A Oligarquia está divulgando seu recém lançado CD, e aproveitei para fazer uma entrevista que eu queria fazer a muito tempo, pra lá de anos. O baterista Panda nos concede esse bate-papo onde fala, não somente da banda, mas sobre muitos assuntos interessantes para a cena Underground, como também para a sociedade em geral. Quando eu usava Fotolog, sempre lia seus posts e ficava na instiga de chamar o cara para ser entrevistado, mas queria esperar um momento especial, que seria a do lançamento do "Distilling Hatred". O que eu não imaginava era que esse lançamento demoraria tanto, e os motivos para tal estão entre várias respostas que você poderá conferir logo abaixo:

Entrevista feita por Carrascu e publicada no dia 26/07/2011
Carrascu: A banda Oligarquia dispensa apresentações. Sem exageros, eu acredito que um headbanger que é fã de Death Metal e tem noção de que no Brasil há excelentes bandas do estilo, com certeza conhece a Oligarquia! Portanto, vou direto ao assunto do momento com relação a banda. "Distilling Hatred" finalmente foi lançado, e a história que envolve esse álbum é muito grande. Gostaria que você comentasse tudo que envolveu o lançamento dele, dando ênfase as inúmeras dificuldades enfrentadas. Eu acompanhei de perto a história de vocês para lançá-lo e digo que é um exemplo de força de vontade dentro do Underground, por isso gostaria que você contasse como foi.
Panda Reis: Somos uma banda velha na cena, fizemos nosso primeiro show em 1992, e de lá pra cá muitas coisas aconteceram, e o último acontecimento, o lançamento do nosso novo CD (terceiro de inteiras), que realmente foi um parto pra sair. Todos sabem do mal relacionamento que eu tenho com quase todas as gravadoras do país, isso devido a minha indignação como eles levam sua maneira de tratar a musica Underground, e nunca me fiz de rogado, sempre dei a cara pra bater e falei na cara de todas o que eu achava. Algumas pessoas podem achar que é dor de cotovelo, mas já estivemos em gravadoras fortes na cena como a Mutilation Recs e Destroyer Recs (que já lançaram Torture Squad, Genocidio, Claustrofobia etc.), e é justamente por isso que minha crítica aumentou, tratam a música, a arte, como se fosse mercadoria, pura e simplesmente. Então quando chegou a hora de lançar esse nosso novo CD, o que aconteceu? Ninguém queria segurar essa nitroglicerina que é a Oligarquia (rs). Ai teve um tal de Wallison da Dark New Age Recs que nos propôs um contrato de lançamento e até colocou notinha na mídia que nos lançaria, porém ele pisou na bola e não cumpriu o combinado (fez coisas piores com outras bandas) e nós então nos vimos novamente sem alternativa de lançamento. Já estávamos vendo a possibilidade de lançar esse CD de maneira digital, quando pensei na Poluição Sonora Records. Esse selo praticamente nasceu com a gente, é de um amigo que apenas ajuda bandas Underground mesmo, eles bancaram nossas duas primeiras demos, eles pagaram o estúdio pra gente gravar o Nechropolis, eles produziram vários shows nosso nos anos 90, então por que não voltar ao passado??? Liguei pra eles, marcamos pra tomar uma cerveja e fumar uma erva e tudo rolou antes da brasa apagar! As gravadoras não entendem que eu não sou inimigo delas, sou inimigo da reprodução de mercado que elas trazem pra dentro do Underground. Tratar Luan Santana como mercadoria tudo bem, tratar Ivete Sangalo como produto tudo bem, mas bandas Underground que ficam quase um ano inteiro pra conseguir vender 1000 cópias? Aí é exploração e um erro fatal! Aponto isso desde os anos 90, e sempre fui dito como louco, agitador ou sei lá o que... Me lembro que na metade dos anos 90 eu dizia que as gravadoras não agüentariam por mais duas décadas, me chamaram de louco e que eu era punk demais pro Metal (rs), será que eu estava errado?
Carrascu: Realmente, principalmente com o surgimento do MP3 muitas sumiram. Então, falando sobre elas, justifique sua indignação com as gravadoras undergrounds que tratam a música como mercadoria, dando uma noção de como uma gravadora, nos dias de hoje, poderia fazer para sobreviver, investindo nas bandas e tendo retorno para que pudesse se manter nesse mundo capitalista em que vivemos.
Panda Reis: Então cara, não sou o dono da verdade, nem o especialista em fonografia, mas basta analisar o mercado Underground, ele age como mercado mesmo, e não como um reprodutor de cultura. O problema nem é o mp3, mas toda a cultura criada em cima do nosso Underground. O que eu to querendo dizer, é que se copia a metodologia de mercado mainstream, se transferiu para o Underground toda aquela burocracia que tem nos altos escalões da musica mundial, o que eles não deram conta, é que o Underground é minúsculo e não deveria ser tratado da maneira que é. Na minha humilde opinião, as gravadoras deveriam enxergar a cena como cultura, como arte saca!?? A gravadora investe na cultura, na arte e recebe isenção de impostos, abatimentos em ICMS, ou na declaração do imposto de renda, isso artistas que prensem 1000 cópias, assim as menores bandas poderiam se manter com o sucesso das grandes bandas, garanto pra você que até a Sony iria pegar umas bandas Undergrounds. Mas eu ainda vou mais longe, isso deveria estar nas mãos do Ministério da Cultura, eles deveriam bancar as prensagens e trabalharem com pequenas distribuidoras, mas não se vê a cena como o que vende e o que não vende, e ao redor disso cria-se um nó de outros problemas. Nos anos 90 eu já falava que a saída era ser independente, que só assim sua arte vira arte e não uma prostituta de esquina, aonde os chigolos (gravadoras) sugam, o mínimo do ponto de vista deles, mas o máximo para bandas Underground como nosso. Se a gente trabalhasse a arte e a musica de uma maneira menos capitalista, o cenário seria diferente. O problema não é a tecnologia irmão, o problema é o capitalismo massificado na cabeça das pessoas, até mesmo daquela banda que paga tudo e todos pra tocar, gravar e aparecer. O capitalismo invadiu e se instalou em tudo. Mas pra ser mais sincero ainda parceiro, a maioria das bandas adoram isso e resolveram chamar de profissionalismo (rs).
Carrascu: É verdade, a ganância do capitalismo acaba tirando a importância de muitas coisas valiosas. Seria um sonho ter um governo que fizesse isso que tu falou, ainda mais no Brasil que, sequer, investimentos em educação e saúde existem de verdade, quem dirá em quem faz arte Underground. Agora vocês assinaram com a Poluição Sonora Records, que como tu disse já lançou materiais de vocês no passado. O que levou a banda a se desligar dessa gravadora na época, optando por outras como as já citadas na resposta da primeira pergunta, e agora como está sendo trabalhar com ela? Você diria que o relacionamento entre a banda e a gravadora é um exemplo de como deveriam se portar as demais gravadoras ou foi a melhor saída encontrada pela banda mas que não quer dizer que fosse a ideal, conforme os planos iniciais para esse novo trabalho?
Panda Reis: Cara, por incrível que pareça a gente não se desligou deles, esse selo é um selo que na verdade ele nem existe de verdade (rs), digo fisicamente falando, ele nunca teve uma sala, um escritório ou endereço fixo saca? São alguns amigos que se juntavam no Jabaquara pra ouvir som e trocar idéias, até que resolveram lançar duas demos nossas, assim como fizeram com outras bandas, depois eles organizaram shows históricos, como Oligarquia e Torture Squad em 1993 no Bixiga (bairro boêmio aqui de SP), Oligarquia e Morcegos (AL), Oligarquia e Unearthly em 2000 (primeira vez que os cariocas tocaram em SP), organizavam o festival Noite Anti-Música, que já teve uma edição em uma luxuosa casa no Jardins, aonde tinha tudo pra dar errado, e o lugar lotou cara!! Isso tudo lá no inicio dos anos 90. Mas eles nunca foram algo “concreto”. Hoje ainda tem os mesmos caras (os que sobreviveram), mas a gente da Oligarquia, é como se fosse um mutirão, todo mundo trabalha pra todo mundo. Acho que assim as coisas funcionam, pois ninguém se intromete na sua banda, eles te ajudam a lançar o disco e a divulgar e também distribuir, mas não tratam a música como mercadoria na prateleiras. Melhor exemplo eu não sei que o seja!? Apenas acho que cada banda busca algo para seu trabalho, para sua carreira, e com isso tenta achar parceiros que compactuem com os desejos, o problema é que ninguém vai mudar pra satisfazer seus desejos de banda, as gravadoras, mesmos as menores, até mesmo as mais honestas e sinceras, se são gravadoras, precisam viver da renda que esse mercado oferece, ai já fudeu tudo (rs), você só é livre quando não tem fins lucrativos ou quando tem um incentivo monetário de procedência duvidosa. Então não sei se achamos o modelo ideal, na verdade as bandas punk´s já fazem algo parecido á décadas. Tudo bem que a nossa idéia de vender o CD ao menor custo possível, de evitar caixinha plástico e usar a menor quantidade de papel possível, ele vem sem encarte, o encarte é digital e encontra-se no site da banda na parte de discografia, não é uma coisa muito bem vista por um selo que tem que expor suas “mercadorias” e lucrar o máximo possível dele e muitas vezes dando destaques luxuosos pra chamar atenção para o produto exposto, encher os olhos para chamar atenção do consumidor, táticas de mercado, como qualquer mercado... quando menos estivermos fora do mercado pra realidade da Oligarquia, melhor! A partir de agora vocês irão encontrar tudo que lançarmos a preços realmente justos, da pra fazer isso, na Oligarquia que é uma banda que não pretende viver da sua música, podemos distribuir cultura e música para todos. A questão é mais que uma banda, mais que shows e essas coisas todas, temos algo pra ir contra, protestar e contestar, e fazemos isso em nossa música, então nossa música é um álibi para nossas críticas. Nenhuma gravadora trabalhou com a gente em mais de um disco (rs), talvez isso explique muito.
Carrascu: É muito bom, em pleno 2011 num país capitalista, ou seja, numa época onde o lucro é o "Deus Todo Poderoso" da grande maioria das pessoas, saber que existem mentalidades como essa em uma banda de Metal. Realmente Panda, tu é "muito Punk para um metaleiro" hehehehe. Falo 'metaleiro' mesmo, aquela coisa midiática e falsa, e não um Headbanger, esse pra mim saca tanto de Punk quanto de Metal Underground e tem na veia a força para querer viver nesses ambientes. Não vou tocar em nomes, mas vejo uns "metaleiros" que montam uma banda investindo uma grana pesada em equipamento, produção e tudo mais, comprando aberturas para shows de bandas grandes vindas de fora, enfim, gastando uma fortuna proveniente dos "paitrocínios" sendo que nunca passaram pelo chão do Underground, ou seja, se quer tinham história no meio e já chegam com tudo. Assim fica fácil, né? Queria que tu comentasse sobre esses casos, que com certeza tu já deve ter sabido de alguns, onde bandas que surgem do nada com músicos de qualidade contratados para lançar um CD e já partirem para grandes turnês, lançamentos e todo aquele marketing, porém sem ter noção das dificuldades, conseguem tudo muito fácil e desistem da mesma forma, tão rapidamente como um moleque de 10 anos se desfazendo de brinquedos caros pois "enjoou".
Panda Reis: Porra cara... de uns anos pra cá isso virou capim, principalmente aqui em Sampa, tem até bandas migrando pra cá, não para estar mais próxima do eixo musical de maior criatividade, mas pra ficar próximas do mercado que aqui tem cara, não tem como fechar os olhos pra isso que acontece no país todo e vai ficando cada vez mais normal, cada vez menos vejo as pessoas torcerem o nariz pra bandas surgidas nessa metodologia, e cada vez mais bandas de garagem mesmo, bandas que fazem por amor, ficam no lado B do Underground, a Oligarquia mesmo só tem algum espaço por que surgimos naquela geração dos anos 90, que de certa forma ganhou respeito por ser a geração do faça você mesmo, que não buscava saídas monetárias para aparecer, me lembro que a primeira vez que surgiu esse boato de a banda... (melhor não citar nomes né!?? Posso ser processado) X, pagou pra abrir o show da banda Y, eu já comecei a comentar que o Underground estaria entrando em fase final de degradação e perda de identidade. Hoje temos um mercado no Underground aonde foda-se a originalidade, usam mão de artifícios fora e dentro do palco que pra mim não é nativo da nossa cena que se escondeu aqui no “subterrâneo” justamente por falta de espaço no cenário musical brasileiro, as vezes as pessoas me interpretam mal quando eu digo que tem burguês brincando de ser Underground, não estou proclamando a pobreza como pré-requisito para estar no Underground, não é isso, tem alguns playboys na cena que são gente fina pra caralho e nada atrapalham a cena, muito pelo contrário, com bom senso e inteligência até alimentam nossa cena, mas tem uns moleque ai achando que o que construímos em décadas é o playground deles!! Eles podem ter comprado a maioria das nossas conquistas no Underground, mas eu com quase 40 anos ainda estou aqui e sem usufruir de um centavo da grana deles, sem nem mesmo ir vê-los ao vivo, esse Underground que a molecada formada no EM&T, com Marshall e com a arrogância de um elefante, não é meu mundo, é perecível irmão, então quero que todos eles se fodam e se afastem de mim, as vezes a gente toca no mesmo fest que alguns desses ratos de laboratório, mas “nóis aqui eles lá, cada um no seu lugar” hahaha!!! É aquilo que eu falava na época do grunge... depois na época do new metal, e recentemente na época do emo, todos esses ai, todos esses estilos nunca nos trouxe riscos, sempre foram inofensivos, não atrapalhavam o Underground, pois eles nunca foram do nosso meio, nunca estiveram efetivamente no nosso meio, mas esses menininhos brincando de ser Metal, esses são baratas que infestam nossa cena de doença, além de serem asquerosos hahaha!
Carrascu: É verdade, só estando dentro da cena mesmo para ter noção de quem faz parte e quem não faz. Voltando o foco mais para a Oligarquia agora. Vocês tiveram muitas mudanças de formação, diversos motivos levaram a tal, mas uma das mudanças que mais me chama atenção é a saída do ex-guitarrista Alex, pois ele, junto com você fundaram a banda. Como ocorreu esse desligamento? Vocês ainda se falam de boa? Ele tem outro projeto ou parou de tocar?
Panda Reis: É verdade. Em 2008 Alex Chiovitti resolveu sair da banda, e seguir o caminho dele, respeitei a decisão dele, mas sinceramente até hoje ainda não entendi os motivos que o levou a fazer essa escolha em sair do front!? Montei a banda e o Alex entrou em 1992, graças ao nosso primeiro baixista, o Cleyton (Massa), que me apresentou ao Alex e de lá até 2008 foi meu parceiro principal na banda, mas saiu, não falou o por que e não fala mais comigo nem com o Artour, até tentamos fazer contato, liguei, tentei marcar pra gente almoçar, conversar... tentar manter uma amizade de mais de 20 anos, mas ele não quis e nem quer contato comigo, trombei com ele no show do Behemoth anos atrás (da outra vez que vieram), tentei conversar, mas ele foi monossilábico, e a conversa não rendeu, outra vez encontrei com ele em um bar aqui na Vila Campestre, mas ele me evitou e saiu do bar sem falar comigo, daí em diante eu quero que se foda!!! Tentei falar com ele algumas vezes, fui até ele, liguei, escrevi e dei de cara com ele, tentei conversar e ele não quer, então foda-se!!! Gosto demais desse cara, é meu irmão mais novo, mas contra fatos não há argumentos, ele saiu da banda que ele ajudou a formar da maneira mais desrespeitosa que podia ter, por MSN, pra mim fim de papo. Se um dia ele chegar até mim, ele vier falar comigo a gente troca idéia e pode ter certeza que vou respeitá-lo como sempre o fiz, até hoje ainda faço, mas cansei de eu tentar contato. Irmão, e o contato que tento nem é por causa da banda, isso por que ele não volta mais pra essa banda, enquanto eu estiver aqui não, isso aqui é banda de homem não de moleque, mas o contato que sempre busquei foi por causa de décadas de amizade, de ele ter sido sempre tratado como filho pelos meus Pais, pela amizade que tivemos e os momentos que passamos, mas se ele não quer a minha amizade, paciência. Espero que esteja feliz, por que nunca mais o vi. O Alex Chiovitti é meu irmão, mas a maneira com que ele saiu, com que ele me tratou e ainda trata, não faz sentido, como já disse Black Alien: “Melhores amigos se tornam, estranhos se tornam melhores amigos.”
Carrascu: É lamentável que tenha chego a essa situação. Conheci o Alex em 2006 na loja da Destroyer, gente finíssima mesmo, inclusive saímos para tomar umas e curtir um show do Rot no Cerveja Azul. Volta e meia, quando chego em Sampa, vou lá trocar umas idéias com ele. Tenho certeza que o tempo irá resolver essa questão pois, pelo pouco que conheço de ambos, são inteligentes o suficiente para chegar a um entendimento, pelo menos torço para que isso aconteça. Esse papo nostálgico da Oligarquia me faz lembrar da primeira vez que eu vi a banda ao vivo, foi em 2001 aqui em São José/SC, cidade situada na Grande Florianópolis. A banda foi uma das que abriram o show do Incantation, e esse dia ficou marcado na memória de muitos headbangers daqui da região. Lembro que nesse show, a banda tocou com outro baterista, e você não veio. Como alguns headbangers da região acessam a GoreGrinder, gostaria que você explicasse os motivos que fizeram você não poder tocar naquele show, e se já ocorreram situações parecidas onde você teve que ser substituído, mesmo nunca ter saído da banda.
Panda Reis: Pois é cara... sou bola de snooker parceiro, quem eu gosto eu amo de verdade, dou a vida, de verdade mesmo, mas gosto de pessoas sinceras, se você me der um tiro hoje, e amanhã vier conversar comigo no hospital na humildade, eu te perdoarei cara, nem tocarei mais no assunto, mas não entra numas comigo não... nem vire as costas pra mim, ainda mais eu estendendo a mão direto pra você... não sei se as coisas vão se acertar, sinceramente isso pra mim nem é mais o principal, basta eu saber que ele está bem, feliz, já está ótimo, não precisa querer ser meu amigo de novo, nem querer ir em casa como antes, pra mim são amigos os que estiveram lado a lado comigo durante toda a caminhada, esses sim entra na minha casa, come no mesmo prato que eu, que pulou do barco antes que morra afogado, não vou empurrar pra baixo, mas não espere que eu estenda a mão pra içar novamente ao barco. Caralho irmão!!! Sabe quem fez esse show no meu lugar??? o Amilcar do Torture Squad (rs). Eu sou fissurado por futebol, gosto mais de futebol do que de música cara, era até pra eu ter sido profissional (treinava no São Paulo, quando quebrei o joelho e ai comecei a tocar bateria). Jogo todo final de semana em um time de várzea lá da Vila Campestre, e me lembro que quebrei a mão uma semana antes desse show, ai o jeito foi ligar pro meu parceiro Amilcar e pedir pra ele segurar esse show pra mim, pelo que fiquei sabendo ele fez um grande trabalho hahahahaha!!! Foi a única vez que fui substituído, e como o show era importante, optamos em colocar outro cara pra fazê-lo, espero que isso nunca volte a acontecer novamente, por que o legal é a banda tocar completa né!! Cara tocamos antes em Florianópolis, não me lembro o ano... em uma casa tombada pelo patrimônio público, um lugar muito louco, tenho ótimas recordações, pena que nunca mais conseguimos voltar a cidade e nem ao Estado (rs)!!!
Carrascu: Então, acho que esse lugar que tu se referiu era o antigo Experience, mas eu não freqüentava ele pois não conhecia ninguém por aqui, recém tinha me mudado. Está na hora de voltar a tocar em Santa Catarina, ein? Agora com o novo CD já tem mais um excelente motivo para tal! Por falar nisso, como está a agenda da banda? Como foram os shows de lançamento para o "Distilling Hatred"? Como as gravações foram a bastante tempo, os shows de vocês já contavam com as músicas desse CD até que ele finalmente fosse lançado, fazendo com que os shows de lançamento fossem sem novidades em comparação aos anteriores, ou houve algo especial?
Panda Reis: Era bem louco esse pico, pirei no lugar e até dormi por lá mesmo, por que o que não faltava era maconha (rs), boas lembranças... me lembro que até arrumei uma briga com uns argentinos na rodoviária hahaha!!! Porra, se chamar a gente volta, eu mandei e-mail pra alguns caras que armam shows pelo seu Estado, como Blumenau, Guaramirim, Florianópolis e outras, mas você acredita que ninguém me respondeu??? hahahaha!!! Acho que não querem os maconheiros anti capitalistas por ai não!! hahahahah!!! Vontade temos, mas as vezes parece que fazer shows pelo País não é tão fácil como no passado, temos tido alguma dificuldade pra fechar datas fora do Estado, ninguém quer pagar o mínimo cara, não cobramos cachê, estadia, porra nenhuma disso, apenas queremos as passagens e um lugar pra descansar, pode ser no pico mesmo, na casa de alguém, sei lá!!! Mas mesmo assim as coisas não estão tão fáceis... quem sabe agora com o CD, a desconfiança que a Oligarquia não seja a mesma banda, ou que esta pior se dissipe e consigamos marcar shows por onde já tocamos tão facilmente e hoje somos ignorados!!! (rs) Sei que a nossa postura atrapalha... pois batemos de frente com falsos e medíocres da cena, e isso assusta os caras em fazer algo com a gente, pisar na bola e nós metermos a boca neles!! (rs) Sei lá... Os shows começaram antes do CD sair, tocamos pelo Estado de São Paulo e fomos até o interior do Rio, mas sem essa de lançamento, essas putaria de shows de lançamento e o caraio... veio, na moral... (rs) tem gente que acha que é o Sepultura!!! hahahaha!!! Isso não existe no Underground, quem faz, por mim tudo bem cada um cada um, mas pra Oligarquia não vira isso não, o CD saiu em uma segunda feira de Junho de 2011, sem alarde, sem holofotes, simplesmente saiu e pronto. Somos uma banda do Underground, que a meta é que ouçam o que tocamos e o que falamos nas letras, nada de estrelismo e esses métodos oriundos do mainstreen que a molecada reproduz cegamente e ridiculamente no nosso Underground. Show de lançamento, set list especial??? Para cara, nada disso, prensamos o CD e disponibilizamos pra quem quer comprar ou baixar, e já era, ta lançado.
Carrascu: Sobre esse lance que tu comentou das dificuldades em conseguir shows em outros estados. Vejo isso em algumas bandas e me surpreende o fato de acontecer logo com a Oligarquia, uma banda cuja história é longa e cravada na nossa cena. De modo geral, o que tu acha que anda acontecendo com o Underground atualmente, se comparado com as facilidades que tu comentou de marcar shows antigamente, com as dificuldades de hoje. Problemas financeiros? Fraca presença de público? Falta de organizadores competentes ou o quê?
Panda Reis: Nem tá nem ai para o seu passado não irmão, a molecada se espanta quando descobrem que a banda já está tocando nos palcos desde 1992, a maioria era uma criança de fraldas, não que por isso teríamos que ter algum privilégio, não da pra esperar isso de uma sociedade ocidental que não respeita nem seus idosos na sociedade, que não respeita e nem conhece seu passado, sua história, é natural que no meio musical as coisas sigam o mesmo método. O que acontece é que tem mais bandas com grana que se banca, que aceita pegar seu carro e rasgar estradas bancando muitas vezes do bolso, ou fazendo da van que transporta a banda uma excursão para bancar a van, ou seja, a banda chama algumas pessoas que juntas dividem o aluguel da van. Nós pedimos o mínimo, nem cachê nós pedimos, não aceitamos viajar distâncias de mais de 150 km dirigindo, e para alguns produtores é demais! Não sei se a banda que tenha perdido prestígio na cena, que o novo público não nos conheça e com isso não somos uma atração chamativa para os produtores, ou talvez por nosso som e estilo estar ultrapassados, poucas bandas hoje em dia fazem o Death Metal tradicional e antiquado como o nosso, talvez não sejamos comercialmente viáveis para os festivais e eventos que rolam... talvez nosso som não interesse para a molecada atual... já me falaram que eu tinha que ser mais simpático, ter mais amigos no meio, entrar mais na internet e interagir com a “nata” do Underground nacional, hahaha... bom... melhor a gente mudar de assunto né!!?? hahaha!!!
Carrascu: Então, por falar em pessoal mais novo, uma coisa eu noto em algumas pessoas mais velhas no Underground. Por exemplo, quando comecei a conhecer bandas de Metal já era final dos anos 90, e eu já sofria preconceito de algumas pessoas mais velhas na cena, sem eles saberem os meus gostos ou conhecer a minha pessoa, simplesmente por ser mais novo eu era o "moleque" e era jogado de lado. Ainda hoje vejo esse tipo de comportamento de alguns, inclusive de pessoas que já se foderam dessa maneira, agindo igual aos que mais odiavam quando eram mais novos. Eu sei que tu começou a curtir som quando a cena estava nascendo, então não sofreu com isso. Mas me diga, é certo esse tipo de comportamento na sua opinião? É como se a pessoa que não tivesse nascido com a cena não devesse curtir Metal para alguns, mas como a cena irá sobreviver se começar a se fechar dessa maneira, na base do preconceito com as pessoas mais novas que estão começando a curtir esse estilo?
Panda Reis: Qualquer tipo de preconceito é errado, é ignorância e falta de inteligência para aprender com os mais novos. Mas você tem razão, isso acontece desde o início mesmo, e apesar de eu ser dos primórdios, sofri outros tipos de preconceito na cena, o fato de eu ser afrodescendente e curtir Metal, me causou problemas entre minha comunidade e no meio da cena, pois ninguém botava muita fé em um “neguinho” tocando Death Metal, e eu vivia dizendo: "vejam o Suffocation!!!" hahahaha!!! E em casa meu pai não acreditava que eu iria seguir o caminho do "barulho", tendo em vista que meu pai e meu avô eram músicos de musica caipira mineira hahaha!!! Mas era outro tipo de preconceito, eu diria que até mais tranqüilo, por que bastava começar a musica que todos percebiam que o baterista com cara de reggaeiro, sabia sim tocar Death Metal hahaha! Mas esse preconceito de idade eu vi muito, na minha época costumava-se até a tomar as camisetas dos moleques, sempre achei uma atitude troglodita, que afastava novas pessoas da cena, precisávamos de mais bangers e não de garotos traumatizados que preferiam migrar para estilos mais calmos e menos agressivos com eles, não é a toa que temos um monte de nerd no Metal melódico hahahaha!!! Brincadeira... Mas isso acontece até agora, os excluídos montam grupos, que viram estilos (veja emo e afins), e até mesmo os bangers truculentos que se acham machos pra caralho e que apavoram os moleques mais novos, foram excluídos de grupos na escola, no bairro... e se juntaram ao grupo que os aceitou. É foda ver babacas se achando o dono do Underground, se achando mais que o outro apenas por que é mais velho e começou ouvir som antes, a evolução está nas mãos dos mais novos, eles podem mais me ensinar do que eu ao contrário, grudo mesmo nos moleques da banda, os escuto e sempre aprendo com eles, os velhos tem uma visão retrógada e fundamentalista a respeito da maioria das coisas.
Carrascu: Concordo contigo, mas ainda bem que hoje em dia não se vê tanto isso, é mais raro, acho que o pessoal amadureceu mesmo, mas ainda tem os que se acham mais só por serem mais velhos, e ao invés de exigirem respeito por isso, querem ser adorados ou donos da razão, é ridículo. Preconceito, em qualquer situação, é algo repugnante, exibe uma gigantesca falta de conhecimento sobre o assunto em questão. Por falar nisso, pegando mais a sociedade em geral e não só o Underground, nota-se muita pegação no pé de ateus hoje em dia. A opção por não crer em um deus é vista, por exemplo, como "obra de Satan" pelos mais desprovidos de conhecimento, e isso atinge o Metal de alguma forma, pois esse é bastante marcado por ser livre de religiões em sua essência, apesar da insistente tentativa de incursão dos religiosos nesse meio. O que você acha desse tipo de preconceito e o que ele tem prejudicado na evolução da mente humana? E por outro lado, tu acha que é possível considerar preconceito o fato dos headbangers não aceitarem religiosos na cena Metal?
Panda Reis: Você acha que existe uma pegação no pé dos ateus hoje em dia? mais do que anos atrás? Eu diria que hoje podemos dialogar mais, que quando me assumo ateu a estranheza é menor que anos atrás, talvez pela decadência da religiosidade ou pela evolução intelectual do coletivo em aceitar mais algumas heterogeneidade do mundo em geral, mas fora dos meios de culto. O respeito, ao menos para com nós ateus, é maior. Até mesmo essa ridícula comparação do ateísmo com satanismo me irrita irmão, ser ateu não tem nada, mas nada a ver com satanismo, ocultismo ou essas merdas religiosas, que são as merdas as avessas, só acredita em satã quem acredita nos dogmas do judaico-cristianismo, ou que acredita na religiosidade baseada no dualismo (Bem e Mal). Eu sou ateu, sou evolucionista, acredito na ciência, na história e na matemática, então essa comparação imbecil que alguém possa fazer comigo, eu dou risada e nem discuto cara!!! Usar símbolos satânicos (que a maioria deles foram criados pelos cristãos) pode ser uma maneira de afrontar os crentes, mas vejo com humor, quando os caras levam a sério, se torna pior que Tiririca, não da pra levar a sério quem acredita em entidades satânicas ou em Deuses Nórdicos, é decadente... só seremos mais evoluídos quando percebermos que estamos sós, sem Deus, sem Lúcifer.
A mente humana evolui a partir de tudo isso, as mudanças do mundo são efetivadas longe da grande massa, o problema é que evolução é diferente de progresso...
Sobre não aceitarem religiosos no meio, você quer dizer o segmento White metal??? hahahaha!!! Pra mim tanto faz, to cagando e andando pra eles, não escuto as musicas deles, nem o que eles falam, sobre eles estarem entre nós (rs), sempre estiveram caraio!!! Tom Araya, Bom Scott, Max Cavalera, todos eles acreditam em Deus. Panfletar é diferente né, ai fode, por que não tem nada mais incomodo que panfletagem religiosa, seja ela qual for, já basta a panfletagem que se enfrenta em casa, com os pais, então se eles estão na cena, quase não os noto cara, nem dou ibope pra eles. Se é preconceito não tolerarmos na cena??? Eu diria que não é preconceito, mas sim um conceito.
Carrascu: É justamente sobre o panfletar que eu me refiro. As personalidades que tu comentou podem acreditar em algum deus, mas não são religiosos. Acho que cabe uma diferença entre acreditar em algum deus e ser religioso. Não vejo problemas de ver pessoas dentro da cena que creem em algum deus, afinal de contas, ninguém sabe como começou tudo isso que conhecemos, não é verdade? Mas panfletar, o "white metal" patrocinado pelas igrejas, isso é repugnante. 
Os ateus sofrem menos hoje em dia, concordo, mas me referi a fatos como aquele do "jornalista" da TV Band ter falado que ateus são criminosos por não ter Deus no coração. Por essa e outras é que eu acho que ainda existe tal preconceito. Também acho ridículo chamar um ateu de adorador de Satã, esse como uma entidade de origem judaico-cristã, porém muitos se dizem satanistas no sentido de estarem livres da religiosidade, crendo apenas em si mesmos. Aí acho que ambos se aproximam, não acha? Noto que existem pessoas que não gostam de Black Metal pelo fato de muitas bandas seguirem a origem religiosa da palavra "satã", mas ainda existem aquelas que seguem a outra ideia citada, de oposição à religião.
Panda Reis: Sério? Tem igreja ou instituições religiosas patrocinando bandas??? hahahahaha!!! Mano, agora sim virou um mercado de verdade e detalhe, empresários da fé tem a maior visão sócio–econômica que já vi!!! hahahaha!!! E irmão, a Band, a Globo, a mídia são deles, é claro que irão sempre mirar os que estão as margens dos interesses "deles", sejam interesses teológicos, políticos, sociais e econômicos, é preciso criar uma média com inteligência acima da média pra rivalizar com eles. Meu... sobre panfletar ou não, entraremos em uma discussão filosófica monstro aqui (rs), por que eu acho errado se panfletar a favor da religiosidade, seja ela qual for, pois acredito que o grande mal da humanidade são as religiões, Deus e a Bíblia, então não consigo ver com bons olhos panfletagem a favor desses dogmas, mas acho viável a panfletagem contrária a Deus, Igreja e tudo mais que engana as massas a milênios, pois acredito que enquanto a maioria da população continuar cega pela fé, nada vai melhorar muito... pois sai o cristianismo entra o islamismo ou qualquer outra que tenha o mistério como pano de fundo, criacionismo e coisas desse tipo, então sou contrário a religião e contrário a afirmação de Marx que diz que a religião é o ópio do povo, eu acho que a religião é o câncer do povo (rs). A gente conhece milhares de pessoas que tem crença e professam sua fé, no nosso meio mesmo, alguns que provávelmente nem sabemos (rs), me sociabilizo bem com todas as pessoas. Crentes, agnósticos ou ateus, desde que não entremos em debates teológicos e filosóficos a respeito da sua crença, te respeito cristão, mas como humano, sua fé, o que acredita não vale mais do que meus cigarros, então sem panfletagem pro meu lado!!! Os Black Metal são inteligentes e sabem o que estão fazendo e questionando, por isso que vejo um certo sarcasmo nesse estilo, e que gosto, acho interessante provocar usando o maior medo deles (cristãos) contra eles. Agora essa de financiamento via Pastor, é foda... hahahahaha!!!! Satã é novo, até mesmo na Bíblia ele não é citado, no Oriente Médio a palavra satã esta estritamente ligada ao significado Inimigo. Acho graça ver pessoas tremerem de medo ao ouvirem algumas palavras, nomes e termos que os “Santos Padres” deles mesmos que criaram, é muita irracionalidade pra mim esse lance de religião, acho que é um dos poucos assuntos que sou até ignorante ao falar sobre.
Carrascu: Com certeza, a religião é o câncer do povo. E esse lance que tu falou de Satã é real, é uma palavra hebraica que significa opositor, ou seja, nem todas as pessoas que se opõe a religião são diabólicas, e a falta de conhecimento do povo acaba confundindo tudo, chegando a ponto de chamar ateu de criminoso, como naquele caso que citei. É foda, é assunto para uma entrevista inteira, mas vamos voltar a falar de música então. Sei que tu toca também na Heresia 666, Erva Seca e não sei se ainda toca na antigaça Brigada do Ódio. Queria que tu comentasse um pouco sobre cada uma dessas atividades.
Panda Reis: Verdade, já gastamos muito nosso "latim" com essa merda de religião (rs). Sim cara, tenho outras bandas e projetos, alguns bem antigos, como é o caso do Erva Seca e do Heresia 666, essas duas continuam na atividade. O Heresia 666 agora conta com uma formação estabilizada e com uma vida própria, compondo, gravando e vai lançar material novo nos próximos meses. Essa banda o Heresia 666, existe desde 2000. Participamos do tributo ao Inocentes, depois lançamos um split, coletâneas e uns lançamentos na Europa. Nessa época o Fábio do Sick Terror/Ulster era o vocal, depois ele saiu e demos um tempo. Voltamos ano passado com um novo time, agora temos o JP que é também do Ódio Social, e o Anão que toca umas outras doideiras comigo em outros projetos. O Erva Seca é um projeto mesmo e nunca tocou ao vivo e acho que não deve tocar, é um Grindcore, com espasmos de Death Metal e letras politicamente incorretas (rs). O Brigada do Ódio eu toquei com eles na última fase da banda, foram anos maravilhosos, tocando, viajando e compondo com eles, aprendi muito com o Vlad, o Wilsão, o Magrão e até o ex-batera o Sartana, todos eles são monstros, lendas do Underground mundial (até o Napalm Death cita o Brigada do Ódio como influência que eles tiveram), e eu aproveitei cada minuto, mas a banda deu um tempo, tínhamos até gravado um disco novo (faltava apenas colocar os vocais), mas a banda ta hibernando novamente, quem sabe um dia eles lancem esse material. Foi a minha época mais veloz, eu estava tocando incrivelmente rápido. Agora estou assumindo as baquetas do Conexão Pentagrama do Max Hideo, que também é vocal da Oligarquia agora, essa banda ele já tinha antes de entrar na Oligarquia e estava parada, e estou com um projeto de Rock Street, que se chama Quarta Zaga, as letras só falam de futebol, estamos na fase de composição e estruturação, precisamos pegar mais pesado... eu preciso de mais tempo também, ando meio sem tempo, pois ainda sou pai e meu filho mora comigo e toda a responsabilidade da casa estão nas minhas costas, então as vezes falta tempo (rs). Estou produzindo uma banda da minha quebrada que faz um rap protesto bem interessante, por enquanto está ficando legal, e eu já to tentando convencer os cara a incluir umas baterias de verdade ali, pois está muito “rap” hahahahaha!!!
Carrascu: Nossa, teu dia deveria ter 48 horas, não? hehehehehe! Com esse corre todo na sua vida, e agora com o novo CD da Oligarquia finalmente lançado, seu foco está mais para esses projetos? Sem querer dizer que estará botando de lado a Oligarquia, mas digo que sua meta para lançamentos agora se volta para outro dos projetos que tu citou ou a Oligarquia já está trabalhando novamente com outras novidades para breve? Aproveitando, conte-nos como tu administra o seu tempo para deixar todas essas atividades em andamento dentro do possível.
Panda Reis: Então cara, digamos que meu dia começa muito cedo e acaba muito tarde (rs), e que o tempo inteiro costumo fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo, e nunca paro irmão, não me lembro a última vez que sentei no sofá pra assistir uma TV ou quando andei pelas ruas sem destino, sempre tenho o que fazer, aonde ir, e sempre estou atrasado (rs). Sempre fiz tudo ao mesmo tempo, e acho que isso não deve mudar não irmão, o CD da Oligarquia foi composto e gravado em simultâneo a todo o resto que desenvolvo, não parei pra fazer esse CD, o CD do Heresia 666 ficou pronto quase que simultâneo com o da Oligarquia, então continuarei trabalhando na divulgação e distribuição do CD da Oligarquia e já estou agilizando pra lançar o novo do Heresia 666 que sai em breve. Agora estou trabalhando na composição com meus parceiros em outros projetos, e ao mesmo tempo já estou escrevendo e juntando idéias para o novo CD da Oligarquia, temos uma idéia a desenvolver e a pesquisa já se inicia, acredito que no final do ano já teremos algumas bases e musicas sendo mexidas em estúdio de ensaio.Sou um péssimo administrador (rs), faço tudo por instinto, se a inspiração vem eu crio, se vem todas as inspirações ao mesmo tempo, desenvolvo todas ao mesmo tempo, sou um viciado em estudos, adoro estudar, pesquisar e escrever artigos e textos relacionados com assuntos sociais, históricos ou filosóficos, tenho um projeto de escrever dois livros, um voltado para a história em si mesmo (tese de mestrado) e outro aonde viro tudo (tudo mesmo) de cabeça para o ar e crio uma história abstratamente real (rs).Tenho pouco tempo de vida parceiro, e não vai dar tempo de fazer tudo que eu tenho pra fazer, então eu corro pra fazer o máximo possível, até aqui tem rolado, pois nada é meia boca, a não ser eu mesmo! hahahahaha!!!
Carrascu: Está louco, velho! É muita coisa mesmo, tem que ter muita disposição diária para fazer isso tudo que tu tem para fazer hehehe. Então brother, pra finalizar, está na hora do teu Corinthians perder, né? Está um porre esse lance de invicto ae! Meu colorado teve a chance de acabar com essa zorra e levou um a zero, fiquei puto da cara!!! hahahahahaha. Mas falando sério agora, foi um imenso prazer fazer essa grande matéria contigo, coisa que estava esperando a anos! Eu sabia que sairia algo bom nesse nosso bate papo. Valeu mesmo pela atenção dada, e espero de coração que todos seus planos se realizem conforme você deseja, e que a Oligarquia toque aqui no sul do país logo para que eu possa ver novamente - agora contigo na batera hehehe! Abração e fica o espaço para suas considerações finais nessa entrevista.
Panda Reis: É questão de necessidade irmão, sou hiper agitado, e qualquer tranqüilidade me entedia, fico depressivo quando não produzo as coisas que gosto de produzir saca!? É como se fosse uma válvula de escape ou um combustível pra me manter lúcido nessa ilusão patética que é o nosso mundo e toda nossa medíocre civilização humana, somos desprezíveis como seres, estamos mais pra vírus do que hóspedes, e toda a evolução da espécie me enoja, e cada vez que pesquiso mais, que estudo mais, mais eu vejo como somos uns merda (rs)! Tínhamos tudo pra fazer desse lugar (Planeta Terra), em um lugar realmente habitável, mas... seguimos outros rumos, e tudo isso me mata a cada dia, e a musica, os estudos, as pesquisas, os textos e o futebol me mantém vivo, por isso faço tudo ao mesmo tempo, se ficar no ócio, na tranqüilidade, não duro uma semana (rs). Minha correria é o antídoto pra esse veneno.Eu que agradeço pela ótima conversa, foi muito foda mesmo, espero um dia poder voltar a falar com vocês e quem sabe não seja pessoalmente ai em um giro pelo estado de Santa Catarina, se nos chamar a gente desce, sem burocracia, sem frescura, paga o transporte e coloca uma aparelhagem descente, e a gente vai com certeza, e eu prometo não me arriscar tanto nos campos de várzea de São Paulo, mas não da pra parar né irmão, eu gosto mais de futebol do que de música (rs), então prometo se aparecerem shows por ai, eu ficarei longe do futebol hahahaha!!!Valeu a todos que tiveram contato com essa entrevista, e peço que acompanhem a banda, comprem o CD novo da gente, estamos com uma campanha que é mostrar para as gravadoras que da pra fazer um trabalho de qualidade, ecologicamente correto (sem encarte – quanto menos papel melhor, sem caixa acrílica – quanto menos plástico melhor) e com preço justo, estamos vendendo o CD por R$ 7,00 no site cara!!! E pra quem gosta de encarte, tem o encarte on line, da pra imprimir, ou só salvar no computador, ele se encontra na sessão discografia, é só clicar em cima da capa do CD novo.Valeu e entrem em contato, obrigados a todos que conseguiram ler até o fim.
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Felis  comentou:
Boa panda!!! grande parceiro!!
27/07/11 às 09:17 Hs
Natalia  comentou:
Grande Oligarquia !

Total apoio a essa galera a

com certeza mais um grande cd !
26/07/11 às 13:43 Hs
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