noite pra Lages nunca mais esquecer! E que venha a terceira edição!
 
 
Por Carrascu (16/07/2006)
 

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