A Mortificy vem se destacando muito no cenário nacional, e até internacional em alguns casos, depois do lançamento da sua demo. Mas não pára por aí, além de ter uma grande importância no cenário amazonense, a banda vem promovendo grandes shows, como nos conta o guitarrista Daniel, que além de tocar na Mortificy também é produtor de eventos em Manaus e recentemente organizou, pela Amazon Blood Produções, o Extremo Norte que reuniu mais de 1200 bangers num festival totalmente extremo. Aqui, Daniel nos conta maiores detalhes dessa crescida da cena amazonense, sem contar é claro tudo que envolve a Mortificy até seus planos de lançamento do próximo trabalho da banda.

Entrevista feita por Carrascu e publicada no dia 04/11/2005
Carrascu: No início a Mortificy tocava com uma bateria sintetizada e só em 2003 que Robson entrou na banda para assumir as baquetas. Nos conte como vocês acharam ele, se houveram testes com outros bateristas e como eram os shows da banda quando não possuíam um batera rápido e brutal para suprir as necessidades da Mortificy?
Daniel: No inicio estávamos nos dedicando exclusivamente pela busca de um baterista que sustentasse nossa proposta, porém mesmo após de testar vários musicos não encontramos o mesmo e as idéias de composições comecaram a surgir. Sugeri ao resto da banda que começássemos a ensaiar utilizando bateria sintetizada. Como seria apenas pra ensaios todos aceitaram e demos início aos ensaios utilizando este recurso, porém vez ou outra alguns amigos assistiam nossos ensaios e acabamos sendo convidados para tocar com o Krisiun em 2002. Não pudemos resistir ao convite e nossa primeira apresentação foi utilizando bateria programa. Apartir desta apresentação surgiram novos convites e não recusamos, até que em 2003 Robson participou de um ensaio com o Mortificy e de imediato entrou para a banda. Ele supriu perfeitamente nossa necessidadde pois se identificava com a nossa proposta e era um músico excelente, ultra brutal!
Carrascu: A banda foi formada por você e Tiago Oriony, mas depois ele saiu da banda. Qual ou quais foram os motivos que o tiraram da Mortificy?
Daniel: Os tempos em que ensaiávamos com bateria sintetizada eram muito frustrantes para todos nós. Nós somos headbangers, gostamos de bangear e bateria sintetizada desmotivava muito o nosso trabalho. O Tiago ficou conosco por dois anos, batalhou muito e foi um dos alicerces do Mortificy, porém depois de tanta frustração ele preferiu sair do Mortificy. Não houve a menor discussão nem o menor desentendimento, muito pelo contrário, hoje em dia ainda nos esbarramos e ele sempre comenta que se sente muito orgulhoso pelo que o Mortificy se tornou.
Carrascu: De uns tempos pra cá a cena amazonense tem se mostrado ativa em matéria de shows e bandas, e pelo o que eu vejo a Mortificy tem papel fundamental nessa crescida do underground de Manaus. O que você tem a dizer sobre essa cena que ainda é pouco conhecida no Brasil?
Daniel: Apesar da cena amazonense ser pouco conhecida no Brasil, isso não significa que não role nada por aqui, muito pelo contrário, poucos sabem mas existem bandas de black metal aqui em Manaus que surgiram ainda no final dos anos oitenta. Temos um público devastador e atualmente contamos com eventos Thrash, Death, Black quase todas as semanas. Aos poucos a mentalidade esta mudando, estamos dando o sangue para ter uma cena mais respeitada, e muitos por aqui já aderiram a esta proposta. Além do Mortificy, estou envolvido agora em produção de eventos através da Amazon Blood Produções, e estou visando colaborar com a cena trazendo outras bandas do norte do Brasil. Já conseguimos trazer o Vermynoise e Unholy Cross de Santarem, trouxemos o Lephtospirose de Boa Vista e recentemente trouxemos o Morticinum de Belem para a primeira edição do festival Extremo Norte, que reuniu cerca de 1200 bangers, em um festival 100% extremo. Esperamos que em breve esta dedicação comece a ser percebida a nível nacional, estamos dando o sangue por isso e desde já agradecemos o apoio de todos que estão envolvidos direta ou indiretamente neste processo.
Carrascu: A Mortificy se projetou muito bem no underground nacional com ótimos comentários da mídia especializada sobre sua primeira demo intitulada "Brutal Instinct of Retalliation", lançada em 2003. Quantas cópias foram distribuídas no Brasil e no exterior? O resultado da demo foi o esperado?
Daniel: Carrascu, não tenho dados exatos em relação a distribuição da demo de acordo com seus destinos mas acredito que no brasil foram distribuídas cerca de 800 cópias, no exterior algo em torno de 100 cópias. As expectativas foram supridas completamente, antes de gravar a demo, não imaginávamos que este material teria um impacto tão concreto no underground nacional. Hoje me correspondo com bangers, zines, distros e amigos do Brasil inteiro, vários veículos da mídia elogiam nosso trabalho e apoiam nossa proposta, e isso sem dúvidas é consequência da aceitação que a demo teve na cena nacional. Aproveito este espaço para agradecer a todos que apoiam o trabalho das bandas independentes, viva o metal nacional!
Carrascu: Ainda sobre o "Brutal Instinct of Retalliation", conte-nos como foi toda a história que envolve a criação, gravação e divulgação dessa demo.
Daniel: Compor os sons de Brutal Instinct of Retalliation foi uma experiência nova, ninguém no Mortificy nunca havia composto sons brutais, e a maioria das músicas são de minha autoria, compostas antes da formação da banda se estabilizar. Assim que o Robson entrou na banda no início de 2003 compomos mais uma musica e ensaiamos intensamente até que no final do mesmo ano gravamos a demo. Na época eu já trocava cartas, então fui pedindo contatos aos meus conhecidos e enviando a demo para todos os zines que eu tinha acesso. Mandamos para zines, webzines, revistas, rádios e esperamos as críticas que para nossa surpresa foram muito positivas! Em seguida bangers de outras cidades começaram a entrar em contato conosco e a divulgação passou a fluir naturalmente. O website ajudou bastante também, mas sem dúvidas o principal responsável pela divulgação deste material é o undeground nacional que recebeu o Mortificy de portas abertas.
Carrascu: Quantos shows a banda fez para a divulgação da primeira demo e como foi a receptividade do público?
Daniel: Acredito que do lançamento da demo até agora fizemos cerca de 15 a 20 shows todos dentro do estado do Amazonas. A recepção do público é sempre muito positiva, o público extremo no Amazonas está crescendo muito e estão surgindo muitas bandas novas por aqui. Esperamos que após o lançamento do próximo trabalho possamos quebrar as barreiras e subir em palcos de outros estados para mostrar nossa fúria.
Carrascu: Agora falemos sobre o novo petardo que a banda vem gravando no estúdio Da Tribo em São Paulo. Como estão sendo as gravações? Quantas músicas vocês pretendem gravar? Existe algum selo interessado em lançar ou será totalmente independente como foi o "Brutal Instinct of Retalliation"?
Daniel: Na verdade as músicas estão sendo gravadas aqui em Manaus. O trabalho que o Da Tribo Studio está desenvolvendo é apenas na parte de mixagem e masterização do material que estamos enviando para eles. Estão sendo gravadas 9 músicas, sendo 4 regravações da demo Brutal Instinct of Retalliation e mais 5 novas composições. Até o momento não surgiu interesse por parte de nenhum selo, porém mesmo independente estamos tentando fazer o melhor trabalho possível. O trabalho de mixagem será finalizado em janeiro quando eu e meu irmão Marcelo (vocal) formos a São Paulo para mixar ao lado dos técnicos Ciero, Trek e Tchelo Martins no Da Tribo Studio, em seguida vamos batalhar para lançar o material da melhor forma possível.
Carrascu: Para esse novo disco da banda, quais são os planos para a divulgação? Vocês estão procurando fazer uma turnê para divulgação do mesmo? Conte-nos também a dificuldade que uma banda de Manaus tem para fazer uma turnê pelo Brasil.
Daniel: Sim, estamos com muitas idéias para que este material tome uma repercussão superior a demo Brutal Instinct of Retalliation. Pretendemos sim fazer uma turnê mas como você falou temos uma dificuldade que torna isso uma tarefa árdua, o fato de residirmos em Manaus nos impossibilita de sair do Amazonas via terrestre, ou seja os custos para sair do estado são altíssimos e dificilmente produtores tem interesse de investir altos valores em bandas independentes que só tem expressão firme no underground. Estamos batalhando para que com este Debut álbum possa vir a surgir convites concretos e possamos quebrar as barreiras do nosso estado para levar nossa música aos deathbangers do resto do Brasil.
Carrascu: Aqui em Florianópolis, por exemplo, os shows undergrounds tem se resumido apenas a panelinhas locais e tributos a bandas clássicas do Metal praticamente, e é deprimente quando uma banda brasileira, de extremo respeito no exterior inclusive, toca aqui para 40 pessoas por exemplo, como já aconteceu várias vezes. Você não acha que o povo underground que são realmente undergrounds, ou seja, aqueles que dão valor a shows de bandas brasileiras, lêem zines, compram CD's undergrounds e assim fortalecem a cena nacional, ainda está em número pequeno no Brasil? Qual é a sua visão do nosso underground hoje em dia?
Daniel: Sim, acredito que em relação a quantidade de bangers que lotam eventos como BMU, a quantidade de guerreiros que apoiam zines e bandas underground ainda é pequeno, mas acredito muito no potencial do underground nacional. Mesmo com muitas dificuldades ele consegue sobreviver e isso também reforça a necessidade das bandas terem que se superar cada vez mais para terem seu lugar ao sol. Aqui em Manaus, paralelo ao Mortificy estou trabalhando como promotor de eventos. Recentemente organizei o "Festival Extremo Norte" que contou apenas com bandas de metal extremo e trouxemos o Morticinum de Belem. Conseguimos reunir neste evento um público de 1200 pessoas, sendo que havia no mesmo dia outros dois shows de rock na cidade, ou seja, eram 1200 bangers que realmente priorizavam a brutalidade. Acho que as coisas estão mudando e para melhor, as bandas extremas estão passando a receber o devido respeito tanto por parte da midia como por parte dos bangers e a tendência é isso aumentar cada vez mais, fruto do esforço destes verdadeiros headbangers que compõem a nossa cena underground.
Carrascu: Muitas bandas nacionais tem se destacado no exterior e inclusive conseguindo turnês européias, como por exemplo a Flesh Grinder, Fornication entre outras bandas, que conseguem muitos shows em um mês e em vários países. Você acha que lá fora as nossas bandas são mais valorizadas do que aqui no Brasil? Você acha que a nossa cena tem um futuro promissor, onde haverá muito mais valor para bandas daqui do que para as gringas?
Daniel: Este é um assunto delicado, não posso dar uma posição concreta pois o Mortificy nunca excursionou pelo Brasil, não sei como é a repercussão do Brutal Death Metal em outras regiões, mas pelo que as bandas comentam, na gringa tem muito mais estrutura, público, as pessoas valorizam mais o trabalho das bandas que levam a sério. No Brasil tem muita banda ultra fodida, que vez ou outra se submete a tocar em equipamentos toscos, enquanto na gringa muita banda nova já tem acesso a estrutura de primeira. Você citou o Flesh Grinder, quem está acompanhando os tour reports sabe que eles tem comentado com frequência que lá eles ficam até assustados com tanta qualidade nos shows, camarins com intermináveis cervejas, enfim, eles estão sendo muito mais valorizados lá que aqui no próprio país. No Brasil todos sabemos, a maioria das pessoas preferem pagar 35 reais em um CD gringo do que pagar 18 em um CD de banda nacional, parece que muitas pessoas tem a mentalidade de que pelo fato de ser nacional a banda é ruim, mas acho que as próprias bandas estão revertendo este quadro a exemplo de nomes como Krisiun, Torture Squad, Ophiolatry, enfim, bandas que nada deixam a desejar pras bandas gringas. Tenho sim esperança de que o metal nacional ainda terá o reconhecimento que merece aqui no nosso país, estamos batalhando por isso e sensivelmente vamos acompanhando os resultados! Admirar o som dos gringos sem dúvidas é natural pra todo headbangers, mas ficar pagando pau e esquecer as nacionais não rola, a moçada tem que se ligar que temos muitas bandas excelentes no nosso cenário, o que falta é oportunidade para as mesmas mostrarem servico! Viva o metal nacional!
Carrascu: Na história do underground nacional, me cite as principais bandas que revolucionaram a nossa cena e influenciaram diretamente nas músicas da Mortificy.
Daniel: Sem duvidas bandas como Dorsal Atlantica, Sarcófago, Sepultura, Ratos de Porão, Korzus, Azul Limão, Orquídea Negra, Attomica, Holocausto, Mutilator entre muitas outras revolucionaram a cena nacional, mas as bandas que influenciam diretamente no som do Mortificy posso citar Krisiun, Rebaelliun (RIP), Abhorrence, Ophiolatry, Nephasth (RIP), Funeratus, Headhunter DC, Mental Horror, entre muitas outras, a cena nacional é fenomenal, nos orgulhamos muito de participar da mesma.
Carrascu: Chegamos ao final da entrevista, agradeço muito a atenção dispensada e espero que a Mortificy evolua cada vez mais dentro de seus propósitos e que mais oportunidades venham a surgir agora com esse novo trabalho de vocês.
Daniel: Em nome do Mortificy eu que lhe agradeço Carrascu, desejo também a voce toda força do mundo nessa nova empreita que voce assumiu com o Goregrinder! Aproveito também para agradecer a todos os leitores desse honesto artefato e convido a todos a visitarem nosso website WWW.MORTIFICY.COM. Sintam-se a vontade para entrar em contato direto comigo, teremos o maior prazer em manter contato com bangers leitores do Goregrinder Webzine. Hail Goregrinder!!
Contatos:
A/C Daniel Silva
Rua Comendador Matos Areosa, 481 (esquina)
Santo Antonio - Manaus/AM
CEP: 69029-010
E-mail: mortificy@mortificy.com
Home Page: http://www.mortificy.com
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Isabella Mach  comentou:

manda notícias de show de vcs ,nossa quero muito conhecer a banda da minha cidade bjos

27/05/10 às 19:30 Hs
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