De Paranaguá, no estado do Paraná, o Soul Assassins executa um excelente Thrash Metal de forte veia oitentista.  Apesar de ser uma banda com uma história bem recente (iniciado em 2006), o trio já tem uma maturidade e profissionalismo impecáveis, e começa já a expandir suas lâminas para além das fronteiras da cidade natal. Depois de duas demos que foram bem recebidas, lançaram nesse ano de 2009 um split com, a agora, banda Deathraiser. Nesse papo, conversei com o baixista e vocalista Alemão, que nos explicou entre outras coisas, assuntos relacionados à banda em específico e em relação ao Underground de uma maneira geral. Confiram a seguir ai mais detalhes sobre essa banda que promete para os próximos anos.

Entrevista feita por Alex Neundorf e publicada no dia 09/02/2010
Alex Neundorf: Fala alemão, tudo ok? Primeiramente gostaria de lhe agradecer, em nome do GoreGrinder Web Zine, por disponibilizar seu tempo para conosco. Vamos desenvolver uma conversa aqui e falar sobre os pontos que interessam, independente de espaço, ok? Sinta-se a vontade, aqui você tem o espaço que desejar! Para começar, gostaria que você falasse sobre a trajetória da banda, recompondo um histórico do Soul Assassins, pode ser?
Alemão: Primeiramente em nome da banda eu que gostaria de agradecer o espaço. Nossa trajetória começa em maio de 2006, nem a gente lembra direito o dia, hehehe. A idéia de montar a banda partiu do Rodrox nosso guitarrista; na época ele e o Jairão (batera) tocavam no High Butcher, mas lá Rodrox tocava baixo, e na real o que ele queria mesmo era atacar as 6 cordas. Eu tinha comprado um baixo nessa época e tava a fim de aprender a tocar, Rodrox que me incentivou, dai um belo dia ele apareceu na minha casa e me intimou pra gente formar uma banda, ele já tinha duas músicas prontas (Evil Army e Vengeance), aceitei o convite achando que ia ser algo como um projeto paralelo dele, mas a coisa foi ficando séria quando o Jairão entrou na banda, e um mês e meio depois a gente fez a nossa primeira apresentação aqui em Paranaguá, abrimos o Paranaguá Metal Fest, tocamos 3 músicas nossas e um cover da Orgasmatron versão Sepultura. Depois dessa apresentação a gente decidiu que ia gravar uma demo, e começamos a ensaiar quase que todo dia pra compor material, e principalmente pra ver se eu aprendia a tocar (isso nunca aconteceu, hehehe). Em novembro a gente entrou em estúdio e gravamos oito musicas, selecionamos quatro e lançamos uma demo. Já em 2007 a gente resolveu relançar a demo com as outras quatro musicas que tinham ficado de fora. De 2007 pra cá a gente continuou compondo e tocando o máximo possível, selecionando material pra gravação de um álbum completo; infelizmente por questões financeiras acabou não rolando, e a gente acabou lançando só quatro músicas em um split esse ano (2009) com o pessoal do Deathraiser (antigo Merciless).
Alex Neundorf: Aproveitando o gancho, fale-nos sobre o nome “Soul Assassins”? Esse processo de escolher um nome para a banda é sempre bem difícil, fale como chegaram a ele... e o que ele significa para vocês?
Alemão: A bem da verdade é que a gente queria um nome violento, hehehe, algo que soasse forte, como das bandas de Thrash dos anos 80, infelizmente todos já tinham sido usados; após inúmeras sugestões, Jairão apareceu com Soul Assassins, que ao nosso ver tinha tudo haver com a temática das letras; na época a gente pesquisou na net nos sites de metal e não existia nenhuma banda com esse nome. Pra gente a melhor definição pro nome vem do filme Soul Assassin, que mostra como um cara normal pode se tornar um assassino perfeito.
Alex Neundorf: Você abordou esse problema, que é constante para a maior parte das bandas do nosso underground, da questão financeira. Se uma banda quer fazer alguma coisa quase SEMPRE tem de bancar as coisas e fazer tudo na raça, mas nos conte, quais outros problemas o Soul Assassins teve de enfrentar? Fale um pouco sobre isso... sobre essas situações problemáticas que as bandas sempre enfrentam.
Alemão: Nesse quesito acho que a gente teve até um pouco de sorte; porque a banda já começou com um lugar fixo pra ensaio na minha casa; e até hoje nunca tivemos problemas com a formação. E na parte de gravação fora o fator "grana" o que mais nos atrapalhou foi o fato da gente não ter um produtor, ou mesmo um camarada que tivesse alguma experiência com gravação pra dar uns toques pra gente.
Alex Neundorf: Bem, e nesse quesito: produção e gravação. Como vocês se saem agora? Passa alguma dica para àqueles que estão começando e que vão ler essa entrevista. O que você recomendaria?
Alemão: A gente esta repensando todo o processo agora, já vimos o que a gente fez de errado nas gravações anteriores, e estamos tentando achar um jeito de encaixar uma melhor produção no orçamento que a gente tem. E esse vai ser o grande desafio, lançar algo com uma qualidade bacana com a grana que a gente tem. Pra quem esta começando e quer gravar alguma coisa, acho que a melhor saída é fazer uma demo caseira mesmo, pra poder escutar as musicas de um ângulo diferente, pra poder realmente escutar a música com calma e ver o que pode ser melhorado. Depois disso é escolher um estúdio que tenha um bom custo benefício, e descolar nem que seja um camarada que já tenha alguma experiência com gravação pra dar uma força.
Alex Neundorf: Como foi a recepção das músicas próprias em 2007 e, em relação a esse recente split, como vem sendo as críticas? Apesar de ser um lançamento recente, como está andando a divulgação desse material... enfim, comente sobre esse último trabalho.
Alemão: A nossa intenção com a demo era de mostrar a cara da banda, principalmente pra produtores e casas fora de Paranaguá, pra que a gente pudesse tocar, era esse o nosso foco inicial.. e acabou sendo uma surpresa bem agradável quando a gente começou a receber críticas, na maioria positivas a respeito desse trabalho. O split estamos começando a divulgar, e a resposta tem sido a melhor possível; a primeira resenha saiu a pouco tempo, feita pelo Clóvis do Order News.
Alex Neundorf: Como tem sido a rotina de apresentações? Sei que vocês estão tocando, até com certa freqüência, pela região. Mas como tem sido com relação aos outros estados? No que tange esse aspecto, o que vocês apontam como entraves... para que houvesse uma maior freqüência de shows, para que as bandas, enfim, pudessem tocar em outros lugares e não ficar fechadas, tocando apenas nas proximidades?
Alemão: Acho que não só com a gente, mas como pra grande maioria das bandas undergrounds, o principal entrave pra se tocar fora é a falta de grana. E fora do estado esse valor acaba subindo consideravelmente. Ae que você tem que pesar o que seria mais positivo pra banda, gravar um material novo, ou usar essa grana pra tocar fora, é complicado.
Alex Neundorf: Nesse sentido: falta de grana, você consegue ver uma “luz no fim do túnel” ou sua abordagem sobre esse assunto é mais pessimista? Comente sobre isso. Eu vejo hoje em dia (e também para o futuro) um cenário complicadíssimo para todos os envolvidos. Venda de CDs e merchandising está ficando cada vez mais difícil (embora no Underground ainda exista uma cultura de vendas diretas com as bandas), o que sobra são os shows (que também é bem difícil receber alguma coisa).
Alemão: Eu também vejo por esse lado. O underground hoje em dia cobra das bandas uma atitude mais profissional, todo mundo comenta a qualidade das gravações, a qualidade gráfica do material, até mesmo a qualidade dos instrumentos dos músicos; e ao mesmo tempo as bandas não têm incentivo financeiro nenhum; são raros os casos de produtores que dão uma força com transporte para as bandas. A gente acaba fazendo tudo isso pelo prazer de ter um cd com uma qualidade legal, de tocar em lugares diferentes, pelo amor que a gente tem ao metal.
Alex Neundorf: Caminhando nessa mesma linha, gostaria que você comentasse sobre um aspecto bem oportuno aqui. Você acha que para uma banda ser a fonte de diversão dos integrantes ela precisa ser menos profissional? Você acha que pode-se casar profissionalismo e diversão?
Alemão: Eu acho que necessariamente a banda tem que aliar esses dois aspectos, diversão e profissionalismo. Visto tudo que a gente já falou a respeito de grana e das dificuldades de manter um padrão legal nas gravações e em equipamentos; se quando você for tocar ao vivo não conseguir se divertir, acho que não valeria a pena. Ter banda é algo meio egoísta, você em primeiro lugar quer fazer algo que gosta, se alguém mais gostar é lucro.
Alex Neundorf: Mudando um pouco de assunto, agora buscando um pouco mais das raízes do Soul Assassins, nos fale: quais são as principais influências para a composição do som de vocês? Como vocês trabalham essas influências a fim de que tornem o som de vocês algo original? Comente sobre esse aspecto.
Alemão: Nossa maior influência com certeza é o metal do anos 80, seja o Heavy, o Thrash ou o Death metal, foi o que a gente cresceu ouvindo. O fato do nosso som ter alguma originalidade é algo que acabou acontecendo naturalmente, a gente nunca se preocupou muito com isso, a gente só queria tocar o bom e velho Thrash metal, e acabou saindo desse jeito hehehe
Alex Neundorf: Já que mencionamos o processo criativo, fale-nos sobre como funciona no Soul Assassins a forma de compor... como vocês chegam a música finalizada?
Alemão: A maior parte do que a gente cria começa com os riffs que o Rodrox mostra pra gente, a partir deles a gente começa a trabalhar as musicas, dae pra frente é meio caótico, cada um da um palpite, cada um quer uma coisa diferente hehehe... mas a gente acaba testando todas as idéias, e no final depois da música pronta acaba agradando a todos na banda.
Alex Neundorf: Com relação ao cenário de Paranaguá, diga pra gente como as coisas andam por ai, no que tange bandas, lugares, etc. Qual a avaliação que vocês fazem do lugar em que vocês estão radicados, e no geral, da cena paranaense e nacional.
Alemão: Bom a cena cresceu bastante aqui nos últimos 3 anos; quando a gente começou a banda, a cidade tinha festivais apenas, e no mínimo a cada 3 meses, agora tem um bar aonde todo final de semana esta acontecendo algum show de metal com as bandas locais e de fora, já tendo passado pela cidade bandas como Motorocker, Camos e Amen Corner. Infelizmente também tem o lado negativo disso; na época dos festivais o público era bem maior, cerca de 300 pessoas, hoje em dia esta bem mais fraco, pelo fato do público ter se dividido entre os eventos que acontecem na cidade. É mais ou menos o que eu vejo, e acabo escutando de camaradas de outras cidades e estados. Isso acaba sendo uma peneira de bandas, produtores e casas, renovando a cena; acredito que a longevidade do metal se deve a isso.
Alex Neundorf: Fale-nos sobre o futuro. O que vocês têm em vista daqui para frente? Quais são as ambições do Soul Assassins?
Alemão: Nossa maior ambição mesmo é lançar um full lenght, a gente já tentou isso esse ano, por vários fatores acabou não rolando, mas serviu de aprendizado pra gente, agora a gente já sabe o que não fazer pelo menos hehehe; e tocar fora do estado, como a gente estava focado em gravar esse ano, acabamos deixando passar várias oportunidades de tocar fora pelo velho fator "grana". Agora a gente vai dosar isso, afinal o grande tesão de ter banda é tocar ao vivo.
Alex Neundorf: Alemão, foi uma grande satisfação poder contar com sua atenção nesse papo que desenvolvemos. Valeu mesmo e em nome do GoreGrinder eu gostaria de desejar uma vida próspera ao Soul Assassins e a todos os componentes. Deixo aqui, como é de praxe, um último espaço para você tecer suas considerações finais.
Alemão: Primeiramente gostaria de agradecer em nome da banda pelo espaço, o papo foi muito agradável; e deixar um recado pro pessoal que apesar de todos os problemas que a gente abordou que acontecem no underground brasileiro, a nossa cena é com certeza uma das melhores do mundo, com bandas com um potencial enorme de elevar ainda mais o nosso país no cenário mundial, pra isso basta que a gente passe a prestigiar ainda mais o metal tupiniquim. Um abraço a todos. and Keep the Horns Up
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