Após o grande sucesso da demo "Welcome To The Outset", do ano de 2005, a banda de death grind Out Set, formada em 2003 na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, destacou-se por suas músicas sujas e cruas, trazendo o melhor do grindcore aos nossos ouvidos. E é pra falar da banda que conversamos com os guitarristas Flávio “Horroroso" e pH "Filthgrinder", que juntamente com Luiz Cláudio (vocal), Denis (baixo) e Douglas Rot (bateria) fazem um som rápido, crítico e pesado.

Entrevista feita por Viviane Nihilisme e publicada no dia 26/11/2008
Viviane Nihilisme: Vamos começar contando um pouco sobre a história da Outset, desde 2003, até os dias atuais.
Outset: Horroroso: No começo de 2003, LC chegou com a idéia de criarmos um som na veia do hardcore oitentista. A banda inicialmente contava com Douglas (bateria), LC (vocal), Horroroso (guitarra) e Denis (baixo). Já nos primeiros ensaios vimos que o nosso vício pela tormenta musical era mais forte. De forma natural, fomos nos afastando da proposta inicial. O primeiro trabalho registrado, que ilustra essa fase de transição, pode ser encontrado na coletânea “Natal Metal 2”. Pouco tempo depois, Douglas deu lugar a Felipe na bateria, resultando em uma mudança de sonoridade. Em 2005, quando a banda já atingia uma sonoridade mais agressiva, lançamos a demo “Welcome To The Outset”, sendo distribuída no Ceará através da Gallery Records e no Rio de Janeiro pela Mountain Distro, recebendo resenha positiva na revista Roadie Crew. Em 2006, adicionamos PH, que já tinha tocado na 1ª formação da Expose Your Hate, na segunda guitarra, visando dar cada vez mais “punch” à banda nas apresentações. O Outset passou pelo Ceará, onde tivemos a oportunidade de tocar no Festival “Forcaos”, com ótimas resenhas sobre a nossa apresentação.
Viviane Nihilisme: E a formação da banda, como segue? Muitas mudanças nestes 05 anos?
Outset: Horroroso: Até 2005 tivemos apenas a mudança de um batera. Passamos um considerável período sem ensaios à procura do substituto nas baquetas. Agora em 2008, voltamos a ensaiar com Douglas (primeira formação). O som continua evoluindo, estamos nos acostumando a tocar em forma de quinteto, criando novos sons que serão lançados em breve, provavelmente em um Split, e voltaremos a fazer alguns shows. Até agora, é isso. Depois adicionamos mais uma guitarra e permanecemos como um quinteto até 2007. Quando Felipe deixou a banda nós chamamos de volta nosso primeiro baterista e fechamos nessa formação até hoje.
Viviane Nihilisme: O Outset orgulha-se de fazer uma linha de som rápida e pesada, sem muita frescura. Você nota uma diferenciação no som das bandas atuais de grind com as que deram início ao movimento?
Outset: PH: Sim, fazemos o som que gostamos. Existe uma notável diferença entre o que foi produzido na coletânea “Natal Metal 2” e a demo de 2005. Mesmo quando tentamos colocar algo “mais lento” em nossas músicas, acabamos acelerando o tempo durante o processo de composição. As bandas iniciais são clássicas e dispõem de uma sonoridade única. Outras bandas atualmente executam um som mais técnico, enquanto algumas fazem questão de reverenciar os acordes clássicos do estilo. Impossível não escutar Expose Your Hate e não se lembrar do Brutal Truth ou Nasum, da mesma forma que é impossível escutar o Flesh Grinder e não achar algo do Carcass antigo. Isso é massa! Os músicos criam uma sonoridade própria, que ao mesmo tempo fazem emergir em sua música uma homenagem subliminar às bandas pelas quais foram influenciados.
Viviane Nihilisme: Em 2005 vocês lançaram a demo: "Welcome To The Outset”, muito elogiada pelos apreciadores do estilo. Conte-nos sobre as críticas recebidas.
Outset: PH: Essa demo teve uma ótima recepção vinda de todas as partes... Crítica especializada, galera que curte o som. A arte é de excelente qualidade, feita pelo Alcides (Burn Arts – PE). Esse cara é um puta artista e os elogios sempre começam pela capa (Valeu pela força Alcides e espero que você leia a entrevista!) As resenhas sobre a demo foram ótimas. Isso nos dá mais força e determinação para continuarmos melhorando nosso som e entupindo os ouvidos da galera com o Caos sonoro. O público (parte mais importante desse processo) sempre comparece nos shows e apóia. Isso é extremamente gratificante para nós. A gravação foi feita no mesmo estúdio que o E.Y.H gravou as guitarras, vocal e baixo do Hatecult. Falo do Satanic Holocaust Studio, que era do Herman Priestkiller (Guitarrista do Sanctifier, Ex- Nightbreath). Tratava-se de um estúdio caseiro que rendeu ótimos trabalhos aqui em Natal... EYH, Outset, Nightbreath, Sanctifier... Infelizmente Herman está morando em Brasília. Tivemos também a distribuição pela Gallery Productions (CE) e Mountain Distro/Prod. (RJ).
Viviane Nihilisme: Atualmente, como andam os shows? Você acha que hoje em dia há mais aceitação por parte do público do estilo death/grind?
Outset: PH: Organizar show requer tempo, dedicação, paciência e coragem. Contamos sempre com o apoio dos amigos e participamos da organização sempre que podemos. Promover evento, por menor que seja, pode render a satisfação de alguns e o prejuízo de outros. Não queremos ver nossos amigos passando por momentos de sufoco. A galera daqui de Natal é bem desenrolada e sempre consegue ajeitar as coisas. O Do Sol - local famoso em Natal onde rolam eventos - sempre tem aberto suas portas para shows e dispõe de um equipamento legal, vide Festival Do Sol. Já a aceitação, é fruto de um trabalho sério e coerente, seja em qualquer estilo. O Grindcore é uma vertente relativamente nova (fim da década de 80) e vem aumentando a sua legião com o passar dos anos.
Viviane Nihilisme: A internet tem sido alvo de discussão já faz alguns anos, principalmente por conta de sons em formato mp3, onde é possível baixar álbuns completos pela internet. Qual sua opinião sobre esse fenômeno? Você vê a internet como algo prejudicial ao underground?
Outset: PH: Fã que é fã, baixa mp3 e compra CD também. Tivemos o exemplo do Metallica há alguns anos atrás, entrando numa briga ridícula com a Napster por causa da divulgação de suas músicas pela rede. Isso não impediu que tivéssemos o Soulseek, Bit Torrent, Mininova, Blogs, alguns anos depois, oferecendo milhares de músicas de graça. Inclusive, nesse último álbum, o Metallica fez um alarde imenso pela internet. A língua é a chibata da bunda! Não vejo a internet como algo prejudicial ao underground, muito pelo contrário: ela permite explorar um universo bem maior, coisa que não era possível há 15 anos. Através da internet conheci várias distros iradas e do underground como (Black Hole, Corroído Distro). Para quem curte vinil, a internet é uma ótima ferramenta para compra e troca de material.
Viviane Nihilisme: Muitas bandas do estilo já tiveram destaque inclusive internacional, a exemplo da conterrânea de vocês, Expose Your Hate, do Facada... Como você vê o Nordeste em termos de Grindcore?
Outset: PH: Insano! As bandas estão aí: E.Y.H., Facada, Lato Kaaos, S.O.H., Diagnose... É só ter ouvido pra agüentar a martelada. Devo colocar nessa lista o Sanctifier, Decomposed God, Malkuth, Infested Blood, Obskure, Insanity, Thyresis... Nem o Nordeste, nem o Brasil deixa à desejar nesse aspecto. O que o Amaudson Ximenes vem fazendo lá no Ceará (ACR –FORCAOS) é de uma importância absurda também.
Viviane Nihilisme: Vocês tem previsão para lançamento de material novo?
Outset: PH: Temos algo em mente sim. Estou acertando um Split com James (Facada) ainda pro fim desse ano. Se bobear, faremos uma Tour Natal/João Pessoa/Mossoró pra soltar esse material. Caso isso não seja possível, organizaremos algo para o início de 2009. Dependemos do famoso “Do it Yourself” e da ajuda de alguns amigos para que as coisas tomem forma. Queremos gravar nosso primeito Full-Lenght também em 2009. Para isso já começamos o processo de composição. Contamos com a sua ajuda, Viviane, para shows em “Jampa Rock” (referindo-se à cidade de João Pessoa, Paraíba).
Viviane Nihilisme: PH, vou ficando por aqui, deixando o espaço pra você enfocar algo e deixar um recado para o pessoal que leu esta entrevista. Foi um prazer tê-los no nosso site. Grande abraço.
Outset: PH: Eu que agradeço à senhorita, Viviane. A abertura desse espaço para as bandas é extremamente louvável e deve continuar. Um grande abraço aos idealizadores do site e aos amigos que fizemos nesses anos de muito caos sonoro. Muito obrigado e lembrem-se, não tenham profetas! Grande abraço! 
Compartilhar
Mais sobre:

Envie seu comentário sobre essa matéria!

MILENE  comentou:
VAO EM FRENTE QUE VCS CONSEQUE VCS SAO MUITO MASSA VELHO
03/11/09 às 14:27 Hs
LuZDetH (L.C.)  comentou:
Apoiado Jansen, PH é gay !
Outset rules... Trabalhando em novas sons, agora mais grind q nunca!
16/03/09 às 11:25 Hs
Marinho  comentou:
Jampa Rock foi foda... João Pessoa é uma cidade muita parada, onde as coisas acontecem lentamente e o público não sabe valorizar a cena que tem.
Ah, a entrevista tá muito massa!!!
parabéns ao pessoal do Gore Grinder.
26/01/09 às 16:42 Hs
Outset Rulezzz!! E PH é bicha!! ;D
27/11/08 às 13:37 Hs
Nome:
E-mail:
Texto:
=

Parceiros