Depois de meses trampando nessa entrevista (ambos, nós e o Fábio de quem vocês conferem as respostas) eis que conseguimos finalizar. Porra, faltou tempo para todo mundo e os corres foram violentos nesses últimos tempos. Mas no fim, o resultado ficou legal! Vale a pena conferir essa conversa. Tanto o Fábio como os outros componentes da banda mostram-se bastante maduros, não só no que tange o trabalho especificamente musical que executam, mas também na parte conceitual e das “idéias”, do profissionalismo, do lance “pé no chão” e tal. Os caras já tem dois full’s que realmente impressionaram (podem ser conferidas as resenhas aqui mesmo no site) não só por aqui, mas toda a imprensa especializada. Não pelas firulas e pela técnica, mas pela linguagem de um Thrashão ao mesmo tempo direto, sem rodeios, e moderno, até certo ponto. De Hortolândia (no estado de São Paulo) para todos os cantos possíveis, eis o Bloody!!!

Entrevista feita por Alex Neundorf e publicada no dia 14/08/2009
Alex Neundorf: Saudações véio! Tudo tranqüilo por ai? O GoreGrinder Web Zine agradece por sua disposição para conosco. Então, vamos começar com uma constatação: o Bloody é uma banda em franca ascendência no cenário metal brasileiro!!! Partindo disso, gostaria de lhes perguntar: vocês concordam com essa constatação? Se “sim”, qual o segredo (se é que há segredo)? Como fazer em um espaço tão curto de tempo (seis anos) o que o Bloody já desenvolveu (dois Full Lengths, uma demo, participação em duas coletâneas de respeito, inúmeras apresentações pelo Brasil, participação de nomes como Frank Gosdzik, para ser mais especifico)? Embora a resposta seja um tanto obvia para alguns, assim mesmo quero ouvir de vocês... O espaço é de vocês, sintam-se a vontade...
Fábio: Fala Alex, tudo na paz? Eu é que agradeço o espaço para falar um pouco mais do trabalho do Bloody. Cara, é foda falar de dentro, porque as coisas as vezes demoram muito pra acontecer, e isso acaba desanimando um pouco, quem tem banda sabe o que estou falando. Mas com o Engines conseguimos perceber que subimos um degrau na cena. Sempre levamos o Bloody muito a sério, e apesar da banda ser relativamente nova, acho que esse novo patamar alcançado é um prêmio para quando o trabalho é feito com muita paixão e comprometimento. Não é fácil ter uma banda no Brasil e esse reconhecimento e apoio dos bangers é que fazem valer a pena continuar nessa batalha.
Alex Neundorf: Na mesma linha da questão anterior, quero ouvir sobre o atual momento do Bloody. Como está a agenda de shows, a recepção do “Engines of Sins” que, embora tenha sido lançado já há algum tempo, ainda repercute no nosso underground com resenhas sempre muito positivas, etc...
Fábio: Então, no momento a banda está parada de shows, pois o Formiga saiu da banda e estamos atrás de um outro batera. Esse fato acabou prejudicando um pouco a banda no momento de colher os frutos do Engines, pois estamos perdendo alguns shows e eventos por isso. Mas paciência, não adianta ficar chorando. Enquanto isso, convidamos outro guitarrista pro Bloody, que por sinal se chama Fábio também (rsrs), Fábio Magnoni, e já estamos trabalhando em novas composições, que estão ficando mais técnicas e pesadas. Sobre o Engines of Sins, como falei antes, esse play nos alçou para um novo patamar dentro da cena. Praticamente estamos com 1000 CDs vendidos e a recepção foi muito acima do que esperávamos. A produção ficou muito foda e as composições ganharam corpo e força, os bangers e crítica especializada elogiaram 100% esse trabalho.
Alex Neundorf: Sim, é ótimo colher os frutos de um trabalho bem feito! Por outro lado, existem esses problemas, que toda banda um dia tem de passar, como as mudanças de formação. Fale-nos um pouco sobre isso... de que forma essas mudanças já atrapalharam o andamento da carruagem para o Bloody? Além desse tipo de contratempo, quais outros a banda teve de vencer?
Fábio: Então, como tínhamos praticamente acabado de lançar o Engines, essa é uma época que muitos convites pra shows aparecem e tivemos que recusar por estarmos sem batera. Isso é ruim pra gente, pois além de deixarmos de mostrar nosso trabalho para bangers de outros lugares, é nos shows que vendemos muitos CDs, e essa graninha que entra das vendas é que ajuda a movimentar a banda, já que muitas vezes o cachê é simbólico ou só rola a ajuda de custo e tal.
Alex Neundorf: Foram muitos os convites para tocar e divulgar o “Engines” após o seu lançamento? Como estão as perspectivas do Bloody para tocar e divulgar o seu som fora do estado de São Paulo? Planejam ainda alguma turnê de divulgação do play?
Fábio: Após lançarmos o Engines, fizemos alguma comunicação na mídia para divulgar o material novo, e com a ajuda das resenhas que foram altamente positivas, as vendas começaram a ir muito bem e os convites pra shows começaram a pintar. No segundo semestre de 2008 fizemos 5 excelentes shows, os 3 principais foram com o Sodom em Campinas, outro com o Destruction em São Paulo e o outro em Leme no final do ano com o Claustrofobia, mas a grande maioria de sondagens pra shows eram para este primeiro semestre de 2009, acredito que tenhamos perdido uns 7 ou 8 shows por causa desse lance do batera. Quanto a ir tocar fora do estado, já temos muita coisa certa, principalmente pro Nordeste, o que precisamos agora é fechar com o batera, que acredito que até este próximo final de semana esteja tudo certo, e agilizar para que todos da banda consigam pegar umas duas semanas em seus trampos pra poder viajar, o que é meio foda pra conciliar, mas a gente sempre acaba dando um jeito.
Alex Neundorf: Certamente, como pode-se notar, o problema da troca das baquetas está sendo um grave problema para a banda. Apesar disso, como está sendo a adaptação do “outro” Fábio? (rs) E, também, como está a procura pelo novo batera? Muitos testes? Quais quesitos são analisados para aprovar alguém... para fazer parte do Bloody?
Fábio: O Fábio foi o primeiro guitar que fizemos teste e o entrosamento aconteceu logo de cara. Ele é um guitarrista mais técnico do que eu, e era isso o que estávamos procurando pra banda, queríamos alguém que viesse acrescentar na hora de trabalharmos mais os riffs, algo mais técnico mesmo. Sempre achamos que um trabalho de duas guitarras era uma evolução natural ao som da banda. Quanto ao batera, já fizemos uma porrada de testes, alguns bem fracos outros bons, mas até agora nenhum batera chegou perto do desempenho do Formiga. Temos mais alguns testes agendados para as próximas semanas e acreditamos que conseguiremos achar o batera ideal pra banda. Quanto aos testes, somos bem chatos cara. Gostamos das coisas bem perfeitas. Temos notado que os bateras de hoje não se preocupam em trabalhar o som, principalmente com o pedal duplo. Muitos dos que vieram fazer o teste, tocavam bem o pedal duplo, mas era aquela coisa sem trabalho, aquele bumbo duplo reto e direto. Gostamos quando o pedal anda junto com os riffs das guitar, isso sim é tocar pedal duplo. Os caras mandam um puta pedal direto, mas na hora de quebrar o som ou fazer uma cavalgada eles não conseguem, e é isso que procuramos no próximo batera do Bloody.
Alex Neundorf: Exatamente!!! Eu diria que essa “tendência” é um efeito do relativo “sucesso” do metal extremo. É claro que quando falo em “sucesso” as aspas são propositais, afinal o sucesso é contextual. Muitas bandas fazem com que seu som sofra com isso que você apontou e é ótimo saber que vocês têm essa consciência musical. Mesmo o Krisiun (uma das bandas precursoras dessa levada rápida e com um ritmo mais constante) já vem mudando, nos dois últimos lançamentos, esse aspecto por demais homogêneo no andamento da bateria. Dentro dessa situação apontada, como vocês vêem o fator “moda” dentro do metal? Vocês acham que realmente existe “moda” no metal, no sentido de uma banda criar algo novo (ou alterar algo já existente de uma maneira mais ou menos original) e outras seguirem na esteira? Qual o efeito disso para o nosso Underground, em sua opinião?
Fábio: Então, na banda a gente costuma dizer que essa é a geração Krisiun de bateras. Acho que existe sim esse lance de moda e até certo ponto acho legal quando uma banda como o Krisiun dá o ritmo da moda pras bandas que estão começando, é uma ótima influência, os caras são exemplo no cenário nacional, o problema é quando essas bandas novas só bebem de uma única fonte. Um músico não pode ficar preso a uma única influência, mesmo que ela seja foda pra caralho e tal, como é o exemplo do Max. Na minha opinião, os bateras, ou músicos em geral, devem ter várias influencias e usar e abusar disso na hora de criar algo novo. Quanto ao efeito disso na cena, acho totalmente positivo. São essas modas que influenciam a mulecada a querer montar uma banda e manter o sonho do Underground vivo. Se não fosse isso, acho que não teríamos tantas bandas boas aparecendo pela cena.
Alex Neundorf: Na mesma linha da pergunta anterior, como o Bloody trabalha com as influências, que estão de maneira sempre presente em qualquer som que uma banda produza? Como lidar com essa contraposição: originalidade versus tradição? Afinal, não dá para ser 100% original sem deixar de “magoar” certas raízes...
Fábio: (risos) "Magoar" as raízes foi boa... É interessante esse ponto de vista, nunca tinha pensado por esse ponto, mas é totalmente verdade. Pra fazer algo novo, temos que abrir a mente e passar por cima de alguns valores que crescemos cultivando. Mas é aí que entra o lance de se ter várias influencias diferentes, só assim podemos enxergar a moeda pelo outro lado e ver que tem coisa boa fora da bolha. Me lembro que fui a um show do Kiss em São Paulo e a banda de abertura era de uns alemães que na época não desceu cara, achei uma puta merda, hoje curto o Rammstein pra caralho. Se formos analisar as influências de cada um da banda, podemos ver de quantas fontes diferentes bebemos agora e quanto nossas mentes se abriram pra musica. Os gostos musicais dos caras da banda vão desde um Jazz clássico, Blues, passando por Rammstein, The Mars Volta, Black Label Society, Slipknot até os gostos em comum como, Arch Enemy, Testament, Slayer, Sepultura antigo, Megadeth, Motorhead. Acho que quando temos muitas influências diferentes, o lance de se preocupar em fazer algo diferente não preocupa muito, nós fazemos o que curtimos, e mesmo que a gente lute contra, sempre vai ter uma passagem que lembra uma banda ou outra, é quase inevitável.
Alex Neundorf: Sim, o desafio para uma banda é saber articular essas diversificadas influências em um conjunto que não soe “mistureba” e “eclético” demais, portanto, sem identidade. Mas vamos mudar ligeiramente o assunto e falar sobre os temas mais simpáticos ao Bloody. Recentemente foram resenhados os dois full-lenght’s da banda aqui mesmo no site. Nelas pode-se notar que existe uma veia fortemente crítica em relação à diversas instâncias: religião e política principalmente. De onde vem toda essa potência crítica? Fale-nos um pouco sobre isso... Na banda, quem é o principal responsável pelo direcionamento temático? Pelas letras?
Fábio: Seguimos um pensamento, de que não adianta fazer um som fudido, pesado e tal, sendo que as letras são vazias, não passam nada, não representam as coisas que pensamos, por isso optamos por falar o que realmente acreditamos. Achamos que a música, como qualquer outra forma de arte, deve fazer as pessoas pensarem, deve gerar reações nas pessoas, mesmo que essas reações discordem do que falamos. O importante é o cara parar, ouvir a mensagem e tirar suas próprias conclusões. Se isso acontecer, a arte foi bem feita. Na banda não temos alguém específico que direcione, sempre que vamos compor algum álbum, conversamos e decidimos o direcionamento todos juntos. Normalmente damos várias idéias e começamos a falar em cima disso. No Engines, por exemplo, queríamos falar sobre o Homem como seu próprio Deus e as conseqüências disso, então fomos a fundo estudar um pouco de Nietzsche para começar a escrever as letras, e todos da banda contribuíram com idéias e pensamentos.
Alex Neundorf: Aproveitando a deixa, já que estamos falando sobre criação, fale-nos como funciona o processo criativo no Bloody? Como é produzida uma música?
Fábio: Normalmente, alguém chega com uma idéia de um som ou riff e trabalhamos todos juntos nos ensaios até ter um esqueleto inicial da música. Depois começamos a trabalhar individualmente cada instrumento em cima disso, gravamos algumas prés pra ter uma outra perspectiva do som, e voltamos a mexer no som até chegar em um resultado final. Como falei anteriormente, somos bem chatos para ensaios, principalmente quando estamos compondo. Quando alguém fala que quer ir assistir um ensaio do Bloody, já falamos pro cara desistir, porque o negócio é bem chato. (risos) Só quando estamos ensaiando o set dos shows é que a coisa é mais tranqüila e descontraída. Compramos algumas brejas e mandamos o set. (risos)
Alex Neundorf: Já que falamos sobre linhas temático-líricas, gostaria de abordar um tema que foi motivo de uma matéria recente aqui no GoreGrinder e que sempre gerou muito debate no meio Headbanger: o lance do white metal. O que vocês pensam a respeito? Vocês acreditam que ele seja uma vertente válida dentro no Heavy Metal?
Fábio: Realmente esse é um assunto polêmico. Só posso falar a minha opinião sobre isso, até porque nunca chegamos a ter uma conversa na banda sobre esse assunto, a única coisa que idealizamos é não utilizar, dentro das letras do Bloody, assuntos que falem de Deus. Caímos de pau nas religiões como um todo, mas nunca falamos de Deus. Acho que esse é um assunto muito pessoal e não temos o direito de contestar ou pregar algo a respeito. Em relação a minha opinião cara, eu sou contra todas as religiões. Não gosto como elas manipulam e alienam as pessoas. Eu não gosto que alguém venha me dizer como pensar ou como agir, mas tem muitas pessoas que não são tão independentes e contestadores como nós, headbangers, e por isso as igrejas estão cheias de seguidores de todas as classes sociais e gostos possíveis, não temos como evitar que até mesmo headbangers freqüentem as igrejas. Às vezes quando falamos em metal, já nos vem a mente assuntos relacionados a satanismo, capeta e essas coisas todas, mas não podemos esquecer que não temos somente essas vertentes dentro do metal. Temos o metal melódico, heavy metal, hard rock, todos estilos que não falam do capeta, falam de temas lights, assuntos triviais. Então não tenho nada contra as bandas white metal, cada um fala o que quiser em suas letras, a arte é livre, só acho que cada um que fale para o seu público. Não tem nada pior do que ficar escutando um pregador sem você querer. Ninguém tem que enfiar nada goela abaixo de ninguém, principalmente em relação a religião. Só acho meio hipocrisia esse pessoal que defende o satanismo, ficar brigando com os white metal, porque no final eles acreditam tanto em Deus quanto um religioso. Só existe o mal se existir o bem, e vice e versa.
Alex Neundorf: Antes das palavras finais, recebemos a excelente notícia de que o Bloody está, após 5 meses de procuras e testes, enfim, completo de novo. O que vocês tem a dizer sobre o novo componente? Como foi o teste, e o que vocês esperam para o futuro com o novo batera?
Fábio: O Augusto foi praticamente a nossa última opção para os testes e tivemos bastante sorte, pois ele é um excelente baterista, bastante técnico e com uma pegada bem pesada. Muito de sua influência vem dos bateras que passaram pelo Death, principalmente o Gene Hoglan, então iremos aproveitar bastante essas influências pra acrescentar ao nosso Thrash metal. Estamos bastante empolgados com a nova formação, a banda vai dar um salto muito grande, os bangers podem esperar coisas muito boas do Bloody pros próximos anos.
Alex Neundorf: Para finalizar essa nossa até extensa conversa, digo que foi um prazer enorme conversar com você Fábio e que aqui o espaço, como de praxe, é todo seu. Comente o que achar necessário e faça as devidas atualizações (uma vez que desde o início dessa nossa conversa já se passaram dois meses praticamente) que julgar cabíveis. Saiba que o GoreGrinder vai sempre apoiar o cenário nacional e, acima de tudo, bandas honestas como o Bloody!
Fábio: Cara, aproveito a oportunidade pra agradecer você, Alex, e toda a equipe da GoreGrinder pelo espaço e oportunidade de falar um pouco mais sobre o nosso trabalho, valeu mesmo!!! Deixo aqui também um convite a todos que ainda não conhecem o Bloody, a visitarem nosso site, MySpace, Orkut, etc. Ficaremos honrados em receber e-mails e comentários de todos vocês! Um grande abraço a todos e nos vemos na estrada!!! Stay Bloody Fuckin Rules!!!
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Darlan  comentou:
O bloody vem mostrando q a banda ñ precisa soar datada pra ser boa...os caras conseguem fazer um thrash q nos remete aos anos 80 mais sem ser forçado..conseguiram oq muitos almejamn..ser autentico!!
21/11/09 às 13:34 Hs
Iniedson   comentou:
bom tenho a dizer que voces ressuscitaram o metal faz tempo que não vejo uma banda tão boa como voce .........é banda que tem o patamar das bandas dos anos 80 .....do cenario de minas gerais o algo assim pena que não acho material de voces só consegui atraves de download mas um dia vou achar cd originais quando for em sampa .......valeu galera mantenha a pegada........
19/09/09 às 10:23 Hs
HellThrasher  comentou:
Valeu galera do GoreGrinder......papo bem cabeça com o cara da Bloody... Banda muito boa.... Quero ver essa nova formação!!
20/08/09 às 15:11 Hs
MAD BUTCHER  comentou:
Bela Entrevista! Parabéns ao site e sorte ao pessoal do Bloody!!!!!!!!
20/08/09 às 08:35 Hs
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