Um dos temas de discussão mais presentes na esfera das artes na última década, pelo menos, diz respeito à questão em torno do direito autoral. Mais recentemente, as polêmicas e comoção globais acerca das propostas de regulamentação da internet e ações criminalizando o compartilhamento de arquivos por esse meio, colocaram o assunto na pauta do dia e tornaram-no, possivelmente, um dos principais problemas a serem resolvidos nesse início de ano.

Para início de conversa, o ‘direito autoral’, como o próprio nome já sugere, diz respeito a um conjunto de regulamentações que visam garantir não só a propriedade intelectual da obra específica, mas também avalizar a exploração comercial da obra pelo seu autor, impedindo que terceiros gerem dividendos sobre propriedade alheia, ou seja, através daquilo que um dos grupos envolvidos chama ‘pirataria’, mas que os defensores do relaxamento das regras que regem o ‘direito autoral’ chamam de ‘compartilhamento’.

De toda forma, procurando ser mais específico, com o advento e progresso da internet pública, aliado ao crescimento do gênero Metal como uma expressão artística popular (vide bandas de massa como Metallica e Iron Maiden, por exemplo), os problemas envolvendo ‘direito autoral’ e ‘pirataria’ tornaram-se, senão a principal, ao menos uma das principais bandeiras levantadas no front musical. Um dos casos mais importantes envolvendo uma banda de Metal e essa discussão foi o agora famoso caso Napster, que colocou em choque a citada rede de compartilhamento e a banda Metallica no ano de 2000.

No entanto, o problema é complicado. De um lado, temos o argumento que defende o direito autoral como um meio não só de garantir a subsistência dos seus autores e que igualam a autoria artística como um trabalho assim como qualquer outro, mas também como uma forma de garantir um meio propício e seguro a atividade criativa, portanto, ao avanço da arte, à inovação. De outro lado, os defensores de um relaxamento do copyright, ou mesmo, da sua abolição, advogam não só a redução da vigilância da internet, mas principalmente, a ideia de compartilhamento como uma forma de espalhar a cultura e, dessa forma, colaborando no seu desenvolvimento, uma vez que um corpo muito maior de potenciais críticos surgiria e, mesmo, operando em transformações da obra original.



Apesar da complexidade do tema, resolvemos nos aventurar e questionar, no s o que voc considera sendo uma soluo justa para a querela direito autoral versus compartilhamento/pirataria, mas tambm qual cenrio futuro voc consegue observar, quando aliamos a questo do direito autoral e a sobrevivncia do gnero Metal, ou ainda mais especificamente, do Metal Extremo.


Essa matéria foi elaborada por Alex Neundorf, Carrascu, André Arruda, Cristiano Passos, e publicada no dia 17/06/2012.
Cynthia  (Integrante das bandas Terrorgasmo e Necrose.)
Nunca pensei em viver da msica. Me divirto um monte com ela, expresso o que penso e fao amigos pra todo o sempre. Pra mim, trabalho bem diferente de lazer. Mas, pra quem se sustenta com ela, a questo do direito autoral pesa num lugarzinho crucial dentro do nosso santo sistema: o bolso.
Ironicamente o capitalismo, a tecnologia, a modernidade e a parafernlia toda em que nos metemos nos possibilitou o maravilhoso adendo do download, a j era. Bom, no bem assim... fs ainda querem sentir nas mos a capinha original, ler os encartes, botar no play o CD, o disco, a fita... embora sejam minoria. Um paliativo seria cobrar pelo download, mas isso no impediria que o primeiro a baixar o arquivo o compartilhasse gratuitamente no minuto seguinte. Eu mesma baixo uma p de bandas que no conheo pra ver qual , mas se gosto do som, adquiro o CD. 
Contra ou a favor, um fenmeno que estamos vivenciando, experimentando, colhendo as consequncias no exato instante em que ele se manifesta. O futuro est aqui. Nada a concluir.
Oscar Casarini  (Integrante da banda Red Front.)
Realmente um tema complicado, porm acho que no tem mais volta, o compartilhamento de arquivos j se tornou uma prtica normal e voltar atrs com isso praticamente impossvel. O que vejo como soluo tornar o preo mais acessvel para o comprador final. Para se ter uma ideia, o custo de um CD completo (mdia, caixa, encarte, etc.) no sai mais que 2 reais (isso em baixa quantidade), em grande quantidade esse preo cai bastante. Ento porque vender um CD a 40 reais? No muita coisa? Se o valor fosse acessvel, a pirataria perderia a fora que tem.
Vakka  (Do site Intervalo Headbanger.)
Cara, eu entendo o lance todo de direitos autorais de duas maneiras:  

1. O mundo da msica profissional e nisso eu quero dizer literalmente. Artistas e profissionais que realmente ganham dinheiro com a msica sendo tocada em rdios, televiso, filmes e etc. 

2. O mundo amador, que de fato o que a galera das bandas e selo menores do underground vivem. Que tambm investem grana, mas tem retorno do material fsico que vendem e no propriamente so beneficiadas pelos direitos. 

As bandas de Metal (claro que to falando as de selos menores e no dos Metallicas, Ozzys e afins) eles batalham pra sobreviver. Gastam pra gravar um disco, lanar o disco e tendo um material, pe debaixo do brao e saem fazendo show. Mas veja, vencer essa batalha de sair da garagem da v e ter um selo que acredita no teu som e investe uma grana na sua banda, hoje em dia j uma vitria. 

Pra esses caras, direito autoral uma fbula. Ter seu som divulgado em blogs de download, webradios, YouTube e outros meios na verdade um fator positivo. Nego pode se interessar pelo teu som, chamar pra tocar em algum lugar, voc ganha uma breja e vende teu disco (quando tem disco pra vender). 

A galera cresceu, todo mundo sabe que no vai ser o James Hetfield, nego s toca e investe porque ama msica, ama o que faz e se sente motivado a fazer. Do it yourself mesmo, sem choro. 

Quanto bandas mainstream que realmente vivem disso, bom, fuck off. Eu vivo em outro mundo.

No blog no rola CD pra download porque a proposta outra, gosto de falar de msica. Me sinto em um bate-papo com os camaradas no boteco escrevendo pro IB. Acho que sou da ltima gerao que viu todos os formatos rolando. Lembro do dia que minha me chegou com um aparelho de som da Sony que tinha o toca-disco e j vinha com um rack pra CD. Eu devia ter uns 9/10 anos. 

Claro que o vinil, como o foco que era na poca, no durou mais muito tempo. Mas eu ainda tive colees de vinil, CD e Tape... Mas hoje produzir tudo isso sai caro, pra essas bandas que vem do undergroud, fazem seu corre sozinhos e tem como se mostrar pro mundo de uma forma gratuita, quase que tudo homemade, a palavra direito autoral s uma penumbra bem clarinha do que eles veem rolando no mainstream, nada mais, nada menos. 
Andr Luiz  (Vocalista da Offal e Lymphatic Phlegm.)
Bom... Primeiramente acho que devemos separar bem as coisas, para ser mais preciso devemos saber quem quem no meio disto tudo, a que segmento cada um pertence! Voc faz parte de uma gravadora major, vende milhes de cpias, possui um pblico exorbitante como as bandas supracitadas ou faz parte do medocre underground? Digo, o verdadeiro underground, entre aspas, pois no vejo mais as coisas funcionando como antigamente, na verdade nunca foi uma maravilha, porm nos dias de hoje tudo est muito pior e mais a frente veremos a razo disto tudo! Abordar este tema dentro desse segmento muito mais interessante, pois temos muitos argumentos para que assim seja, pois do lado de l tudo vai continuar acontecendo como sempre, ou seja, com download ou no, de graa ou no, bom ou ruim, essas bandas vo continuar vendendo milhares de cpias, milhes talvez e no vai ser algo assim que vai prejudic-los, pelo contrrio... Agora... Falando da nossa realidade, de bandas que lanam um disco de 500 ou 1000 cpias, que fazem parte de pequenos selos independentes, que tocam em eventos que so sinnimos de prejuzo, que vendem o almoo para garantir o jantar, a... A temos um cenrio bastante distinto, na verdade temos um grande problema! No meio disso tudo desde 1997 quando lancei minha primeira DT, sempre vi as coisas de um ngulo bastante diferente, pois JAMAIS cogitamos algo sobre o que diz respeito a direito autoral, isso muito amplo e no cabe para gneros extremos e com pblicos bastante restritos como o Gore Grind, por exemplo! O tempo passou, as coisas aconteceram, diversos materiais foram sendo lanados e NUNCA, em momento algum assinamos um contrato ou qualquer coisa assim, at mesmo quando houve proposta de grandes selos do gnero, a coisa sempre funcionou na palavra mesmo, ou seja, este segmento bastante limitado, intrnseco, para um pblico especfico, a demanda pequena, ento esse tipo de coisa nunca existiu! bvio que com o passar do tempo houve uma expanso, o gnero obteve um maior nmero de adeptos, quando tnhamos quatro ou cinco bandas do gnero eram muitas, hoje temos dezenas talvez, mas queiram ou no, essas bandas fazem com que o gnero se propague, se popularize, muitas vezes da pior maneira possvel, mas...! A questo ... Se a demanda fosse proporcional a essa expanso, tudo seria mais interessante? Sim, haveria estabilidade dos selos, maior nmero de lanamentos, maior possibilidade de lanamentos em formatos profissionais de bandas novas, etc, etc, etc... Hoje temos algumas bandas legais que no conseguem oficializar um bom lanamento exatamente pela dificuldade que os selos possuem em esvaziar seus estoques e gerar capital para que novos lanamentos sejam produzidos, afinal no h como apenas injetar dinheiro em novos lanamentos e no obter retorno, retorno para cobrir os custos de produo e possibilitar novos lanamentos, ao contrrio do que muitos pensam, o objetivo no lucrar! E a realidade essa, selos j encerraram suas atividades por essa razo, outros que existem no possuem o andamento produtivo que gostariam, outros ainda se mantm por conseguirem fazer as coisas girarem mesmo que com muita dificuldade e demora, enfim... Onde quero chegar com isso tudo? Simples... O surgimento das formas alternativas de obteno de msica muitas vezes de forma gratuita sendo o principal deles o famigerado download so os responsveis diretos por esse declnio e estagnao do segmento, ou seja, a grande maioria das pessoas no tem mais interesse no material fsico, afinal qual a razo de comprar um CD se eu posso conseguir ele de graa, com encarte e tudo mais? Qual a razo? Eis a diferena de quem est nisso de verdade ou apenas por moda, passa-tempo ou, seja l o que for! J ouvi falar que no podemos culpar a nova gerao, pois eles j comearam no meio disso tudo com as coisas funcionando desse jeito, tudo bem, timo! Mas o ponto principal que a maioria das pessoas que possuem o hbito da obteno gratuita de msica, em especial msica underground no so da nova gerao, das que eu conheo NENHUMA, ento...

Cada um faz o que quiser, ningum obrigado a nada, foda-se... S no me venha dizer que curte som, que apia a cena e bl, bl, bl... PORRAAAAAAA NENHUMA, curtir som outra coisa, apoio outra coisa... Vocs so lixo e no enganam mais ningum, somente a si prprios! Usa camisetinha de banda, mas no tem um material sequer original das mesmas em casa, ahhh, mas tem a discografia completa no HD, enfia ele no cu! Conhece e amiguinho (a) do pessoal das bandas, mas nunca comprou material algum das mesmas, se tem alguma coisa porque ganhou, fica mendigando preo de ingresso, mas est sempre na frente do local dos shows enchendo a cara, pra isso sempre tem dinheiro! Comprar um CD de R$ 10.00/15.00? Foda-se, vou encher o rabo de cerveja e gastar muito mais do que isso, depois eu baixo essa merda e esses otrios que se fodam! Vai a shows de bandas internacionais e paga uma nota no ingresso sem reclamar, sem falar em outros custos, o engraado que muitas vezes mal conhece a banda, mas mesmo assim vai para ficar se pagando depois que viu tal banda e isso e aquilo, pffttt! J repararam que quando uma banda de fora vem para o Brasil todo mundo conhece e fan pra caraleooo? A todo mundo corre pra baixar a discografia completa da banda, afinal tenho que parecer um grande fan de longa data! Passa o dia postando videozinhos de bandas foda no Facebook que nunca tinha ouvido falar, voc acha que algum vai te respeitar por isso? Voc continua sendo o mesmo monte de merda de sempre, o mesmo! Suas aes representam muito bem o que voc , parabns e muito obrigado pelo seu apoio!
Sabemos muito bem quem so vocs, FODA-SE voc e qualquer filho da puta que promova e pratique qualquer tipo de disponibilizao gratuita de msica underground em sua totalidade, em especial blogs de download ou similares! Porra, quer ajudar na divulgao? Coloca uma ou duas msicas e no o disco inteiro seu arrombado do caralhooo! Se for uma demo ou algo inicial tudo bem, fala com a banda e tal... Mas voc coloca o disco todo que acabou de sair para download e que custa R$ 10.00/15.00 e acha que est ajudando algum? Quem, seu merda?
Felizmente os gringos existem, consumindo material original custe o que custar, indo a shows (Por que ser que os grandes eventos de msica extrema so todos no exterior?), produzindo, lanando material aos montes, fazendo a coisa acontecer, felizmente! Cenrio futuro? Esse mesmo, nada vai mudar, pelo contrrio, acho que s tende a piorar na verdade! Obrigado ao Cris e ao Carrascu pelo convite para falar um pouco sobre esse tema e obrigado a todos os amigos que consomem material original, que sabem qual a satisfao de receber uma caixa cheia de discos, de sentar para ouvir tudo com calma, ler os encartes, sentir aquele cheirinho da impresso, o peso, ficar maravilhado com as cores de um vinil ou com aquele em formato de serra... Bom quem sabe do que eu estou falando sabe que isso no tem preo, grande abrao! Voc? Vai l encher o seu IPOD, depois de cheio IPOD enfiar ele no cu e sair correndo por a!
Enrique  (Editor do CG Zine.)
Sobre o direito autoral, existem alguns pontos a serem observados, de acordo com o que penso: 
1. Enquanto garantia de recebimento da execuo do teu trabalho (ECAD, algum lembra? Eu s vi funcionar para sertanejo...); 
2. Enquanto impacto na venda de material fsico (CD, vinil e tape) do artista e; 
3. O que isso causa a gravadora que lanou referido trabalho.
Nestes pontos e focado no Metal Extremo, eu entendo que seria necessrio um "mix" de variveis do modelo atual, pois o artista teria retorno da ampla divulgao de seu trabalho versus o aumento de agendamento de eventos, sendo o material fsico a ser produzido com mais chamativos (verses especiais, numeradas, brindes, etc...), pois o pblico especfico para Rock, ainda mais do Metal Extremo, acima de tudo um apreciador do material fsico, at pelo lado "colecionvel" da coisa. Isso repercute como as gravadoras assimilariam essa modalidade, talvez diminuindo produes e focando em edies especiais, etc.. enfim, o certo seria: o modelo tradicional de direito autoral/CD prensado/ser contra compartilhamento/"milhes de cpias vendidas" hoje um modelo no mais funcional.
Glsio Torres  (Dono do selo Old Grindered Days.)
A meu ver o compartilhamento em massa de msicas e de muitas outras coisas tem seu lado positivo e seu lado ruim. O lado positivo que hoje temos uma infinidade de informao sendo enviada de um lado a outro do globo, quase que instantaneamente. Para bandas e zines isso muito bom, de certa forma. Eu lano um CD hoje e amanh pessoas da Arbia j tero acesso a ele com apenas alguns cliques. Isso uma maravilha, porra! Porm, com esse advento, muitas produes perderam seu campo de atuao. Muitas gravadoras quebram no nosso underground, porque o cara prefere baixar o lbum a comprar ele. Isso um fato. J em relao s bandas de massa como as citadas, eu no vejo problema algum em eles levarem alguns calotes virtuais e se foderem um pouco, afinal fazer dinheiro com eles mesmos, e ns aqui sabemos que essa palhaada de direito autoral s visa encher de grana os bolsos de grandes filhos da puta empresrios da "msica pesada". Programas de compartilhamento como Soulseek nunca deixaro de existir, e daqui pra frente a tendncia aumentar ainda mais, pois notem que estamos vivendo uma poca em que tudo se resume a clique. O cara no vai no show underground que tem na sua cidade, nem compra o disco da banda de algum chegado, ele prefere clicar no YouTube e ver l. Mas no perde nem deixa de comprar um disco de uma banda gringa "consagrada".
Ento eu penso que da mesma forma que isso ajuda, fode tambm. Para bandas pequenas que precisam de uma divulgao e muitas vezes de um retorno financeiro com o material que produziram um tapa na cara a onda do compartilhamento. No nosso meio, poucas so as pessoas que podem lanar um lbum (seja ele demo, CD, vinil, etc) e dizer que no ir vender ou que ele s para trocas. Tudo tem gasto. A gritante maioria tira o po da boca de seus filhos para lanar algum material (meu caso) e com isso um retorno financeiro ao menos em relao ao que investido seria mais que justo. Em relao s grandes bandas e s grandes gravadoras, sinceramente eu no penso muito nelas, e de corao, queria que a maioria se lascasse.
Rodrigo Da Silva  (Guitarrista da banda de Thrashcore Skombrus.)
No meu entendimento o que incentivou o chamado "compartilhmento/pirataria" foi a somatria de alguns fatores como a economia deficiente e desorganizada de diversos pases, o altssimo preo de CDs e DVDs e afins e a enorme facilidade de troca entre usurios destas mdias via internet, entre outros. Talvez o fator que mais tenha exercido fora para o incio deste "movimento em prol da troca de arquivos" seja o preo de CDs que no condiz com a situao em que ns nos encontramos. O que as grandes gravadoras fizeram foi dar um enorme tiro no prprio p. Se colocar um CD no mercado por um preo absurdo no for uma tremenda burrice e uma grande falta de respeito no sei mais o que isto pode ser. Nos dias de hoje, com o barateamento das gravaes, com a facilidade de distribuio e com um enorme pblico para diversos estilos musicais, como as gravadoras se acham no direito de cobrar preos exorbitantes por seus produtos? Ser que elas se esquecem que hoje o msico livre, que ele, por intermdio da internet, no depende mais destas enormes corporaes? Nos dias de hoje produtos oficiais, no mbito musical, so itens de luxo. E o mais deplorvel que at as pequenas gravadoras trilham este caminho de preos altos.
Na minha opinio no deve-se combater o compartilhamento/pirataria. O que deve-se fazer achar meios de se conviver com esta situao. Milhares de bandas conseguem atingir um nmero gigantesco de pessoas devido a este compartilhamento. As bandas podem at perder em vendas de CDs/DVDs mas acabam ganhando muito mais em shows devido enorme divulgao que conseguem.
O compartilhamento/pirataria no vai acabar com os CDs, o que pode sim acabar com ele a ganncia. Imagine-se chegando na sua loja de CDs preferida e achando os mesmos por preos justos, 10, 15 reais sei l. O que voc faz? Compra o CD original com encarte, com uma qualidade enorme, fotos e durabilidade grande ou vai para casa baixar o MP3 de qualidade pssima???? Eu prefiro comprar o CD original e desfrutar da sua qualidade por anos.
Gil Dessoy  (Dono da Cianeto Discos e da Cauterized Prods. )
No Brasil, direito autoral folclore. Todo mundo fala sobre, mas ningum nunca viu. Ao menos, isso o que eu ouv falar por a, de gente que entende da coisa. Portanto, ningum realmente fiscaliza nada, a no ser o ECAD que quiz dar uma de bonzo esses dias, e quebrou a cara por ter sua "equipe" formada por imbecs que nem sabem o que fazem. Ningum ganha nada aqui com direito autoral.
Novamente, citando nosso belssimo pas, caso algum realmente decidir que algo realmente deveria ser ficalizado, certamente no iria funcionar (a fiscalizao), nada funciona nessa bosta.
Banda que quiser vender algum CD, tem que tocar ao vivo, e vender barato. CD a R$15,00 caro hoje em dia, pra banda underground de msica extrema, o povo no paga. Ter banda/selo/distro no Brasil e visar lucro, at bobo, tem que fazer por amor. Tem que deixar a porra toda de graa pra download, e, quem ainda gosta de ter o material fsico, sempre vai saber onde encontrar, em edies a cada dia, mais limitadas.
Brasileiro no sabe respeitar a arte, e adora dar calote, ento, download perfeito pra esse povo lindo e burro.
Marcelo  (Integrante da banda Pentacrostic.)
Pergunta interessante... Antes mesmo dessa "popularizao" tecnolgica, nosso gnero musical difundiu-se aliado venda da mdia vigente na poca [o consagrado vinil (em formatos "LPs, "Eps", "flexy discs", "Picture discs", etc.) e as fitas K7s], muito em grande parte por material copiado em fitas K7s.
poca, me refiro dcada de 80. Pela pequena quantidade de material fsico nacional, digamos "original" (vinil), disponvel para compra em lojas especializadas, o grande "difusor" do gnero foi a "pirataria" em forma da fita K7.
 
Material de qualidade apenas importado. Juntavam-se os amigos, faziam a conhecida "vaquinha", comprava-se um ou mais vinis "gringos" por ms, que eram copiados pelos mesmos em K7s, para apreciao domstica. Esta servia como "moeda de troca" na apreciao de outras bandas as quais os mesmos no conheciam. No se esqueam dos chamados "sons inditos", aqueles que o sujeito conseguia a "muito custo", pois tinha um "correspondente" nos EUA ou Europa, pela troca de material nacional, e escondia no fundo da gaveta para se vangloriar que "apenas ele tinha"! Quem melhor divulgava as bandas?
 
Essa "pirataria" foi a queda ou o "boom" do Metal na poca? Foi a divulgadora ou o bloqueio de um estilo musical restrito que solidificou-se sem a existncia de internet e MP3 e recursos financeiros em um pais de 3 mundo como o nosso? O f deixou de assistir aos shows e comprar material de suas bandas preferidas?
 
Em relao s gravadoras, organizadores, agentes, empresrios e afins, as bandas sempre ficaram com a menor fatia. O verdadeiro "banger" sempre comprar o material original pelo fato de esperar um melhor lbum no prximo trabalho de seu artista preferido. Mesmo que nem sempre conte com recursos financeiros, ele sabe que isso a base para a longevidade da banda. Agora, a pessoa sem recursos financeiros deve ser proibida de ouvir seu artista preferido pelo fato de no poder comprar o material original? Voc acha que o METAL conhecido em cada pequeno, longnquo e desconhecido pas do globo pela venda de material original?!?
 
No meu ponto de vista, as bandas se adequaram e evoluram musical, econmica e tecnologicamente aos tempos atuais, fazendo bom uso da tecnologia e economia vigentes a seu favor; enquanto que os que lucravam nos bastidores tiveram sua fatia drasticamente reduzida, pelo pouco trabalho e inadequao a poca. Mal acostumados pelos "esquemas fonogrficos milionrios", perfeitos e imutveis at ento, comearam uma "caa as bruxas tecnolgica" pela perda de dividendos e comodidade. No acho que uma banda morrer de fome pelo fato de seu material ter sido divulgado em forma de mdia digital num pas desconhecido. LP ou CD? Fita K7 ou mdia digital? Gravadora, empresrio ou f? Quem voc acha que melhor divulga a essncia musical e ideolgica de uma banda? Quem tem maiores possibilidades de acabar com o futuro e sobrevivncia do METAL EXTREMO?
 
A "democratizao da tecnologia" tambm assegura a sobrevivncia das bandas e msicos iniciantes. Isso equaliza a antiga diferena de se ter ou no recursos financeiros para compor, gravar e divulgar o prprio material e que hoje pode ser apreciado por qualquer f em cada pequeno, longnquo e desconhecido pas do globo em tempo real. Analisando friamente, quem assegura o futuro e a sobrevivncia do METAL EXTREMO so os verdadeiros HEADBANGERS que tm Metal correndo em suas veias e que no compram o lbum da banda apenas pela msica tema da novela do horrio nobre. Se no tivermos quem oua e goste do nosso trabalho, o que importa se vinil, fita K7, CD ou MP3? Uma soluo justa? Adequao temporal!
Inkubus  (Integrante da banda Imperador Belial.)
Bem, essa uma questo complexa e tem mltiplos aspectos mas vou tentar no me estender muito. Acredito que o direito autoral deve ser preservado pois ele que garante a sobrevivncia de muitas bandas e selos.

Sou absolutamente contra o download ilegal, se uma banda ou selo coloca o trabalho a disposio para ser baixado gratuitamente ou se cobra um preo simblico pelo download, tudo bem. Mas se a obra foi colocada para download por terceiros acho uma atitude anti-tica e anti-Metal, principalmente quando se trata de bandas undergrounds. 

Quem disponibiliza uma obra para download ilegal no tem ideia dos custos, trabalho e dedicao envolvidos por trs, pois uma banda gasta com aquisio/manuteno de equipamentos, ensaios, processo de gravao/mixagem/masterizao e os selos por sua vez gastam com arte grfica, prensagem, divulgao, distribuio do material e ambos merecem ter um retorno digno do investimento que tiveram.

Quem se considera headbanger e f de alguma banda deveria adquirir o material oficial e apoiar a banda que curte e no "roubar" na net seu material.

Acredito que o verdadeiro headbanger sempre ir prestigiar as bandas merecedoras e apoiar a cena, adquirindo material oficial das bandas e comparecendo aos shows, porm este headbanger est cada vez mais raro de se encontrar.

Enquanto as pessoas que se dizem envolvidas com o Metal continuarem a fazer downloads, o nmero de bandas e selos lanando albuns s tende a dimunir cada vez mais, e isso se reflete tambm em outros aspectos da cena como por exemplo o nmero de pagantes em um show. H 10, 15 anos atrs era comum show underground com 400, s vezes at 700, 800 pagantes, hoje em dia quando tem 200 pagantes num show motivo para se comemorar, coincidncia??? Pensem e reflitam. 

Saiam da frente de seus computadores a vo aos shows bater cabeas, comprem zines, demos e CDs ao invs de baixarem e movimentem a cena!!
Dbora Brando  (Dona da Metal Media.)
Realmente um assunto complexo e delicado. Se de um lado o msico/compositor/banda perde dinheiro com a violao de seus direitos autorais, por outro lado, o mesmo ganha uma promoo massiva e gratuita de sua obra.
 
No acho que exista uma soluo simples para esta situao, o download ilegal pune de forma sumria especialmente os msicos independentes que investem recursos prprios para lanar seu material e dependem diretamente deste retorno para viabilizar um sucessor deste trabalho. S que esta mesma banda independente no teria o alcance que a internet lhe d mundialmente apenas com recursos prprios.
 
Uma opo seria a banda lanar seu material tanto virtualmente quanto fsico, mas em menores quantidades, transformando o produto fsico em uma espcie de "souvenir" para os fs que comparecem aos shows e querem uma lembrana mais palpvel de seus novos dolos. Os shows seriam tambm a forma do grupo se recapitalizar para o lanamento de novos trabalhos e consequentemente de novos shows.
 
Mas, como tudo tem seu porm, esta no uma situao to simples de ser realizada em pases de terceiro mundo e em desenvolvimento, como o Brasil. Nosso pas carece de um circuito de shows, produtores profissionais e honestidade, em ambos os lados, mas no generalizando.
 
Essa busca pelo meio termo da luta "Direitos Autorais versus Compartilhamento Ilegal" ainda vai longe e teremos muitos captulos para os prximos anos.
Oscar  (Integrante da banda Queiron.)
Muito se fala e ouve sobre essa questo, no que diz respeito pirataria, ela no nosso caso ainda benfica, pois apesar dos 17 anos de estrada ela um fantstico propagador de nossa msica, uma vez que ainda contamos com tiragens limitadas de nossos CDs. sabido do descaso com vrias bandas nacionais, que podiam estar em outros patamares. Enfim esse no o foco!
 
Penso que so vrios os fatores e um misto de baguna generalizada que contribui para que a pirataria exista, um deles explorao das gravadoras em cima das obras, isso sem falar nos contratos absurdos. No sei como funciona em outros pases, mas compare o preo em reais de um CD Importado e um Nacional, voc se surpreender. A causa? Os impostos, e a sua vontade e seriedade ao levantar no domingo de manha e exercer o voto! Alerta aos msicos, pagamos verdadeiras fortunas por algo de qualidade.
 
Estamos em um tempo onde as coisas esto rpidas, a comunicao o acesso informao, hoje nos deparamos com uma enxurrada de bandas e lanamentos como nunca j visto em tempos remotos, no bastando muita coisa de tima qualidade.
 
Bom, sendo modesto vamos dizer que temos em mdia 100 lanamentos por ms a 25,00 cada, so 2.500,00 por ms, isso sem levar em conta, a cerveja do fim de semana e alguns shows a pelo menos 100,00, dentre outros gastos dirios. Coloque na ponta do lpis, e se voc ao menos tentar consumir metade disso tudo, j estar quebrado financeiramente, ora se levarmos em conta nosso pas, 90% da populao no ganha o suficiente pra manter tal luxo, penso que em outros pases no seja to diferente. fato, quantos CDs e DVDs voc comprou neste ms? Se for mais que cinco, aposto que no prximo ms voc dir que sua cota encerrou por este ano!
 
como disse, uma baguna generalizada, misto de explorao, gesto publica e muita oferta, a consequncia? Pirataria! A sada? Por hora no vejo uma, e talvez se enxergasse alguma, estaria sendo indicado a um Prmio Nobel!
 
Fecho dizendo: Viver de musica est cada vez mais ligado sorte. Ns, diante de tantas dificuldades ainda fazemos por amor a musica!
Compartilhe essa matéria!
Divulgue!
Nome:
E-mail:
Site (opcional):
Texto:
=

Parceiros