Facada é uma banda que, apesar de ser relativamente nova, ganhou espaço e muito reconhecimento com seus dois trabalhos, uma demo e o CD Indigesto. O baixista e vocalista da banda James nos conta tudo sobre o Facada, desde sua estréia num show em Natal/RN até os planos para o futuro da banda agora com uma nova formação.

Entrevista feita por Carrascu e publicada no dia 19/02/2008
Carrascu: O Facada tem pouco tempo de vida, fez 4 anos em setembro, e nesse tempo já possui uma demo e um CD, ambos muito elogiados pela mídia especializada. Nesse tempo que a banda existe, quais foram as maiores dificuldades enfrentadas até agora?
James: Velho acho que as dificuldades são sempre as mesmas que toda banda passa: dinheiro e falta de tempo pra investir. Temos que fazer outras coisas pra sustentar algo que você adora. No nosso país não há condições de ter uma banda no nosso estilo como meio de vida como lá fora, o que seria maravilhoso pra gente se dedicar 100% ao que gostamos de fazer. Mesmo assim, a gente faz o que pode pra manter o negócio de pé.
Carrascu: Após um show do Subtera vocês decidiram se reunir para ensaiar, chamando o Ari que tocava no Diagnose, para assumir o posto de guitarrista. Nos conte como foi o primeiro ensaio da banda e o primeiro show, que se realizou fora do estado em que vocês vivem.
James: Foi tudo muito tranquilo e tivemos uma sintonia imediata. No 1º ensaio já foram feitos 3 sons. Ficamos muito empolgados e fomos trabalhando. Tínhamos (temos) outras bandas, mas nenhuma conseguiu nos proporcionar o que o Facada nos deu, sem rebaixar as outras lógico. Até nos assustamos por quê não era uma coisa programada, foi acontecendo: sem treta, sem jabá, sem falsas amizades, sem fofoca...tudo bem natural. Nosso 1º show foi em Natal (RN) e acho que foi um dos nossos melhores. Acho que a energia daquele dia e a força que a galera deu pra gente foram essenciais para que continuássemos o que estávamos fazendo. Até hoje. Estamos querendo fazer outro show lá, tanto pra rever grandes amigos como pra receber essa energia novamente.
Carrascu: A banda é nova mas já fez muitos shows, passando por cidades como Brasília, Goiânia, Presidente Prudente, Londrina, Maringá, São Paulo, Santos, Campinas e etc. Essa grande quantidade de shows se deu, principalmente, pelo fato da demo estar excelente e ter chamado muito atenção ou mais pelos vários contatos que vocês possuem? Como tem sido esses shows?
James: Foi uma soma das coisas: a demo ser boa, a gente estar lançando o Cd, as amizades que fizemos nesse meio tempo (chamar de contato é muito superficial), a galera passando os sons, o boca a boca rolando. É como eu disse: foi tudo natural, nos programamos para que tudo acontecesse da melhor forma possível e a galera nos ajudou bastante. Acabou que deu tudo certo. É muito bom você chegar nos lugares e conhecer as pessoas que só vemos na tela do computador ou só ouvimos falar. Saber que elas existem e poder apertar a mão delas é muito gratificante.
Carrascu: Falando na demo auto-intitulada lançada em 2004, quando vocês entraram no estúdio para gravar, como vocês fizeram para explicar ao produtor a maneira da qual vocês queriam que ficassem as gravações? Há uma referência musical em especial que inspirou vocês na maneira em que foi gravada a demo?
James: Na verdade acho que não levamos nada não, nenhuma referência específica pra soar como ninguém. Talvez, juntamos várias coisas que a gente queria já, como o som do bumbo, da caixa, as guitarras graves...Mas a gente entrou em estúdio já sabendo o que queria, o que facilitou bastante o trabalho, tanto nosso quanto dos caras do estúdio.
Carrascu: O debut CD já estava praticamente pronto na cabeça de vocês quando gravaram a demo, tanto que tinham músicas sobrando na época da gravação. Explique o porque do nome "Indigesto" e o que as letras das músicas falam?
James: Vou roubar essa resposta do Ari que ele deu em outro site: ““Indigesto” é o nome de uma música e achamos que combinava bem como título por causa da letra que fala sobre um cara amargo, misantropo, niilista... Acho que alguém normal deveria se sentir um pouco assim todo dia vendo a merda do mundo que vivemos. Se alguém quiser conhecer a letra compre o cd com o C.D.C”. Nossa maior matéria-prima são as pessoas. Acreditamos que 98% da humanidade é feita de completos idiotas (até nós podemos estar nessa estatística), então nada melhor do que escrever sobre as fraquezas, valores vazios, importâncias a coisas pequenas da humanidade em geral. Podemos falar com propriedade das pessoas que estão perto da gente e na qual observamos a falta de noção de várias delas. Cada som vai pra alguém e qualquer um pode se reconhecer em qualquer letra.
Carrascu: Para quem nunca ouviu o Facada e gostaria de saber como é o som da banda, como tu faria para explicar? Com quais bandas você acha o som de vocês parecido?
James: Rapaz acho que o som que a gente toca é Chibatada...aheuhuahuuhe. Se for pra colocar um rótulo colocaria apenas grindcore, mas temos muitas referências nos sons: death e black metal, hardcore, thrash, fora outras coisas mais obscuras. É difícil falar: nossa banda é parecida com essa aqui, porque eu sinceramente não acho parecido com nenhuma outra (alguém de fora pode falar melhor), mas com certeza nosso som tem elementos que remetem à outras bandas do estilo. Porém nosso grindcore é diferente do que o Hutt ou que o Subcut faz por exemplo. Faz assim: mistura o Terrorizer, o Morbid Angel velho e o Napalm, a gente fica entre eles....aheuhuahuhuehae
Carrascu: No nordeste tem uma porrada de banda boa, quais você destacaria atualmente? E no Brasil, quais bandas você tem curtido mais ultimamente?
James: Essas perguntas são sempre capciosas e acabo SEMPRE esquecendo de algumas, mas...vamos a elas: Tem o Obskure (que tá lançando novo disco), Scatologic Madness Possession, Catarro, Diagnose, Fratelli, Expose Your Hate, Outset, Rabujos, Cremador, Inrisório, Feculent Goretomb (que está voltando), Betrayal, Triturador, Chronic Infection, Maleficarum, De Alphyrian...ixi, tem muita banda foda. Fora as do nordeste tem o Deranged Insane (PR), Subcut, Hutt, AYG?, Satanique Samba Trio, Scumbag (projeto dos Violator com o Felipe cdc), Presto?, Horrificia, RHD, I Shit on Your Face e o Facada que é bonzin também...aheuhuahuueae
Carrascu: Sobre a cena underground, qual sua opinião sobre o que está aí? Você acha que com o alto número de bandas gringas vindo pra cá está dando alguma força por nosso underground ou isso é irrelevante pois nossa cena é tão rica quanto as de fora?
James: Sinceramente, acho que poucas pessoas levam a sério a cena de verdade. Muitos tem uma ilusão de união, mas na verdade muitos lutam apenas por si (raro algumas exceções), outros procuram reconhecimento dos seus pares, enfim, na verdade é só uma cópia do que a sociedade real é. Isso como "cena" estabelecida e denominada. Enquanto banda, acredito sim, que as bandas gringas vindo pra cá, muito possa ser aprendido, discutido e divulgado. E sim, nossa cena é muito rica em bandas e criatividade, porém muitos também não levam a sério sua própria banda, apenas importando a "atitude", a vestimenta e o discurso, esquecendo qualidade de composição, de gravação e de show.
Carrascu: O MP3 tem sido alvo de discussão já faz alguns anos, desde quando foi possível baixar álbuns completos pela internet. Qual sua opinião sobre esse fenômeno? Tem ajudado ou prejudicado nosso underground?
James: Acredito que temos os dois lados da moeda. Enquanto antes tínhamos que nos virar pra conseguir uma demo-tape de uma banda da Europa, muitas vezes reproduzida pela milésima vez, ou senão esperar o vinil sair nacional (o que às vezes durava 5/6 anos de atraso e se saísse...) ou senão comprar gringo mesmo pelos olhos da cara, realmente o acesso era foda, era pra quem queria de verdade ter aquilo. Então era como um tesouro, dava-se o verdadeiro valor por aquilo. Passava-se dias, semanas escutando aquele lançamento que demorou pra caralho, custou dinheiro e esforço. Hoje o acesso é bem mais fácil, porém tudo torna-se meio que descartável. Se saiu o novo de alguma banda, você vai na Internet, procura, baixa, escuta uma vez e ele fica ali guardado... pode-se descartar a qualquer hora e pegar de novo. O excesso de informação às vezes prejudica. Lógico que para a divulgação é perfeito: rápido, barato e seguro, mas muito pouco torna-se realmente algo que você dê o real valor aquilo.
Carrascu: Explique a recente modificação na formação da banda e os planos do Facada daqui em diante.
James: Depois da turnê de 2006 pelo centro-oeste/sul o Ari (guitarrista) foi morar na Alemanha, então a banda deu umas férias em 2007. No final do ano, decidimos ensaiar com outro guitarrista por que o Ari não tinha ainda noção de como ficaria sua vida lá. Porém ele não saiu da banda, continua lá (inclusive tá montando uma banda de crust lá com um italiano), mas ta fazendo som, agilizando uns contato pra uma possível turnê pela Alemanha enquanto a gente não pára por aqui. Já temos alguns sons novos e estamos ensaiando pra em breve voltar a tocar novamente.
Carrascu: Valeu pela entrevista, espero que o Facada faça muitos shows e lance mais materiais porradas como tem lançado, e que venha tocar aqui no sul pois estou louco pra ver um show de vocês! Abração e fique a vontade para deixar suas últimas palavras nessa entrevista.
James: Valeu pelas excelentes perguntas, estamos doidos pra voltar a tocar e espero que em breve nos vejamos por aí! Grande abraço.
Compartilhar
Mais sobre:
Resenha curta:
1 MP3 online:

Envie seu comentário sobre essa matéria!

Nalti  comentou:

po quando vcs vem tocar aqui no RN? falaram q seria no festival nada, falaram q vinham no festival doSOL AFINAL QUADO É Q VCS VEM? o ultimo som q vi de vcs foi no festival CURTO CIRCUITO NO ESTAÇÃO RIBEIRA se eu não me engano foi em 2006 o som de vcs esta cada ves melhor aparece ai po VELEL

05/10/10 às 02:05 Hs
Allison Ukrurku  comentou:
Muito boa entrevista, e o que ele disse sobre o underground é sério, falta união verdadeira.
11/03/09 às 14:39 Hs
Marinho  comentou:
Puta que Pariu Show de bola a entrevista cara. Vi um Show do FACADA este ano aqui em Joo Pessoa. At ento no conhecia a banda, s tinha ouvido pelo myspace. A performance dos caras foi simplesmente FODA!!!!!
16/10/08 às 09:56 Hs
Marcos   comentou:
entrevista facada arrebenta !!
27/02/08 às 17:48 Hs
Souza/subcut  comentou:
ai carrascu.. parabens pela entrevista e o novo formato do zine.....
s tenho uma cosa a dizer sobre esses galados do facada.... eles so PHODA..... tanto como banda , mas como pessoas e amigos que eles so!!!!!
abrao ai a tds....

JAMES....... AI DENTRO VIU!!!!!
hauhauhuha
21/02/08 às 18:20 Hs
Enrique DxDxOx  comentou:
Muito boa a entrevista, Facada na guela heheh
20/02/08 às 12:38 Hs
Murillo (inrisrio)  comentou:
Bela entrevista. Parabns a ambos. Fora!
19/02/08 às 18:34 Hs
Phbr  comentou:
Ficou massa, bem elaborado as pergutas. Parabns!
19/02/08 às 18:00 Hs
Nome:
E-mail:
Texto:
=

Parceiros