A banda The Black Coffins, vinda de São Paulo, faz um Death Metal com traços de Hardcore e com influência de Death sueco. O grupo é formado por Vakka (Vocal) e J. Martin (Guitarra), M. Rabelo (Batera) e A. Beer (baixo) em sua formação. A entrevista foi com o vocalista Vakka, que falou sobre o split "Bvrial Breed", realizado com o Infamous Glory, o CD novo que será lançado esse ano via Black Hole e outros assuntos.

Entrevista feita por Andr Arruda e publicada no dia 28/08/2012
Andr Arruda: Apesar da banda ser nova (desde fevereiro de 2011), os integrantes da banda sempre estiverem envolvidos em diversos projetos envolvento o Metal/HC. Como foi o início da banda? Quem teve a idéia de montá-la e como foi a orientação do estilo que a banda seguiria?
Vakka:
Eu e o J.Martin sempre estivemos envolvidos com bandas acho que desde o meio da década de noventa. Ele sempre muito envolvido com hardcore, e tive alguns projetos de splatter/gore, grind mas nada relevante. Quando eu o conheci ele estava pra entrar pro Infamous Glory e eu estava envolvido com um projeto meio cover de bandas Doom que pretendia se tornar uma banda com som próprio, mas não passamos das primeiras 3 músicas... Daí pra frente ele seguiu 8 anos com a banda dele e eu em paralelo tive o Abusive Nekrotraffikh, que era um Crust/Punk completamente despretencioso que depois mudou pra Inerthe, que já era um Grindcore com uns riffs mais Black Metal... na verdade vários riffs eram totalmente chupinhados de Belphegor do Necrodemon Terrorsatan. Em 2009 ele resolveu morar na Suécia, saiu da banda e durante esse tempo a gente começou a conversar sobre montarmos uma banda quando ele voltasse, afinal mesmo depois de muitos anos de convivência, nunca tínhamos tocado juntos e nossa visão sobre música é muito parecida, era só uma questão de oportunidade pra que isso rolasse... A deixa pra banda acontecer foi em 2011 quando ele voltou. Acho que na segunda semana com ele aqui já rolou o primeiro ensaio.
A orientação da banda, no começo, era fazer um som mais focado em Celtic Frost do Morbid Tales, Bathory do primeirão... a gente tava ouvindo pra caralho o Tyrant (SWE), Dellamorte, Okkultokrati, Death Breath, também e definitivamente aquilo me inspirou pra cacete em como a banda tinha que soar. Isso foi meio que o nosso norte no começo.
Andr Arruda: Você acha que essa experiência dos integrantes aliado à ótima divulgação e a qualidade do primeiro trabalho foram as causas da banda já ser bem conhecida nacionalmente e até fora do país? Conte um pouco como foi feita essa divulgação no exterior, desde a parceria com a Karasu Killer (do Japão) e elogios de sites como a CVLT Nation, blogs do Canadá, Rússia, etc.
Vakka: Cara, trampar com a Karasu foi importante pra caralho, assim como a Equivokke, que foi quem fez o intermédio... os dois selos tem feito um excelente trabalho com as bandas que tem lançado. Sem o apoio deles no split, não teriamos conseguido coisas fodas como uma capa do Vberkvlt ou a parceria com o Dmitry do Phurpa, ou teríamos, mas de uma forma digital, o que pra nós não é o formato ideal, considerando que somos altamente ligados ao material físico de bandas e claro que queremos o nosso lançado também. Aliás com certeza o primeiro lançamento foi o responsável por conseguirmos o contato com Black Hole Prod. pra lançar o full lenght que está indo pra fábrica logo menos. 

Estar na Cvlt Nation pra gente foi realmente um marco... a primeira resenha que fizeram sobre nós ficou muito foda e aquilo motivou demais todo mundo na banda. Nós já acompanhamos o site há muito tempo, estar entre as bandas selecionadas à dedo pelos caras lá foi foda. Po, eu não vi essas resenhas do Canadá e Rússia, se tiver o link, me manda aí! hahaha
Andr Arruda: O que eu achei foi divulgação do CD e notícia sobre a banda nesses países, muito massa! Então foi através dos selos que a banda teve contato com o Vberkvlt? A qualidade gráfica do álbum foi um dos destaques do split. O trampo que o Vberkvlt fez ficou no mesmo nível dos já apresentados com o Wolves in the Throne Room e o Sunn O))). Pegando o gancho do selo, vocês acertaram com o fudido selo Black Hole Productions, do Fernando Camacho. Eu acho que para mim foi uma das melhores combinações de contrato que poderia ter, porque o Camacho faz uma das melhores artes do Brasil e vocês prezam muito essa qualidade na arte gráfica, desde desenhos fodas em camisetas até boné e patchs. Como foi feito o contato e como será esse trabalho por parte do selo?
Vakka: Valeu cara... Na real o contato com o Vberkvlt foi através do site que eu tenho, o Intervalo Banger. Eu entrei em contato com ele, entrevistei o cara e a entrevista acabou indo parar na Revista +Soma... foi capa da edição e tudo mais. Ele pirou com o resultado e acabou que a capa foi meio que uma troca. Eu sou muito fã do trabalho dele, piro demais em ilustrações, tanto que o Dead Sky Sepulchre também tem a ilustração de um estudio massa, a Viral Graphics da Grécia. No split, nós tinhamos a capa do Vberkvlt mas eu fiz todo o layout do encarte, no full, o layout é todo do Camacho justamente por que confiamos no trampo dele com todas as bandas que ele já se envolveu. 

Nossas artes das camisetas e patchs são fruto da forma como nós encaramos a banda. Eu me identifico demais com tudo o que representa visualmente o The Black Coffins. Geralmente chego em casa em um dia normal querendo só deitar e ver filme e quando vejo, passei horas trabalhando em alguma ideia nova pra banda. 

O contato com o selo foi bem natural, digo... Eu conheço o Camacho há uns anos, sou fã do trabalho dele com a Black Hole desde que eu lembro comprando meus primeiros CDs, especialmente os Splatter e tudo mais, tinhas as revistas do selo também. Quando ele comentou que estaria a fim de lançar o full, fiquei feliz pra caralho! É um dos selos mais foda que uma banda daqui possa querer trabalhar, ao lado de vários outros que admiro também, mas a Black Hole fez tipo parte da minha adolescência. Tenho um orgulho imenso de poder trabalhar com ele hoje e saber que o trabalho que nós temos feito, interessa à alguém que já lançou bandas fodas.
Andr Arruda: Este primeiro full sairá em 2012 pela Black Hole Productions, já tem previsão de quando sairá o CD? Fale-nos se ocorrerá mudanças ou se o full será uma extensão do já ótimo trabalho feito no split. As 4 músicas próprias do split parecem ligar umas nas outras seguindo uma linha clássica e com um clima muito foda.
Vakka: O Dead Sky Sepulchre tá diferente do split em vários aspectos. Primeiro na produção. Gravamos com o Bernardo (Elma) e mixamos e masterizamos com o William Blackmon (Gadget). O disco é conceitual de certa forma, as músicas tem ligação entre si liricamente e todas soam de um jeito muito peculiar... tentamos trabalhar com mais texturas, mas ainda manter a massa sonora que fizemos no Burial Breed. 

A gente contou novamente com a parceria do Dmitry (Phurpa) que fez a intro do split e agora produziu 3 interlúdios pro full lenght, sendo que a faixa título, é uma dessas. Rolou do Milosz Gassan do Morne cantar em uma das músicas que mais curto do álbum, "Chamber of Eternal Sleep". A Marissa Martinez do Repulsion também cantou no disco e o James do Facada que além de cantar, escreveu a letra de "Transition: Compulsory", certamente uma das músicas mais Death Metal old school que já fizemos até hoje.

Nesse álbum assim como no split as músicas não são lineares, a música vai tomando forma conforme o clima que achamos necessário e não pelo óbvio.
Andr Arruda: Já dá para conferir as diferentes formas do som de vocês nas duas músicas do play novo divulgadas, o "Hated 96" (inclusive com um clipe que ficou muito bom) e a "Transition: Compulsory", que ficaram muito boas. Conte-nos um pouco sobre a mixagem e masterização que serão realizadas na Suécia pelo William Blackmon e como foram feitas as participações no play novo.
Vakka: A mix e a master foram todas remotas... quer dizer, nós mandamos o material pra ele e ele nos devolveu do jeito que ele achava... depois foi só ajustar detalhes do que queriamos e o que não queríamos. Parece fácil, mas é muito complicado. Quando você acha que tá próximo do resultado, pede um ajuste e ele volta 20 passos mais longe do que você esperava, então começa de novo. Quando você tá presente na mix, você se entende na hora com o cara da mesa e pronto. 

As participações rolaram de um jeito muito massa e cada um que participou fez de um jeito diferente. O Milosz topou na hora, tava em tour e pediu uma semana pra entregar a pista dele porque ele ia até o estudio de um amigo dele. A Marissa gravou do sofá dela num iPad e o James fez uma correria do caralho, acho que teve que gravar duas vezes porque a primeira não tinha rolado pelo tempo na pista da grava... Mas ficou do caralho porque eu esperava cantar junto com ele o refrão, mas quando chegou ele fez um tempo antes e foi uma puta surpresa e todo mundo pirou do jeito que ela ficou. Com certeza com um resultado muito melhor do que estávamos esperando.
Andr Arruda: Ficou foda mesmo. O James já tocou com vocês em alguns shows, mas ao vivo ele participou do cover do Discharge que saiu no split não foi? Falando em shows, qual foi melhor show da banda até agora? O que tem marcado até o final de 2012?  Fale também sobre os planos da banda para o futuro próximo e também para o médio e longo prazo.
Vakka: Foi, a gente obrigou o James a fazer esse cover umas 3 vezes já hahaha. Em Brasília, Goiânia e em Campinas quando eles vieram pra cá.

Tem rolado alguns shows muito fodas nesses tempos cara, mas o da Verdurada foi demais em termos de som. Em Goiânia no Brutal Fest também foi monstro, puta equipo e estrutura de palco fodas. Mas eu curto mesmo tocar em lugar ainda menor quando cola uma galera e nego está afim de curtir. Fica uma vibe do kct, mesmo com equipo que não dê o resultado que a gente curte, mas só o clima já compensa.

Em setembro a gente já tem agendado estúdio pra gravar o EP 7" com 4 sons que serão 3 nossos + intro. O disco ainda não tem nome, mas as músicas estão prontas e deve sair até dezembro desse ano.

Ano que vem o foco é tour européia. Nós recebemos uma proposta esse ano pra tocar no GDL, um festival que rola em Portugal e depois partirmos pra uma mini tour ao lado do Besta, banda de lá com gente do We Are the Damned. Infelizmente dessa vez não deu, mas já começamos a nos programar pro ano que vem rolar.
Andr Arruda: Vakka, gostaria de agradecer pela entrevista. Curti a conversa e a Goregrinder.net agradece a sua participação representando a The Black Coffins. Espero ver um show da banda o quanto antes e por fim deixo esse espaço livre para você escrever qualquer coisa que quiser. Obrigado e um abraço!
Vakka: Valeu pelo interesse na banda e o espaço que nos deu aqui no blog, André. Usem drogas, bebam, arrumem briga, matem pessoas, sejam mortos e retornem à vida... Nessa ordem e façam da Terra um planeta melhor pra se viver.
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