Clássica banda de Death Metal mineira, que surgiu em 1992 numa cena que contou com grandes nomes da história do nosso Underground, a Pathologic Noise se prepara para lançar mais um petardo. Depois do excelente "Sodomy and Delight on Flesh" lançado em 2003 pela Cogumelo Records, o quarteto está atualmente gravando o seu segundo CD, que tem previsão de lançamento para 2010 também pela Cogumelo. Abaixo segue uma conversa com os dois membros mais antigos da Pathologic Noise, o baixista e vocalista Tchescko S. e o baterista L. Muratchas respondem perguntas que deixará o leitor mais por dentro da história da banda e de seus atuais planos. Complementam a formação atual da Pathologic Noise os guitarristas Cesar Pessoa e Marcelo Roffer.

Entrevista feita por Carrascu e publicada no dia 11/09/2009
Carrascu: A Pathologic Noise é uma das lendárias bandas que surgiu numa cena Underground que, na minha opinião, foi a mais a importante do Brasil: a mineira. Em 1992 foi dada vida à banda, e no ano seguinte lançaram a demo "Necropleasure". Gostaria que fosse contada brevemente essa época, onde o Underground mineiro era conhecido por grandes bandas como Sarcófago, Chakal, Sextrash, Sepultura, Witch Hammer entre tantas outras. Comente também se era mais fácil montar uma banda naquele ano, por considerar que o Metal estava em alta, ou hoje em dia as coisas ficaram "mais fáceis"?
Tchescko E Muratchas: (Tchescko S.) Obrigado pelas palavras em relação a nossa cena. Acho que era realmente muito mais difícil naquela época até pela nossa idade, falta de grana, era muito difícil comprar instrumentos. Hoje em dia está tudo mais fácil até pra divulgar um som a coisa é mais simples, antes era só por carta e tal, hoje temos a internet que possibilita contatos muito rápidos. Mas acho que o Metal está em alta neste momento pelo menos aqui em BH, mas a dificuldade de tocar Metal no Brasil é a mesma aqui, não se valoriza o cara que toca Metal, todos nós sabemos disso e acho que isso é da cultura do Metal brasileiro.
Carrascu: Na sua opinião, o que fez com que o Underground mineiro se tornasse tão importante no final dos anos 80 para o underground brasileiro e até mundial? Vocês que estão aí e presenciaram de perto todas aquelas bandas clássicas, o que poderiam dizer aos que não estavam presentes quando tudo começou?
Tchescko E Muratchas: (Tchescko S.) Existia uma mágica naquela época, além de estar tudo começando, todos eram muito unidos e não existia essa porra de treta, as bandas se ajudavam, e por estar começando estas bandas que você citou chegaram e beberam água limpa sacou.
Carrascu: Certa vez um dos integrantes do Krisiun falou que alguém do Morbid Angel havia dito que tinha se inspirado na banda gaúcha para criarem uma música, se não estou enganado, no "Formulas Fatal to the Flesh". Cito isso como um exemplo de quando uma banda, que surgiu por influências de outra (no caso óbvio que Krisiun surgiu sob influência do Morbid Angel) acaba influenciando aquela por quem foi influenciada. Vocês, ao longo desses 17 anos, ainda se influenciam por bandas novas, estão por dentro das novidades que surgem a todo momento na nossa cena, ou ainda persistem exclusivamente nas influências que originaram a Pathologic Noise? Sobre novas bandas, quais vocês destacariam no momento atual do Underground brasileiro?
Tchescko E Muratchas: (L. Muratchas) Com certeza somos e sempre seremos influenciados pelo o que ouvimos, acho que isso contribui tanto para a banda quanto para os músicos, que além de sermos instrumentistas somos grandes apreciadores de bandas de Metal, Rock'n Roll, Death, Black, etc. Achamos que não devemos ficar preso ao passado e por isso estamos sempre nos policiando para não perdermos a essência do Pathologic Noise. Procuramos sempre estarmos atualizados com o que acontece na cena Underground pois, não só fazemos parte disso quanto estamos sempre na batalha para o fortalecimento da mesma. Na atual cena Underground nacional são tantas bandas que dificilmente caberiam aqui!
Carrascu: Até o lançamento da promo de 2001, a Pathologic Noise lançou duas demos com distância de tempo de 4 anos entre cada uma. Em 2003 saiu o debut "Sodomy and Delight on Flesh" lançado pela Cogumelo Records. Porém, após esse debut a banda deu uma parada e planeja lançar seu segundo trabalho agora em 2010. Quais foram os motivos que fizeram vocês levarem tanto tempo para finalmente anunciar um novo material?
Tchescko E Muratchas: (L. Muratchas) Infelizmente tivemos alguns problemas em algumas formações, o que levaram ao distanciamento de um trabalho para o outro mas, agora estamos estabilizados, mais maduros e objetivados a concretizar nossos ideais.
Carrascu: Nesse novo material em que vocês estão trabalhando, comparando a atual formação com aquela do debut, há diferenças na forma de criar as músicas ou continua a mesma coisa? Comente também como é o processo de criação das músicas da Pathologic Noise.
Tchescko E Muratchas: (L. Muratchas) Como disse anteriormente, procuramos sempre manter nosso próprio estilo sem perder as essências mas, hoje trabalhamos de uma forma mais conjunta, onde um músico participa nas composições do outro e vice-versa, sentamos e debatemos até concretizarmos nossas idéias em um só propósito - a música.
Carrascu: O novo álbum ainda não possui nome, mas já conta com 9 músicas. Comente um pouco o processo de gravação desse material, que está sendo feito no mesmo estúdio onde foi produzido o debut CD "Sodomy and Delight on Flesh". Aproveite para descrever ao nosso leitor o que ele deverá esperar desse novo álbum, se a linha se mantém ou a banda inovará em algo?
Tchescko E Muratchas: (L. Muratchas) Está sendo um excelente período, já que temos uma grande intimidade com o processo de gravação neste velho lugar, estamos bastante focados na qualidade sonora deste novo trabalho, que além das novas melodias e diferentes temáticas, possui um peso sonoro de grande responsabilidade compatibilizando todo este nosso período de trabalho, esperamos agradar os ouvintes e continuar espalhando o caos sonoro do verdadeiro Death Metal. Além de tudo, o estúdio pertence ao Marcelo Roffer que atualmente está tocando conosco e posso adiantar que o novo disco estará matador.
Carrascu: Vocês trabalham com uma das mais respeitadas gravadoras de Metal do mundo, a Cogumelo Records. Nos conte como é o relacionamento da banda com a gravadora, responsável por vários lançamentos históricos para o Metal nacional e inclusive do debut CD de vocês. Aproveitando, há alguma idéia de quantas cópias do debut CD foram distribuídas e até onde chegaram algumas delas? Ainda há cópias a venda desse álbum?
Tchescko E Muratchas: (Tchescko S.) Nosso relacionamento com a Cogumelo é ótimo. Existe muito respeito da parte do João pelas bandas do selo, sempre tivemos todo apoio por parte dele. Foram distribuídas cerca de 2000 cópias do debut, tivemos cópias enviadas para Cingapura, Japão, Itália, Portugual, USA e mais uma porrada de lugares.
Carrascu: Após o lançamento do "Sodomy and Delight on Flesh" vocês fizeram uma tour de divulgação. Como foram os shows da Pathologic Noise na época pós-lançamento do debut CD? Vocês tocaram por onde? Como foram os shows e a receptividade do público com o então novo álbum sendo tocado ao vivo?
Tchescko E Muratchas: (Tchescko S.) Apesar de ter sido um momento meio conturbado a Sodomy Tour foi bem, começamos em Minas Gerais e subimos pelo nordeste passando pelo norte e descendo pelo centro oeste, fomos muito bem recebidos e realmente a receptividade do público foi incrível principalmente em Belém onde os bangers sao insanos.
Carrascu: Vocês tocaram no BH Metal Forces em maio desse ano, um evento que se realizou de baixo de um viaduto, de graça e que contou com um grande público. A cena Underground de Belo Horizonte anda tão forte assim como se percebe pelo vídeo no YouTube onde vocês tocam nesse festival ou o público compareceu em massa por ser um evento de graça? Aproveitando a linha de raciocínio, qual sua opinião sobre o comparecimento do público Underground em shows ultimamente, incluindo uma pequena comparação com o público headbanger dos anos 90?
Tchescko E Muratchas: (L. Muratchas) Fica complicado resumirmos o público do BH Metal Forces como um todo, já que por ser um evento gratuito e sem delimitações, contou com a presença de vários Headbangers de outras cidades e estados. Hoje o acesso ao som está mais fácil, fazendo com que o Metal chegue e conquiste ouvintes, onde na década de 90 seria difícil obter conhecimento por esse etilo fazendo com que um público mais jovem compareçam aos eventos. Já nos anos noventa o público era mais direcionado, só ouvia e freqüentava shows quem realmente eram headbangers.
Carrascu: Como a banda é antiga e tem membros que viram a evolução do Metal com o passar dos anos, pergunto se a facilidade no acesso a informação, que antigamente era muito mais difícil de se conseguir do que hoje em dia, é algo benéfico para o Underground ou toda essa tecnologia da internet fez com que o pessoal batalhasse menos pelos materiais undergrounds pelo fato de tudo estar mais acessível e, com isso, muitos não dão tanto valor quando as consegue?
Tchescko E Muratchas: (L. Muratchas) O acesso a informação é benéfico não só para o Underground mas, para toda a nação, o problema é que isso não se limita só em informação e acaba disponibilizando materiais que são de suporte para as bandas, impedindo seus desenvolvimentos como profissionais e desvalorizando seus trabalhos.
Carrascu: Voltando a falar sobre a Pathologic Noise. Além do já comentado novo álbum que vocês estão produzindo no momento, quais outros planos a banda tem em mente daqui para frente? Como está a agenda de vocês?
Tchescko E Muratchas: (Tchescko S.) Queremos terminar esse novo derramamento de sangue e sair destruindo tudo em nosso caminho! Queremos fazer uma tour mais completa inclusive passando por alguns países da América do Sul. Os contatos já estão sendo feitos!!
Carrascu: Bom, agradeço demais pela entrevista, foi uma honra pra mim entrevistar uma banda tão foda como é a Pathologic Noise, que pra sorte de muitos continua na ativa e pronta para lançar mais um petardo pra fixar ainda mais seu nome no Underground nacional. Deixo esse espaço para seus últimos comentários nessa entrevista, e torcendo para que venham tocar no sul do país um dia, para que eu possa vê-los destroçando no palco.
Tchescko E Muratchas: (Tchescko S.) Agradecemos imensamente o suporte. Aguarde o novo play. Os leitores mantenham-se fiéis ao Metal. Tão logo possamos e estaremos aí pelo sul com certeza, é uma de nossas prioridades. Hail blood hail lust!!
Contatos:
http://www.myspace.com/pathologicnoiseband
cesarpessoa1@hotmail.com
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Nayara Sat-Ra  comentou:

Bacana a entrevista. Eu concordo que a Internet é um bem e um mal a ser usado, um exemplo de mau uso é esse "Bandas Falsas" fazendo um comentário idiota, perdendo seu tempo... Bom, tem gente que veio ao mundo pra desperdiçar a vida, né não? E nós, músicos, amigos do Pathologic, o pessoal do zine... Tamo aí pra fortalecer a cena e não deixar morrer aquilo que já foi forte em uma época, mas que está adormecida por muitos que mantém essa "chama" acesa dentro de si e distorcida por pessoas que acabam decepcionando a cena... Eu espero de coração, que meus amigos do Pathologic Noise se dêem muito bem, pois vcs tem garra, e não é nenhuma bandinha fudida q aprendeu a fazer uma "bezourada" aguda na guitarra e sai gritando aí achando q tá fazendo metal...
Pathologic Noise são os verdadeiros Bangers... Pois são eles que apoiam e sempre apoiaram a cena!!! Tem gente q ainda ñ saiu das fraldas e acham q sabem oq é ser um verdadeiro banger... Enfim... Nos faz rir alguns comentários toscos!!! =)
SUcesso aew cambada!!!! Estou doida pra ouvir o novo som d vcs... Força e honra!!!!!!!!

22/02/10 às 08:26 Hs
Bandas Falsas  comentou:
so la merda mesmo de metal verdadeiro vcs nem tão ai
que cena vc ta falando vc nao e nada disso
03/01/10 às 11:24 Hs
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