Duas bandas importantíssimas do cenário extremo nacional são a origem do The Ordher. Em Abril de 2005 Fábio Lentino e Maurício Weimar, vindos do ainda ativo Nephasth, juntam forças com Fabiano Penna, do extinto Rebaellium. Após a união dessas trajetórias, e o lançamento de uma Promo em 2006 para divulgação do som, teríamos o lançamento de dois violentos full-lenghts: em 2007 o “Weaponize” e, agora, em 2009 o "Kill The Betrayers". Dois trabalhos que foram muito bem recebidos por público e crítica. Nessa entrevista tivemos o privilégio de conversar com Fabiano Penna (guitarra), onde abordamos diversos assuntos: desde assuntos envolvidos com o The Ordher, tais como história e a recente turnê européia, até temas mais de cunho geral, relacionados ao Underground e a música mesmo. Tenho certeza que ao final dessa entrevista muito será acrescentado àqueles que a lerem. Ficou extensa, mas também pudera, o The Ordher não se resume aos seus quase cinco anos de vida. E olha que muita coisa ainda ficou para a próxima. Aproveitem!

Entrevista feita por Alex Neundorf e publicada no dia 13/02/2010
Alex Neundorf: E ai Fabiano, tudo em ordem? Cara, de início gostaria de dizer que é um grande prazer poder conversar com você e é também uma grande honra para o GoreGrinder poder contar com sua atenção para essa entrevista. Acho mesmo que esta acontece tarde. Já deveríamos ter realizado essa conversa muito antes. Mas enfim, para começar, embora seja quase que desnecessário para a maioria das pessoas inseridas minimamente na cultura Underground Metal da nosso região, gostaria que você nos falasse sobre a trajetória da banda e dos seus integrantes, como formaram o The Ordher e como chegaram, recentemente, a esse segundo impressionante registro. O espaço é seu e sinta-se em casa.
Fabiano Penna: Valeu Alexandro, eu que agradeço o espaço no GoreGrinder e a oportunidade pra gente divulgar nossa música. O The Ordher foi formado em 2005, com o objetivo inicial de ser um projeto, já que o Fábio Lentino (vox/bass) e o Maurício Weimar (drums) na época estavam ainda tocando no Nephasth. Eu estava sem banda no momento, já tinham se passado uns 3 anos do final do Rebaelliun, que foi minha banda anterior. Assim que montamos o The Ordher, o Nephasth anunciou seu fim, então resolvemos assumir o projeto com mais seriedade. Em 2006, depois de muito ensaiar e gravar nossas primeiras músicas, lançamos a 'Promo 2006', 3 faixas que divulgamos exaustivamente pela Internet, e que também foram enviadas pra diversas gravadoras ao redor do mundo. Em seguida assinamos com a Unique Leader dos Estados Unidos pra lançar nossos 2 primeiros discos. Em 2007 gravamos "Weaponize", lançado no final daquele ano, e que aqui no Brasil acabou saindo pela Encore Records. Fizemos shows por todo o país divulgando esse disco entre 2007 e 2009, incluindo a turnê brasileira do Possessed que abrimos (São Paulo, Recife e Belo Horizonte) e também o festival Forcaos, em Fortaleza. Durante essa turnê tivemos uma mudança na formação da banda, entrou Cássio Canto na bateria, porque o Maurício estava pra morar fora do país e não teria como se manter na banda. Além dos shows pelo Brasil, durante esse período começamos a escrever material novo, que foi gravado no início de 2009 e lançado em Setembro desse ano, sob o título "Kill The Betrayers". Pra promover esse nosso segundo disco, que saiu aqui no Brasil dessa vez pela Free Mind Records, participamos da 'Funeral Nation Tour', turnê que passou por 9 países na Europa, e que contou, além do The Ordher, com Fleshgod Apocalypse, Vader e Marduk.
Alex Neundorf: O The Ordher é uma banda relativamente nova. Apesar disso, a estrada que vocês percorreram nesses poucos anos de vida da banda é algo impressionante: turnês nacional e européia, dois full’s muito bem recebidos pela crítica. Qual é o segredo (se é que há algum “segredo” mesmo) para conseguir tudo isso em tão pouco tempo? Fale-nos sobre isso e, claro, comente sobre o quanto a experiência adquirida e uma abordagem com profissionalismo colaboram, nesse sentido.
Fabiano Penna: É, o fato da gente vir de duas bandas que já tinham uma carreira bem desenvolvida ajuda muito, não começamos tão do zero assim. Mas acho que se dependesse só disso, o The Ordher não seria nada, porque em pouco tempo o trabalho duma banda é esquecido se você não dá continuidade, boa parte do público de Metal extremo que movimenta a cena hoje em dia desconhece o trabalho do Rebaelliun e Nephasth, porque não houve continuidade. A gente tá colhendo os frutos do que a gente vem plantando, e na realidade nem vejo como a gente colhendo os frutos, vejo a gente plantando muito ainda, não temos nada concreto, é tudo investimento, estamos tentando solidificar a carreira da banda. Claro que em 4 anos acho que já foram boas conquistas, mas obviamente queremos a coisa andando melhor. Apesar de ainda não podermos viver 100% pra banda e pela banda, sempre foi nossa prioridade, botamos todo o tempo disponível pra trabalhar com o The Ordher desde o início, e sempre visando algo profissional, não temos nossa música como hobby. Talvez por isso algumas dessas conquistas que tivemos possam parecer até um pouco recentes demais pra algumas pessoas.
Alex Neundorf: Já que você tocou nesse assunto: as novas gerações! Gostaria de aproveitar e fazer uma digressão. Qual sua opinião sobre a renovação, em termos de Headbangers, que se produz atualmente. Levando em consideração todos esses fenômenos do nosso mundo contemporâneo: internet, mp3, modinhas, etc. Muitos dos “antigos” na cena vêem com olhos pessimistas essa renovação. Não sei se estou sendo claro, mas gostaria que você comentasse sobre isso: sobre o público do metal que está se inserindo na cultura metal agora.
Fabiano Penna: A renovação é necessária, não tem nem o que se discutir. Se dependêssemos até hoje do público que começou ouvindo Metal no Brasil nos anos 80, não teríamos mais shows, bandas, nada. Eu tenho 33 anos, ouço Metal desde 1990, e conto nos dedos os amigos que começaram ouvindo som comigo e que hoje ainda são fãs de Rock, a maioria não tá mais na cena. E assim a coisa segue, fica pouca gente, a maioria 'cresce' e cai fora, então tem que ser renovado mesmo. Na Europa você vê um público mais velho nos shows, lá o cara pode ter a profissão dele, viver razoavelmente bem, e manter o estilo de vida Metal, de cabelo comprido, tatuagem, nada impede que o cara viva assim com 30, 40 anos, aqui o cara fica muito marginalizado com uma escolha dessas. Sobre esse novo público, o público da Internet, é isso aí, daqui pra frente vai ser assim, não tem que achar ruim, vejo muito ranso da parte dos mais velhos, que não se dão conta que têm mais é que incentivar essa molecada, eles que vão levar a coisa adiante. A Internet tem muitos pontos positivos, o lance é saber usar. Mas aí vai de cada um, enquanto tem um monte de gente reclamando e resmungando eu prefiro usar a Internet pra agilizar meus contatos, divulgar meu trabalho, enfim, usar a meu favor.
Alex Neundorf: Aproveitando um gancho aqui, nos fale o que o The Ordher representa para vocês agora. Comparando os momentos: o passado com o Rebaelliun e o presente com o The Ordher. O que você teria a dizer? O momento é mais promissor?
Fabiano Penna: Acho que o The Ordher é muito mais banda que o Rebaelliun era. Nossa música é mais original, tem mais qualidade, a banda tem uma visão muito mais profissional, e acho que é um trabalho que vai durar mais. O Rebaelliun teve uma explosão, aconteceu tudo muito rápido e ninguém conseguiu segurar a onda, tanto que você vê que praticamente todo mundo abandonou o negócio depois do fim da banda... A grande vantagem que o Rebaelliun teve na época foi que quando surgiu, houve um boom no Death Metal mundial, e a banda entrou naquela onda, fez parte duma cena que levantou bandas como Krisiun, Angelcorpse, Centurian e outras. Hoje em dia o estilo está em baixa e sentimos isso na pele, mas procuro pensar que estamos construindo algo pro futuro, na hora certa vamos ter o reconhecimento devido.
Alex Neundorf: Você acha que o Death Metal está em baixa? Ou você fala da vertente mais brutal, na qual vocês se inserem?
Fabiano Penna: Tá em baixa sim. O Death Metal sempre foi um estilo bem underground, um dos mais undergrounds que existem. Mesmo o Black Metal, que era mais underground ainda, nos anos 90 se renovou e tomou proporções comerciais nunca imaginadas. Claro que o estilo mudou, mas atingiu mais gente. O Death Metal também mudou, mas a mudança foi pra extremizar ainda mais, e conseqüentemente deixar o estilo ainda mais underground. Houveram períodos onde rolou uma alta, quando o público aumentou consideravelmente, surgiram grandes bandas, e o estilo teve uma visibilidade maior. Como no início dos anos 90, quando bandas como Deicide, Cannibal Corpse e Morbid Angel lançaram ótimos discos e movimentaram muito o cenário. Você pega o Morbid Angel, que entre 93 e 95 assinou com a Warner pra lançar o 'Domination', aquilo foi um marco na história do Death Metal. Depois no final dos anos 90 houve uma renovação no estilo, com o surgimento de bandas como o Krisiun, Nile, Angelcorpse, Centurian, o Rebaelliun também. Foi uma proporção menor do que a outra 'onda', mas movimentou bem o estilo, gerou muitas turnês, bons discos, as próprias bandas mais antigas usaram alguns discos dessas bandas novas como referência também. E de lá pra cá, na minha opinião, nada mais aconteceu, o estilo acabou ficando meio repetitivo, o público diminuiu, e acredito que em breve deve haver algum tipo de mudança novamente, que vá botar o estilo em alta de novo.
Alex Neundorf: Olhando por esse aspecto, tenho que concordar com você. Já que você mesmo mencionou o fato de ter ficado quase três anos parado. Como foi voltar com o The Ordher?
Fabiano Penna: Foi muito foda, na época eu não tava com intenção alguma de voltar a ter banda, mas coincidentemente, tinha voltado a tocar bastante guitarra, tava gravando uns materiais em casa, montando com bateria eletrônica e tal. E aí surgiu a idéia de montar esse projeto, lembro que os primeiros ensaios foram muito divertidos, as músicas foram pintando naturalmente, e aos poucos o que era pra ser um projeto apenas foi tomando forma e os objetivos foram ficando maiores, mais sérios.
Alex Neundorf: Mudando um pouco o assunto. Acompanhei dentro do possível a recepção pela crítica especializada nacional dos dois fulls lançados. E a crítica foi sempre muito positiva. Como foi a recepção a nível internacional desses materiais? Vocês realizaram uma divulgação massiva desses materiais lá fora também?
Fabiano Penna: Não houve divulgação massiva. O primeiro disco, por exemplo, tava longe de ser prioridade na Unique Leader, então não teve muita promoção. Eu li alguns reviews positivos, outros que acharam que a banda era boa, mas ainda não tinha encontrado um caminho... Fizemos algumas boas entrevistas pra fora também, como pro site Metal Rules, que é gigante. Agora pro disco novo já sinto que tá rolando uma promoção melhor, e o disco tá sendo mais bem aceito também, acho que aos poucos as pessoas estão começando a entender nossa proposta. Porque seria muito fácil pra gente montar o The Ordher e sair fazendo o que nossas ex bandas faziam, o Rebaelliun e o Nephasth. Teríamos uma aceitação imediata, mas limitaria nosso trabalho. E a idéia era justamente ampliar o trabalho, não limitar. A tour que fizemos lá fora também ajuda muito, atingimos muita gente, muita gente que forma opinião também, e isso começa a somar. Hoje mesmo tava falando com o cara da Unique Leader e ele me falou ainda que depois da tour a banda tá sendo vista com outros olhos no geral, e isso tá aparecendo na venda de discos. Então aos poucos estamos conquistando nosso espaço...
Alex Neundorf: Já que estamos falando sobre atualidades, vamos então agora focar o contemporâneo. De início, nos fale sobre esta recente turnê européia, 'Funeral Nation Tour'. Como foi?
Fabiano Penna: A 'Funeral Nation' foi nosso primeiro passo fora do país com o The Ordher. A turnê aconteceu entre Setembro e Outubro passados e abrangeu 9 países na Europa, num total de 30 shows. Além da gente, tocaram ainda o Fleshgod Apocalypse da Itália, Vader e Marduk, que obviamente eram as atrações. Pra gente foi muito foda, a banda tava precisando dar esse passo, mostrar o trabalho lá fora, entrar no circuito, pegar o ritmo de estar na estrada e tocar toda noite. Houveram shows ótimos, outros nem tanto, mas no geral foi muito positivo pra gente. Destaco principalmente os shows na França e Espanha, onde o público foi muito receptivo pra nossa música, e também a participação que tivemos do Voog (guitarrista do Vader e Decapitated) em boa parte dos shows tocando 'Troops Of Doom' do Sepultura com a gente no final do nosso show.
Alex Neundorf: Sim, por sinal um vídeo (dum show na França) com a participação do Voog pode ser visto no Youtube. Com relação a turnês internacionais, vocês já são tarimbados. Você tem pelo menos duas com o Rebaelliun, o Fábio mais uma com o Nephasth. É isso? Mas me diga, vocês sentiram alguma diferença com relação às experiências anteriores de vocês? E aproveitando aqui na mesma pergunta: uma turnê para fora do país é o “sonho de consumo” de quase toda banda que almeja ser minimamente profissional. Vocês já realizaram isso várias vezes. O que resta? Vocês ainda tem algo que desejariam muito e que ainda não foi realizado? Quem sabe a participação em um grande festival europeu...
Fabiano Penna: Então, o Rebaelliun fez 4 turnês na Europa, de 98 até 2001. O Nephasth não chegou a ir, foram até anunciados numa turnê lá fora, mas acabou não rolando. Eu não senti muita diferença não, o circuito é mais ou menos o mesmo, o público sempre oscila, há shows lotados, outros não, mas no geral o circuito se mantém, o que é o mais importante. Sobre o que resta, resta a gente consolidar nosso nome, estamos muito longe disso aí. Ir pra fora tocar é o primeiro passo, e foi dado, agora queremos que isso seja freqüente, aí sim poderemos construir uma base sólida de fãs por outros países e conseqüentemente fazer a banda 'virar' de verdade.
Alex Neundorf: Com relação a esse mais recente lançamento, "Kill The Betrayers", que já vem colhendo ótimos frutos, quais são as pretensões ainda? Existe a possibilidade de uma nova turnê pela Europa e quem sabe nos EUA? Para o Brasil como será a divulgação?
Fabiano Penna: Nosso objetivo agora é fazer América do Norte, é pra ser o próximo passo. A Unique Leader já demonstrou interesse em armar isso pra gente, tá dependendo de surgir um pacote condizente com o The Ordher e também a questão dos vistos, já que não temos ainda vistos pros Estados Unidos. Obviamente queremos também voltar a tocar na Europa o mais breve possível, abrimos muitas portas lá com essa tour, temos que manter o nome da banda circulando se quisermos construir uma base sólida de fãs por lá. E no Brasil vamos ver o que vai rolar, estamos aguardando o interesse dos produtores pra podermos tocar, queremos muito fechar shows por aqui, só estamos esperando que isso role o quanto antes.
Alex Neundorf: Vocês lançaram o "Weaponize" em 2007, dois anos depois veio o "Kill The Betrayers". Vocês têm um pensamento estratégico ou uma política a esse respeito? Digo, um full-lenght a cada dois anos é o ideal para o The Ordher em termos de tempo para composição, gravação, divulgação?
Fabiano Penna: Acho que é um bom tempo entre um disco e outro. Quando lançamos o "Weaponize" acabamos não fazendo muitos shows pra esse disco, tocamos apenas no Brasil e não foram tantos shows assim, então foi normal termos tempo pra produzir um disco novo. Depois do "Kill The Betrayers" as coisas já estão começando a andar melhor em relação a shows, teve essa tour na Europa, estamos vendo pra seguir em 2010 tocando mais ainda, então isso talvez faça com que o intervalo desse disco pro próximo seja um pouco maior. Mas já estamos aos poucos começando a trabalhar num disco novo, temos conversado muito a respeito desse novo álbum e sempre que dá já vamos registrando algumas idéias, alguns riffs, pra adiantar o trabalho.
Alex Neundorf: Aproveitando a deixa, acho sempre oportuno perguntar a uma banda como funciona entre seus componentes o processo de composição. Penso que para as bandas jovens, ou ainda àqueles que desejam um dia ter banda, é sempre pedagógico ler algo a esse respeito. Então, como funciona isso no The Ordher hoje em dia? Comparativamente com o Rebaelliun existe muita diferença?
Fabiano Penna: Basicamente eu crio os riffs, monto a música no meu home-studio com bateria eletrônica, muitas vezes já gravo até o solo na hora também. Se já estou com a letra na mão, também já gravo uma guia de voz pro Fábio, mixo essa demo e mando pro Fábio e pro Cássio. Aí levamos a faixa pro estúdio pra ensaiar, eles aparecem com algumas sugestões, a gente muda o que tiver que ser mudado e a música toma forma. Depois na hora de fazer o disco mesmo, acabamos mudando alguns arranjos, ou mexemos na letra, isso é bem comum também. E tem coisa que fica pronta já na criação, pelo menos 2 solos do "Kill The Betrayers" eu nem regravei, gostei tanto do que tinha gravado na demo que só 'colei' no disco, não teria sentido regravar. Nesse disco novo o Fábio contribuiu com 2 faixas, num esquema meio parecido com o meu, ele montou a demo no estúdio dele e mandou pra gente, trabalhamos no estúdio e finalizamos. Houveram também umas 2 faixas que a gente nem ensaiou, aprontamos as demos e levamos direto pro estúdio pra gravar, e o resultado foi bacana também. Ou seja, não temos apenas um método pra compor, a gente consegue se adaptar pra trabalhar de várias maneiras. No Rebaelliun não era muito diferente eu acho, eu era o principal compositor, só na época não tinha recurso pra montar demos em casa, essas coisas, mas levava o material pro estúdio e trabalhava com o resto da banda, acho que era isso...
Alex Neundorf: Em 2008 vocês tocaram com o Possessed em sua passagem pelo Brasil, uma banda que, principalmente através do “Seven Churches”, foi uma grande influência para inúmeras outras que vieram depois. Com as bandas anteriores vocês chegaram a tocar com inúmeros ícones do metal extremo mundial. Bandas como Deicide, Cannibal Corpse, Vader, Hate Eternal. Tocar com o Possessed foi diferente de alguma forma? Como foram esses três shows?
Fabiano Penna: Ah, tocar com uma banda grande é sempre um aprendizado. Você começa a observar os caras desde a passagem de som, como os caras trabalham, como tocam, depois no show, etc. É aprendizado sempre, é sempre uma chance de você melhorar, evoluir. E com o Possessed não foi diferente. Apesar de não ser a banda original, são grandes músicos e foi muito foda estar na estrada com eles no Brasil. E sem falar no Jeff Becerra, que é um grande cara, além de ser uma lenda na música extrema mundial. Nos tratou super bem o tempo inteiro, acompanhou trechos do nosso show também. Tocamos com eles em São Paulo, Recife e Belo Horizonte, e foram 3 bons shows. Além de tudo, fui o engenheiro de som deles aqui no Brasil, o que foi uma honra, eu nunca iria imaginar há 18 anos atrás, quando ouvi pela primeira vez o Possessed, que um dia iria dividir o palco com eles e também fazer o som dos caras...
Alex Neundorf: Cara, gostaria de explorar mais um tema recorrente. Não é uma mudança radical de assunto, mas enfim, para nos encaminharmos para o fechamento dessa conversa comente quais são suas perspectivas pessoais com relação ao The Ordher e se suas perspectivas são compartilhadas pelos outros integrantes. Principalmente no que tange aquele ideal básico de toda pessoa envolvida de alguma forma com música: viver da música. Vocês consideram que alcançaram esse objetivo? Ou se não, é uma pretensão? E o mais difícil, é possível para uma banda brasileira, partindo do zero atualmente, almejar uma auto-suficiência financeira? Quais os obstáculos?
Fabiano Penna: Minha perspectiva é tornar a banda realmente conhecida, ser capaz de tocar em mais países, ter uma boa estrutura pra trabalhar, poder me dedicar 100% ao The Ordher, essa é a minha perspectiva, e também do Fábio e do Cássio eu acredito. Tenho 33 anos e vivo apenas no meio musical desde os 20 mais ou menos, não é uma escolha fácil, mas aprendi a fazer disso um meio de vida e não me arrependo da minha escolha. Meu objetivo mesmo é poder ter mais tempo pra me dedicar pro The Ordher e pra guitarra, trabalho atualmente com produção de discos, em estúdio, trabalhando com áudio ao vivo também, tudo envolvido com música, mas gostaria de ter um longo período só envolvido com a banda mesmo, espero que isso chegue em breve. Em relação a sua última pergunta, acho tudo possível. Há muitos obstáculos pra quem quer viver de música em qualquer lugar no mundo, no Brasil mais ainda, mas é possível, há inúmeros exemplos, não só no Metal, de gente que conseguiu, e eu acredito que se é possível pra um, é possível pra todos que realmente quiserem.
Alex Neundorf: Quais são as expectativas para o futuro do The Ordher, em termos de objetivos a serem alcançados?
Fabiano Penna: Ano que vem a idéia é tocar na América do Norte, tentar voltar à Europa, e obviamente fazer uns shows no Brasil. Estamos pensando no novo álbum também, queremos que seja um divisor de águas pra banda, então sabemos que vamos ter que trabalhar muito em cima dele, vão ser muitos meses trabalhando nisso. Se a gente conseguir fazer isso tudo ano que vem, estaremos encaminhando mais trabalho pros anos seguintes, que é o que queremos: queremos gerar muito trabalho com o The Ordher, pra nós e pras pessoas que estão próximas da gente.
Alex Neundorf: Pra finalizar. Velho, foi um grande prazer poder contar com você para esse papo. Realmente foi uma conversa muito instrutiva e tenho certeza que os fãs vão passar a conhecer um pouco mais do The Ordher e também da sua história pregressa. Deixo aqui um espaço final para você fazer suas considerações. Valeu!
Fabiano Penna: Alexandro, eu que agradeço pela conversa, fico grato em ver que há pessoas realmente informadas sobre o nosso trabalho, o que acaba gerando um trabalho de qualidade como essa entrevista que estamos fazendo juntos aqui. Aproveito pra agradecer também a todos que têm nos apoiado desde o início da banda, muita gente tem sido realmente importante pra que as coisas continuem se desenvolvendo pro The Ordher, muito obrigado a todos vocês! Aos que ainda não conhecem nosso trabalho, visitem www.theordher.com e insistam com os produtores locais pra nos levarem pra sua cidade! Hail and kill!!
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Angelo  comentou:

Das entrevistas que li, essa é a melhor feita da banda até o momento. Muita particularidade interessante e a forma como foi conduzida a entrevista também foi 10.
Parabéns à ambos... The Ordher e a Goregrinder.

Até breve.
Angelo/PULVERIZING

20/02/10 às 01:28 Hs
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