A Ayin é uma daquelas bandas que me faz sentir vontade de continuar esse trabalho. Não estou exagerando pois o intuito da GoreGrinder sempre foi de divulgar a qualidade da cena Underground do Metal Extremo nacional, crendo e comprovando que temos bandas não só antológicas para o cenário mundial, mas também grandes revelações que só nos faz ter esperanças de que a coisa irá melhorar continuamente e que o Metal Extremo nacional viverá por muitos anos ainda. Nova, pouco conhecida, mas de uma qualidade impressionante, é a Ayin de Mato Grosso do Sul, que está prestes a lançar o seu debut CD depois de uma excelente demo lançada em 2010. Abner, guitarrista e fundador da banda, dá exemplo de que banda de Metal Extremo não é apenas som de qualidade, e sim de uma ideologia firme e sem se render a modinhas ou querer deixar de lado o que pensa para se encaixar em qualquer ambiente, só para ser vista, aqui não, aqui é Metal Extremo de VERDADE!

Entrevista feita por Carrascu e publicada no dia 03/07/2012
Carrascu: Como a banda é nova, gostaria que você a apresentasse contando um pouco de sua história. Aproveite e comente como surgiu a ideia de colocar um nome tão peculiar como Ayin.
Abner: Bem, somos a banda AYIN de Mato Grosso do Sul, e iniciamos as atividades em março de 2010. A idéia de ter a AYIN como banda já é bem antiga. Fiz a primeira música da AYIN em 2003, aos 16 anos. A música é a "Seven" da demo que leva o mesmo nome, gravada em 2010.
A temática da banda consiste em expor elementos polêmicos como política, religião e sociedade. Acreditamos que religião e política andam juntas, ou melhor, são o mesmo. Afinal, onde está a parte útil de confiar sua vida e seus costumes a um alguém? Seja lá esse alguém palpável ou outro ser!
A sociedade está há milênios sendo manipulada em sua forma de pensar e agir através da religião e da política. O ato de pensar se tornou uma raridade no meio de nossa raça. E o nome AYIN vem daí.
A palavra AYIN (ʿayn) vem dos alfabetos semitas (línguas muito utilizadas em magia e dentro das sociedades secretas - incluindo as de magia), significando OLHO. A escolha deste nome é para mostrar que estamos vivos, e atentos, sempre de olho.
Assim como religião e política usam o 'olho de hórus' (e seus outros milhares de nomes), nós temos o nosso próprio olho. Não precisamos de ninguém olhando por nós ou nos guiando. Somos donos de nossas escolhas e nos responsabilizamos por elas.
Carrascu: Vocês tem forte postura contra a religião, isso se nota não apenas pela sua resposta mas em quase todos os sites relacionados a Ayin. Isso é válido no Metal, ainda mais hoje em dia onde existem várias bandas religiosas se disfarçando para se infiltrar na cena Underground. Ainda assim, existem bandas que não tomam postura alguma quanto ao assunto, mesmo sabendo que o Metal é fortemente ligado a questões como essa. O que você acha de bandas que não tomam partido algum, ou seja, apoiam e tocam com bandas independente se são religiosas ou não?
Abner: Esta é uma pergunta excelente!
Acredito que cada um escreve sua história como acha conveniente, e claro, como pode. Só acho estranho uma banda ter músicas anticristãs e estar no mesmo palco que uma banda cristã. Prova apenas que os caras só querem tocar, ''dar certo'' a qualquer custo!É como falamos anteriormente, as pessoas não pensam mais. "É metal, tem distorção e gutural? demorou!!" É assim que elas enxergam as bandas. Mas e o conteúdo, onde fica? Isto é complicado. No entanto, prefiro que as pessoas sejam livres e aprendam com suas escolhas do que impor algo a elas. Impor idéias e mitos a religião já faz muito bem. A AYIN não toca com bandas cristãs, pois acreditamos que este credo é uma grande arma de manipulação, uma farsa. Tem algo que falamos muito em nossas letras, que é: "Ter opções não é escolher!". Optar é selecionar algo já pré-definido, um punhado de idéias já enlatadas. E escolher é ter a concepção de algo por conta própria e ir atrás daquilo! Quanto à religião em si, as pessoas precisam entender também que religião não é apenas cristianismo, satanismo também é religião, entre tantas outras. Então, no underground estamos cheios de bandas religiosas. São sempre dois lados, duas forças, como nos gibis, filmes e política.
Carrascu: Com base na sua ideia de que as pessoas devem ser livres e aprenderem com suas escolhas, ao invés de impor algo a elas, você acha que, mesmo sendo contra o cristianismo e declarando abertamente que não toca com bandas cristãs, no Metal é justo que existam estilos 'pró cristianismo' por exemplo, mesmo tu sendo contra a religião? Em outras palavras, 'White Metal' é um estilo válido dentro do Metal, mesmo você não apoiando, porém defendendo a ideia de que as pessoas sejam livres?
Abner: Não acho válido! Definitivamente não considero metal.
O Death metal tem suas características, o Black e o Thrash também, e tem inclusive características em comum, claro!! E o ''white'' o que é? Se falarem que é o oposto de black então vai surgir o "lifemetal" pra contrastar com o DEATH Metal, tudo sem distorção, sem blast e sem vocais guturais ou rasgados, afinal é o oposto! Isso é coisa de gente que nem sabe o que é metal! Quando digo que as pessoas devem ser livres significa que é contraditório tentar lhes impor algo. É como quando éramos crianças e nos pediam para não correr muito porque poderíamos cair e machucar. Adiantava? Uma criança só pára de correr excessivamente quando se machuca, e descobre o real sentido do “não faça isso”! Acredito que as pessoas aprendam algo, seja o que for por experiência própria e não pelo que o fulano diz ou disse ou ficou sabendo.
Carrascu: Por falar em oposto, onde você cita o White, e dentro do contexto da liberdade supracitada, um fato curioso em algumas poucas bandas de Black é a total dependência do que a Igreja faz. Ou seja, se a Igreja faz algo, eles tem que fazer ao contrário, sem pensar, apenas para ser o oposto. Cito um exemplo que ocorreu nesse final de semana. Soube que algumas pessoas ligadas a esse estilo criticaram um puta evento que rolou aqui em Santa Catarina pelo fato dele ter sido filantropo, arrecadando brinquedos e alimentos. Falaram que isso era coisa da Igreja entre outras reclamações parecidas, e fizeram coro para boicotarem o evento. Você não acha que a liberdade de pensar e agir devem ser totalmente independentes de uma religião, mesmo quando alguma ação coincidentemente bate com as de instituições da qual você não apoia?
Abner: Claro! Toda ação deve ser pensada e isenta de influência alheia, seja ela qual for! É como se o cara vestisse uma camiseta pensando "Ei, será que as tias da igreja vão se chocar ao me ver na rua?"!
Carrascu: E eu não duvido que isso realmente exista! Mas voltando a falar mais da Ayin, você comentou comigo que os integrantes da banda moram mais ao interior do Estado, e por isso as coisas andam um pouco mais devagar que o normal. Como vocês se viram para ensaiar, e como rola o processo de criação das músicas?
Abner: Eu moro em Campo Grande, capital do estado de Mato Grosso do Sul. Leonardo e Rafael (batera e baixo) moram em Dourados, cidade que fica a 230km de distância da Capital. Procuramos manter o máximo de ensaios possíveis, mas a questão financeira e o trabalho de cada um não permite ensaios constantes. Então, quando acontecem são sempre nos finais de semana. É uma avalanche de energia e sem dúvida puxados. Para esse disco, já tinha todas as músicas prontas e escritas em partitura. Então, cada um pega sua parte e marcamos o ensaio com todos juntos. Mesmo tendo a estrutura escrita, cada um é livre pra tocar e propor o que acha melhor para cada seção da música. Dessa forma, mesmo em cidades diferentes conseguimos obter bons resultados em pouco tempo. Estamos indo para 2 anos de atividades, e estamos satisfeitos com os resultados que obtivemos até então. Não fazemos da distância um impedimento, pois fazemos o que realmente gostamos!
Carrascu: Vocês lançaram uma demo CD em 2010 chamada "Seven". Comente sobre esse material, como ele foi gravado, sua distribuição física e a disponibilização para download gratuito na internet.
Abner: Cara, é um trabalho bem simples e cru. Foi gravado no quarto da minha casa, mas, fiquei feliz com o resultado já que é o primeiro trampo que produzi!
Quanto a distribuição física, eu diria que foi medíocre. Não nos preocupamos em distribuir ou divulgar a demo fisicamente. Optamos por disponibilizar para download. Fizemos um vídeo-clipe da faixa "Dajjal", o que nos ajudou a ter alguma visibilidade. Muitas pessoas conhecem a banda por causa do clipe. Claro, alguns fazem questão de ter o material físico e nós enviamos, só cobrando a postagem. Mas no geral, hoje a maioria se contenta em baixar o trabalho e queimar um CD-R ou ouvir em seu MP3! Quem quiser baixar a demo, o link está em nosso Myspace: www.myspace.com/ayinofficial, ou quem quiser o material físico é só enviar o pedido para: ayinofficial@hotmail.com!
Carrascu: Com base na experiência de distribuição que vocês tiveram com a demo, quais planos vocês tem para esse novo material que está atualmente em produção? Há parcerias concretizadas ou será novamente de maneira independente? Quais cuidados vocês terão na distribuição física desse material para que não acabe sendo disponibilizado novamente para download gratuito?
Abner: Ainda não temos alguma parceria para a distribuição desse trabalho. Finalizamos há pouco as gravações e só agora vamos começar a pensar nisto. De qualquer forma, o disco será lançado o quanto antes com alguma parceria ou independente. E também, com outra visão de distribuição, buscando alcançar todo o território nacional. Estar disponível na internet é algo que foge do controle. Nós não disponibilizaremos para download, mas é inocência dizer que não haverá um link por aí. O que também não é má coisa!
Carrascu: Aproveitando que você citou que não seria ruim haver links do álbum para download, queria saber sua opinião sobre direitos autorais, um assunto que nesses últimos dias tem ganho muita atenção.
Abner: Eu sempre achei a idéia do download interessante. Afinal, você pode ganhar uma fatia do público que jamais compraria seu disco. Isso é um fato inegável. E acredito que se o cara baixa e curte, logo ele compra. E principalmente: vai aos shows, consome merchan, etc. O underground sempre foi assim, mesmo antes dos downloads. Quem nunca trocou fitas K7? Isso era o download do início dos anos 90! Vejo que muita coisa é FANTASIA! É só a mesma história contada de maneira diferente! Desde SEMPRE o público teve acesso a música de graça, e nem por isso deixou de consumir (pagar por isso). Seja em material ou indo em shows, comprando camisetas, etc. Antes tudo dependia dos contatos, que dependiam de contatos. Hoje você só precisa ter acesso ao Google! Os direitos autorais sempre funcionaram, o artista tem que se informar e ir atrás de seus direitos. Muitos nem sabem como isso funciona! O lance é produzir com qualidade e ir atrás de shows.
Carrascu: E o que você acha de pessoas extremamente saudosistas, ou seja, aqueles que viveram o Underground dos anos 80 e início dos 90 que, nessa época, trocavam fitas K7 copiadas de outras pessoas, mas que hoje repudiam o MP3? Há hipocrisia nisso ou eles tem razão em reclamar que as pessoas não valorizam o que tem por estar fácil demais 'baixar'?
Abner: Cara, cada caso é um caso, mas no geral é hipocrisia. Veja, se você baixa MP3 de um disco completo e não paga por ele é o mesmo que copiar o K7 de um amigo e não pagar ao artista por isso. Estamos falando da mesma atitude em eras diferentes. A fita K7 é o torrent dos anos 80/90. Quanto a valorização, bem, eu valorizo e sempre vejo pessoas valorizando os artistas que gostam. Comprando discos, camisetas, indo em shows, etc. Hoje um artista que tem contrato com gravadora não ganha muita coisa com vendas de discos, e até mesmo o artista independente não ganha muito. Não é atoa que os grandes grupos estão produzindo esses packs/combos insanos com coisas antigas, raras, ou até mesmo novas. Estão tentando chamar a atenção do consumidor. Mas vejo que neste momento atual, a saída pro artista é também a mais ideal: os Shows!
Carrascu: Verdade, concordo que shows são mais importantes que lançamentos de materiais. E a Ayin, como são seus shows? Quais são as principais preocupações da banda ao se apresentarem ao vivo? E a agenda de vocês atualmente, como está?
Abner: Os shows são sempre carregados de energia. Sempre tocamos todos nossos sons, inclusive os novos que estarão em nosso debut, e um cover ou outro. Temos recebido uma boa aceitação em nossos shows. Quando tocamos fora de nosso estado é aquela coisa, a galera não conhece a banda muito bem então fica lá atrás só de olho. Mas com o tempo todo mundo está no mesmo clima, batendo cabeça.
Nos preocupamos muito com o som disponível. Nossas exigências são as mínimas, sem relíquias, mas com o necessário para se ter um bom show para o público.
No momento temos feito poucos shows, isso por estarmos viabilizando outras coisas para a banda como o lançamento do disco. Isso demanda tempo e somos uma banda com membros de cidades diferentes, então estamos nos estruturando melhor agora pra poder seguir em frente com mais força. Acabamos de fazer um show tributo ao Sepultura, e neste fim de semana (19/05) vamos tocar com o Vomepotro, uma grande honra para nós. Logo estaremos agendando datas para o segundo semestre, já com o disco lançado! 
Carrascu: Legal! Por falar em disco novo, agora que se passaram alguns meses, há alguma data mais provável para o seu lançamento? Quantas músicas vão compor o material? E o show de lançamento, algum plano especial?
Abner: Uma data exata não temos ainda. Pois isto envolve uma série de fatores. Iniciamos e finalizamos as gravações do disco em janeiro desse ano, mas por questões financeiras só agora - maio - que vamos enviar o disco para mixagem e masterização. Essa parte será feita com o Antonio Araújo e Heros Trench do Korzus. Ainda temos que iniciar o processo da arte do disco que já está certo do artista Raphael Gabrio assinar. Temos tudo esquematizado, a demora é apenas por falta de recurso financeiro. Falando em uma média de tempo, creio que em Agosto teremos o disco em mãos. Claro, se conseguirmos antes desse tempo será perfeito.
Gravamos 10 sons, mas ainda estamos decidindo se teremos 10 sons no play ou deixar uma música como bonus para lançar fora. Esse bonus seria da música Ruins, é uma boa música e mostra uma outra face da banda, mas nada decidido de fato.
Em relação a show de lançamento pensamos em fazer algo legal. Estamos planejando e agilizando algumas coisas, unir algumas bandas próximas e fazer um fest legal, quem sabe...
Carrascu: Em dezembro vocês divulgaram que esse debut CD se intitulará "Ordo Ab Chao". Comente sobre a escolha do nome, a temática do álbum e a ideia de como será a arte desse trabalho.
Abner: "Ordo Ab Chao" é uma expressão em latim que significa "Ordem através do Caos". Essa expressão é o foco principal das sociedades secretas. A partir disto muitos conceitos e imposições foram "vomitadas" a sociedade, que já adequada a não ter senso crítico e não conhecer a si mesma se entrega cegamente! Cria-se um problema, e fingem entregar a solução. Podemos ver isso nas religiões (todas elas), as vertentes políticas (todas elas), etc. Sempre aquela estória de revista em quadrinho: "dois lados / um problema / uma solução"! Para a grande massa, ordem é estar bem governada. Ter alguém a frente das responsabilidades e do caminho a se seguir! O que entendemos como uma atitude infantil, fraca, de quem tem medo de enfrentar os problemas e consequências de suas proprias escolhas. Veja bem, eu disse Escolhas e não Opções! Historicamente, tivemos e temos muitos casos de eugenia, extermínio em massa, etc. Alguns casos explicitos, e alguns camuflados. As guerras, problemas econômicos, o meio ambiente... cada problema tem uma solução que é imposta. E tudo sempre na mão de muito poucos. A questão aqui não é passar o ''poder'' para o povo ou nada que o ''lado esquerdo/direito da força'' nos dite. Mas sim, deixar de aceitar que poucos ditem o seu caminho, e as conseqüências que virão para as gerações futuras! Hoje, tudo é controlado. Nascemos e já entramos para o sistema. Somos catalogados e perseguidos pelo resto de nossas vidas. Como um gado marcado! O que compramos, vendemos, onde estamos e para onde vamos... tudo o sistema sabe! Onde está a nossa REAL LIBERDADE de ir e vir sem que ninguém se envolva nisto!? As pessoas vivem num mundo voyeur e nem imaginam, ou melhor... não fazem questão disto. Afinal, para elas isto é ordem. Isto é ordem através do caos! O sistema é muito mais profundo, as pessoas só enxergam a superfície!
Para a Ayin, caos é não aceitar esta condição. Não aceitar as religiões e a todos os deuses que são impostos, não aceitar a política, etc. O caos é isto, é viver livre de dogmas, conceitos pré moldados! Pensar e agir por conta própria. Suar, sangrar, o que for necessário... mas por conta própria!
A arte do play irá expressar todo esse conceito da humanidade controlada, e querendo ser controlada, por dogmas. Será algo mais impactante e destruidor do que a arte da Chaosystem!
Carrascu: Porra, muito boa essa explicação, nos faz analisar muitas coisas mesmo sabendo delas. Concordo contigo plenamente e garanto que muitos também. É triste ver essa sociedade tão fraca, mas isso vem de tempos, e uma mudança radical está, aparentemente, cada vez mais longe, com tanta ignorância imperando entre tantos imbecis por aí.
Bom, chegamos ao final da entrevista. Gostaria de frisar a imensa honra em entrevistar uma pessoa com ideias excelentes, de uma banda que me surpreendeu demais por sua qualidade e postura ideológica. Parabéns a todos da banda, que ela continue cada vez mais firme e conquistando mais público, o que é questão de tempo e dedicação apenas, pois o resto vocês já tem. Que venha o novo trabalho! Muito obrigado e um grande abraço para todos da Ayin.
Abner: Nós quem agradecemos o espaço e as palavras de apoio. E a honra, sem dúvida, foi nossa. Obrigado pela excelente entrevista, inteligente, focada no que é tão importante quanto o som: o Conteúdo! Para quem quiser sacar mais sobre a banda, basta acessarem os canais: youtube.com/ayinofficial e myspace.com/ayinofficial. Fiquem livres para nos adicionar ao Facebook e adicionar o Messenger ou enviar email para ayinofficial@hotmail.com . Sempre estaremos abertos a trocar idéias, materiais, etc. Bom, é isto. Mais uma vez obrigado, Carrascu, pelo espaço no GoreGrinder. E para não perder o costume: NO RELIGIONS, NO GODS, NO UTOPIES! Viva o CAOS!!
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