Banda de Thrash Metal que completa uma década de vida em 2008, tendo em sua bagagem um debut CD e uma demo. O guitarrista e único membro remanescente do Kremate, Rodrigo Schmidt, nos concede uma entrevista onde revela tudo que aconteceu com a banda nesses 10 anos de vida, além de planos para o futuro.

Entrevista feita por Carrascu e publicada no dia 28/10/2008
Carrascu: Esse ano o Kremate completa 10 anos de existência, e como consta na biografia disponível no MySpace da banda, tiveram muitos problemas de formação no início e somente em 2000 fizeram seu primeiro show. Conte-nos quais foram as dificuldades em achar os integrantes certos para o ponta-pé inicial da banda e também comente um pouco sobre o primeiro show que fizeram.
Rodrigo: De princípio, a banda foi formada por mim e pelo Myke. A gente tinha a intenção de tocar Thrash Metal, e não tínhamos muitos contatos com pessoas que queriam tocar esse tipo de som. Então, o que normalmente acontecia era vir alguém pra ensaiar com a gente e, quando apareciam divergências, o cara tinha que sair da banda. Mas, em 2000, quando o Felipe e o Ricardo entraram na banda, vimos que era a formação certa pra gente. Musicalmente, gostávamos das mesmas coisas. Nessa época, a gente só tinha 3 músicas próprias, que foram feitas por mim e pelo Myke, mas a gente tava louco pra tocar em algum show. Então, a gente tirou uns covers, tipo, coisas básicas que todo mundo sabia tocar, como Slayer, Metallica, Megadeth. Algumas semanas depois, marcamos um show em um bar de São Paulo, no bairro de Santana, e fizemos nossa primeira apresentação. Eu lembro que, além do Kremate, tocou uma banda chamada Krypt, que era a banda do Felipe Nizuma (Blasthrash), por sinal, era o primeiro show deles também.
Carrascu: Em dezembro do mesmo ano, lançaram uma demo com 5 músicas chamada "Eternal War". Como foram as gravações dessa demo e as críticas a respeito desse material? Quantas cópias mais ou menos foram lançadas?
Rodrigo: A gente não tinha a mínima noção de como era gravar um material. Mas tínhamos a consciência de que precisávamos de algum material para as pessoas escutarem. Então, fomos num estúdio e gravamos 5 músicas, 4 sons próprios e um cover pra Metal Command do Exodus. Foi uma gravação semi-ao vivo. Apenas o vocal e os solos foram gravados separadamente. Mas a qualidade final da gravação até nos surpreendeu. Quando enviamos a demo pra zines e revistas resenharem, no geral, tivemos uma boa aceitação. A gente fez 200 cópias inicialmente, e era em fita K7. Depois, acabamos fazendo a versão em CD da nossa demo, daí, já não faço idéia de quantas cópias, porque fazíamos pouco a pouco, conforme a necessidade. Começamos a mandar matrizes da demo pra alguns selos interessados em reproduzir o material e vendê-lo. Então, perdemos a noção da quantidade de demos que foram feitas. Mas imagino que bastante (rs).
Carrascu: Um fato curioso a cerca do primeiro álbum da banda intitulado inicialmente como "Watch the End" gravado entre os meses de março e dezembro de 2002 onde a própria banda mandou prensar apenas 120 cópias desse material por falta de grana. Depois arranjaram o selo Force Majeure Records que prensou mil cópias, porém o nome mudou para "Death: In the Name of...". Porque aconteceu essa mudança? Sugestão (ou pedido) da gravadora ou vocês mesmos decidiram isso?
Rodrigo: Quando gravamos o nosso primeiro álbum, fizemos as 120 cópias como uma promo, pra que pudéssemos enviar pra gravadoras e vender algumas nos shows também. E o motivo de terem sido apenas 120 cópias, foi grana mesmo, a gente não tinha como investir mais do que isso, por isso era extremamente importante arrumar uma gravadora. Então, pra causar uma boa impressão, fizemos uma capa e intitulamos o álbum como "Watch the End". Esse álbum foi lançado no Japão, em versão fita K7, por uma gravadora chamada "Sabbathid Records", com o título "Watch the End" e a capa original. Quando a Force Majeure Records lançou nosso álbum, eles preferiram trocar a capa do álbum e o título. Na realidade, não foi bem uma "sugestão" da gravadora e, sim, uma imposição, heheheheh... Mas gostamos da capa nova, que realmente ficou melhor do que a anterior. Nós não gostamos muito da decisão da gravadora mas, depois, percebemos que fazia muito sentido e que foi o melhor pra banda.
Carrascu: Você tem alguma noção de quantas cópias a Sabbathid Records distribuiu no Japão? Porque você acha que a sugestão da gravadora ficou melhor que a anterior criada pela própria banda, quais as diferenças entre o nome e capa criados por vocês com a que a gravadora impôs? 
Rodrigo: Foram lançadas 200 cópias pela Sabbathid Records, foi uma edição limitada.
Ideológicamente, não tem muita diferença entre as duas capas. O significado que gostaríamos de passar se manteve, porém, a capa criada posteriormente ficou algo mais profissional. Quanto ao nome, "Watch the End" é também o nome de uma música que consta no disco, porém, não expressava tudo o que o disco representa. E o nome "Death: In the name of..." foi pensado e escolhido em conjunto pela banda e a gravadora.
Carrascu: Notei que nas capas da demo e do Watch the End a logo da banda era de uma maneira, depois que a gravadora veio com a capa e o novo nome do debut de vocês, a logo mudou. Essa mudança foi outra imposição da gravadora ou como ela surgiu?
Rodrigo: Foi uma sugestão da gravadora. A gente tinha o hábito de fazer tudo nós mesmos e o resultado não ficava tão bom. O logo antigo foi idealizado pelo Myke e desenhado por mim. Mas não ficou muito simétrico. Quando o desenhista criou a capa nova, fez esse logo pra ver o que a gente achava e a gente gostou. Mesmo porque se mantiveram alguns detalhes do logo antigo, o que é importante, pra que se saiba que é a mesma banda.
Carrascu: Aproveite e fale mais sobre esse debut CD, como foram as críticas a respeito desse material? O que esse ele trouxe de bom para o Kremate?
Rodrigo: O lançamento de "Death: In the name of..." foi um divisor de águas na história do Kremate. A maior parte das críticas a respeito desse material foram ótimas. Isso fez com que muita gente se interessasse em adquirir nosso álbum e também em levar o Kremate pra se apresentar em shows. Á partir daí, deixamos de ser apenas uma banda de garagem, que se apresentava no cenário underground e bebia cerveja com a galera. E passamos a ser apenas uma banda de garagem, se apresentando no cenário underground, bebendo cerveja com a galera, mas, pelo menos, tendo um material de qualidade boa pra galera curtir, rs.
Carrascu: Logo após, o Kremate grava a música Aftershock do Anthrax para o Tributo Brasileiro a banda norte-americana. Como surgiu esse convite? A gravação dessa música foi com a mesma formação que gravou o debut ou houveram mudanças? Aproveite e comente um pouco sobre esse material, que está disponível para download no site http://www.anthrax.com.br/.
Rodrigo: Esse convite não veio diretamente ao Kremate. Foi o Rodrigo da Force Majeure Records que nos informou sobre o tributo, que seria lançado pela Collision Records. Então, como a gente gosta muito do Anthrax, entramos em contato com eles e fomos aceitos no tributo. A gravação dessa música foi feita com a mesma formação do debut. Foi uma grande honra pra gente ter participado desse tributo. Ouvi as versões das outras bandas participantes, ficaram muito boas. Algumas lembravam muito a versão original, outras foram versões com a cara da banda que as executava. No caso da música que gravamos, ficou uma versão bem diferente da original, dá pra perceber que é o Kremate tocando.
Carrascu: E os shows da banda, como tem sido ultimamente? Estou sabendo que a banda esteve um tempo parada, mas recentemente voltou com uma nova formação, comente sobre isso e apresente os novos membros da Kremate.
Rodrigo: Realmente, em 2007 a banda fez pouquíssimos shows. E até mesmo ensaios não aconteceram com muita freqüência. Isso se deve ao fato de que os antigos membros da banda estavam tendo algumas dificuldades para conciliar o trabalho, a vida pessoal deles e a banda. Então, em 2008, a banda precisou de uma renovação. Os integrantes escolhidos para os lugares vagos foram os irmãos Rodrigo Mota (bateria) e Regi Mota (guitarra) e, para o baixo, Anderson Paes, restando assim apenas eu, Rodrigo Schmidt (guitarra/vocal), da antiga formação. Á partir de então, o Kremate voltou à todo gás, com composições novas e muitos shows. Aliás, não me lembro de um ano em que o Kremate teve tantos shows como está tendo em 2008. E estamos tendo um grande apoio e receptividade do público, que está gostando dessa nova fase.
Carrascu: Agora com essa nova formação e completando 10 anos de existência em 2008, quais são os planos para comemorar essa primeira década de vida da Kremate? Novo álbum sendo planejado? Algum show comemorativo? Conte-nos.
Rodrigo: A gente vêm comemorando a cada show que o Kremate faz. Não só os 10 anos de banda, como também o fato de estar conseguindo um ótimo "recomeço". Estamos terminando de compôr as músicas do próximo álbum. Esperamos começar a gravá-lo em dezembro desse ano. Eu tive essa idéia de um show comemorativo dos 10 anos de banda, mas não faria muito sentido pra mim e, talvez, não fizesse sentido pros novos integrantes também, tendo em vista que eles estão na banda há menos de um ano. De repente, um show onde os antigos integrantes pudessem comparecer e tocar as músicas antigas comigo e, depois, tocar as músicas novas com os novos integrantes. Mas ainda não há nada concreto, apenas essa idéia.
Carrascu: A cena Thrash Metal brasileira, na minha opinião, é uma das melhores do mundo pois tem uma característica ímpar, aquela pegada oitentista por exemplo ainda é muito utilizada por outras bandas como Violator, Bywar, Devil on Earth e mais umas dezenas de bandas por ae. Como você tem enxergado o underground brasileiro nos últimos anos, principalmente no estilo em que vocês tocam?
Rodrigo: A cena Thrash Metal cresceu muito nos últimos anos. Me lembro de quando começamos a tocar com o Kremate, quando não haviam tantas bandas de Thrash Metal e, também, não haviam tantos fãs do estilo. Naquela época, não costumava rolar um festival apenas com bandas de Thrash Metal, era preciso mesclar os estilos musicais para que viesse um bom público. O que não foi ruim, pois conhecemos muita gente que são até hoje grandes amigos. Porém, onde quero chegar é no fato de que, hoje em dia, um show apenas com bandas de Thrash Metal consegue trazer um público grande. O estilo cresceu muito nos últimos anos e isso se deve às bandas e aos thrashers que resistiram às novas tendências, e a gente se orgulha de ter feito parte disso.
Carrascu: O surgimento do MP3, para o Kremate, tem sido um vilão ou serviu de grande ajuda? O que você pensa a respeito desse assunto que sempre é polêmico?
Rodrigo: A internet e o MP3 são de grande ajuda, não há como negar que eles facilitam muito na divulgação de bandas do underground. O que atrapalha é o mal uso desses recursos. Por exemplo, aquelas pessoas que adquirem um disco inteiro de uma banda em MP3 e não têm o interesse em adquirir o material original. Em alguns casos, isso não atrapalha diretamente a banda, mas sim as gravadoras. Mas uma coisa puxa a outra. Por exemplo, uma gravadora que sabe que não terá lucro com um material lançado, por saber que não haverá vendagem, deixa de lançar um álbum de uma boa banda. De um jeito ou de outro, acaba atrapalhando um pouco. Então, na minha opinião, se a pessoa quer baixar o álbum em MP3, sem problemas, baixa pra conhecer a música, mas, se gostar de ouvir, adquiram o material original.
Carrascu: Agradeço pela entrevista, desejando outros duradouros anos de vida para o Kremate e deixando registrado aqui o que você já deve saber: sempre haverá espaço para a banda na GoreGrinder Web Zine. Valeu e sucesso dentro de seus objetivos!
Rodrigo: Nós que agradecemos você pelo espaço cedido!!! E asseguramos que, independente de quantos anos mais o Kremate viver, estaremos sempre erguendo a bandeira do underground brasileiro. Aproveito pra deixar um salve pros leitores do GoreGrinder e dizer aos thrashers esperem pelo nosso próximo album que já está sendo preparado pensando em vocês!!! Valeu!!!!!
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Marcelo Urbano  comentou:
Grande Kremate!!!
Toda sorte pra esses caras, uma banda muito foda de camaradas.
Força ao Kremate e ao GoreGrinder
23/04/09 às 08:45 Hs
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