Coldblood é uma banda bem antiga, mas devido a vários problemas de formação desde seu nascimento em 1992, a maior parte desses anos ela esteve inativa. A banda carioca de Death Metal recentemente teve seu debut CD lançado e o baixista e fundador da banda Vitor Esteves nos comentou muito sobre o "Under The Blade I Die", além de toda a tragetória da banda nesses 17 anos como também sobre outros assuntos relacionados ao Underground.

Entrevista feita por Carrascu e publicada no dia 25/06/2009
Carrascu: O nome da banda surgiu, segundo consta na biografia do site de vocês, de uma HQ chamada "Espada Selvagem de Conan", que era mais um hobby dos integrantes. Esse hobby ainda existe até hoje? Quem teve a idéia de usar esse nome e, principalmente, o que ele significa para vocês hoje em dia?
Vitor: Na verdade, esse nome pertence a um personagem, mas não da ESC, só que numa edição, havia um texto falando sobre outras publicações, e vi essa palavra no referido texto. Achei que se encaixava bem à proposta da banda, e como não tínhamos um nome até então, optamos por este. Quanto ao hobby, ficou meio perdido na adolescência. Ainda leio muito, mas hoje em dia estou mais voltado para Literatura propriamente dita, tenho investido meu tempo livre mais em autores como Kafka, Sartre, Dostoievski, Tolstoi, Machado de Assis... mas ainda tenho algumas ESC aqui em casa, e outros quadrinhos como Hellraiser, X-Men, Sandman, Livros da Magia... mas a coleção que eu possuía da ESC desde o nº 1 se perdeu em sua maior parte, durante uma mudança de residência há cerca de 12 anos. Até hoje o nome é muito importante para nós, é nossa identidade, como o público nos conhece, diz respeito a quem somos, e à música que fazemos.
Carrascu: É notável que a Coldblood teve sérios problemas de formação, o que levou a banda a ficar inativa por mais tempo do que ficou ativa. A quê se atribui esse problema enfrentado durante anos? Desde sua criação em 1992, qual foi o momento mais difícil da banda?
Vitor: Creio que seja por falta de propósito individual, na maioria das vezes. Não condeno ninguém por isso, afinal, as adversidades do underground são infindáveis, porém, a verdade é que algumas pessoas não tem uma banda de som extremo como prioridade em suas vidas, então, ante os mais simples obstáculos, optam por retroceder. Respeito a individualidade de cada um, mas isso realmente sempre foi um problema para nós. Outra razão também é a conhecida "divergência musical" ou
"divergência de opiniões". De qualquer maneira, creio que o momento realmente mais difícil para a banda foi durante a gravação do álbum de estréia, quando passamos por uma verdadeira prova de fogo, já que enfrentamos problemas durante a mixagem e masterização, problemas financeiros, e ainda tivemos que aguardar por um ano até que a Onslaught finalmente lançasse o álbum e nos enviasse nossa cota de cópias.
Carrascu: Quando ela passou anos inativa, naquele hiato de 6 anos entre 1994 e o retorno em janeiro de 2000, você tinha desistido dela pra sempre ou sabia que um dia iria voltar?
Vitor: Sinceramente, eu passei anos acreditando que o COLDBLOOD realmente estivesse morto e enterrado, porém com glórias. Mas a
idéia de retornar veio em finais de 1999, inicialmente com um sentimento de nostalgia, de minha parte e de Alan Silva, e acabou se concretizando quando M. Kult também demonstrou entusiasmo com a idéia e voltamos a ensaiar.
Carrascu: A Coldblood fazia um Death Metal com influências de Doom Metal no início da carreira. Após esse retorno em 2000, a banda tomou "ares de Death Metal rápido e brutal". Quais motivos levaram vocês a tomar esse novo rumo? Influências de bandas como Krisiun, banda pra qual vocês fizeram um show de abertura naquele ano? Ou era uma influência da época, onde a brutalidade e rapidez era mais constante nas bandas do estilo?
Vitor: Nenhum motivo em especial, muito menos influências de Krisiun, que nós nunca tivemos. Apenas era o que estávamos escutando mais naquela época, bandas da Flórida de finais dos 80, início dos 90, e muito Thrash Metal alemão. Antes, nos anos 90, nós escutávamos muito bandas como Bolt Thrower, Paradise Lost, Cathedral, que usavam muitas passagens lentas e tétricas nas suas composições, e isso nos influenciou na época, mas agora a pegada é totalmente outra, porrada pura mesmo!
Carrascu: Logo após a banda se desintegra novamente, você passa a fazer parte do Mysteriis, e mais um hiato de 3 anos até o retorno do Coldblood. Agora com um novo disco sendo lançado, há chances de acontecer uma nova parada da banda por mais alguns anos ou esse último retorno você considera mais "duradouro" ou até mesmo definitivo na sua visão?
Vitor: Definitivamente não! O último duro golpe foi a saída de Alan Silva, logo após o lançamento mexicano do álbum, e ainda ficamos um bom tempo parados até chegarmos à conclusão de que ninguem é insubstituível, e recrutarmos novos membros, que foram Leonardo Porto(vocal) e Renan Ribeiro(guitarra). Então, agora só seremos parados novamente se for por tiros de metralhadora calibre .50!!!
Carrascu: Falando agora desse debut CD intitulado "Under The Blade I Die" gravado em 2006. Lançado no exterior pelo selo mexicano "Onslaught Records", agora o mesmo foi lançado no Brasil numa parceria entre os selos Free Mind Records e Distro Rock Records. Como surgiu essa oportunidade? Conte-nos também como está sendo a distribuição desse material no exterior e agora no Brasil.
Vitor: Eu andava meio frustrado pelo fato da Onslaught Rec. não ter cumprido com suas promessas em relação a esse álbum. A distribuição por toda a América Latina, como eles nos anunciaram, ficou restrita ao México apenas, e não nos enviaram também o material de divulgação prometido, como cartazes, flyers e etc. Era muito desagradável ter uma banda cujo álbum de estréia não foi lançado em nossa terra natal. Mas em setembro de 2008, 2 anos após a assinatura do contrato com a Onslaught, os direitos sobre reprodução do álbum voltaram para a banda, então eu aproveitei a oportunidade e fiz a proposta para a Free Mind Rec., quem se interessou em lançar o álbum e fechou a parceria com a Distro Rock Store Rec. de Belém/PA. Essa iniciativa do Rodrigo Balan e do André foi primordial para a realização desse antigo sonho que tínhamos, desde a formação do COLDBLOOD, de ter um álbum lançado oficialmente em território nacional.
Carrascu: Quem ficou encarregado da produção sonora? E da produção gráfica desse material? Qual a tiragem prensada até o momento?
Vitor: A produção sonora ficou a cargo de nosso amigo Flávio Pascarillo, baterista das bandas Nordhein e Tribuzy, e proprietário do HR Studio, onde o álbum foi gravado. Já a arte gráfica foi obra do meu também amigo e ex-companheiro de banda, Marcelo HVC, um dos mais renomados designers do underground extremo mundial na atualidade. Ele já tinha feito a arte de nosso cd-demo de 2005, "Reincarnating A New Black God", e somos fãs de seu trabalho, não é à toa que ele assina também nomes como Satyricon, Vader, Gorgoroth, Lord Belial, Necrophagia, entre outros. Quanto à tiragem, em ambos os lançamentos foi feita a quantidade padrão em se tratando de bandas undergrounds, mas não posso divulgar esse dado por questões contratuais, desculpe.
Carrascu: Vocês gravaram 10 músicas para esse CD. Quais destaques você apontaria nele e também qual delas tem chamado mais atenção da mídia especializada? Ao vivo, como tem sido a recepção do público quando elas são tocadas?
Vitor: Bem, eu considero o álbum bem linear, mas se tivesse que destacar 3 canções, seriam algumas das últimas que foram compostas, obedecendo a um processo de evolução: "Anti-crusade(To Destroy The Holy Graal)", que é uma das que mais agitam o público, devido a seu andamento cadenciado, "Khali Brings Death" por seu refrão forte, e "I Am The Crucifier One" que também obtém boa receptividade por parte das pessoas, por ser uma pedrada com alguns elementos de Thrash Metal. De acordo com a mídia especializada, as que mais têm se destacado são a faixa-título, além de "A Legend Never Dies", "Bleeding At The Cross" e "Age Of Suffering".
Carrascu: Quais são os planos da banda para a divulgação desse CD em território nacional? Há alguma turnê sendo agendada? Como está a agenda da Coldblood no momento?
Vitor: Ainda estamos em fase de fechar os contatos para uma possível tour pelo Norte/Nordeste do país. A agenda está um tanto quanto paralisada, apesar de recebermos convites para eventos com frequência, devido ao fato de estarmos ensaiando com um novo guitarrista atualmente, Leandro Pimenta, que substituiu Renan Ribeiro. Mas em breve estaremos 100% afiados novamente e aí sim poderemos assumir compromissos para voltar aos palcos.
Carrascu: Mudando um pouco de assunto, hoje você acredita que o Underground do Rio de Janeiro vive sua melhor época ou existiu uma cena mais forte do que esta de agora?
Vitor: Sem sombra de dúvidas, existiu uma cena muito mais forte no passado. Naquela época, antes do advento da internet, mp3 e outras tecnologias que existem hoje e deveriam tornar as coisas melhores, o público tinha mais amor ao Metal. Não haviam tantas bandas, nem todo mundo que apreciava o estilo queria tocar também, mas todos iam aos shows, prestigiavam as bandas undergrounds, fossem eventos de porte ou shows pequenos. Hoje em dia, apesar de existir muito mais gente que diz ser fã de Heavy Metal, os shows têm um público pagante muito inferior ao daquela época, o que acaba fazendo com que os produtores tenham cada vez menos interesse em organizar eventos de porte, e a cidade fique de fora da rota dos grandes shows internacionais. Já os shows menores gozam de pouca infraestrutura, justamente devido a essa pequena presença do público. Com isso, todos perdem, sejam eles público, produtores, pessoas que trabalham indiretamente com as produções ou os músicos das bandas que compõem a cena carioca.
Carrascu: Hoje em dia é praticamente indispensável o MySpace, isso para uma banda que quer divulgar o seu som usando a internet. A importância do site é considerada muito alta, quase todas as bandas Underground usam dessa ferramenta de divulgação. Comparando a época em que vocês iniciaram a Coldblood com hoje em dia, como vocês enxergam a evolução na facilitação em divulgar os materiais de uma banda Underground daquela época pra hoje?
Vitor: Eu diria até além, não só bandas undergrounds, mas todo artista, desde os iniciantes até o mainstream de qualquer estilo musical hoje em dia usa o myspace, em âmbito mundial. E com certeza tudo isso veio para facilitar os meios de divulgação. Só que parece acontecer justamente o oposto quanto aos benefícios concretos para a cena underground. Posso falar disso com propriedade pois sou do tempo da fita K-7, dos tape-traders, do vinil, da troca de correspondência por carta, dos zines, cartazes e flyers de xerox P&B, da fotografia analógica sem Photoshop, do Garage, Circo Voador, Programa Guitarras na antiga Fluminense 94,9 FM, "A Maldita"... Naqueles tempos, as pessoas adquiriam material das bandas, compareciam aos shows, a cena era mais forte... enquanto hoje, além dos prejuízos concretos à indústria fonográfica, em grande parte por causa do mp3, as pessoas parecem não ter o mesmo amor pela música pesada que outras possuíam nos anos 80, início dos 90. O que me deixa menos triste é constatar que o verdadeiro fã de Metal não toma conhecimento disso, e continua frequentando os shows, comprando os cd´s das bandas que ele aprecia... É graças a estes bravos e verdadeiros headbangers que a cena ainda se mantém viva, apesar de todo o estrago causado pelo passar dos anos.
Carrascu: Bom, encerramos a entrevista por aqui, aproveito para desejar sucesso nos seus objetivos e esse espaço deixo para seus últimos comentários. Abraço e obrigado!
Vitor: Bom, gostaria de conclamar o público a ouvir nosso álbum, "Under The Blade I Die", que foi criado após muitos anos de dedicação e sacrifício, espero que agrade a todos os bangers ávidos por um Death Metal brutal formado na velha escola! Também gostaria de agradecer a você Carrascu, e ao GoreGrinder zine, pelo espaço cedido, é graças a iniciativas como essa que encontramos forças para continuar na batalha, apesar das dificuldades! Stay brutal! Hails!!!
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