Infernal é uma das principais e mais antigas bandas de metal extremo de Curitiba. Formada em 1986 pelos integrantes Marcelo (vocal) Danilo (Tuono Violino), Covero (Baixo) e Edi Tolotti (Bateria). Trazendo um Death Metal de muito peso, com pegadas Thrash, blasfêmias e o grande diferencial pois não utilizam guitarra.

Entrevista feita por Filipi e publicada no dia 18/09/2007
Filipi: Saudações! Gostaria aqui, antes de começar essa entrevista, agradecer ao Infernal e o Danilo pela colaboração do envio do material e também de ceder esta entrevista. No começo de 2007 vocês lançaram o CD/DVD chamado “Rehearsal Vídeo”. Conte-nos um pouco sobre o processo de composição do mesmo.
Danilo: Antes de tudo, também quero agradecer a você Filipi e ao GoreGrinder Zine, pelo apoio e espaço, para divulgarmos nosso trabalho.
Bom, o DVD/CD “Rehearsal Vídeo”, que ainda está em fase de finalização, surgiu de uma idéia inicial para promover o lance do violino, pois sabíamos que se gravássemos um CD, o pessoal quando escutasse não iria acreditar que era um violino mas sim, uma guitarra com um timbre diferente. Pois isso que estamos fazendo de substituir a guitarra pelo violino de 6 cordas é algo totalmente inédito.
E no decorrer, como houve um interesse muito grande pela galera em adquiri-lo, resolvemos então, complementá-lo com mais bônus e vende-lo também.
Ele será um material bem interativo:
6 músicas em vídeo com clima de ensaio;
6 músicas em áudio;
Algumas músicas de shows mais recentes;
E mais bônus como wallpapers, pôsters, entrevistas, book de fotos e etc.
E por enquanto ele é independente, ainda não negociamos com nenhuma gravadora, vamos ver o que rola daqui em diante.
Filipi: Como as músicas do Infernal são compostas? Quem faz as músicas, letras e arranjos?
Danilo: Na maioria das vezes, sou eu que apresento alguma idéia de música e o Marcelo faz as letras. Mas na banda sempre a composição foi compartilhada por todos, todos metem o bedelho nos arranjos de todos, hehehehe, daí as músicas não são só de um ou de outro mas sim de todos.
Filipi: Vejo que neste CD todas as músicas são inéditas, não contendo nenhuma em álbuns anteriores, porque o propósito foi de chamar esse CD/DVD “Rehearsal Vídeo” e não dar nome para ele? Seria para divulgação de uma nova fase da banda?
Danilo: Sim, é como já falei, queremos mostrar além de uma fase nova da banda o lance do violino, e essa idéia é um coisa que eu queria fazer já há alguns anos.
Pois, eu toco violino há muito tempo e via as grandes possibilidades para ele no Metal e depois da tour pela Europa em 2002, comecei a construir um protótipo e quando consegui finalizá-lo comecei a adaptá-lo a banda.
Então no DVD, algumas músicas foram construídas no violino e outras foram adaptadas, mas nós tocamos também outras músicas velhas de outros materiais no violino.
E o nome surgiu “Rehearsal Vídeo” da tradução “Gravando o Ensaio”, pois queríamos mostrar um lado que não é muito explorado nos DVDs, que são os ensaios, tipo coisa como: “Puta merda errei, vamos de novo...” aqueles lances mais naturais que ocorre sempre nos ensaios.
Filipi: Como está repercutindo o “Rehearsal Vídeo”? Esse material também está disponível fora do país?
Danilo: Ele está muito bom e a galera que já teve a oportunidade de vê-lo só tece elogios, que está do caralho, que a idéia do violino é muito boa, que as imagens estão dez. Mas ele ainda não foi disponibilizado para fora, queremos logo fazer isso.
Filipi: Depois desse lançamento, como foram os shows?
Danilo: Tem rolado, mas não tanto como queríamos, porém a gente vê que essa realidade não é só nossa mas num geral das banda aqui no Brasil. Esperamos que isso mude pra todos, agora que rola bastante interesse por parte de muita gente pra ver na real o violino banda, rola, e quando vêem ficam de queixo caído e os comentários sempre são ótimos.
Fizemos no dia 07/07 um show em Lodrina/PR e tinha galera de lá, de Campé, Cornélio e outras cidades próximas e todos vinham falar comigo, que tinham ido e estavam na espera pra ver o violino pois eles viram na internet, e a reação foi a mesma, do caralho, não precisa da guitarra e etc.
Filipi: Vocês são de uma época que o metal funcionava bem diferente dos dias atuais. Diga-nos algo de relevância na diferença daquele tempo aos dias de hoje, e também do globo que envolve o metal tanto em Curitiba quanto no país na opinião de vocês?
Danilo: Olha, o que eu posso dizer é o seguinte: nos dias atuais, na minha opinião e vejo que não é só a minha, a internet veio pra ajudar mas também prejudicou e muito as bandas. Por que? Pois tem muita galera que não compra material da banda pois existe tudo na internet, não vão nos shows por que prefere ficar em casa vendo os mesmos pela internet. E daí onde fica, desde aquele apoio humano até o financeiro para as bandas? E isso eu acho que também contribuiu para o distanciamento dos Headbangers, tanto dos novos como dos velhos entre os novos, antigamente todo mundo se conhecia por cartas ou por outros meios, ou pelo menos queria isso e hoje não é assim.
Tem muita gente curtindo Metal, mas não sabe nem o que é a palavra Headbanger... muito menos frases como “A UNIÃO FAZ A FORÇA” ou “LUTAMOS PELO METAL” e tantas outras.
Mas é isso aí, estamos continuando e cada vez mais caminhando em novas eras, mas é diferente.
Filipi: Como você já citou, o Infernal já fez shows fora do Brasil. O que rolou de interessante no shows e bastidores?
Danilo: Bom meu caro, é simplesmente fenomenal, lá você realmente pode viver e respirar metal o dia inteiro e todos os dias.
Outra, o que é negociado é realizado, os caras lá são muito profissionais, coisas como:
Cachê antes de subir no palco;
Comida quente e apetivos free;
Beras e outras também free;
Transporte e estadia como negociado;
A galera vai ao show, compra material, agita pra caralho e ainda entra nos camarins e pede mais, enfim, apóiam muito as bandas.
Lá os caras achavam que nós éramos muito malvados no palco pois fazíamos muitas caretas e agitávamos muito, mas do que vimos nos 5 países que fomos, os caras são uns parados e nem parece que estão tocando metal hehehehehe.
Mas foi como eu já falei, muito dez, conhecemos muitas bandas além da galera, vendemos muito material e fizemos bons contatos.
Queremos agora, que a banda está estruturada, novamente voltar.
Filipi: Vejo que no Infernal passaram membros que tocam em outras bandas muito conhecidas do cenário nacional. De que forma esta demanda de músicos contribuiram, além da experiência?
Danilo: Na real, não contribuiu muito e sim prejudicou, pois sempre esse entra e sai de músicos fazia a banda estagnar por um tempo, até achar outro substituto.
Como por exemplo a saída do Mauricio (batera) em 2002, após a tour da Europa, fez com que perdessemos a outra tour que já estava sendo agendada para abril de 2003 e como levamos quase 2 anos para encontrar outro, já viu o que a gente perdeu.
Mas tudo bem, vendo pelo lado positivo da coisa, muita gente passou pelo Infernal e fizemos muitas amizades que duram até hoje, além de criarmos uma larga experiência músical.
Filipi: Eu estava conferindo os músicos que já tocam com o Infernal, percebi que o atual baterista de vocês tocou, ou ainda toca, no Deliver, cuja banda tem temas opostos a proposta do Infernal. Isso aconteceu com o Hellhammer, baterista do Mayhem, que foi muito criticado por ter tocado em uma banda de white metal. Como vêem essa crítica a vocês, se é que ela existe? Vêem de maneira construtiva ou de modo arrogante por parte das pessoas?
Danilo: Não, até agora você foi o primeiro que levantou essa questão, mas para nós o que interessa é que ele vista a camisa da banda, que por sinal já o fez, e que toque.
Ele conhece a ideologia e temáticas da banda e para ele isso não interfere em nada e até concorda e apóia.
Filipi: Escutei muito bem aqui o material enviado e realmente é muito difícil de perceber que não se trata de uma guitarra, fora ao começo da música “Entrails Invaded” e aos 1:47 da “Metal in Blood”, que pelo o timbre lembra um violão cello distorcido. Alguém realmente sem saber deste fato, chegou até vocês detectando não ser uma guitarra?
Danilo: É, nós chegamos a conclusão que para um primeiro material, seria melhor o DVD pois realmente até no estúdio os cara comentavam que se fechassem os olhos nunca iriam dizer que era um violino mas sim, uma guitarra com um timbre diferente.
E daí você vê que nós acertamos em fazer primeiro, para divulgar essa idéia, o DVD pois ele mostra imagens do que está rolando.
Acho que depois de bem divulgado isso poderemos lançar um CD, e não correr o risco do pessoal cair em algum tipo de polêmica ou descrença do que estará ouvindo.
Filipi: Qual é a reação das pessoas em ver uma banda de metal extremo utilizando esse equipamento inédito?
Danilo: Como já falei anteriormente, a galera curtiu um monte, no começo do show todos ficam apreensivos mas quando o som rola eles ficam de boca aberta sem poder acreditar e depois se matam de agitar, eu acho muito tesão hehehe.
Filipi: Em uma entrevista para o Portal do Inferno, disponível no YouTube, eu notei que o som do violino era perceptível, diferente do produzido no CD e ao vivo. Este fato foi pelo o microfone do entrevistador ter captado o som perto do instrumento sem efeito ou ele tem essa característica?
Danilo: Acho que é o seguinte, nas músicas da banda eu estou dosando certas coisas ou melhor, certos sons mais característicos do violino pois a minha intenção é não enfiar muitos sons de violino pois isso talvez possa descaracterizar o estilo, mas ao mesmo tempo quero sim, colocar outras coisas e técnicas desse instrumento, mas sempre com a preocupação de manter o estilo.
E na entrevista, foi enfocado não só o lance na banda e sim também o violino e eu toquei coisa mais de violino.
Filipi: Novamente sobre o Violino Tuono, qual foi a maior dificuldade de adaptar esse instrumento ao peso?
Danilo: Na real, nenhuma pois ele tem 6 cordas e dessas 6, duas mais graves do que o tradicional. E agora já estou tocando com um de 7 cordas, é muita corda hehehehe.
Ele tem um alcance que vai mais grave do que uma guitarra de 6 cordas.
Um comentário que o nosso novo baixista me fez esses dias: “Por que você me chamou, você não precisa do baixo pois o seu violino 7 cordas já é mais grave do que o meu baixo 4 cordas” e rimos muito.
Filipi: Vocês chegaram a fazer shows fora do Brasil com o Violino Tuono? E desde quando o ultilizam?
Danilo: Não, ainda não.O violino teve sua primeira subida ao palco no dia 15 de abril de 2005 num show que fizemos aqui em Curitiba junto com o Korzus e o Choke.
Filipi: Gostaria de agradecer a entrevista! Desejo boa repercussão com o trabalho do Infernal, bastante shows e deixo aqui um espaço para sua manifestação!
Danilo: Meu caro amigo, se você me permite chamá-lo assim, agradeço desde já o seu apoio e espaço que pudemos utilizar para além de divulgar o nosso trabalho, e a idéia do violino, também discutir sobre outros assunstos em relação a banda.
Espero que essa discussão que tivemos aqui, venha solucionar temas ou questões que sei que podem surgir dos seus leitores e estou a disposição de todos para novas discussões e críticas.
E agora chega de falar muito e longa vida ao Metal e muito metal na veia pra todos.
Os que quiserem conhecer mais sobre a banda é só acessar:

http://www.youtube.com/results?search_query=infernal-entrails+invaded
http://www.youtube.com/results?search_query=infernal-metal+in+blood
http://www.youtube.com/watch?v=E9w0boC6V0E
http://www.portaldoinferno.com.br/ver_entrevista.asp?id=101
Compartilhar

Envie seu comentário sobre essa matéria!

Nome:
E-mail:
Texto:
=

Parceiros