O Postwar é uma banda de Santo André (na região mais industrial que cerca a grande São Paulo) formada no ano de 2001. Nesta entrevista, conversamos com Elvis Santos e falamos sobre diversos assuntos: desde temas mais ligados ao underground brazuca, tais como as dificuldades que as bandas têm de desenvolver e demonstrar seu som a um público mais amplo, até os recentes trabalhados que envolvem a gravação do full-lenght “Revolution, Religion & Disorder”, trabalho que está sendo produzido por nada mais nada menos do que Claudio David (do Overdose). Atualmente, o Postwar é formado por Cleber Orsioli nos Vocais e Guitarra, Marcio Garcia na Guitarra, Bruno Amorim no Baixo e Elvis Santos na Bateria.

Entrevista feita por Alex Neundorf e publicada no dia 23/03/2009
Alex Neundorf: De prima, obrigado por aceitar “papear” um tanto! Valeu mesmo, será um prazer trocar uma idéia. Em primeiro lugar, um aspecto que vem na cara de quem faz uma pesquisa, mesmo que preliminar, com o nome “Postwar” na net, é a gigante quantidade de material sobre vocês (entrevistas, resenha da demo Attack). Tudo bem, o primeiro material lançado por vocês foi muito bem recebido e, é claro, mereceu todos os elogios (que ainda vem recebendo). Mas essa “crescida” na cena Thrash não é, acredito, motivo apenas deste trabalho. Diga-nos, o que conta também (ou que conta mais) para que uma banda ganhe expressão num prazo relativamente curto de tempo? Além dessa “dica”, também fale sobre como anda a agenda do Postwar em relação a apresentações, gravação de material novo, enfim, “puxe a cadeira” e sinta-se em casa!
Elvis: Primeiramente agradeço à você Alex e aos colaboradores da GoreGrinder pela entrevista a nós cedida tão gentilmente. Dessa forma, podemos falar um pouco mais sobre o nosso trabalho aos leitores e admiradores da GoreGrinder. Obrigado! Quando começamos a divulgar a demo “Attack”, não esperávamos ter uma receptividade tão positiva num curto espaço de tempo como ocorreu, mas acredito que tudo isso é resultado de muita divulgação feita em web zines, entrevistas, revistas, canais de TV, aliada às inúmeras apresentações e festivais que corremos atrás e fizemos total questão de participar sejam em pequenos ou grandes shows, afim de buscarmos o nosso espaço e mostrar o nosso trabalho registrado em “Attack”. Todo o esforço que fizemos e a ajuda de todos esses meios de comunicação do meio underground foram cruciais para o resultado que alcançamos hoje. Referente a agenda do Postwar, o último show realizado neste ano foi o Projeto “Diadema Rock 2008” realizado em Diadema (grande ABC/ SP) na data de 07/12 em comemoração do aniversário da cidade. Para 2009, estamos fechando algumas datas com a banda Civil Onlidnad da Suécia em sua passagem pelo Brasil em Janeiro próximo. Quanto às gravações do nosso primeiro álbum, pretendemos finalizá-las até agosto deste mesmo ano e em seguida planejar o lançamento do mesmo. Detalhe, durante as gravações, faremos normalmente os shows que estarão por vir.
Alex Neundorf: O que podemos esperar para o primeiro full-lenght? Você pode nos adiantar alguma coisa referente a este lançamento? Aproveitando a deixa, como funciona o processo de composição no Postwar? Alguém em específico fica a cargo do processo criativo ou todo mundo participa? Como isso acontece?
Elvis: Bem, neste nosso primeiro álbum oficial, que será intitulado: “REVOLUTION, RELIGION & DESORDER”, pode se esperar um maior amadurecimento da banda, com músicas bem mais estruturadas quanto as que constam em “Attack”, mantendo-as cadenciadas com muito peso e velocidade. Quanto ao seu lançamento, ainda estamos estudando a hipótese de fazermos uma tour se iniciando por São Paulo e expandi-la para demais estados. Porém, tudo vai depender das parcerias que fecharmos até o final das gravações. Sobre o processo de composição da banda, não seguimos um padrão em específico. O que ocorre na maioria das vezes é trabalharmos a parte instrumental em uma letra que já está devidamente pronta, de acordo com a sua mensagem e o sentimento que ela nos proporciona. Mas, em alguns casos, agregamos uma letra a uma instrumental semi-pronta e acertamos seus detalhes finais. Geralmente eu e Cleber ficávamos a cargo de definir tudo desde o começo, desde as letras até a parte instrumental. Hoje, nós dois continuamos desenvolvendo as letras, porém na parte musical, todos têm participação constante do início ao fim das composições, sempre com novas idéias durante os ensaios ou trazem algo pronto para agregar a música que está sendo composta no momento.
Alex Neundorf: Alguma conversação em desenvolvimento junto às gravadoras? Qual a dificuldade, hoje em dia, para se conseguir um contrato (acima de tudo, viável e interessante) em sua opinião?
Elvis: Até o momento não tivemos envolvimento direto com gravadoras, até porque, decidimos fazê-lo com a amostra de algumas faixas do que será o nosso primeiro debut. Por mais que possa ser interessante o trabalho de um material "Demo", com a possibilidade de mostrarmos o que está por vir no nosso primeiro play oficial, com uma qualidade totalmente superior, é possível que haja respostas, por parte das mesmas, mais positivas do que com a apresentação do nosso material anterior "Attack". Referente à questão "dificuldade", isso já engloba o interesse e a visão que os selos ou gravadoras pretendem com relação à cena metal hoje em dia. Na década de 80 e início dos anos 90, ainda se fechavam contratos com as gravadoras interessadas em custear todo ou 50 por cento do gasto do que se considera a produção de um álbum até a sua jornada de shows e merchandising para a divulgação do mesmo. Hoje em dia o que se consegue, em quase 90 por cento dos casos, é no máximo a distribuição do material (CD oficial) depois de concluído e custeado da própria banda. Realmente é muito complicado.
Alex Neundorf: Muito por isso que vemos cada vez mais lançamentos independentes! Vocês pensam em lançar de forma independente o novo material? E pensando em uma solução, vocês já pensaram (no que pode ser uma saída para muitas bandas) no lance de uma cooperativa de bandas? É uma idéia que já foi implementada em alguns lugares e que até renderam ótimos frutos.
Elvis: No momento ainda não sabemos como será o lançamento de “Revolution, Religion & Desorder”, até porque o intuito mesmo é conseguir fechar o máximo de parcerias para custear pelo menos a sua distribuição, mas também não vemos problemas em lançá-lo de forma independente, caso a situação exija fazê-lo apenas dessa forma. A respeito de uma “Cooperativa” entre bandas, isso sim já foi pensado, tanto que é uma das possibilidades que não descartamos. Ao contrário, acreditamos que umas das melhores alternativas dependendo de como estará a situação até momentos antes de lançar este novo material.
Alex Neundorf: Devido ao reconhecimento que o Postwar obteve nesses últimos anos, sem dúvida, muitos querem vê-los pelos palcos de todos os estados, mas o que se observa, ainda, é o fato de vocês não terem saído do circuito paulista. Nesse sentido, quais os empecilhos que dificultam ou inviabilizam shows fora do estado (ou então, um pouco mais distantes do ABC) para o Postwar? Qual seria a situação ideal para que shows pelo país fossem viáveis e realmente acontecessem? Eu sei que a resposta é meio que evidente, mas vamos falar um pouco sobre isso... E tentar chegar a alguma “solução”?
Elvis: O fator transporte. Lançamos "Attack" e queríamos correr todos os estados com este trabalho mostrando ao que viemos, porém muitos organizadores de eventos, ainda que infelizmente, não se conscientizam da dificuldade que é para uma banda se locomover de um estado para o outro sem o necessário (básico) que é o transporte. Muitos se recusam ou alegam que não tem condições de fornecer ou ceder o valor do transporte. Devido a isso, não conseguimos nos locomover tanto quanto gostaríamos para outras regiões, tendo que suprir (sem nenhum desmerecimento) apenas os shows localizados no ABC paulista e Capital como vem ocorrendo. Já fizemos show em Atibaia/ SP e o fator transporte foi resolvido de maneira muito simples, já em Sorocaba/ SP, fechamos o transporte, mas no fim tivemos problemas após o show realizado. A solução é o transporte que é o mínimo exigido pelas bandas e deve ser cedido, demais valores e detalhes referente a equipamentos, hospedagem, alimentação (se necessário ou não) podem ser negociados entre o contratante e a banda em questão, chegando num acordo viável entre as partes.
Alex Neundorf: Sim, transporte é básico! Infelizmente as coisas são extremamente difíceis para todos os envolvidos com o underground e a estrada às vezes é percorrida por décadas até se chegar a um posto onde uma banda adquire um certo conforto! Mas nos fale um pouco da cena do ABC e, especificamente, das bandas que vocês têm mais contato ai, que costumam tocar junto com o Postwar...
Elvis: Hoje no ABC paulista, muitas bandas procuram manter sim uma união saudável para que todos aqueles que aqui batalham, consigam o seu espaço de forma honesta, cada um com o seu trabalho, aliado ao apoio das outras bandas. Hoje, a maioria dos shows que fazemos pela região em questão, é resultado de diversas parcerias com algumas bandas como: Necromancia, Ação Direta, Transfixion, Forka, Pullverizer, Justabeli, Seventh Seal, Midnightmare, enfim, essas são algumas de muitas outras bandas com as quais estamos em contato direto devido à fácil acessibilidade que temos por freqüentarmos os mesmos locais. Mas também ocorre de outras bandas de fora do ABC que tivemos o prazer de tocarmos juntos aqui na região como é o caso do Comando Nuclear, Torture Squad e outras.
Alex Neundorf: Você defenderia a hipótese de que o ABC é, na atualidade, o principal (ou um dos principais) seleiros de bandas no Brasil? Como você avalia o underground em sua região? E qual o lugar que o Postwar deseja ocupar na história dessa região que já deu ao mundo tantas bandas de qualidade?
Elvis: No ABC paulista, a cena já foi bem mais forte do que em momentos atuais. Hoje, há uma grande quantidade de bandas surgindo em variadas vertentes do metal e vem crescendo com força. Mas ainda falta muito para que o ABC volte a ser considerada uma das principais regiões à contribuir para o nascimento de grandes bandas no cenário do metal nacional. Referente ao Postwar, estamos trabalhando e muito pelo reconhecimento do nosso trabalho de maneira honesta e verdadeira e, dessa forma, citaria como exemplo o próprio MX (banda originária do ABC) que nos dá uma boa idéia de como, aos poucos, gostaríamos de traçar o nosso caminho; e o próprio Torture Squad, uma idéia de como o nosso trabalho poderia ser administrado e mantido, afim de se posicionar na cena underground, de uma forma natural, através de muita dedicação, seriedade e honestidade. Apesar de citar essas duas grandes bandas como exemplo, tudo o que conquistamos e que esperamos conquistar, na verdade, sempre será fruto do nosso trabalho e a forma como ele é administrado por nós. Apenas gostaríamos de contribuir para o metal nacional, como uma banda honesta e que mantém o seu valor, compromisso e respeito aos fãs do estilo, seja dentro ou fora do país.
Alex Neundorf: O Postwar participou recentemente do (merecido) tributo ao Overdose com a música “Dead Clow” do “Circus of Death”. Fale-nos um pouco sobre essa experiência... O que o Overdose representa para o Postwar?
Elvis: Desde quando conhecemos o Cláudio David (Guitarrista do Overdose) e os trabalhos do Overdose, percebemos que a sua trajetória tem muito haver com a forma que lidamos com o nosso trabalho em termos de parcerias, postura e organização, além claro, da sonoridade de suas músicas que é o mais importante . O Overdose, sem dúvida nenhuma, tem sido uma grande influência para nós, pois é uma grande banda e com os seus feitos, já escreveu a sua história no meio do metal nacional em grande estilo, abrindo portas para que demais bandas também consigam atingir os seus objetivos. Já a gravação da música “Dead Clowns”, foi uma iniciativa do Overdose e suas parcerias, onde tivemos o conhecimento do Tributo e assim, fizemos uma versão da música em questão, enviando-a para a seleção do tributo que será lançado, porém ainda sem data prevista para o seu lançamento.  Quem quiser conferir a versão do Postwar para a música “Dead Clowns”, é só acessar o nosso My Space: www.myspace.com/postwarmetal
Alex Neundorf: Mudando um pouco nosso foco, vamos falar sobre alguns temas atuais que estão diretamente ligados ao cenário metal. Nos diga, qual a opinião de vocês sobre as novas mídias, hoje disponíveis, notadamente o mp3? Recentemente, ao navegar pelos blogs (que são atualmente um fenômeno em expansão descontrolada) me deparei com muitos deles disponibilizando a demo “Attack”, no entanto fiquei na dúvida se seria realmente pirataria ou se vocês o teriam disponibilizado para download... De toda forma, explique-nos a visão que vocês têm sobre isso?
Elvis: Toda essa gama de funções que a internet propicia ao usuário na rede, referente à downloads de sons, imagens e vídeos totalmente gratuito de qualquer material de todos os cantos do mundo, tem sim o seu lado positivo, mas ao mesmo tempo, o negativo. O lado positivo para as bandas é que viabiliza e muito a divulgação de seu material demo ou oficial com uma facilidade extrema e muito mais rápida e eficaz, porém o problema é que você não tem controle sobre isso e muito menos conseguirá vender o seu material, pois em segundos este já possa ter sido baixado gratuitamente por inúmeros usuários em qualquer lugar do mundo. O Postwar preferiu disponibilizar algumas músicas sim além das que já estão na demo “ATTACK”, porém já existem outros meios de comunicação disponibilizando as músicas a um custo estimado em centavos, reais e, por incrível que pareça, também em moeda americana em zines e sites estrangeiros. Não se pode fugir da tecnologia quando ela não nos propicia outras opções. O melhor mesmo é procurar administrar o seu trabalho utilizando ferramentas que sejam realmente interessantes, sem abusos, mesmo que isso seja quase que impossível de evitar nos dias de hoje.
Alex Neundorf: Falamos pouco sobre “Attack” em si. Vocês já estão focados no material que irá compor o debut, ou a demo de 2006 continua gerando seus frutos? Aproveitando a deixa, para quem nunca viu e ouviu o Postwar ao vivo, conte-nos como é um show de vocês... O set-list já contém músicas de “Revolution, Religion & Disorder”? E, ainda, qual som possui o melhor apelo ao vivo (algum clássico da banda)?
Elvis: Bom, por mais que estamos completamente com toda a atenção voltada para “Revolution, Religion & Desorder”, a demo “ATTACK” ainda é o nosso principal material de divulgação. Tudo o que já conquistamos vem deste trabalho e o mesmo é o responsável por tudo o que estamos fazendo hoje na atualidade e que ainda faremos até o lançamento do debut. Referente aos shows da banda, procuramos fazê-lo de forma que os fãs, amigos e os demais que estão a frente do palco, participem conosco, seja agitando, cantando as músicas, ou seja, fazemos o possível para que todos possam sentir a energia que nós sentimos em cima do palco. Quem vai a um show do Postwar, sabe que não nos verá parados no palco e este muito menos ficará imóvel com a nossa presença. Postwar é energia e peso do início ao fim. No que se refere ao set list, algumas músicas presentes, em sua maioria, são sim do que será o debut. É até uma forma de presenciarmos como será a receptividade do público com essas músicas novas. “Revolution, Religion & Desorder” é um trabalho novo onde, mesmo assim, irá conter algumas músicas de “ATTACK”, porém estas foram reformuladas para se agregarem ao debut de acordo com as novas músicas já presentes. Ao vivo, sem dúvida nenhuma, a música mais aguardada e aclamada pelos fãs em nossos shows é a “THE PUNISHMENT”. Acredito que o peso e velocidade mesclados com bases cadenciadas do início ao fim é o grande destaque dessa música e que faz qualquer um mexer os ossos. Já para quem a conhece em termos de letra e significado, com certeza a valoriza muito mais e sabe a importância desta música, principalmente, para nós brasileiros.
Alex Neundorf: Já encaminhando nosso papo para uma conclusão, nos diga, o que podemos esperar do Postwar para o ano de 2009 e para os que seguirão? Qual a previsão que vocês fazem para o lançamento do tão esperado debut?
Elvis: A cada ano que passa, procuramos apresentar aos fãs e demais adeptos, um amadurecimento constante em nossas músicas, uma banda mais coesa e fiel, trazendo muita energia a cada show e na execução de cada música. Então, para 2009, verão um Postwar muito mais afiado, agressivo e estupidamente barulhento em cima dos palcos como já é de praxe. Com relação ao debut, a previsão era de lançá-lo no início deste ano (2009), porém com alguns contratempos, tivemos que traçar uma nova estratégia e, portanto, o lançamento de “Revolution, Religion & Desorder” está previsto para Novembro/ Dezembro de 2009.
Alex Neundorf: Por fim, as palavras finais de praxe! Sinta-se a vontade e tenha o espaço que desejar! Para finalizar, da minha parte foi um prazer conversar com você e saber mais sobre o excelente Postwar! Espero vê-los em breve, agora ao vivo!!!
Elvis: Agradeço a você Alex Neundorf e a todos os demais colaboradores do GoreGrinder Web Zine pelo espaço e a entrevista à nós cedidos e espero que a mesma tenha atendido vossas expectativas e despertado a curiosidade dos fãs e adeptos do estilo a conhecerem um pouco mais do nosso trabalho. Muito obrigado.
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Elvinhos  comentou:
Ai simn hein, representando o ABC!

Vitórias, Conquistas e Sucesso sempre!

Abraço
25/03/09 às 13:43 Hs
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