Em nenhum momento na história do Metal Underground as coisas foram fáceis, não só para as bandas, como também para zineiros, organizadores e promotores de eventos, público em geral. No início, como todos devem saber, as dificuldades a serem superadas são principalmente a falta de informação, a aquisição de instrumentos de qualidade, lugares que aceitassem shows de bandas "barulhentas", preços absurdos dos discos pelo fato de terem que ser importados em alguns casos (aqueles que não eram lançados no Brasil) e por ai vai... A lista pode se alongar muito mais do que isso. O tempo passou, a tecnologia mudou a vida de todos os seres humanos do planeta e o Underground continua a enfrentar, senão as mesmas, grande parte das dificuldades citadas (embora outras tenham surgido). O fato da facilidade de acesso a informação, a discos, preços mais acessíveis de instrumentos, menor preconceito contra headbangers e conseqüentemente maior acessibilidade na locação de um lugar para organizar um evento Underground, entre outras coisas, eram para dar uma "subida" na moral da nossa cena. No entanto, hoje vemos coisas ridículas como cachaceiros com camisetas de bandas em frente a um show Underground, reclamando que tem que pagar 5 pila pra entrar mas, no entanto, gastou muito mais do que isso com a cachaça que bebe ali na frente. Aquela merda, oriunda da cultura brasileira, de querer lucrar em tudo (no tempo, na grana), de querer tudo de graça das bandas, sem se tocar que comprando materiais delas estará alimentando aquilo que gosta (se é que realmente gosta) que é o Metal Underground. Outra coisa é aquele velho sentimento de olhar mais para o que acontece lá fora do que para nossas qualidades internas. Há muitas bandas de qualidade aqui no Brasil, porém ainda existe um certo sentimento de "o que é nacional não deve ser bom, na gringa é melhor" como se tinha com produtos nacionais, antigamente. A falta de vontade de acompanhar o que está acontecendo aqui na nossa cena, e lendo apenas o que é de famoso - em sua maioria as bandas gringas - e, mesmo que esteja usando uma camiseta da banda de um amigo, ainda assim não acompanha as informações sobre outras bandas tão boas quanto, aqui do Brasil. Em shows, se perdeu também aquele agito que havia muito antigamente, os pogos. Hoje em dia se vê muito mais pessoas preocupadas com o visual apenas (como se Metal fosse apenas isso), observando se o cabelinho tá arrumado, se o preto da roupa está novinho, etc., não agitando ou bebendo muito para que não vejam seus "lindos cabelinhos" amarrotados ou fazendo "fiasco" quando bebem. Não que 'beber' seja uma condição para quem freqüenta shows de Metal, mas esse comportamento de querer "aparecer bem na foto" com certeza não é. Vê-se pessoas com os braços cruzados, só olhando as bandas. Dá vontade de chegar e perguntar: "O senhor deseja que eu lhe traga uma cadeira para sentar aqui na frente do palco?". Onde está a garra, o tesão, o feeling do povo que se diz habitar o Underground hoje em dia? O que mais motiva as pessoas que ainda batalham por ele nesses tempos onde essas dificuldades estão numa crescente lamentável?

Fizemos uma seleção de pessoas que conhecemos como batalhadoras, empenhadas ou, então, críticas desse nosso Underground nacional. Pessoas que, ao nosso ver, de uma forma ou de outra, não se encaixam nessas futilidades de hoje em dia, que citamos (em parte) acima. Queremos saber o que elas ainda sentem, o que elas enxergam no Underground nacional que faz valer a pena, mesmo com todas essas dificuldades, ainda se esforçar para que ele se mantenha firme e vivo.

Ento perguntamos aos entrevistados: O que te motiva a continuar batalhando pelo Underground?


Essa matéria foi elaborada por Alex Neundorf, Carrascu, Rodrigo Simetti, e publicada no dia 01/04/2011.
Fabiano Penna  (Guitarrista da banda de Death Metal The Ordher)
Underground: Mainstream em outra escala.
Tenho falado nos ltimos anos, seja em entrevistas do The Ordher, ou mesmo em conversa com amigos, que pra mim o Underground a cada dia prova que no passa duma cpia do Mainstream em propores infinitamente menores. Antes de dar argumentos pra sustentar minha afirmativa, quero dizer que pra mim, em resumo, o Underground um estado de esprito, alguns so assim e outros no. O Underground visto como um movimento cultural e coletivo, que existiu no passado, esse j acabou faz muito tempo na minha viso. O que algumas pessoas ainda tentam salvar desse movimento que existiu no passado, o movimento Underground, conta com meia dzia de guerreiros no sentido literal da palavra, porque quem segue defendendo uma causa praticamente perdida, s pode ser chamado de guerreiro. O resto, so moleques seguindo uma tendncia, essa a verdade. Eles ouvem Metal hoje, mas poderia ser qualquer outra coisa, no h realmente uma identificao verdadeira com o estilo de msica e muito menos com o estilo de viver chamado underground. Por isso afirmo que o movimento hoje, uma cpia exata do que o Mainstream, o que difere o tamanho e a quantidade de dinheiro injetado no segmento. Claro que ainda h gente boa por a, e isso inclui bandas, zineiros e at fs, mas realmente so poucos pra fazer com que as coisas andem pra frente e sobrevivam. E convenhamos, no adianta termos algumas boas bandas, algumas boas publicaes, se no temos uma massa de fs que vo ajudar a sustentar isso, pagando entrada nos shows, comprando discos e camisetas, etc. E sem dinheiro, nada sobrevive, essa a verdade. Quem ainda no est ciente disso, ou nasceu em bero de ouro e no precisa ganhar dinheiro pra viver, ou vive numa realidade paralela. E tudo isso um problema cultural aqui no nosso pas, porque a grande parte das pessoas envolvidas com o Underground vem de famlias de classe mdia pra baixo, e se o cenrio em si no se sustenta, essas pessoas acabam por sair dele pra encontrar outras alternativas de vida, como qualquer adulto obrigado a fazer dentro do sistema que vigora. E a culpa de quem? De todos. A banda que passa a vida inteira tocando de graa culpada, porque ajuda a manter um sistema pobre que no se sustenta vigorando... E um sistema que no se sustenta s tem um fim: a sua extino. O ''produtor" de shows, que quer que a banda toque de graa, que quer que a banda faa todos sacrifcios pra ele poder organizar sua 'festinha' particular com uma 'bandinha' tocando pra ele e seus amigos de graa, enquanto dinheiro pra bebida no falta nunca. O 'f' que fica na porta do local bbado, enchendo o saco, que no bota 1 real que seja pra alguma coisa andar... Enfim, a lista grande e no acabaria nunca. A soluo de tudo? Profissionalizar o underground, no h outro meio. No dia que produtores de shows tiverem a conscincia que, pra organizar um evento, deve-se buscar parceiros pro evento 'se pagar', as coisas comeam a mudar. No dia que as bandas se lembrarem que a msica um meio de vida e sustenta muita gente, e que uma afronta tocar de graa, e comearem a exigir um mnimo pra sair de casa, as coisas comeam a mudar. Porque tudo uma reao em cadeia. O f que v um show bem organizado, que sabe que a banda que est no palco tem um mnimo de profissionalismo, esse f vai valorizar o evento. Pode demorar, mas uma hora vai valorizar. Agora, por que o f valorizaria um evento que nem o produtor e a banda valorizam? O produtor chama uma banda que toca de graa porque mais cmodo, sobra mais tempo e dinheiro pra ele ficar bebendo. A banda vai tocar de graa porque tambm mais cmodo. E a culpa do f no final? No, o f o ltimo da cadeia, ele s t 'selando' o tratado que todo mundo que t acima dele acabou de acordar: o tratado de continuar tratando o underground como uma brincadeira de adolescente, amadora e mal feita. Enquanto isso no mudar, boas bandas vo acabar, msicos vo tocar outros estilos mais comerciais pra pagarem suas contas, bons zineiros vo buscar espao na mdia profissional e vo tratar de outros assuntos pra garantir o seu, bons produtores de shows vo trabalhar com outros estilos, e o underground vai seguir descendo ladeira abaixo.
Leonardo Schneider  (Baixista da banda de Death Metal Hammerfest, organizador do Storm Festival)
Temos pouqussimas pessoas interessadas em manter isso que chamamos de cena Underground acontecendo, ento penso que os principais motivos pra se continuar batalhando esto mais ligados satisfao pessoal de se fazer um barulho e ainda poder acompanhar as nossas bandas favoritas de perto do que com alguma pretenso de profissionalizao. Em nosso Underground creio que em todos os locais enfrentamos os mesmos problemas conhecidos: falta de estrutura, de grana e de unio entre pblico/bandas. Mas o que realmente frustrante a atitude de muitas pessoas que acham que ser headbanger vestir roupa preta e beber vinho barato. Creio que todo produtor ou proprietrio de casas de shows j se deparou com aquela famosa situao de que, apesar de se montar um cast muito bom e com ingressos acessveis, a galerinha do mal prefira ficar bebendo na rua. Certamente que temos pessoas que realmente no tm condies financeiras pra prestigiar os shows, mas em geral no o que acontece. Aqui em So Leopoldo/RS temos uma casa que promove shows de Metal Extremo regularmente, e j ouvimos de bandas de outros estados como Rio de Janeiro e So Paulo que vieram tocar aqui coisas do tipo: Seramos mais felizes se em nossa cidade houvesse um lugar legal assim pra tocar. E apesar disso as pessoas aqui da regio que dizem gostar de Metal e que tm toda a facilidade pra ir a shows e ver bandas excelentes, muitas vezes boicotam os eventos. Na Europa tambm no existiriam circuitos para tours, festivais e investimentos caso no houvesse suporte de pblico, ento creio que em nossa realidade o que mais necessrio uma mudana de atitude das pessoas, pois temos bandas excelentes e que so respeitadas no mundo todo. No Brasil estamos engatinhando ainda em muitas questes, mas aos poucos tenho esperana de que as coisas melhorem. O Metal pode sim tomar mais espao e com isso receber mais investimento de tempo e dinheiro para se fortalecer.
Cristiano Passos  (Baterista da banda de Metal Punk Antichrist Hooligans)
A cena Underground atual bem diferente da cena de outros tempos, nos idos da dcada de 1980, quando as dificuldades de obter aparelhagem, comprar discos, organizar shows e at mesmo de comunicao eram superadas pela garra incomum daquela rapaziada que ajudou a consolidar uma cena que vinha se formando desde o incio daquela dcada. A cena que comeou pequena em centros maiores, como BH, SP e RJ, logo se espalhou pelo pas inteiro e tomou as cidades de mdio e pequeno porte, cobrindo todas as regies do Brasil e conectando, via correio, bandas, zineiros e fs de som pesado em geral. Era a poca de bandas como Necrovomit, Invoker, Nuctemeron, Necrobutcher (da qual eu fazia parte), Masturbator, Dissector, Trucidator, Impurity, Infantricide, Mayhem Decay Cudgel, Necrfago, stia Podre, Ultra Violent, Expulser, entre outras tantas, que mantinham tambm um forte contato com a cena do exterior, sem valorizar mais este ou aquele pas, mas simplesmente apoiando tudo que era Underground, independemente da sua origem. Acredito que, nessa poca, embora fssemos tambm marcados pelo secular atraso latinoamericano, as cenas daqui e de fora se equivaliam e no havia preconceito entre os headbangers em geral, que tambm assimilavam o hardcore/punk sem maiores problemas. Atualmente, porm, o Underground, embora tenha mais pessoas envolvidas, padece de problemas crnicos que se arrastam desde aqueles tempos difceis, com um agravante: a turma hoje parece ter laos mais fracos entre si, como se a facilitao dos meios de comunicao tivesse tambm afrouxado relacionamentos que eram bem mais fortes, apesar das distncias e das dificuldades que todos os headbangers e punks encontravam para manter o movimento ativo. Parece que a alienao se generalizou um pouco mais e que no h uma conscincia mais forte acerca do mundo que nos cerca e da concepo do que ser Underground em relao ao "mainstream", polticamente falando at, sem que esse envolvimento com o metal e o punk no deixassem marcas mais profundas na vida em geral. Contudo, apesar de tudo isso, ainda me sinto extremamente motivado ao lidar com tudo que envolve o Underground, muito mais por uma satisfao pessoal, por ter amigos que ainda vivem o meio e por, volta e meia, ainda encontrar um pessoal mais novo que tem, sim, a garra de antes e que quer manter a histria viva, renovando-a sem jogar na lata de lixo tudo de bom que o Underground j produziu. Somente por isso e pela emoo de poder participar desse "fenmeno", vale a pena, sim, ser Underground! Underground rules!
Luciano Hoffmann  (Baixista da banda de Death Metal Predator)
Saudaes caros amigos, aqui quem vos fala Luciano Hoffmann, baixista da banda de Death Metal Predator. 
Hoje em dia temos mais acesso a informao do que antigamente, antes para mantermos contato era tudo por carta e demorava muito pra vc entrar em contato com outras bandas e zines. No quero criar uma crtica destrutiva, apenas construtiva que espero que os leitores leiam e entendam o que este velho head banger tem a dizer.
Vamos l ento; no meu ponto de vista devemos valorizar muito mais as bandas e trat-las (sendo essas merecedoras) com o devido respeito e dignidade; isso serve tambm no s para as bandas, mas tambm para zineiros e produtores de shows, pois so essas pessoas que mantm o Underground vivo.
O cara que chega a um show e fica na frente arrumando confuso enchendo a cara e no entra, por causa de uns trocado, ou aqueles que nem vo aos shows por que acha que tem uma banda e a deles sempre a melhor, no lem zines e no fazem nada para apoiar a nossa cultura Underground (pois acredito que o nosso movimento e sempre ser uma forma de cultura); sinto dizer meus amigos mas gente assim no head banger de verdade.
Amigos eu vos digo que vou a shows e gosto muito de ler zines, aqui em Caxias do Sul muito difcil ter eventos, mas quando tem procuro ir, principalmente se for bandas novas, essas merecem apoio; a gente no sabe o futuro, pois um dia podem se tornar grandes bandas.
Concordo plenamente com a afirmao de se comprar zines e materiais das bandas, pois estaremos apoiando o que gostamos de verdade.
Devemos saber uma coisa: o verdadeiro head banger no aquele que s usa camisa de banda ou tatuagem e fica em casa baixando msicas e vendo shows pelo YouTube. O verdadeiro head banger aquele que tem no sangue e em sua ideologia sempre querer melhorar o nosso Underground. Como podemos fazer isso? Simplesmente indo a shows, apoiando as bandas zines, web zines e se informar o mximo possvel sobre o verdadeiro metal; pela sua histria e suas vertentes culturais. Tendo em vista sempre a humildade e crermos sempre que podemos aprender com a cultura Underground cada vez mais.
Uma coisa vou lhes dizer: errado acharmos que bandas gringas so melhores que bandas nacionais; no devemos nada a ningum, nosso pas riqussimo de bandas excelentes e ns devemos valoriz-las e respeitar o seu trabalho com a dignidade que elas merecem, existem bandas gringas boas mais aqui em nosso pas tambm tem como em qualquer lugar do mundo.
Devemos nos motivar com nossos coraes para fazermos um Underground melhor para todos os envolvidos com nosso movimento, com o respeito e a dignidade que ele merece, pois s assim teremos um resultado satisfatrio para todos.
Falo-vos com toda humildade, pois no sou melhor que ningum que estar lendo este texto.
E do fundo do meu corao lhes agradeo se lerem este humilde comentrio deste velho metaleiro, e reflitam sobre ele, pois acredito que se unirmos foras faremos um Metal melhor para todos. Um grande abrao a todos! Do seu irmo Luciano Hoffmann.
Wellington Slander  (Organizador do Night of the Living Dead Festival)
O metal no somente um gnero musical e sim um estilo de vida. A grande questo : onde e quando isso realmente verdade ou somente um esteretipo? Quem tem o direito de julgar isso? Pois bem, venho me perguntando isso h muito tempo... E no tenho resposta... S porque eu gosto de certa banda e odeio outra no significa que as bandas em questo so ruins ou boas, isso no uma verdade absoluta, s uma questo de gosto musical, mas isso sempre existir no metal. Sei que minha opinio polmica, mas sinceramente acredito que a unio entre Headbangers uma utopia, estilos diferentes se odeiam, pessoas com cabelo diferente se odeiam, bandas se odeiam... Enfim quais seriam as razes para continuar batalhando? Metal no d dinheiro... bandas no tm espao... Cds, Lps so caros... Ingressos so caros, e quando so baratos ningum entra porque banda nacional... Pergunta difcil essa, mas para finalizar a resposta simples: voc a razo!!! Se voc acredita na sua banda, no importa se vai gastar todo seu dinheiro em equipamentos, ensaios e gravaes... Se voc acredita em seu evento, no importa se dar lucro ou no, se ter varias pessoas do lado de fora bebendo (se colocando na posio ridcula de um esteretipo criado por uma sociedade preconceituosa!)... Se voc acredita no seu Zine no importa o nmero de cpias ou acessos, importa o empenho em divulgar o seu estilo de msica e as bandas que voc gosta... Resumindo se voc tem banda, promove ou prestigia eventos, compra ou vende CDs e LPs, edita ou leitor de zines... VOC um soldado nessa batalha e o seu motivo simples: O eterno e verdadeiro HEAVY METAL!!!
Mkult  (Integrante da banda de Death Metal Coldblood)
Posso dizer que pra mim mais do que um trabalho uma paixo, esse o verdadeiro motivo, est no sangue e depois de quase 2 dcadas com o COLDBLOOD e apesar de todas dificuldades no encontrei motivos para no continuar, pelo contrrio, continuarei trabalhando e contribundo para o metal nacional. Posso ficar velho para fazer turns mas sempre estarei novo para compr e gravar lbuns.
Lucas Fernando Scaravelli De Re  (Vocalista do Zombie Cookbook)
Meu primeiro contato com o Underground foi quando eu ainda morava no oeste do estado de Santa Catarina, mais precisamente em Chapec. L tive meu primeiro contato com o Sepultura, eu devia ter uns oito anos de idade e o que mais mexia comigo era justamente o esprito que envolvia essa atitude (a pichao), era andar pelas ruas da minha cidade e todo dia encontrar em algum muro uma pichao escrita SEPULTURA, noutro escrito RAMONES, noutro NIRVANA, e outras bandas.
No estou aqui defendendo a pichao dos muros da cidade, apesar de j ter praticado tal ato e no trat-lo como ato de vandalismo e sim uma espcie de arte/expresso urbana, mas isto geraria outra discusso que no vem ao caso agora. O que estou defendendo este sentimento de expressar, seja em forma de pichao, seja atravs de camisetas, da troca de material, da compra do material, isto est tudo envolvido, ou o camarada que pichou Sepultura naquele muro no era ou ainda um f da banda? Ele pichou simplesmente por que o nome Sepultura vai chocar a sociedade? Ou por que achou bonitinho? Acredito que no, acredito que muitos alm de mim, aps verem as pichaes, sentiram o mesmo que eu, a energia que aquela grafia passou, a agressividade que ela passou, se identificaram com ela e foram atrs de material da banda (por isso mais uma vez defendo isto como uma forma de expresso e no um vandalismo).
Novamente, no estou dizendo: "querem ajudar o Underground? Saiam nas ruas com suas latas de spray e pichem o nome das bandas que gostam pela cidade". Estou dizendo: "Quer ajudar o Underground? Ajude, demonstre atitude Underground, vista a camisa da sua banda preferida, escute o CD dela, discuta com outras pessoas, alimente este sentimento que pode ser que esteja dormindo dentro de voc, comparea aos shows, ajude as bandas do cenrio local, s com um cenrio local que se consegue um cenrio regional e conseqentemente estadual e nacional, ou esto esquecidos dos cenrios de BH, de So Paulo, de Braslia, de Curitiba, dentre tantos outros".
Isto no serve apenas para o metal, agora muitas bandas do cenrio alternativo esto voltando, no novidade nenhuma, se puxarmos nos registros antigos, encontrar fotos de bandas de Thrash Metal, de Death Metal, tocando junto com bandas de punk, de alternativo e de outros estilos o Underground no se resume apenas ao metal e nem s msica, como se fossemos os rebeldes dos filmes de fico cientfica, lutando contra os poderosos que vivem na sociedade, somos os ratos de esgoto, se isto no te satisfaz, pois bem procure outra turma, pois a ratalhada vive e vai continuar vivendo no esgoto. Um esgoto que transborda conhecimento, sabedoria, inteligncia, arte e principalmente essncia de viver!
Tchescko  (Baixista da banda de Death Metal Pathologic Noise)
Vemos isso acontecer por todo Brasil, por aqui no diferente...
Sempre fui um cara que fez questo de batalhar pelo Underground, inclusive muitas vezes paguei ingresso pra ver banda que nem gosto, pelo simples fato de fortalecer a cena, no entanto j passei por situaes de boicote por parte de pessoas que freqentavam minha casa...
Ento ficar na porta do show julgando e falando mal dos outros muito fcil, reclamar que a cena est fraca tambm fcil, agora fazer sua parte como headbanger e prestigiar nossas bandas, parece uma tarefa difcil pra muitos headbangers...
Sim, o que vem de fora parece ser muito melhor do que feito por aqui, grande engano, quando comearem a valorizar nossa cena a coisa poder andar...
Vejo muitas bandas procurando o mercado externo, isso acontece porque aqui simplesmente no se tem respeito por quem muitas vezes abre mo da prpria vida pessoal pra poder fazer aquilo que ama de corao: o Metal. Ento porque no fazer essa parte mnima de pagar o ingresso e prestigiar nossos guerreiros? Antigamente pra conseguir fazer contato srio era preciso vrias cartas e meses, hoje com a fora da internet, as coisas esto mais fceis por um lado, por outro se cria um monte de headbanguerzinhos que sentam a bunda em frente ao PC e vive apenas a parte fcil da coisa. preciso sim um maior comprometimento com o Metal, falar de unio fcil. Penso que a net teve um papel muito importante nisso, mas apenas um passo, j temos a ferramenta, o que falta atitude!!!!
Chagas  (Baixista da banda de Black Metal Osculum Obscenum)
De um certo modo o Underground isso mesmo, se certas coisas facilitam o acesso hoje no quer dizer que a coisa vai mudar mesmo, se fosse pra "dar certo" j teria sido faz tempo. No acredito que seja um problema isolado do Underground isso, nem da cena brasileira exclusivamente, se antes o pblico era mais empolgado, mas devotado quilo que diziam escutar, o cara vivia essa idia; mas eram pessoas diferentes, um pblico menor, outra poca. Hoje o meio de acesso outro, muito mais facil conseguir qualquer coisa, qualquer banda se pode conhecer e ter algum material, mas o mesmo acesso fez a coisa ficar leviana, o Metal deixou de ser uma ideologia para virar uma mra "cultura", daquelas que a gente conhece por fora mas no quer se envolver. esse envolvimento que falta, a capacidade de reconhecer a cena e fazer parte disso, ter conscincia do que e o que se passa no Underground.
Eu no posso esperar dos outros o mesmo teso pela msica que eu tenho, no vejo muitas melhoras do que acontece tambm, mas eu no me vejo fazendo outra coisa, mesmo com toda a merda que voa na cara, a satisfao que o Underground me d no tem igual, e sempre vo ser meia dzia de fudidos que vo continuar essa porra, e sempre vai continuar.
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