Nessa entrevista, o baixista e vocalista da banda Insanity, George Frizzo, nos conta um pouco sobre a história da banda, seus lançamentos até então e detalhes de como será o próximo álbum deles programado para começar as gravações no meio desse ano, ainda fala sobre as letras das músicas da banda e os processos de composição da parte instrumental. Veja a entrevista que segue abaixo.

Entrevista feita por Carrascu e publicada no dia 04/09/2003
Carrascu: A banda teve sua primeira mudança em Abril de 1996, seguindo como trio até 2001 quando entra na Insanity mais um guitarrista. Qual foi o motivo que fez com que a banda, depois de 5 anos como power-trio, colocasse mais um integrante?
Frizzo: Bem, o motivo foi que em 99 a gente estava se preparando para fazer uma mini tour pelo sul do país (com Nervochaos e Disgorge(USA)) quando o Alberto começou a trabalhar em atividades que tomariam muito o seu tempo e conflitando com os compromissos da banda. E, mesmo ensaiando e compondo como um membro oficial ele não podia fazer shows com a gente. Então para essa tour a gente convidou o Josh, que tocava na (extinta) banda Monasterium, para nos acompanhar. Mas, assim que voltamos nos deparamos com o mesmo problema. O Josh era do Monasterium e mesmo assim residia em Teresina, o que é bastante longe de Fortaleza. Então convidamos o Clayton para se juntar a banda assim podermos cumprir com os compromissos de shows. Mas sempre ensaiando com dois guitarristas (Alberto e Clayton), e, principalmente, compondo material para o nosso próximo disco. O mais engraçado, é que passaram-se dois anos nessa situação, de termos 2 guitarristas, mas só um toca ao vivo, que agora estamos voltando a tocar ao vivo com toda a nossa formação, com o Clayton na guitarra base e a volta do Alberto para a guitarra solo.
No início da banda a formação era de duas guitarras, então quando o Clayton se juntou a nós, não foi dificil nos adaptarmos a nova formação. O resultado é que ganhamos em potência sonora e uma nova cabeça criativa para ajudar nas composições.
Carrascu: Em 1998 a banda tem finalizado o então segundo CD intitulado "Product From a Sick Mind", sendo que após as gravações a banda sai atrás de um selo e encontra a antiga Muvuca Records (atual Tumba Records). Como foi essa "saga" atrás de um selo para o lançamento do "Mind Crisis" e porque vocês mudaram o nome do CD?
Frizzo: "Product..." foi um nome que se encaixava perfeitamente no conceito do disco que, posteriormente, foi chamado de "Mind Crisis". A mudança se deu porque "Product..." era um nome grande e um pouco difícil de se decorar. Mas acho que conseguimos condençar toda a idéia de "Product..." no nome de "Mind Crisis". Bem, a Muvuca não era antiga ná época, eles estavam para lançar o primeiro cd do Nervochaos, e nós fomos o segundo CD lançado por ela.
Carrascu: Na divulgação do "Mind Crisis" a banda abriu para o Sepultura em Fortaleza/CE. Como foi abrir para uma banda de grande nome mundial e tocar para mais de 5000 pessoas?
Frizzo: Para mim pessoalmente foi como um sonho realizado, pois sempre fui fã do Sepultura, ouvi todos os discos da banda e era algo imaginável que algum dia abriríamos o show do Sepultura. Para o Insanity foi uma batalha conquistada, pois não é fácil termos shows de grande porte aqui no nordeste e ainda mais tocarmos nesses grandes eventos. De modo geral foi muito importante para nós termos tocado nesse show pois pudemos provar que aqui no nordeste também tem banda que faz um trabalho sério a ponto de conquistar um espaço do lado de uma banda conceituada mundialmente, que é o Sepultura. Mas esse show também não diminui a importância que foi termos tocado ao lado de outras bandas também importantes para o Heavy Metal nacional e mundial, como Rotting Christ, Genocídio, The Mist, Krisium, Disgorge, Monasterium, Nervochaos, Subtera (na época Core), Overdose, Siecrist e tantas outras com quem temos tocado ao longo desses anos.
Carrascu: Quantos shows a banda fez desde o início de sua carreira em 1989 e qual deles foi o mais especial pra banda?
Frizzo: Não faço a menor idéia do número exato de shows que fizemos ao longo desses tempos, só sei que foram bem mais que uma banda underground brasileira de metal e bem menos que deveríamos ter feito realmente. O que acontece é que no Brasil ainda não dispomos de um esquema de shows respeitável, precisamos de pessoas sérias que organizem eventos seriamente, respeitando bandas e público. Felizmente existem pessoas assim, mas são poucas. Não é o suficiente para sustentar um número, que cresce cada vez mais, de bandas de metal Brasil afora. Lá fora, tanto nos EUA quanto na Europa bandas tocam de quarta-feira a domingo, ininterruptamente, em lugares diferentes e sempre para um público considerável. Isso aqui é completamente impossível, pois se há lugar para shows, o público não comparece. Se no lugar tem bastante banguers, os lugares para shows são inexistentes, se o lugar é legal e o publico comparece, as bandas não recebem nenhum dinheiro pelo show, e por ai vai. E esses problemas existem em todo o Brasil. Sem falar que se criou uma cultura de so se ir em shows na Sexta e no Sábado, o que dificulta muito uma mini tour, de um mês, para uma banda do nordeste fazer no Sul ou uma banda do Sul tocar por aqui no norte Nordeste.
Carrascu: A cena Metal Nordestina tem crescido muito ultimamente, grandes bandas estão fazendo shows fora do Brasil e há pessoas que trazem bandas grandes para tocar nessas regiões. O que você acha dessa cena Metal Underground Cearense na atualidade?
Frizzo: Não vejo que a cena tenha crescido tanto assim. É bem verdade que tem aumentado o número de bandas que começam a tocar e fazer shows. E tem aumentado o número de shows com bandas de outros estados e até de fora do pais, mesmo que ainda poucos. Mas, veja bem, o numero de bandas novas aumentou mas a produção dessas bandas continuam poucas, e mesmo assim ainda se peca em relação ao material que essas bandas apresentam. Algumas realmente capricham no material, fazem um site bacana e divulgam seu som de forma correta e profissional, mas a maioria ainda se mantém nos ensaios e shows para os amigos. Isso é triste. Mas acredito em melhoras sim, não sou tão pessimista. Com a facilidade de divulgação das bandas através da gravação dos CD demos e dos sites está tudo praticamente na mão das bandas. Todo o processo desde a fabricação, divulgação e distribuição. É só acreditar no próprio trabalho e batalhar muito para adquirir reconhecimento.
Carrascu: Os planos do Insanity atualmente é de entrar em estúdio no meio do ano para gravar seu terceiro trabalho. Como estão os preparativos para o já intitulado "Impure"?
Frizzo: Exato. Mas antes pretendemos fazer alguns shows para vermos como as músicas novas funcionam ao vivo. Já temos bastante músicas compostas para entrarmos em estúdio no meio do ano para gravarmos o nosso terceiro disco. Esse disco será chamado de "Impure", e posso te adiantar que as músicas estão mais sujas e experimentais, mas mais pesadas e sombrias.
Carrascu: Este CD vai conter quantas músicas e quem ficou a cargo da produção gráfica desse álbum?
Frizzo: Ainda não fechamos o número de músicas que entrarão no disco. Até porque ainda estamos em processo de composição. Mas a parte gráfica já temos definido, eu me encarregarei com toda a parte gráfica. Pois tenho desenvolvido um trabalho de arte gráfica para capas de disco para outras bandas e acho que posso fazer um bom trabalho para a minha própria banda.
Carrascu: Quais são as expectativas da banda para o lançamento do "Impure"?
Frizzo: Não pensamos nisso. Não pensamos no que, ou quem conquistaremos com esse novo disco. Não criamos expectativas futuras. Procuramos trabalhar o disco de acordo com o que queremos tocar agora, de como queremos o nosso som. Se ele agradar às pessoas no futuro, ótimo. Mas nossa expectativa é em gravarmos e termos um resultado que nos agrade acima de tudo.
Carrascu: Tem alguém que cria as letras da banda ou todos os integrantes participam das composições das mesmas?
Frizzo: Nosso processo de composição é muito simples, construímos uma música a apartir de um riff de guitarra ou uma melodia. Esse processo se dá em ensaios e jam sessions onde todos da banda colaboram. Posteriormente, com a música quase toda pronta, eu venho com as idéias dos samplers e da letra, eventualmente ajudada pelo Bruno. Mas isso não significa que seguimos esse método como um padrão de composição Insanity. Podemos simplesmente ignorar esse processo e criar uma música nova de outra forma. Na verdade não seguimos regras.
Carrascu: Geralmente as letras são baseadas em quais assuntos?
Frizzo: Nossas letras falam de problemas que estão a nossa volta. Manipulação das mentes através da mídia, confusão de consciência causado pelo excesso de informação, fraqueza interior, procura de algo inexplicável através da religião, ignorância do ser humano. São os principais motivos pelo qual existem problemas como guerra, fome, desrespeito pela vida, pelo ser humano. Nossas letras tratam de temas diretamente ligados a nossa sociedade. O perigo que nos amedronta. A perda da razão e da consciência do homem pelo próprio homem. Em "Impure", abordamos esses assuntos, mas com uma visão muito pessoal, de alguém que se vê como receptáculo de toda essa neurose pré-apocalíptica. Somos um só e ao mesmo tempo todos. O forte precisa do fraco para ser forte, o são precisa do insano para pensar que é saudável mentalmente.
Carrascu: Obrigado pela entrevista, agora esse espaço é para sua mensagem final para os leitores da GoreGrinder Web Zine.
Frizzo: Queria agradecer à você Carrascu, por esse espaço cedido e a todos aqueles que quiserem entrar em contato com a banda para adquirir material, CD, e mesmo trocar idéias é so escrever. Mantenham-se insanos!
Contatos:
A banda finalizou suas atividades.
Compartilhar

Envie seu comentário sobre essa matéria!

Nome:
E-mail:
Texto:
=

Parceiros