A banda Land of Tears, originária de Duque de Caxias no estado do Rio de Janeiro, tem uma história já que completa mais de uma década (foi formada no início desde século, no ano 2000) no underground nacional. Ao longo desse percurso já flertaram com um Death Metal mais arrastado e atualmente executam, não longe das origens, um som bastante Old School e raiz. Até o debut em 2008 com “World of Pain” a banda havia lançado também duas demos: “Canon Episcopi” em 2002 e “Total Disgrace” em 2004. Sempre sofrendo com as constantes mudanças de formação, atualmente estão estáveis com Robson Souto Maior “Night Arrow” (guitarra e vocais), Sergio Vianna “Lord Hades” (baixo) e Romulo “Orion Gobath” (bateria). Para esta entrevista, conversamos demoradamente com Robson Souto Maior, o guitarrista e vocalista da banda, onde abordamos variados assuntos, não só relacionados com o Land of Tears, mas também com o underground em geral. Apreciem.

Entrevista feita por Alex Neundorf e publicada no dia 03/08/2011
Alex Neundorf: Primeiramente gostaria de agradecer a disponibilidade para essa conversa, que afinal, já deveria ter acontecido a algum tempo. Obrigado pelo tempo e fique a vontade, o espaço é todo seu. Em primeiro lugar, como é de praxe, gostaria que você nos contasse a trajetória do Land of Tears, a história da banda até o momento.
Robson: Bem estamos na estrada desde 2000, quando comecei rearranjei antigas composições de minha extinta banda dos anos 90 o Apocryphon, fui apresentado por intermédio de uma amiga ao Sergio (Lord Hades, Baixista), que juntos demos inicio ao Land of Tears. Desde então passamos por diversas formações, já possuímos backing vocals femininos e teclados, quando nosso som era mais Doom. Hoje não mais fazemos uso desses recursos. Posso dizer que hoje fazemos o de antes, porém mais refinado, o bom e velho Death Metal Old School, que na verdade sempre foi nossa proposta, interpretada erroneamente como se fossemos uma banda de Gothic Metal, algo que nunca fomos, na verdade os recursos que usávamos, já citados, foram inseridos em nosso som, haja vista que as músicas eram oriundas de uma banda de Death Metal. Sendo assim hoje trilhamos o nosso caminho fazendo o que sempre gostamos de fazer e sempre agradamos em primeiro lugar a nós mesmos, pois se não é assim, o trabalho não é verdadeiro e honesto. A aceitação do som vem por consequência e a maior prova de que ela existe são nossas duas demos "Cannon Episcope" de 2002 e "Total Disgrace" de 2004, a participação em diversas coletâneas e um EP "World of Pain" de 2008.
Alex Neundorf: Você mencionou essas mudanças na sonoridade do Land of Tears ao longo dos anos. Eu particularmente acho normal esse tipo de mudança, pois nós nos transformamos ao longo do tempo e a música é a expressão dessas mutações. Concordo plenamente que uma banda em primeiro lugar deve agradar aos próprios componentes para depois pensar em outrem. Mas voltando a entrevista, foi divulgado recentemente que a banda estaria programando o lançamento de um full-lenght, sucessor do bem recebido “World of Pain”. Como está a preparação para esse lançamento? É realmente para 2011? Conte-nos a respeito disso.
Robson: Como tudo na vida demanda tempo e ele é um inimigo implacável, estamos procurando estar a frente dele, seguindo um cronograma rígido de ensaios e compondo em tempo quase que integral, para que possamos entrar para gravar ainda esse ano. Com certeza será o melhor lançamento da banda ate hoje, pois o material esta bem arranjado e bem técnico, será um álbum conceitual, retratando a história antiga da humanidade, sua mitologia, vultos históricos e fatos relacionados aos mesmos.
Alex Neundorf: Comente um pouco mais sobre esse novo material. Você pode nos adiantar quantas músicas ele irá conter, nome do álbum, etc.?
Robson: Sim, nosso novo material irá conter 08 faixas inéditas e ainda não tem um nome determinado para o mesmo, o provisório é "Old Legends"; é um álbum conceitual, tratando da história antiga da humanidade, passando pela Grécia, Roma, Ásia, Oriente Médio, entre outros; mitologias, vultos e fatos históricos, serão abordados, ao contrário de alguns que acham que o Heavy Metal esta se esgotando, ainda existe muita lenha pra queimar.
Alex Neundorf: Aproveitando a deixa, nos fale como funciona o processo de criação no Land of Tears. Como vocês trabalham com as músicas próprias?
Robson: Bem nosso processo é muito simples, as músicas são escritas e encaixadas nas letras que eu escrevo, às vezes eu componho, às vezes outros da banda compõem também, o que é regra é o material ser bom o suficiente para nos agradar e consecutivamente ser agregado ao repertorio da banda.
Alex Neundorf: Como foi a recepção de “World of Pain”? O lançamento abriu muitas portas para a banda?
Robson: Sim, sem dúvida abriu muitas portas, posso dizer que "World of Pain" foi um divisor de águas para a carreira do Land of Tears. Divulgado em diversos meio de comunicação e mídia especializada, tivemos ótimo retorno também por parte do público, viemos de materiais que possuíam outros elementos mais melódicos, porém não menos agressivos, de gravações que não se comparam a gravação do último material, inclusive esse prensado em Manaus e lançado por uma gravadora. Também serviu para que evoluíssemos como músicos e nos fornecesse maturidade para construirmos uma carreira mais sólida, seguindo a famosa máxima da "tentativa e erro", chegamos até aqui firmes como banda.
Alex Neundorf: Nós no GoreGrinder primamos por tentar trazer o máximo possível algo proveitoso, pedagógico, educativo, nas entrevistas e resenhas que publicamos. Para isso tentamos explorar a experiência de quem por aqui aporta. Nesse sentido, gostaria que você comentasse o seguinte: toda banda underground sofre com diversos tipos de adversidades que estão presentes no meio e que tornam o trabalho ainda mais árduo. Geralmente essas adversidades se dão com a troca constante na formação, dificuldades financeiras, divulgação restrita, tretas com produtores de shows, etc. Conte-nos que tipo de dificuldades vocês já enfrentaram (ou enfrentam) e como tentam driblá-las.
Robson: Esse é um tema que com certeza fico muito feliz de comentar, pois sou bem curto e objetivo, "banda não é pra qualquer individuo ter!", pois tocar bem e gostar de tocar não são sinônimos de poder ter uma banda! Tem gente que acha que por que tem uma pegada boa, sabe arranjar bem as músicas e têm visual, que esses são os únicos requisitos para integrar uma banda! Amigos, ledo engano, tem na verdade que se ter é muito culhão pra aturar 10 ou mais anos de estrada e continuar fazendo o que se faz com tesão e determinação E PRINCIPALMENTE FAZER O QUE SE GOSTA. Então é isso, avalie antes se você tem condições de assumir um compromisso com uma banda, se você se sentiria bem na pele de alguém que fica na pista esperando ao menos que você esteja no ensaio na hora certa e você nem aparece pra dar satisfação! Falta de grana, dificuldades e etc., são o menor dos problemas, produtor safado, panelinhas de bandas, isso que tem maturidade o suficiente tira de letra, você aperta o foda-se e segue em frente, mas formação de banda? Cara esquece a contagem (risos), pois quem lida com o ser humano sabe que é o material mais caro que existe. Agora pra quem quer e acha que vai aguentar o rojão esta afim de apanhar com banda, o meu conselho é: Pense sempre como uma banda grande, afaste de você o pensamento da mesmice que contamina os nossos jovens e pense como gente grande, se te oferecem um pão com mortadela e um refrigerante pra tocar, você manda ele dobrar e enfiar no rabo e diz que você não esta passando fome! Se associarem que pra você tocar você tem que vender ingresso, você manda ele por a mãe dele pra vender ingresso, sei que isso tudo que estou dizendo não ira adiantar muito, pois sempre irão existir pessoas que tocam em troca de migalhas, enquanto isso acontecer, irão existir bandas sacaneadas, você é tratado como se permite ser!
Alex Neundorf: Quais são as principais influências para o som do Land of Tears? Comente até onde essas influências transparecem no som de vocês e qual a importância dessas influências.
Robson: Comecei lá em 1983 com 08 anos de idade, ouvia na época Ozzy, Peter Frampton, Scorpions, etc., foi a contaminação perfeita (risos) me estragou de tal forma que nunca mais larguei o vicio do Metal, quando ouvi "Bark of the Moon", brother, pirei, então quando ouvia aqueles comercias de cigarro da Hollywood, eu pulava do sofá igual ao possuído pelo inferno (risos) dai em diante foi só alegria, quando comecei a tocar com minha antiga banda em 1991 o Apocryphon, ouvia muito Cathedral, Samael, Bolt Thrower, Celtic Frost, Dismember, GoreFest e afins, isso foi fundamental pois essas influencias me auxiliaram a ganhar um rumo próprio, mais tarde porém respeitando essas mesmas influencias e nunca as esquecendo, apesar de ter pessoas que acham que musica é moda, tocamos o bom e velho Death Metal Old School amigo.
Alex Neundorf: O que você tem a dizer sobre a atual cena carioca de Metal? Quem acompanha de longe o que ocorre por ai vê várias bandas surgindo, shows ocorrendo com maior frequência, etc., em contraste com um momento mais no passado onde percebíamos o estado em um segundo plano em termos de Metal, com pouca coisa chamando a atenção. Você concorda que a cena underground no Rio de Janeiro está vivendo um bom momento? 
Robson: Sim e não, pois se temos muitos shows hoje em comparação ao passado, antes existia uma veracidade maior em relação ao sentimento relacionado ao Metal por parte tanto do publico como por parte das bandas e organizadores também, se você tivesse que levar uma bateria inteira desmontada em um ônibus pra tocar, você faria isso de olhos fechados, por que você ama o que faz, hoje não mais encontramos com tanta facilidade pessoas com tal tesão, sem contar que existe a famosa panelinha carioca, um ou dois produteros, sim produteros, que colocam as mesmas bandas em todos os eventos, só a panelinha! Quem não é, não toca, sem citar nomes, quem mora aqui sabe muito bem quem são não é galera? Eles só trocam o nome do evento e o local, as bandas são exatamente as mesmas, chega a ser cômico se não fosse trágico. Nós do LAND OF TEARS, fazemos questão de colocarmos esse ponto em questão, por que o que é bom tem que ser mostrado e tem muita banda boa que infelizmente não consegue romper essa barreira e tem um bando de babacas filhos da puta que chupam o saco dessas merdas e acham que estão abafando, a verdade é a seguinte: uma hora a máscara cai! O Rio vai melhorar sua cena, o dia que as bandas como já mencionei antes, assumirem uma postura madura, do contrário é mais jogo ficar em casa na frente do vídeo game entornando umas geladas do que se submeter a essa falácia absurda. E podem ter certeza se alguma banda for contra o que eu disse, faz parte da panelinha e a carapuça lhe caiu bem!
Alex Neundorf: É, o problema das panelas existem em todo o lugar. Aquele lance de ‘união’ no Metal está, em alguns lugares (principalmente nos grandes centros), bem distante. Mas sem ser tão pessimista, você vê alguma luz no fim do túnel? Como tornar a cena mais unida e fazer as coisas acontecerem? O que você nos tem a dizer sobre isso, tem jeito ou é cada um por si?
Robson: Tem jeito sim, basta querer mudar! Não podemos mudar as pessoas, mas podemos mudar as atitudes das mesmas, sempre vai haver aquele lance de eu ajudo quem me ajuda, querendo ou não isso acontece, então devemos partir para o lado do respeito e apoio mútuo, você pode gostar mais de um estilo, de uma banda, mas mesmo assim você pode apoiar e/ou respeitar as demais, divulgando ainda que na internet, comentando com os amigos, postando nas suas paginas de redes sociais, etc. No fundo a resposta para a mudança está nas pessoas e nos seus respectivos interesses, enquanto somente um percentual da massa (público/banda/produtor) for ouvida e não o todo, teremos desequilíbrio, pra isso se acertar todos tem o direito de falar e de serem ouvidos, quando isso for mais democrático, teremos a tão sonhada união, agora se ela é utopia não tenho a resposta para isso.
Alex Neundorf: Já falamos sobre isso, mas gostaria que você comentasse mais um pouco sobre essas gerações mais jovens que vem se sucedendo e vão acabar, inevitavelmente, preenchendo o espaço deixado pelos ‘antigos’. O que você tem a dizer sobre novas gerações de headbangers, assim como esse novo cenário que já está quase que consolidado com as mídias virtuais, mp3, internet, boom de bandas por todos os lados, etc. Comente sobre isso:
Robson: É o futuro, ele não tem volta, ainda que se repita algumas vezes, ele anda pra frente, acho que a nova geração não pode ser crucificada pela galera da antiga, como quem diz: "antiguidade é posto", isso não é bem assim, pois da mesma forma que podemos ensinar algo pra galera mais nova, podemos sim aprender alguma coisa, afinal um professor nunca da a mesma aula duas vezes na vida, alguma coisa será diferente em algum momento, ou seja, seja nas ideias, nos gostos musicais, no compartilhamento mútuo, ninguém tem o direito de excluir alguém por que não conhece a banda x, y, z de 1980 e alguma coisa, etc., tem mais coisas interessantes pra se dialogar. Em relação a cenário multimídia, essa é a ferramenta mais do que perfeita, ela possibilita em tempo real que qualquer indivíduo possa conhecer qualquer trabalho de qualquer recanto de nosso planeta, quem tem medo de mudanças, deve partir para outro planeta! (risos), pois elas estão acontecendo nesse exato momento enquanto digito essa resposta.
Alex Neundorf: Um outro assunto que tratamos aqui no GoreGrinder em um outro momento (em uma das nossas matérias especiais), é o das ideologias que acabam se inserindo no Metal, mas aquelas ideologias perniciosas, que não agregam nada e que por sinal somente desagregam, falando na real. Queria que você dessas sua opinião sobre o chamado ‘white metal’ e sobre as crenças religiosas que vem se infiltrando no Metal.
Robson: Essa vou procurar ser curto e objetivo, me desculpem quem gosta, cada um no seu quadrado, mas na minha opinião e ninguém é obrigado a concordar comigo, lugar de cristão é na igreja. Particularmente, sou contra, pois white metal igual ao limbo, nem inferno nem céu meu irmão, esta bem no meio, ai alguém vai dizer ‘mas tem o Black Metal!’, quem é mais dentro de sua praia? Uma banda que prega o paganismo, ou satanismo e usa pinturas que retratam pinturas de guerra? Guerra essa contra a própria igreja? Ou bandas que pregam a igreja e usam pinturas pagãs? Então acho que deveriam usar outro escudo pra se defender! Ao invés de usar o nome de Metal pra trazer problemas pra eles mesmos!, Pois acho que ninguém que curte qualquer vertente do Metal tem alguma dúvida no que diz respeito ao som, ouvimos e tocamos por que sempre foi contra o sistema, sou do tempo que ouvir Heavy Metal, ter cabelo comprido e tattoo, era o oposto do certinho, hoje você vai a academia todo mundo tem tattoo, ouve som pesado, tem atitude de brabo e o tudo mais que faz parte de um estereótipo de rebelde e ai o cara solta uma pérola dessas: ‘meu pastor disse no culto "bla,bla,bla.bla bla"’.Tenho mais o que falar? Não dá né?
Alex Neundorf: Valeu a atenção Robson, agora, como é comum, deixamos esse espaço para suas considerações finais. Obrigado novamente pelo tempo concedido ao GoreGrinder.
Robson: Alex em meu nome e em nome do LAND OF TEARS, humildemente só tenho a agradecer a você e ao GoreGrinder por nos permitir essa valorosa experiência e oportunidade de nos expressar, por esse veiculo tão importante quanto é o seu Zine, esse formato que o tempo não apagou, nem as outras mídias mais sofisticadas conseguiram ofuscar, esse canal é muitíssimo importante para nós e para muitos também, tenho a plena certeza de que não restaram dúvidas a respeito de nosso comprometimento com a música e com o nosso público, aguardem as muitas novidades que estão por vir, estaremos sempre a disposição, contem conosco e mais uma vez muito obrigado pelo espaço. Hails!!!
Compartilhar

Envie seu comentário sobre essa matéria!

NightArrow  comentou:
Obrigado pelo espao.Att Night Arrow(Land of Tears)
31/08/11 às 22:24 Hs
Nome:
E-mail:
Texto:
=

Parceiros