De Rio Negrinho, no planalto norte catarinense, vamos conversar aqui com o Márcio e o Fábio da banda Sacrilegium. Sinto muito orgulho em dizer que, mesmo por um curto período, cheguei a ensaiar com a banda. Infelizmente, por questões que só o Underground conhece (diga-se $$) não pude dar continuidade na empreitada. Feliz da parte deles, já que o próprio Márcio assumiu os vocais e tornou ainda mais brutal o som. No geral, falamos não somente sobre a banda Sacrilegium, mas também sobre vários assuntos relacionados com Underground, desde LP’s e K7’s até o assunto “novas gerações”. Enfim, a conversa valeu muito a pena e tenho certeza que, para àqueles que a terminarem, essa entrevista vai trazer muita informação interessante, muitos detalhes beirando o nostálgico e posicionamentos críticos sobre vários assuntos. Esse último, aspecto que considero indispensável para qualquer banda: posicionar-se sem ficar encima do muro. Nesse sentido, aqui temos uma verdadeira aula. Segue:

Entrevista feita por Alex Neundorf e publicada no dia 21/06/2010
Alex Neundorf: Saudações Márcio e Fábio. Gostaria de dizer que é uma grande satisfação poder iniciar essa conversa com vocês, que na verdade é algo que já deveria ter acontecido há algum tempo. Enfim, nunca é tarde e hoje podemos levar ao conhecimento, de quem ainda não conhece, o som do Sacrilegium. Para início de conversa vamos para algumas questões de praxe, mais com o intuito de apresentação mesmo. Primeiro, conte-nos a história da banda e da sua trajetória, até chegar aqui, hoje. Sintam-se em casa e aqui vocês tem o espaço que precisarem.
Marcio E Fábio: Márcio: Primeiro queria te agradecer pelo espaço e pelo apoio, conheço você há anos e sei de seu comprometimento com a cena, bem a Sacrilegium começou em 2002 logo após o Scorner (banda em que eu tocava na época) ficar parada, ai eu decidi montar um projeto de brutal Death Metal junto com o Djiovani (1° vocalista do Scorner). Inicialmente o projeto se chamaria "Unholy Empire", convidamos o baixista Jeferson e o Wolf para a batera, mas o Wolf não pôde aceitar. Por um tempo ficamos sem batera até que eu conheci o Sandrinho, um garoto de 14 anos, que aceitou o desafio. Os primeiros ensaios foram complicados, mas a gente sabia que tinha que superar, pois a gente não tinha nem local para ensaiar e os equipamentos eram precários (ainda são). Devido a problemas particulares o Djiovani decidiu sair do projeto. Então eu decidi mudar o nome da banda para “Sacrilegium”, mantendo o mesmo estilo, mas mais extremo, tanto nas letras quanto no som. Convidamos outro amigo, Alex (Redtie/Dark Maze) para os vocais, o mesmo fez alguns ensaios, mas não pôde continuar (lembra dessa época?). Sendo assim, eu decidi assumir também os vocais. Por falta de interesse, expulsamos o baixista Jeferson da banda, e a “Sacrilegium” fica reduzida a dois membros.   A partir daí começa a história da banda “Sacrilegium”. Mesmo contando com apenas dois membros e com muitas e muitas dificuldades, nunca desistimos de blasfemar o nosso som pelo underground. Após vários ensaios, fomos convidados para alguns shows e decidimos se apresentar apenas com dois membros, até acharmos um baixista certo para a banda. Os shows que fizemos foram ótimos, os headbangers adoraram e entenderam qual era a proposta da banda: metal extremo, sem frescuras, Death Metal cru, rápido, sujo e blasfemo, feito de headbanger para headbanger.    Já com o nome começando a aparecer na cena, em 05/06/2004, gravamos uma demo-tape ensaio em K-7 para divulgação, a demo “Sacrilegium” é totalmente underground, sem nenhuma produção, e divulgada somente no underground através de cartas para headbangers e zines. Mesmo assim, teve uma ótima resposta de zines e headbangers, que elogiaram muito o trabalho.   Em 2005, em umas das bebedeiras em Rio Negrinho, convidamos um outro amigo, o Fábio (ex-Vaginal Secretion/Vultos/Morbo) para assumir o baixo, já que ele estava sem banda no momento. Não poderíamos ter escolhido um membro melhor, pois Fábio se encaixou perfeitamente a proposta da banda, e assim estava completa a formação da Sacrilegium. Com esta formação, fizemos vários shows pelo underground dividindo o palco com grandes bandas do nosso underground. Em setembro de 2006, entramos em estúdio para gravar a 2ª demo com o nome de “Blasphemy Forever”. Com 5 músicas de pura brutalidade e blasfêmia, a demo obteve uma ótima resposta dos headbangers e zines, e mesmo não possuindo uma ótima produção, o trabalho atingiu os adoradores da blasfêmia underground.   Após vários shows para divulgar a demo, inclusive em Assunción/Paraguai, a formação teve mais uma baixa. Devido a problemas particulares, o baterista Sandrinho, atual Headtrashers, se vê obrigado a sair da banda. Mesmo com esta perda, eu e o Fábio não desistimos e começamos a procurar por outro baterista para substituí-lo. Após quase um ano parados e procurando por um baterista que estivesse a fim de fazer Death Metal cru, rápido, sujo e blasfemo, que é a proposta da banda, encontramos um substituto, Marcio “Cebola” (Impiedoso). Voltamos aos ensaios agora com o Cebola na batera e fizemos alguns shows, quando já estávamos compondo mais algumas músicas para uma nova demo, o Cebola decidiu sair devido a problemas particulares, e agora estamos novamente a procura de um outro baterista para continuar a nossa saga, pois a Blasfêmia é Eterna e nós nunca iremos desistir   Hoje estamos procurando por um baterista que esteja a fim de tocar um brutal Death Metal cru, rápido, sujo e blasfemo, que é a proposta da banda, já temos 04 músicas novas compostas na mesma linha e queremos, assim que acharmos um batera, gravar mais um novo material e voltar aos palcos, estamos ficando doidos para voltar a tocar ao vivo.   Caso algum batera esteja a fim de encarar esse desafio entre em contato conosco.   Fábio: Agradeço mais uma vez as oportunidades cedidas pelo zine em divulgar o nome da Sacrilegium. Baterista realmente sempre foi nosso grande problema, tanto eu quanto o Marcio estamos doidos parar arrumar um o mais rápido possível, que tenha o sangue que a banda tem.
Alex Neundorf: Véio, lembro sim! Fico muito grato e honrado pela lembrança. O tempo passa, o mundo muda, mas a gente não se esquece dos fatos marcantes da nossa trajetória. O Underground é seletivo. Nele somente sobrevivem aqueles que persistem. É nisso que reside o tesão da coisa, pois ele ceifa aqueles que entram somente ao sabor da moda ou sem muita dedicação. O tempo diz quem é quem. Vocês estão ai e não desistem da coisa, pois quem desiste é porque não tem o metal no sangue.
Mas, Márcio e Fábio, gostaria que vocês me falassem (já que deram o gancho) sobre Underground. O que vocês pensam a respeito? Sei que é assunto que dá para ficar falando horas e horas. Me digam, o que vocês acham do Underground no mundo atual? Vocês mencionaram o lance da troca de cartas. Porra, isso nem é coisa tão antiga (menos de dez anos atrás), mas se for falar para pessoas mais novas, iria soar como se fosse bem mais antigo. O que quero dizer é que as gerações vêm mudando rapidamente, o mundo também, e com todas essas mudanças, o que sobra para uma cultura que prezava o “trocar uma idéia” (conversar nos festivais, no face-a-face), “correr atrás do som” (trocar as fitas K-7 e LP’s)? Era diferente. Era mais difícil conhecer coisas novas, por isso mesmo, era mais valorizado. Nesse mundo atual, quais mudanças de valores podemos sentir com mais força?
Marcio E Fábio: Márcio: Bem cara, para quem vive o Underground mesmo sabe que está diferente em alguns aspectos, mas as dificuldades são as mesmas de anos atrás, principalmente se você está envolvido diretamente no Underground sendo com bandas, distros, zines, shows e outras coisas. Quem vive isso sabe o que eu estou falando, antes era tudo cara-a-cara e isto é muito marcante, pois você encontrar um camarada ou conhecer um camarada que você se corresponde por carta em um show, trocar uma idéia e tomar umas cachaças, trocar alguns sons, conhecer bandas novas, são coisas que vão te marcar pro resto da vida, ainda me correspondo por carta, troco flyers (ainda tenho um flyer do Dark Maze escrito a máquina de escrever), troco fitas K-7 às vezes mal gravadas, compro discos, zines xerocados, revistas, camisetas, mas eu nasci em uma época em que se você quisesse alguma coisa, tinha que ralar. Era tudo difícil. Se você tinha banda nem se fala, hoje o que demorei anos para conseguir muitos conseguem em um simples clicar para baixar. A maior mudança de cultura creio que foi a internet e os "webbangers" com sua cultura de baixar tudo desrespeitando e se achando no direito de julgar as bandas que ralam pra conseguir alguma coisa, creio que a internet veio para ajudar (veja o trabalho do GoreGrinder e outros web-zines) mas você tem que saber como usá-la, definitivamente nunca irei me acostumar com a cultura destes "webbangers".   Fábio: Eu posso dizer que sou uma pessoa provida de muitos amigos, e reais amigos, vivo um momento na minha vida que posso te falar sinceramente, ta sendo "underworld" kkkkkkkkk, tudo gira em torno do maldito pedaço de papel chamado dinheiro, sem essa merda, não existe nada! nada de underground! nada de porra alguma! Nem cagar você terá a capacidade sem dinheiro! Os "webbangers" não têm amigos como a gente cultivou trocando cartas, conhecendo cara a cara, isso fica marcado, fiz amigos no underground que não há internet nem porra alguma de dinheiro que vá pagar, os webbangers tem conhecidos, mais nada! A cada geração que passa parece que tudo ta ficando mais vazio, está tudo muito fácil... Eu tenho a consciência que cada um é cada um, mas formar caráter e personalidade nos dias de hoje eu julgo muito mais difícil, a internet boloiu tudo! Vejo como a internet está desgraçando elos de amizades, todos estão se isolando atrás de um teclado, criando um personagem que gostariam de ser e nunca serão! Ainda troco cartas, acho muito tesão fazer isso ainda, tem pessoas que só conheço a letra, posso citar um brother de Lagoa Azul, Rio Grande do Norte, Skullhellish, troco informações com o cara só por cartas, o mesmo se interessa muito em saber como é a cena no sul, mando demos pro cara e tudo o que rola na região, pra mim underground está dentro de cada um, pra mim isso é underground. Underground é sinceridade acima de tudo com si mesmo! Ser o que é pra ser! Em minha opinião, o valor de uma amizade verdadeira não tem preço e vejo que somente com verdadeiras pessoas você consegue isto, com falsos e com webbangers kkkkkkkkkkkkkkk FUCK!
Alex Neundorf: Sim, concordo com vocês! Vocês tocaram fundo no assunto. É exatamente isso o que vocês mencionaram, por sinal, o termo "webbangers" é novo para mim e corresponde exatamente ao que se vê por ai. Infelizmente, não sei se há algum retorno. Cabe as gerações mais antigas, no entanto, ajudar de alguma forma as novas gerações que ingressam na cultura metal. Mas abordando uma outra questão, vocês dois já possuem uma trajetória dentro do Underground. Como as antigas bandas, das quais vocês participaram, contribuíram para o som do Sacrilegium? Houve realmente algum tipo de contribuição, tirando a experiência?
Marcio E Fábio: Márcio: Cara, no meu caso posso dizer que quando toquei na Scorner foi minha escola pois aprendi muito com o Mauricio e foram anos memoráveis e shows marcantes em minha vida, assim como muitos camaradas que conheci naquela época, mas a Scorner já tinha sua identidade e sua história. Quando decidi montar a Sacrilegium não seria para ser uma continuação do Scorner e sim para fazer o som que eu sempre quis fazer, tanto que se você escutar as 02 bandas elas são bem diferentes. O Scorner me trouxe experiência e eu nunca irei esquecer o tempo em que estive na banda.   Fábio: As antigas bandas que eu toquei só me viciaram em álcool e mais nada kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! A contribuição que essas pessoas que eu toquei antigamente e com certeza continuaram a dar é a presença delas quando a gente toca, pra mim é muito massa poder falar com antigos amigos com quem toquei e vê-los nos shows, mesmo que raramente, mas elas sempre se lembram das épocas de ensaios, festas... A contribuição que essas bandas e pessoas deram foi dizendo a nós para que nunca paremos e continuemos a BLASFEMAR ETERNAMENTE!
Alex Neundorf: O principal problema que toda banda underground passa é sem dúvida a questão financeira. Além desse, tem o lance dos ensaios e dos equipamentos. Para vocês, parece que o principal problema é essas mudanças de formação, principalmente a questão do batera.  Batera, por sinal, parece ser um problema crônico da região. Mas contem-nos, vocês – na iminência de não encontrar alguém logo – cogitam gravar um som novo com bateria eletrônica? Ou isso está fora de cogitação?
Marcio E Fábio: Márcio: Está totalmente fora de cogitação, a Sacrilegium nasceu para gravar e tocar ao vivo como uma banda mesmo nem que isto leve tempo, gravar com uma bateria eletrônica e não poder tocar ao vivo não rola, tive essa experiência com a Scorner e isso não funciona na Sacrilegium. O tesão de uma banda é fazer o som/ensaiar/tocar ao vivo/encher a cara com a galera, isto é o que nós gostamos e isto é o que nós queremos, estamos procurando por um baterista que esteja afim disso, quanto a questão financeira a gente sempre da um jeito o importante é nunca desistir nosso lema é "Blasphemy Forever".   Fábio: O principal problema da Sacrilegium realmente é bateristas... Encontrar alguém que se dedique e queira fazer o que eu e o Márcio queremos realmente é complicado... Ensaiamos pra tocar ao vivo e bateria eletrônica é complicado, metal é feito por pessoas e não por computadores,  ensaiamos pra tocar ao vivo, bateria eletrônica está totalmente fora de cogitação. A gente já era pra ter gravado outra demo faz tempo, mas as mudanças de bateristas ta complicando um pouco o andamento da blasfêmia, espero que logo a Sacrilegium encontre um baterista que aceite as propostas da banda.
Alex Neundorf: Sim, a questão da bateria eletrônica é algo complicado para uma banda que tem o tesão de tocar ao vivo. Concordo plenamente que a coisa tem de ser feita com carne e osso, se a intenção é mandar ver ao vivo. Falando de outro aspecto, já se passaram quase quatro anos desde “Blasphemy Forever”. Que prognóstico vocês fariam para o ano de 2010 e para um futuro a médio-prazo? Uma nova demo? E quanto ao primeiro full-lenght, é algo que se possa esperar para breve?
Marcio E Fábio: Márcio: Este ano a prioridade é achar um novo batera que esteja a fim de tocar o nosso som e voltarmos a ensaiar/tocar ao vivo, já temos 04 músicas novas e já estou bolando mais algumas, assim que acharmos um batera queremos ainda este ano gravar mais uma demo e ano que vem nosso primeiro full-lenght, um sonho nosso que ainda vamos realizar é lançar algum material em vinil, só esta faltando achar um batera a fim de tocar.   Fábio: Queremos voltar a tocar, essa é nossa prioridade. Material novo, a gente tem planos, mas estamos a procura de um baterista pra que tudo se concretize.
Alex Neundorf: Márcio, eu sei que você possui uma grande coleção de vinis. É a maior que eu já vi e que são exclusivamente de metal mesmo. Com relação ao Fábio, não sei se você também é um cultuador dos vinis. Vocês têm interesse em lançar em vinil, como disseram na pergunta anterior. Como vocês vêem essas mudanças? A gente falou tanto em coisas ruins que vem ocorrendo, essas transformações que desestabilizam o Underground, acho que é hora de avaliar as coisas boas que ocorrem também. Como por exemplo, esse retorno de algumas bandas que voltam a lançar em vinil. Assim com, bandas que ainda prezam a parceria e a união, tão caros ao verdadeiro Underground. Falem sobre o que vocês vêem de bom no atual momento em que vivemos. E, claro, comentem sobre esse lance do vinil, porque exatamente lançar em vinil?
Marcio E Fábio: Márcio: Cara eu sempre curti vinil, na verdade sempre fui viciado em vinil e fitas K7 (ainda sou um velho tape-trader), não tem como explicar a sensação de encontrar um discão que você tava procurando e botar para tocar na "vitrola", quem curte vinil sabe o que eu to falando, minha coleção não é assim tão grande como de outros amigos meus, mas sempre eu to comprando discos, para mim os discos sempre foram uma fonte de pesquisa para conhecer outras bandas, sempre olho nos agradecimentos para outras bandas que vem no encarte e ai vou atrás destas bandas, conheci muitas bandas assim, mas não comecei ontem a colecionar. Desde que comecei a curtir metal compro discos, uma de minhas maiores decepções foi quando conheci o CD, peguei na mão e fiquei decepcionado com o tamanho da arte da capa e o formato do CD, não tenho nada contra CD's, tenho vários CD's em casa e compro CD's, mas sempre que posso prefiro comprar em vinil, para mim o vinil eterniza o metal. Se você quer eternizar seu som lance em vinil. Com certeza queremos lançar algum material em vinil, nem que seja um split com alguma outra banda, o vinil sempre esteve ai em sebos e entre a galera que sempre curtiu o vinil. Outra coisa que com esse revival dos anos 80's mostrou pra galera nova e velha a melhor época do metal junto com tudo que existia nessa época incluindo os lançamentos em vinil, se não fosse esse retorno a galera nova com certeza iria estar escutando somente merda e não o verdadeiro metal, e vamos falar a verdade nos últimos anos quiseram inventar tantos estilos dentro do metal como se fossem reinventar a roda, o metal verdadeiro sempre esteve ai e nunca morreu como muitos gostariam, esse foi um lance massa que aconteceu, muita gente se tocou da essência do metal, claro que muitos vão se perder no caminho mas quem curtiu vai curtir o resto da vida, com isso muitas gravadoras resolveram relançar em vinil várias bandas antigas e novas, já ressurgiu um novo mercado para os lançamentos em vinil, o que não concordo as vezes é com o preço, que muitas vezes é absurdo. Quanto ao que rola de bom dentro do underground sempre foi as verdadeiras amizades e a galera que segue levando essa bandeira, hoje vejo que muitas bandas estão se ajudando como se ajudavam no passado sem querer ser mais que outra, claro que ainda tem a "panelinha", mas o que mais prezo são as verdadeiras amizades.   Fábio: Cara, curto vinil pra caralho, mas minha coleção não é muito grande... vejo de forma boa e ao mesmo tempo ruim, vai chegar um tempo que ninguém mais vai ir em shows, vai da pra ver a banda favorita no youtube, ninguém  mais irá comprar CD's ou vinil pois tem tudo pra baixar, pra que essas pessoas  gastaria seu dinheiro com isso se a internet da essa comodidade? É algo foda quando alguém vem e me fala que gravou a discografia de uma banda em mp3, porra, o que eu levo anos pra conseguir essa merda de net ta estragando em segundos! kkkkkkk mas ao mesmo tempo é algo bom pra quem sabe usar, muitas vezes to curioso pra saber qual é do som de alguma banda que ouvi falar e vou procurar no youtube, caso a banda me agrade eu corro atrás, mas outros webbangers iriam baixar e pronto. Cara, o nosso vinil vai sair de qualquer jeito, um dia ele sai heheehehehe.
Alex Neundorf: Muito bom saber tudo isso. Vamos ficar no aguardo no LP. Apesar de não ser um comprador de vinil (o preço ainda é um entrave, pois ás vezes você acha um título e está caro demais, mesmo em Sebos), irei cobrar de vocês. Mas mudando de assunto, com relação ao esquema de composição, produção de uma música no Sacrilegium, como funciona isso?
Marcio E Fábio: Márcio: Cara normalmente funciona assim, eu faço todas as músicas e letras, às vezes o Fábio vem com uma idéia, eu crio e imagino a música completa dai nos ensaios eu mostro como acho que deveria ser, passo os riffs pro Fábio e pro batera ai a gente vai tocando e moldando a música modificando uma coisa aqui e ali, ai vale a opinião de cada um. Mas sempre mantendo a linha do nosso som. Teve casos em que a gente começa a fazer uns barulhos e quando surge alguma idéia legal a gente mantém, mas como eu disse, sempre mantendo a linha Sacrilegium, nosso som não tem muita frescura tem que ser rápido, sujo e blasfemo.   Fábio: As músicas surgem naturalmente, sai um barulho aqui, outro ali nos ensaios que o Márcio faz, quando vemos já tem outra blasfêmia pronta heheheheh.
Alex Neundorf: Rápido, sujo e blasfemo! Vocês definiriam o Sacrilegium dessa forma? Seria a identidade da banda? Continuando nessa linha, quais são as principais influências, na hora de compor? O que vocês costuma ouvir e que repercute no som do Sacrilegium?
Marcio E Fábio: Márcio: Sim, definiria a Sacrilegium como Brutal Death Metal cru, rápido, sujo e blasfemo, esta é a proposta da banda e o que tocamos, quanto as influências na hora de compor procuro fazer/criar riffs que eu gostaria de ouvir, mas diferentes das outras bandas. Quanto ao que eu costumo ouvir: muita coisa dentro do metal, Death, Thrash, Grind, Gore, Heavy. Cito algumas bandas que sempre estou escutando: Sarcófago, Angel Corpse, Centurian, Incantation, Autopsy, Cannibal Corpse, Morbid Angel, Slayer. Várias bandas antigas e novas do Brasil, pois as bandas brasileiras sempre tiveram uma pegada mais violenta, gosto de pesquisar bandas obscuras do underground, bandas antigas e bandas novas e conseguir material destas bandas, isso é uma das coisas de que mais gosto de procurar e escutar, bandas que não conheço, tudo que eu escuto acho que vai refletir no som que vou fazer direta ou indiretamente, mas dentro da identidade da Sacrilegium.   Fábio: Incantation é sem duvida alguma! Mas eu costumo ouvir no dia a dia do Death ao Hard Rock e de tudo um pouco dentro do que é bom ehehehhehe. Deeds of Flesh, Lividity, Brodequin, Master, Bolt Thrower, Absu, Autopsy, Benediction, Disgorge (Mexicano), Black Sabbath, Napalm Death, Terrorizer, The County of Medical Examinners e com certeza as bandas da região, Rhestus, Flesh Grinder, Batallion, Licantropy, Hecatomb, Khrophus, Impiedoso, Fornication, Oculto... Ouvimos muitas coisas, com certeza todas essas bandas citadas e muitas das que a gente não citou fazem parte do nosso dia a dia e com certeza acabam a influenciar o nosso som. O nosso som é direto, sem frescura, é cru, sujo, rápido e blasfemo!
Alex Neundorf: Já que vocês citaram as bandas da região e tal. Quais seriam as bandas mais parceiras do Sacrilegium, bandas que mantém um contato mais constante, que estão sempre tocando juntas, etc.? Ou então, não necessariamente bandas, mas produtores de shows, Headbangers, pessoas ligadas ao metal.
Marcio E Fábio: Márcio: Alguns eventos são organizados por camaradas nossos, em especial a Horda do Dragão e com bandas de camaradas que assim como nós também estão na batalha como o The Face, Unholy Horder, Sodamned, Luciferiano, Occulto, Impiedoso, Battalion, Warrios of Metal, Aqueronte, Impetus Maleficum. Todo mundo se ajuda e da uma força pra todas as bandas sem rivalidade, um camarada nosso que nós consideramos o quarto membro da banda é o Lobo, que acompanha nossa trajetória desde o começo e sempre da uma força fudida pra gente, o Valdo do The Face que sempre nos apoiou e deu força, e também todos os camaradas da Horda do Dragão que também sempre nos apoiou, nós temos muitos headbangers camaradas que sempre nos acompanham nos shows, como já disse as amizades velhas e novas que fazemos levaremos para o resto da vida, é uma das coisas que nos move a continuar na batalha.   Fábio: Também tem a Flesh Grinder, sempre que eles fazem shows em Joinville rola convites da parte geralmente do Daniel (baterista), da parte do Fábio (guitara), ele nos deu uma força cedendo horas de gravação no seu novo estúdio, o Vortex, temos muitos camaradas e com certeza o Lobo é o quarto membro, tem também o Charles que organizava o Fúria pra quem lembra do festival, ele sempre nos convidava e da até hoje uma força pra banda. A Brutal Wear nos deu patrocínio para a gravação da nossa demo e fez as nossas camisetas, o Paulo (El Patron Lueco) sempre nos da uma força, naquela mini-turnê ele nos ajudou cedendo camisetas pra que a gente vendesse elas no Paraguai e levantasse uma grana, mas enchemos a cara e calculamos o cambio errado do dinheiro e tivemos que pagar ele depois kkkkkkkkkkkk. A Horda sempre nos convidou e ajudou a divulgar o nosso nome na cena, com certeza, e claro, vocês da GoreGrinder heheheheh e claro meus pais, que me emprestaram várias vezes dinheiro pra que eu pudesse ir ensaiar.
Alex Neundorf: Como vocês avaliam o atual momento metal da região, Santa Catarina em específico? Falando em termos de bandas novas e antigas que se mantém na ativa, festivais, gigs, etc. Atualmente assistimos a um boom dos festivais open air, o que é, em minha opinião, uma coisa boa. Quase todos os cantos de SC possuem festivais desse tipo, o que não rivaliza com os fests mais underground. Como vocês vêem tudo isso que está ocorrendo, especificamente na região de vocês e também mais no geral, ao nível de Brasil?
Marcio E Fábio: Márcio: Santa Catarina até onde eu sei é um dos poucos estados que tem festivais open air, isso já faz anos e cada vez surgem em outras cidades esse tipo de evento, que é muito massa pois são finais de semana que você não esquece e principalmente seu fígado não esquece. Em termos de bandas, temos várias, novas e antigas. Posso citar várias: Flesh Grinder, Ovários, Khrophus, Sodamned, Luciferiano, Unholy Horder, Occulto, Impiedoso, Battalion, Rhestus, Dark Maze, Warriors of Metal, Carrasco e várias outras que agora não me lembro, sem contar festivais tradicionais como a Splatter Night em Joinville, e lugares tradicionais como o Curupira (Guaramirim). A nível de Brasil, temos muita vontade de tocar em todos os cantos, como no Norte, Nordeste que até onde eu sei tem uma das cenas underground mais fortes do Brasil. O Brasil tem umas das cenas e bandas mais fudidas do mundo, e sempre será referência na cena mundial.    Fábio: Eu sou um que idolatro festivais open air, três dias de cachaça e loucura!!! Sem contar que a ratalhada sai toda do esgoto (velhos conhecidos) kkkkkk é muito massa, nesses fests que você encontra toda a moçada reunida e curtindo. A região é provida de excelentes bandas, muitas bandas novas estão surgindo e com uma pegada muito massa! Posso citar a Mad Attack de Joinville, a gurizada manda um crossover muito doido! O que falta pras bandas brasileiras é grana, se essas bandas tivessem como gravar te garanto que não teria banda gringa pra ir em shows, seria a massificação do som metal nacional, mas como já mencionei, grana é uma merda, estraga tudo!
Alex Neundorf: Um assunto polêmico, que serviu de tema para uma matéria especial que fizemos no site dizia respeito ao tal do “White Metal”. Presumo a opinião que vocês tem a respeito, mas mesmo assim quero ouvir de vocês. O que vocês acham disso? Se soubessem que no festival ou evento que vocês tocariam, uma banda dessas tocaria junto, o que vocês fariam?
Marcio E Fábio: Márcio: Matem! Matem! Todos esses malditos envolvidos com esta merda chamada "white metal" e todos os que aceitam essa merda dentro do metal e da cena underground, white metal é um câncer como qualquer religião, temos que ser radicais não podemos aceitar essa merda na cena. Com certeza não dividimos e nunca iremos dividir palco com nenhuma banda que pertença a essa merda de white metal, mesmo porque os eventos em que tocamos sempre são organizados por pessoas com a mesma consciência e postura nossa.   Fábio: Mandaríamos o cara que está organizando o festival ir tomar bem no meio do cu! WHITE METAL MERDA NÃO EXISTE!
Alex Neundorf: Uma questão importante que costumamos abordar por aqui: como vocês vêem as novas gerações de Headbangers? Muita gente, “das antigas” costuma torcer o nariz para o que se presencia, em se tratando dessa questão. Alguns dizem que está tudo perdido e que a “piazada” que vem surgindo e se inserindo no meio metal não vai levar a bandeira do Underground à frente, principalmente pela questão do modismo e da falta de ideologia. Qual a opinião de vocês frente a esse problema? Vocês se preocupam com essas questões?
Marcio E Fábio: Márcio: Cara eu sempre pensei da seguinte forma: quem nasceu para ser Headbanger sempre será Headbanger, tive a prova quando comecei a tocar com o Sandrinho (baterista) quando ele tinha 13 para 14 anos e mesmo com essa idade ele sempre se mostrou um verdadeiro Headbanger, não somente no visual, mas nas atitudes e na ideologia Headbanger, isso provou que isso não tem haver com a idade e sim com a atitude, o underground não precisa de quantidade e sim de qualidade, o underground sempre será para os fortes, os fracos desistem logo e os parasitas logo são excluídos pelo underground, é uma seleção natural feita pelo próprio underground, quem nasceu para ser Headbanger sempre será Headbanger   Fábio: È algo normal, esses "das antigas" não podem esquecer que eles também foram "pivetes" e que eles não conheciam muitas coisas. Lembro que na época ninguém passava som um pro outro, lembro também que quando eu comecei a curtir, eu não tinha grana pra comprar porra alguma e que graças ao Edson (Abrigo Nuclear) conheci muita coisa, ele quem injetou o veneno em minhas veias heheheeh, gravou minhas primeiras fitinhas K7, Master, Macabre, P.U.S, Carcass... O que difere a gurizada de agora para o pessoal das antigas é que a gurizada não precisa de ninguém pra nada devido a baixarem tudo na internet (fato o qual eu torço meu nariz), o que eu vejo é que foi perdido um pouco o respeito com as bandas, dificilmente vejo um novo banger comprando demos e tals, mas como o Márcio mesmo disse, cada um é cada um. Aqui em Jaraguá do Sul mesmo, tem muito guri novo que é super gente boa, curte altas sonzeiras, mas também tem muito zé ruela, como os "das antigas" também, muitos dos que se falavam fodões acabaram sentando na mandioca, virando pra mim um baita de um VIADO! Eu particularmente apoio a gurizada, depois o underground por si próprio filtra os manés hehehehehhe. Zé mané que não nasceu pra podreragem logo pula fora heheheheh.
Alex Neundorf: Vamos falar então sobre a mini-turnê que vocês fizeram pelo Paraguai e por Foz do Iguaçu. Como foram esses shows? E na mesma linha, quero que vocês contem como é um show do Sacrilegium? Para quem nunca os viu ao vivo, o que se pode esperar de vocês em um show?
Marcio E Fábio: Márcio: Cara esses shows que fizemos no Paraguai e Foz do Iguaçu junto com o The Face vão ficar na minha lembrança pro resto da vida, daria pra escrever um livro, para ter uma idéia a gente foi até Assunción/Paraguai em 08 pessoas dentro de uma Doblô + bagagem + instrumentos, essa Doblô foi alugada, mas a empresa que alugou nem ficou sabendo que nós fomos para outro país, entramos no Paraguai apenas em 06 pessoas legalmente, os outros 02 não tinham os documentos e entraram ilegais, detalhe que eram os dois bateristas, fomos parados pela polícia, tivemos que subornar os policiais pois estávamos com dois ilegais a bordo, quase ficamos presos, ficamos quase sem grana, mas tudo foi recompensado quando tocamos, um dos shows mais fudidos que tocamos. Os headbangers do Paraguai são muito loucos, é uma cultura bem diferente da nossa, mas cara, assim que voltarmos a tocar queremos voltar a tocar lá, é muito fudido, o show em Foz do Iguaçu também foi massa pra caralho, tocamos e depois enchemos a cara, queremos assim que possível repetir essa aventura, quanto a um show da Sacrilegium é como nosso som: rápido, sujo e blasfemo, sem frescuras ou enrolação, chegamos e tocamos é isso que vocês verão em um show da Sacrilegium.   Fábio: Puta merda, esses dois shows foram fodas kkkkkkkk eu era o motorista, tocava, enchia a cara e saia dirigindo muito doido da cana kkkkkkkkk. Os caras passaram medo comigo kkkkkk, sorte que tinha o Madruga pra revesar no volante kkkkkkkkkkkkk. Se não a gente não estaria aqui pra responder essas perguntas kkkkkkkkk. Foi algo que quero repetir o quanto antes, foi muito animal mesmo! Tenho contato com pessoas do underground paraguaio, são super gente fina, posso citar os caras da The Force e a Jez Tormentor, ela ta querendo que voltemos a tocar em Assunción, mas precisamos de um baterista que firme raízes na Sacrilegium... O nosso show é isso que o Marcio falou, subimos e tocamos, sem frescura e sem viadagem, é blasfêmia pra quem gosta de blasfêmia! Cru, sujo e rápido.
Alex Neundorf: Valeu Fábio e Márcio, foi um grande prazer trocar uma idéia com vocês. Foi muito gratificante saber e entender a opinião de vocês sobre esses assuntos polêmicos que envolvem o Underground, por sinal, opiniões que eu compartilho e que o GoreGrinder também compartilha. Como é padrão, deixo aqui o espaço final para vocês comentarem o que desejarem. Vida longa ao Sacrilegium e que vocês continuem sempre perseverantes no Underground.
Marcio E Fábio: Márcio: Primeiramente agradeço pela força e oportunidade dada a Sacrilegium pelo GoreGrinder e a você Alex, por toda sua dedicação em prol do nosso Underground, é um orgulho poder responder esta entrevista e expressar nossas opiniões, agradeço também a todos Headbangers que sempre acreditaram e ajudaram a banda a se manter firme em seu propósito, nos encontramos por ai em algum show para tomarmos umas, podem ter certeza que nunca iremos desistir, pois a Blasfêmia é Eterna.   "Os fracos desistem e os fortes persistem", Sacrilegium.   Fábio: Valeu Alex mais uma vez pelo espaço cedido, agradeço a todos que sempre foram em nossos shows e a todos que sempre nos apóiam. Agradeço também a todos que se opõem aos White Merda. Agradeço a Horda do Dragão e principalmente aos meus reais amigos. Blasphemy Forever!
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