Surgida em 2005 na cidade de São José dos Campos, estado de São Paulo, a banda Chaos Synopsis vem trilhando uma trajetória firme, de muito profissionalismo e consistência. Nesta até curta existência, já lançaram dois EP’s e um single, e já em 2009 lançam seu primeiro full-lenght “Kvlt ov Dementia”, álbum este que recebeu críticas extremamente positivas. Atualmente a banda é um power trio (Jairo no vocal e baixo, JP nas guitarras e Friggy na batera) apostando numa sonoridade de fronteira entre o Death e o Thrash metal. Para esta entrevista, conversamos com o Jairo e abordamos os mais diversos assuntos, desde as repercussões do debut e da turnê pela Polônia em 2010 até questões mais genéricas pertinentes a própria cultura metal. Aproveitem.

Entrevista feita por Alex Neundorf e publicada no dia 19/08/2011
Alex Neundorf: Primeiramente gostaria de agradecer a atenção destinada ao GoreGrinder Web Zine e dizer que é um prazer para nós poder contar com a presença de vocês mais uma vez em nossas páginas (a outra foi com a resenha do debut “Kvlt ov Dementia”). Obrigado mesmo. Para início de conversa, gostaria que você nos contasse um pouco da história do Chaos Synopsis, nos dissesse como surgiu a ideia de montar a banda e como essa ideia se concretizou. Enfim, nos fale sobre a trajetória da banda. Como é de praxe, gostamos de iniciar sempre por essa perspectiva, como sinal de respeito com aqueles que ainda não conhecem a banda devidamente.
Jairo: A banda foi formada em 2005 por Vitor, que queria tocar algo rápido e agressivo, fizeram quatro shows e o baixista da época, o Hevão, pulou fora e eu assumi o baixo, nisso, no começo de 2006 gravamos a demo “Garden of Forgotten Shadows” e fizemos vários shows durante 2006 e 2007. No começo de 2008 a falta de responsabilidade do vocalista fez com que resolvêssemos virar um trio e eu assumi também os vocais, já que nos ensaios que ele não ia eu já cantava.
Gravamos um EP de um som “2100 A.D.” pra mostrar como a banda estava como um trio, fizemos alguns shows e partimos para a gravação do debut. Com ele pudemos excursionar bastante, tocando shows de abertura de bandas grandes, como Dismember, Deicide e Sinister e pudemos sair do Brasil pela primeira vez ao Paraguai e depois uma tour pela Polônia, país de nossa gravadora. Entre a gravação do debut perdemos o guitarrista Marloni e entrou no lugar o JP, mas um ano depois o Marloni voltou e seguimos como um quarteto agora. 
Alex Neundorf: Como tem sido a recepção, não só da mídia especializada, mas também da parte dos fãs da banda, do debut? A banda já conquistou muitos fãs nesses pouco mais de seis anos de banda?
Jairo: Acredito que temos construído show a show uma base de fãs. O Chaos Synopsis é uma banda criada pra poder tocar ao vivo, fazemos um show bem enérgico e sentimos a resposta do público sempre.
Quanto à mídia, a maioria das resenhas foi excelente, captando a ideia por trás do álbum e da nossa música. 
Alex Neundorf: Vocês tem pouco mais de seis anos de existência enquanto banda. Já alcançaram muitos resultados importantes no decurso desse tempo, tais como lançamentos altamente profissionais com o EP e os singles, um full-lenght que foi muito bem recebido, inúmeros shows, etc. Qual o segredo, se é que existe algum, para alcançar esses resultados?
Jairo: Trabalho duro e amizade. Nos encontramos toda semana, trocamos e-mails com ideias e palhaçadas o dia inteiro no trabalho, saímos juntos e trabalhamos muito em cima de cada ideia que aparece.
Alex Neundorf: Fale-nos sobre o "Kvlt ov Dementia". Como vocês chegaram a essa temática mais psicológica e porque abordá-la no álbum? Conte-nos sobre isso.
Jairo: A ideia começou quando escrevi as letras da “Postwar Madness” e “LXXXVI”, que tem um lance sobre loucura e tal, na época eu estava assistindo muito filme sobre o tema também e acabou juntando a coisa. Embora algumas das letras sejam já antigas, o tema se encaixava na ideia do quão louco o ser humano pode ser, através de várias atitudes, crenças, ideias e tal. Então a ideia estava aí, juntei tudo isso e passei pro Rafael Tavares (www.digitalmiasma.net) fazer a capa, e deu no que deu.
Alex Neundorf: E a respeito da "Tour ov Dementia", o que vocês podem compartilhar? Como tem sido, quais lugares já visitaram?
Jairo: Como disse ali em cima, tocamos vários shows, chegamos a ir ao Paraguai e uma tour como headliners na Polônia. Cada show que passou vimos que conseguíamos mais fãs, a galera curtia o show e agitava bastante e isso nos dá mais força para a nossa nova tour que deve começar ano que vem assim que sair o novo CD.
Alex Neundorf: Nos fale mais a respeito da tour na Polônia. Tocar fora do país é um desejo de 99,9% de toda banda, como foi receber a notícia de que estavam confirmados e ainda como headliners? Quem foram as bandas de apoio? Comente mais sobre esse episódio.
Jairo: Acho que todos piramos quando nos demos conta de que realmente estávamos indo fazer uma tour no velho continente, trabalhamos duro e consegui-lo é a realização de mais um sonho, ainda mais como headliners, até porque a Polônia possui muitas das minhas bandas favoritas e poderíamos conhecer o dono de nossa gravadora, além de um país lindo e com mulheres lindas, hehehe.
Tocamos com muitas bandas excelentes como o Terrordome, Deprived e Phosphoros, além de várias outras bandas excelentes. 
Quanto aos shows foi algo surreal, a aparelhagem era absurda comparada ao nosso underground, o público ia à loucura, comentando sobre o sangue quente latino e a energia de palco. Tomamos muita vodka, fizemos muitas amizades, novos fãs, muitas mulheres e tudo que trás felicidade à vida de um homem. 
Alex Neundorf: Ótimo, tá explicado porque toda banda que excursiona pra fora, quer fazer turnê todo ano. Mas nos diga, você tem alguma dica para as bandas que desejam realizar esse sonho de tocar no velho continente? Além de conseguir uma gravadora (ou mesmo uma distro com maior envergadura), tem mais algum aspecto que você acha necessário antes de se aventurar por aquela terra?
Jairo: Trabalho duro não só musicalmente, mas tudo que envolve o nome da banda, imagem e principalmente, contatos. A alma de todo esse trabalho são os contatos, fazer propaganda, mandar e-mail pra todo mundo e fazer a música ser ouvida.
Quando lançamos o Kvlt ov Dementia pra cá, a FreeMind até vendia pra fora e tal, mas o foco maior era o Brasil e queríamos também algo pra fora, nisso comecei a mandar e-mail pra tudo que é gravadora do mundo inteiro com o CD em anexo, foi assim que consegui vários contatos e que fechamos o lançamento pela Psycho, que consequentemente nos ajudou com a tour, então acredito que o negócio é correr muito atrás de contato.
Alex Neundorf: Aproveitando a deixa, gostaria que você comentasse como é um show do Chaos Synopsis? Da mesma forma, gostaria que você apresentasse os planos para o futuro em termos de shows. Vocês tem alguma turnê nacional engatilhada para breve?
Jairo: Enérgico, muito enérgico. Gostamos de tocar rápido, passar e ter de volta a energia do público e transformar a coisa num verdadeiro espetáculo.
Ainda não temos nada engatilhado, já que estamos terminando nosso próximo disco e provavelmente comecemos a gravar em novembro/dezembro. Começando a gravação já vou começar a fazer a agenda de shows e espero dessa vez tocar mais do que na turnê anterior, indo inclusive para fora novamente.
Alex Neundorf: O que vocês têm para adiantar sobre esse novo álbum? Já tem um título em mente, o número de faixas, etc.? Vão continuar gravando no estúdio do Fábio Zperandio?
Jairo: Temos já o título e o nome das 10 músicas, que devemos anunciar em breve. O CD tratará de 10 serial killers de todo o globo, que fizeram muita gente e muito investigador perderem muitas noites de sono.
Eu e o JP estamos escrevendo todas as letras e estamos lendo muito sobre cada caso, a perspectiva de vítimas, da polícia e do próprio personagem tratado na música. Estamos trabalhando para que o encarte não seja apenas foto e letra das músicas, terá também informações e espero que incite os fãs a procurarem mais informações sobre cada maníaco retratado no CD.
Alex Neundorf: Como funciona o processo criativo no Chaos Synopsis?
Jairo: Cada um escreve os riffs utilizando o Guitar Pro e nos encontramos toda semana para discutir se aquilo está legal, o que pode ser feito, viradas, mudanças de ritmo, linha vocal e tudo mais, coincidentemente, hoje será o primeiro ensaio para “tocar” as 7 músicas que já temos prontas, já que até agora elas estavam no papel.
Alex Neundorf: Quais são as principais influências da banda e quais as principais influências suas em específico? Aproveitando o gancho, vocês já tocaram com inúmeras bandas gringas que são influência para muita gente, comente sobre como foi o sentimento de tocar com Dismember, com o Sinister, ou mesmo com o Mayhem que, suponho, não seja uma influência direta? Qual “A” banda que vocês realmente desejariam no futuro dividir o palco?
Jairo: Ouvimos desde o Brutal Death até o Hard Rock Glam, então acho que somos influenciados pelo que há de melhor em cada estilo. Falando de minhas influências, acho que o Behemoth é uma das mais fortes, não só musicalmente, mas como eles tratam a própria carreira, shows, apelo visual e tal.
Tocar com essas bandas, principalmente o Deicide e o Dismember foi algo inexplicável. Como compreender que você está no mesmo palco que dali uns minutos estará um dos seus ídolos, alguns dos caras que te fizeram ter vontade de tocar esse tipo de som? Ou chegar ao camarim e poder trocar uma ideia, ver que é um cara que existe, não só uma foto que você cansou de ver em encartes e revistas lendo suas palavras, mas ouvi-las. É simplesmente incrível.
Eu gostaria muito de dividir palco com o Behemoth, acho o Nergal um dos gênios da música extrema moderna e gostaria de trocar uma ideia com ele, treinar meu polonês e de quebra ver um puta show novamente.
Alex Neundorf: Recentemente vocês lançaram o primeiro vídeo clipe da banda. Por sinal, um material extremamente profissional e bem feito. Conte-nos acerca dessa experiência? Porque a escolha de Sarcastic Devotion?
Jairo: É uma experiência no mínimo estranha, você dublar sua própria música, tocar em cima do som do CD, coisa difícil já que normalmente ao vivo o som fica muito mais rápido. O clipe foi gravado num casarão abandonado em Caçapava/SP pelo Vinicius da CS Music Videos (www.csmusicvideos.com). Passamos o dia inteiro gravando, tendo ideias de como fazer e tal.
A escolha da Sarcastic se deu por ser um som muito forte, que fala sobre a igreja e um pouco de sua loucura, daí a ideia de usar a camisa de força no clipe.
Alex Neundorf: Mudando um pouco o foco da nossa conversa, gostaria que você nos desse sua opinião sobre um assunto que, entre outros, nos interessa muito aqui no site. É o das ideologias que se inserem no Metal de um modo geral e que acabam por distorcer a proposta inicial do movimento que começou lá pela década de 70. Estou me referindo, pra ser mais preciso, às ideologias religiosas e a isso que chamam white metal. O que você tem a dizer sobre esse fenômeno? Sei que vocês tem uma postura bastante crítica em relação às religiões, expressas em algumas de suas letras. Fale sobre isso.
Jairo: Digamos que um nazista se case com uma judia ou o Obama saia pra jogar golfe com o Osama. É esse o sentimento que tenho quanto ao White Metal.
Acho que não existe muito o que falar sobre isso, é uma contradição total essa ideologia inserida nessa música, que originalmente era um sentimento de revolta/liberdade e nessa roda está sendo usada por uma crença que costuma pregar totalmente o contrário.
Embora seja um circuito bem mais fechado que o nosso underground, o circuito white metal, do pouco que conheço, tem uma coisa que seria muito necessária pra cena do nosso underground, união. Talvez por muitos serem financiados por suas respectivas igrejas, eles conseguem, dentro do próprio cenário, chegar a patamares musicais e musicalmente profissionais muitas vezes maiores que muitas das bandas que ralam muito no underground mas que não tem o background necessário para a profissionalização, infelizmente.
Alex Neundorf: Sim, concordo com você. Acho que ‘união’ é realmente um item que falta. No geral, as bandas querem tirar o coro uma das outras e sempre rola aquela espécie de competição. E acho que é exatamente esse o problema: a competição antes da cooperação ou colaboração. Afinal, vivemos um mundo onde tudo é competição (nos esportes, na vida profissional, etc.), na música, infelizmente, não seria diferente. É reflexo de como o nosso mundo mesmo, é organizado. É feito pra ser assim, nesse sentido, a competição ocorre porque na verdade falta lugar pra tocar, falta gravadora/distro para trabalhar, falta público pra prestigiar. É um cenário onde as coisas faltam, mesmo que de forma ilusória. Mas vamos para mais uma questão. Conversando aqui, em off, com você, acabou surgindo uma discussão muito interessante e acho que vale a pena transpormos isso para o público do GoreGrinder. Então, sem mais delongas, acho que é uma coisa bem direta e geral mesmo: o que é o Metal pra você?
Jairo: O Metal além de um simples estilo musical pra mim é um completo estilo de vida, começando pela música, que está sempre no meu aparelho de som a toda a cultura que existe nesse submundo.
E uma coisa leva a outra, a paixão pelo Metal me fez querer tocar aquele tipo de som, que me levou a conhecer muita gente, muitos lugares, culturas diferentes e tudo mais, então a música é apenas uma parte desse universo todo que é o Metal, que é algo que respiro, que me da energia pra continuar, que me transforma em alguém mais culto, mais bem relacionado e muito mais feliz. E tudo isso através daqueles riffs barulhentos que rodam em nossos aparelhos de som.
Alex Neundorf: Cara, valeu mesmo por essa conversa que tivemos e pelo tempo que você destinou ao GoreGrinder. Como de costume, deixo aqui o espaço para você comentar algo que tenha interesse. Obrigado e até a próxima.
Jairo: Agradeço o espaço e a conversa, agradeço também aos nossos fãs que comparecem aos shows, compram camisetas e CDs e tomam aquela cervejinha conosco nos shows, as mulheres que comparecem e deixam a nossa noite mais agradável e a maravilhosa cevada que compõe a bebida mais Metal de todos os tempos.
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