Originários de Capivari, no estado de São Paulo, o Exhortation é mais uma excelente banda que exemplifica o nosso profícuo, porém injusto, cenário underground nacional. Qualidade, profissionalismo e perseverança a banda possui. O que falta é, vamos dizer em termos gerais, mais apoio às bandas que estão surgindo e mais “acessibilidade” nos canais de divulgação nacionais. Apesar de alguns regozijarem-se que o metal no Brasil possui uma imprensa de qualidade, o underground mesmo, suas entranhas, ficam nas mãos de alguns poucos sites e zines que se esforçam ao máximo para torná-lo mais forte. A “grande” imprensa fica apenas com o mainstrem e com a gringolândia, reservando ao underground apenas algumas poucas páginas e ainda com um caráter meio que “assistencialista”, do tipo “olha só, estamos fazendo nossa parte”. O exemplo do Exhortation é: “mesmo apesar das adversidades, continuaremos na luta em prol do metal nacional, do Underground Nacional”. A banda conta com: Aline Lodi (Vocal), Renato de Lucca (Guitars), Billy Dark Machine (Drums), Rodrigo Dalla Piazza (Bass).

Entrevista feita por Alex Neundorf e publicada no dia 21/04/2009
Alex Neundorf: E ai velho, primeiramente agradeço a disposição de vocês para com o GoreGrinder Web Zine, é uma honra começar essa nossa conversa e espero que ela seja realmente bastante produtiva! De pronto, gostaria que você comentasse sobre esse cancelamento das bandas de abertura para o show do Carcass em São Paulo, e em específico, o cancelamento do show do Exhortation... Porra!!!, todo mundo (principalmente para as cinco bandas que iriam tocar, é claro!!!) ficaram bastante frustradas com isso! Como isso foi recebido por vocês? Quais boatos rolaram, o que chegou até vocês? (Segundo a “boataria” que rola, foi o próprio Carcass que pediu para cancelar as bandas de abertura). Puxa a cadeira, o espaço é de vocês...
Renato: Olá Alex, e olá a todos os Headbangers que acompanham os trabalhos do GoreGrinder Web Zine. Em primeiro lugar gostaria de agradecer pela oportunidade de expor um pouco do trabalho do Exhortation e contribuir com o underground para que o mesmo possa se tornar cada vez mais forte em nossa terra que é de uma cultura tão rica e diversificada. Bem, sobre essa questão do cancelamento das bandas de abertura no show do Carcass em SP, é a primeira vez que podemos nos pronunciar abertamente sobre o acontecido e com certeza não foi uma noticia fácil de ser digerida. Nós recebemos o convite para estarmos nos apresentando junto com o Carcass em sua primeira e única apresentação no Brasil, assim que a produção comprou o show (mais ou menos em meados do mês de julho/2008). Há algum tempo após a produção ter finalizado o cast, o show em BH foi agendado para a surpresa de todos, e faltando duas semanas para o show, recebemos a noticia da Buda Produções (organizadores do evento) informando-nos que a apresentação das bandas de abertura seriam canceladas devido a um imprevisto. O manager do Carcass simplesmente teria então tomado a atitude de afirmar que "esta é uma apresentação do Carcass e ninguém mais deveria estar se apresentando junto com a banda, é o ultimo show da turnê e eles vão estar bem cansados". Enfim, para ser bem sincero, nós e também os membros de todas as bandas de abertura, assim como todos os fãs brasileiros não soubemos o verdadeiro motivo deste cancelamento repentino, mas com certeza a banda encontrou algum problema de horários com a viagem de BH para SP. A produção do Carcass teria pouco tempo para preparar o palco já que uma das exigências da banda é a de 3 horas de passagem de som, reduzindo assim drasticamente o tempo das bandas de abertura e tornando impossível a apresentação das 5 bandas. Para nós foi um presente este convite tão importante para a nossa carreira, seria um grande festival em uma tarde de domingo na cidade de São Paulo com Headbangers de todas as regiões do Brasil, e nada mais e nada menos com o fechamento em chave de ouro do grande Carcass. Infelizmente não podemos concretizar este sonho, mas presenciamos o show simplesmente perfeito de uma banda que é a responsável pela maior influencia do Exhortation e de muitas bandas de todo o mundo. Temos que ter a consciência e estarmos preparados para esse tipo de contratempo onde em nosso meio é absolutamente normal e estamos batalhando muito para conseguir ao máximo propagar as nossas idéias e a nossa musica. Acreditamos que boas oportunidades ainda estão por vir, pelo menos trabalhamos para isso.
Alex Neundorf: Sim, estas notícias que correram nas vésperas do show foram um grande choque para todos que acompanharam não só a turnê, mas também a todos que acompanham as bandas que iriam abrir! É de se imaginar a frustração, mas bola pra frente e agora vamos falar do Exhortation em específico! Fale-nos sobre o surgimento do Exhortation, bem como da sua trajetória, seus integrantes... Enfim, fale-nos um pouco sobre a história da banda... 
Renato: Bem Alex, as nossas atividades começaram em meados do ano de 2005 quando eu tive a oportunidade de conhecer a vocalista Aline por acaso na universidade. Percebemos uma afinidade muito grande com relação a musica. Como no momento estávamos sem banda resolvemos começar uma busca atrás de integrantes com a mesma vontade, onde músicos de vários segmentos do metal passaram pela banda que na época se chamava Selective Suicide. Inclusive alem dos músicos nosso estilo musical foi mudando aos poucos devido a gama de influencia que fomos recebendo de cada integrante que passava pelo Selective Suicide em um ano e meio de existência. Em meados do ano de 2006 tive a oportunidade de conhecer o Billy que era baterista da banda Geminicarios de Salvador, Bahia, tinha se mudado para a cidade de Capivari SP e acabava de deixar a formação do Queiron. Através dele o baixista Rodrigo Dalla Piazza começa a integrar a banda que passa a se chamar Exhortation. Já no começo de 2007 já tínhamos varias composições encaminhadas e recebemos o convite para participar de uma compilação Alemã onde precisamos entrar em estúdio e gravar o nosso primeiro registro oficial, a demo "Selective Suicide". Esta demo nos trouxe bons frutos. Inúmeras apresentações foram agendadas a partir de então e conseguimos consolidar o nosso nome no Underground Paulista. Inclusive o show com o Carcass e a nossa apresentação em SC no Orquídea Rock Festival, ambos cancelados por motivos inevitáveis, mas foram fruto do nosso trabalho começado em 2005. Temos a consciência que já passou da hora de apresentar o nosso debut ao publico e com certeza esse ano vai ser um ano de mais conquistas decorrentes deste novo trabalho.
Alex Neundorf: Você mencionou o Carcass como a maior influência para vocês, quais outras bandas servem de background para o som do Exhortation?
Renato: Bem Alex falar de influências para o som do Exhortation, para mim sempre foi uma tarefa difícil. Os 4 integrantes tem gostos que vão do Jazz ao Brutal Death Metal. Posso falar por mim mesmo, gosto muito de Jazz na linha mais Fuzion, mas também não passo os meus dias sem escutar Bloodbath! (risos). Tudo que escutamos de uma certa forma é um agente influenciador na hora de compor, mas posso te adiantar algumas coisas que sempre estamos ouvindo...  Carcass, Kreator, Slayer, Hate, Nevermore, Death, At The Gates, Bloodbath, Cannibal Corpse, Decapitated, Devilyn, Trauma, Lost Soul, Merlin, Deicide, Zyklon, Myrkskog, Belphegor, Vader, Behemoth, Dew-Scented, Exmortem, Nile, Pyorrhoea, Suffocation, Aeon…
Alex Neundorf: Fale-nos um pouco sobre a demo "Selective Suicide". Como foi o processo de criação uma vez que a banda havia sido recém consolidada? Como foi a recepção da demo? Como foram os shows de divulgação? Comente sobre isso...
Renato: Sobre a demo “Selective Suicide” posso dizer que ela foi feita sem planejamentos. Precisávamos destas músicas gravadas devido o convite da compilação do selo Alemão e acabamos produzindo nosso primeiro material em pouco tempo. No final das contas não tivemos retorno algum da tal compilação na qual fomos convidados, mas a demo foi bem aceita pelos ouvintes do Myspace e pelos Headbangers Brasileiros, mesmo sendo um trabalho promocional de apenas duas músicas. Sobre os shows de divulgação da demo “Selective Suicide”, posso te dizer que ainda estamos propagando este trabalho, uma vez que o nosso debut ainda esta em fase de pré produção.  Todos os shows realizados, sem exceção, tiveram um ótimo resultado. Recebemos constantemente e-mails e contatos de pessoas que ouviram nosso trabalho, e as críticas construtivas foram muito bem recebidas. Com certeza essa demo é o começo do nosso trabalho com o Exhortation e nas novas músicas já podemos sentir uma evolução considerável. Isto é um processo muito interessante, pois cada música que criamos é uma evolução das já compostas. A demo “Selective Suicide” foi e esta sendo um ótimo alicerce para nós.
Alex Neundorf: Aproveitando o embalo, como surgiu o convite para a compilação alemã da qual você falou? E como foi a divulgação dela... Não ouvi falar dela aqui no Brasil, suponho que na Alemanha ela ganhou uma maior circulação?
Renato: Bem, como eu disse na pergunta anterior, nós não tivemos retorno algum da tal compilação. Segundo o que sabíamos ela iria se chama, "Amazonic Brutal" ou qualquer coisa do tipo, que seria composta apenas por bandas Brasileiras, inclusive me lembro que o Bestial Atrocity (Piracicaba/SP) também estava fazendo parte do Cast. Nem um e-mail nos foi mandando nos dando qualquer satisfação. Mas o tal convite foi importante para nós, pois sentimos um impulso logo no começo da nossa carreira.
Alex Neundorf: Você mencionou o trabalho que vocês vêm desenvolvendo para lançar o primeiro full-lenght do Exhortation. Você pode nos adiantar algo sobre esse material? Quantos sons comporão o debut?
Renato: Bem Alex, a que tudo indica pretendemos lançar o nosso Full-Lenght com 7 ou 8 musicas. Gostaríamos de lançar nosso primeiro álbum com mais musicas, mas devido a pouca grana que disponibilizamos, e alguns problemas que rolaram nos últimos meses, o primeiro Full-Lenght vai contar com poucas músicas, infelizmente. Mas isso não significa que vamos economizar em qualidade. Estamos pretendendo e batalhando para que esse trabalho seja de uma ótima qualidade sonora e visual.
Alex Neundorf: Como irá se chamar o full-lenght? Já possuem alguma idéia a respeito? Poderia também nos falar sobre as principais temáticas abordadas?
Renato: O nosso álbum de estréia se chamará “Essence of Apocalypse”. Na verdade é um tema que inspirou a criação da banda em 2005. A essência do Apocalipse é nada mais do que a pura ignorância do ser humano. Estamos caminhando para um “apocalipse” por causa de atos e pensamentos ignorantes do ser humano sobre a sua existência e sobre a existência da vida. Se pararmos 1 segundo para raciocinar sobre os pensamentos do ser humano e suas atitudes, nós não evoluímos em nada. Atitudes humanas da atualidade ainda são da idade média, e arrisco a dizer que ainda da pré-história, apenas em um contexto diferente. Homens matam em prol de suas crenças, seres humanos se humilham em troco de bens materiais, seres humanos não tem nada na cabeça a não ser pensar em sua própria bunda. Sem falar que todos os problemas que hoje em dia não conseguirmos resolver, (principalmente nas questões essenciais da vida como o meio ambiente) são problemas da nossa própria criação. O ser humano além de ignorante é incompetente. È mais ou menos essa a temática do Exhortation, ou melhor, que é do Exhortation (e não apenas do nosso álbum de estréia), pois é a temática que inspira a existência do mesmo. Quando não precisarmos mais nos expressar sobre essa raça “vazia” de alma, provavelmente a jornada estará encerrada.
Alex Neundorf: Excelente temática. E que também proporciona algumas idéias, alguns vislumbres na imaginação. Por simples curiosidade, vocês já têm alguma idéia para a arte desse trabalho? Se “sim”, quem irá (ou já fez) esse trampo?
Renato: Bem Alex, sobre a arte do cd posso te dizer no momento que ainda não temos nada definido. A Aline é uma ótima desenhista, possivelmente seja um trabalho de sua autoria. Ela já começou a trabalhar em algumas idéias, inclusive em um símbolo, mas acredito que ainda esta na prancheta, nós ainda não tivemos acesso ao material.
Alex Neundorf: Pude notar também que recentemente o Exhortation fez várias apresentações ao lado de nomes importantes do Underground local. Como foram esses shows? E como é, por exemplo, tocar ao lado de um Torture Squad, que é uma das bandas que vem em franca evidência nos últimos anos?
Renato: Realmente foi muito gratificante ter tocado ao lado do Torture Squad. Alem de serem músicos excepcionais, pessoas incríveis, eles são nossos ídolos e pessoas na qual nós nos espelhamos muito. Realmente foi du caralho o show que fizemos junto com eles na cidade de Piracicaba. Era para esse encontro ter acontecido anteriormente em Lages/SC no Orquídea Rock Festival em 2008, mas devido o imprevisto que aconteceu nos deixando fora do evento de ultima hora, esse momento foi adiado para o show em Piracicaba, onde finalmente podemos tocar com os caras. Realmente foi muito bom! Espero que possamos dividir a dose, assim como foi ao lado do Cruscifire, nossos grandes amigos e músicos excepcionais. Tocamos também neste ano ao lado do Antharez na cidade de Salto no VII Metal For All, foi bem legal, mais uma vez os Headbangers da região aprontaram um inferno na terra naquele pequeno espaço dedicado a musica extrema! Foi muito massa... Enfim sempre esta rolando datas como estas, espero que possamos ter mais oportunidades. Infelizmente o que ainda esta nos amarrando um pouco é a falta do nosso álbum, mas logo os Headbangers vão poder conferir o que nós estamos preparando a mais ou menos 4 anos. O futuro do Exhortation depois deste álbum eu não posso garantir nada, mas este lançamento será a realização de um sonho.
Alex Neundorf: Sim, o underground metal sempre se viu envolvido por problemas de variadas ordens, que às vezes, chegam ao limite de inviabilizar uma banda. Questão da grana, falta de apoio, preconceitos, mudanças de formação, etc. Com quais problemas o Exhortation mais teve de se confrontar?
Renato: Bem Alex, desde a primeira formação do Exhortation, enfrentamos todos os problemas que você acabou de citar nesta pergunta. Acredito que esses são os problemas de todos os Headbangers Brasileiros. O principal problema que conseguirmos lidar foi com a nossa formação. Uma grande força de vontade foi essencial para o Exhortation estar tocando nos dias de hoje, pois existe uma distância física considerável entre os músicos. Em todos os ensaios 50% da banda precisa se locomover pelas estradas a fora para podermos nos encontrar e fazer o nosso som. Isso é decorrente de tempos dispostos nas viagens e grana que investimos seja para locomoção ou para aluguel que tínhamos de uma residência em Capivari que usávamos como estúdio próprio. Alias atualmente esse é o maior problema que estamos enfrentando. Ambos os integrantes estão com problemas pessoais, com falta de grana e isso esta atrapalhando muito até mesmo o nosso animo. Recentemente nosso estúdio foi arrombado e roubaram algumas peças do nosso equipamento. Nada muito considerável, mas investimentos nestes anos de batalha onde precisamos devolver a residência. Mas infelizmente tudo isso para mim não é nenhuma novidade. Todo músico Headbanger Brasileiro é obrigado a enfrentar problemas do tipo, e venho a te confessar que esta pergunta foi bem pertinente, pois venho através deste informar que a banda esta um pouco abalada, mas estamos na batalha. Com animo ou não a banda deve continuar.
Alex Neundorf: Sem dúvida, problemas são uma constante para bandas e público metal no Brasil. Devido a esses inúmeros problemas que temos de ver em muitos casos, bandas deixarem de existir. É ótimo saber que, apesar dos problemas enfrentados, o Exhortation garante sua continuidade. Com certeza, àquelas que ultrapassam as barreiras constituídas por esses diversos empecilhos, está reservado um lugar digno e honroso na história do metal nacional. Continuando nessa mesma linha de raciocínio, embora um pouco diferente, gostaria de saber a opinião de vocês sobre esse tema que tem transtornado o meio musical em um sentido geral: a questão da pirataria e, mais especificamente, o mp3. O que vocês pensam a respeito? Quais vantagens e desvantagens que vocês verificam não só para o mp3, mas como para as diversas novidades que, cada vez mais, surgem no mundo da internet e do virtual? Qual cenário futuro vocês conseguem construir, levando em consideração isso?
Renato: Isso eu não posso responder pela banda, mas na minha visão como consumidor e ao mesmo tempo músico acho que existe os dois lados da moeda. Da mesma forma que a pirataria, e o mp3 é um grande problema para a indústria da música, para o underground, o mp3 e a internet é uma grande arma que temos em nossas mangas, não vejo aspectos negativos. A nossa divulgação se torna mundial com um valor de investimento baixo. Como acontece no Myspace, por exemplo, pessoas de todas as regiões do Brasil, e público de vários países já ouviram o nosso som, e possuem a oportunidade de visitar a nossa página e escutar nosso trabalho em formato Mp3 em qualquer canto do mundo. Pessoalmente eu acho isso fantástico. Algo inimaginável em tempos passados. Agora os problemas que artistas mais conhecidos enfrentam devido à pirataria e distribuição de músicas na internet é por simples fato de altos preços para os CDs e DVDs. A grande parte do público e principalmente os Headbangers brasileiros, não possuem condições financeiras de comprar um álbum na Fenac por exemplo. Sem falar dos poucos títulos disponíveis. Resumindo, em meu ponto de vista tudo isso é algo que prejudica a indústria fonográfica, mas não diretamente o músico e o nome do grupo. Não possuo muito conhecimento a respeito, mas eu duvido que o artista possua muito lucro com a venda de um CD. Aos moldes da indústria fonográfica brasileira (que é o mesmo perfil de toda indústria em qualquer ramo de atividade, onde o lucro é o único objetivo), não é difícil de acreditar que a maior parte dos lucros com a venda de CDs ou DVDs fica para a indústria, gravadoras e afins, quando o artista recebe apenas uma pequena fatia do bolo e acredito fielmente que é algo como “migalhas do bolo”. Sobre o futuro da música, eu não arrisco a dizer, pois de tempos em tempos alguma novidade aparece e muda todo o rumo das coisas. A Tecnologia é algo que evolui dia a dia, então fica meio difícil prever um futuro. Mas acredito que o Underground vai apenas crescer cada vez mais com esse tipo de “apoio”. Volto a dizer que o myspace é um grande aliado de todos nós. Se hoje você me faz esta entrevista e vários shows importantes aconteceram desde os primeiros anos do nosso trabalho, com certeza tudo isso é fruto decorrente do apoio virtual que contamos através do endereço do myspace que introduziu nosso nome no underground, e hoje é nosso principal meio de comunicação.
Alex Neundorf: Concordo plenamente com grande parte do que você disse. E enfatizo o melhoramento da comunicação proporcionado pela internet, sem precedentes. Mas também vejo alguns problemas, tais como o caráter mais distanciado dessa comunicação... Quero dizer que a relação que se produz no underground recente é mais “fria”, muito “profissional” (não entenda errado), o que pode ser, em alguns casos, prejudicial. Enfim, concordo com você em alguns pontos, mas também fico com um pé atrás com certas coisas que vêm acontecendo em nosso cenário. De toda forma, concordo que o Myspace é um dos principais instrumentos criados para divulgação e comunicação. E o que é melhor ainda: em níveis globais!!! É só um integrante ter um domínio do inglês que fica ainda mais fácil conseguir uma divulgação, parcerias, distribuição e até um contrato no exterior. Tocando nesse assunto, e vendo que vocês tem mais de 7 mil audições no perfil do Myspace, muitos contatos foram construídos através desse meio? Mais importante ainda, vocês compartilham do “sonho” de toda banda tupiniquim: excursionar no exterior, mesmo que em uma turnê sul-americana (que agora vem se tornando mais constante aos olhos das bandas brasileiras)? Quais os empecilhos que as bandas de metal e, em específico, o Exhortation tem de enfrentar para realizar isso?
Renato: Quando realizamos nosso primeiro show na cidade de Campinas, já tínhamos o Myspace funcionando e desde o primeiro show já divulgamos esse endereço onde alguns contatos puderam nos ouvir. Todos os shows a partir de então foram surgindo através de conhecidos, pessoas que viram nossa primeira apresentação e assim foi indo. Para nós o Myspace foi - e esta sendo - muito importante nesta fase de começo de carreira, pois foi o nosso primeiro meio de comunicação e que apoiou a nossa demo e nos ajudou a apresentarmos nosso som para vários contatos que fomos fazendo no meio.  Posso afirmar que 40% dos contatos que temos hoje foi construído pelo Myspace e os outros 60% utilizaram o Myspace, depois de um contato pessoal. Pela falta de grana para investir em nossa demo, ela foi muito pouco vinculada e com uma qualidade que deixamos a desejar, então neste momento o Myspace foi importante e não queremos repetir o mesmo erro. Eis o motivo da nossa demora com a gravação do nosso álbum. Infelizmente somos muito sistemáticos e isso atrapalha um pouco. Sobre excursionarmos em uma turnê sul-americana, realmente é um sonho de todo músico tupiniquim e de todo o jovem que se envolve com metal em seus primeiros anos de juventude. Conosco não é diferente. Sempre tivemos esse sonho. Conforme você vai vivendo vai percebendo que esse sonho não é impossível, mas um conjunto de questões entra em jogo, onde passamos a pensar melhor a respeito. Infelizmente o Metal no Brasil é algo que não se pode esperar algum retorno financeiro, e por esse motivo precisamos dividir o tempo que dedicados a musica com tempos dedicados ao trabalho e a nossas vidas pessoais. Hoje tenho responsabilidades que impedem com que eu realize uma excursão muito longa com a banda, ainda estou neste meio musical por amar o que eu faço e enquanto eu tiver condições físicas de continuar tocando guitarra eu continuarei. Não espero retorno financeiro algum, tudo isso é por simples prazer de tocar algumas notas e dizer o que pensamos, mas sobre uma excursão muito grande com a banda e poder me sustentar com essa profissão, é algo que não posso esperar. É um sonho que eu já tive, mas posso afirmar que hoje em dia sou mais pé no chão. Quero continuar tocando, registrar meus materiais e apoiar o metal nacional. Só aí já tenho meus objetivos e deveres, como músico, cumpridos.
Alex Neundorf: Para finalizar, gostaria de abordar outro ponto completamente diverso. Vocês contam com uma vocalista mulher na banda, a Aline Lodi (que por sinal, não deixa nada a desejar às outras vocalistas do gênero), como vocês chegaram até ela (assim como foi sua adaptação ao som da banda) e como é a recepção do Exhortation nos shows, tendo em vista que o público metal no Brasil ainda conserva-se bastante tradicionalista e machista?
Renato: Olha Alex, se você nos conhece-se em nossos primeiros ensaios você iria dar muita risada (risos). Até mesmo antes da primeira formação, nós nos reuníamos no quintal da casa de um amigo na cidade de Campinas com uma guitarra e um teclado, tocando e cantando algumas besteiras durante horas. Era uma casa em meio a 3 prédios onde parecia um Reality Show, varias pessoas saíam na sacada de seus apartamentos e ficavam nos olhando. Na época a Aline nem sonhava em ter o vocal que ela possui hoje, ela dominava apenas o vocal Lírico, onde nossos objetivos musicais eram outros. Conforme fomos tendo envolvimento com varias formações fomos ganhando uma certa consistência e definição do nosso som até chegarmos à formação atual. Das pessoas que estiveram presentes nesta época, apenas eu e a Aline fazemos parte do Exhortation e eu posso te afirmar que foi uma adaptação conjunta, evoluímos e crescemos musicalmente juntos. Sobre a recepção do Exhortation nos shows, nunca tivemos nenhum contratempo, aparentemente sempre tivemos boas recepções. Às vezes percebemos alguns olhares tortos, mas acredito que não seja algo que acontece apenas conosco pelo fato de termos uma mulher no vocal. É raro uma banda agradar a todas as pessoas do público.
Alex Neundorf: Poderíamos continuar essa conversa com muitos outros pontos interessantes que foram, de uma forma ou de outra, citados ao longo dessa entrevista. Mas vamos deixar isso para uma próxima, e já concluindo nossa conversa, deixo aqui então o espaço que você desejar para suas palavras finais. Foi um prazer conversar com você Renato e também conhecer mais alguns detalhes desse som promissor que executa o Exhortation. Parabéns e não deixemos a “peteca cair”.
Renato: Em primeiro lugar, venho através deste agradecer ao espaço no qual o GoreGrinder nos proporcionou, nos dando uma importante oportunidade de contar um pouco da história e dos nossos objetivos para todos os Headbangers. Um forte abraço para todos aqueles que nos apóiam e apóiam underground nacional que é tão rico. As bandas nacionais estão se tornando uma referência e tendo um prestigio muito grande por todos os cantos do mundo, fruto de muita luta e determinação. Um forte abraço também para os nossos grandes brothers pela união que faz com que nos tornemos cada vez mais fortes! Em especial aos brothers do Corporate Death, Cruscifire, Queiron, Havok, Bestial Atrocity, Incinerade, Brutal Hate, Agression Tales, Orquídea Negra (em especial ao Robson), Barbarian Warriors in Search of Wisdom, Funeratus, Flesh Grinder, Grim Suffering, Desdominus, Torture Squad (em especial a manager Vera Kikuti e ao Vitor Rodrigues), Soulriver (em especial ao Francisco) e aos irmãos Brutal, Andrey, Eliseu, Mikey, Haru, Fernandao, Leandro Palmer e Jhonny (Jão) que sempre nos acompanham. Enfim um forte abraço para todos aqueles que nos apóiam, acreditam em nosso trabalho e acreditam na força do Underground Nacional.
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