A Bestial Atrocity completa 16 anos de vida em 2007, e apesar da banda ter todo esse tempo, por um longo período a mesma se manteve parada. Abaixo entrevisto o vocalista e único integrante original Baron Von Causatan, que nos explica esse período de inatividade da Bestial Atrocity e dá mais detalhes de seus lançamentos e planos que a banda tem em mente.

Entrevista feita por Carrascu e publicada no dia 11/07/2007
Carrascu: A Bestial Atrocity completou ano passado 15 anos de fundação, porém passou de 1994 até 2005 inativa. Quais foram os motivos que fizeram a Bestial Atrocity ficar parada por todos esses anos?
Baron V. C.: Exatamente em 2006 a banda comemorou seus 15 anos de formação, mas permaneceu por 11 anos adormecida. O que motivou essa parada foi um problema de formação que não pode ser contornado na época. Eu sai da banda em agosto de 1994, devido a opções de estilo que os outros da banda queriam seguir, mas que não era viável para mim e nem para o nome Bestial Atrocity. Com a minha retirada, eles tentaram seguir um novo caminho em outro estilo, mas não passaram de alguns meses tentando sem achar um caminho exato e se separaram definitivamente. Eu fiquei por quase dois anos parados até poder retornar com alguma banda, quando entrei para ser o primeiro tecladista da formação na banda Satanaquia, da mesma cidade, fiquei por algum tempo na banda, mas depois me retirei para poder me dedicar a minha filha que estava para nascer e ao mesmo precisava me dedicar ao trabalho para poder sustentar a família. Quando minha filha chegou a uma idade mais avançada finalmente pude pensar em retornar com a banda de forma definitiva, mas nesse tempo todo sempre fiquei observando se acharia músicos para me acompanhar na cidade, o que não acontecia, quando o momento de retomar a banda surgiu e pude achar pessoas sérias e certas para o retorno, a Bestial Atrocity renasceu e aqui está após quase dois anos de seu retorno.
Carrascu: Em 2006 vocês gravaram 8 músicas ao vivo e lançaram o promo "B.A.C.K. (Bestial Atrocity Creating Kaos)" comemorando a volta da banda. Onde e como foram gravados esses sons? Como tem sido a receptividade do mesmo?
Baron V. C.: Este material ao vivo foi gravado em nosso segundo show de retorno, ou seja, a banda estava junto à apenas 05 meses e acabamos gravando esse material, não é perfeito, mas é o que a banda estava fazendo na época e vale para manter vivo esse retorno para sempre. Tocamos todas as músicas prontas, novas ou antigas e mesmo os covers, e disponíveis na época. O show foi realizado em Piracicaba, nossa cidade natal, em 09 de abril. O material foi todo gravado através de um computador instalado diretamente na mesa de som, ou seja o que se ouve no CD é todo o som que a mesa recebia e não o que saia para o público, mas é por isso mesmo que fica interessante, aquela tosqueira e chiadeira de um show underground está lá, tem coisa melhor do que isso??? O mais puro som underground ao vivo sem essas modernices de overdubs e coisas do tipo, que as bandas grandes fazem sem vergonha...por ser um material novo que o pessoal pedia na época, foi bem interessante ver que o pessoal realmente veio atrás do CD com muito interesse e curiosidade. Ficamos felizes por isso, pois isso mostra que o retorno da banda foi acertado e que o som que fazíamos no passado, não se perdeu com a nova formação e nem com o tempo, pelo contrário, estamos muito bem atualizados, sem perder a energia e sentimento antigo dos anos 80 e início dos anos 90.
Carrascu: E sobre as letras da Bestial Atrocity, muito voltadas para o satanismo, mas no entanto a banda diz ter influências do Grindcore das antigas, inclusive executavam covers de bandas clássicas do estilo como Fear of God e Napalm Death, a influência do Grindcore na banda é apenas instrumental ou também lirica? Vocês ainda praticam esses covers ou hoje a banda tomou rumos diferentes?
Baron V. C.: As letras são de pura heresia, satanismo e outros assuntos como antigas civilizações, pessoas de destaque negro em nossa história humana, assim como rituais de magia negra e sacrifícios. Isso é a base de nossas letras, então poderão nos ver falando de religiões celtas antigas (muito antes disso tudo virar moda), rituais, heresias puras e um sentimento satânico puro. Tudo o que uma mente livre pode pensar e procurar oferecer sem medo do que ouvirá contra!!! A música do antigo Bestial Atrocity tinha um feeling de Grind Core muito intenso, ao mesmo tempo que havia doses de Death, Black e Doom Metal em nossas músicas sem preocupação. Não tínhamos medo de misturar o que achávamos interessante misturar mesmo. Sempre tocamos aquilo que gostamos e adaptamos ao nosso estilo, sempre foi assim e isso não vai mudar. Tanto que hoje fazemos uma versão de Onslaught mais rápido e pesado e o pessoal responde muito bem em nossos shows, assim com a nossa versão do Bathory para a música Hades, onde até algumas pessoas que vem manter contato conosco pelo myspace e a ouvem, acham muito interessante, pois fazemos o cover, mas ao mesmo tempo soando um pouco diferente da versão original e dando um toque pessoal da banda. A postura lírica do Grind Core não existe dentro da Bestial Atrocity por uma opção nossa, o Grind Core clássico trás mais conceitos políticos e sociais, algo que prefiro não associar à Bestial Atrocity. Deixemos isso para as bandas que estão nos estilos que sempre abordaram isso. Black Metal e Death Metal não são e nem foram criados para falar de política e problemas sociais. Todos na banda podem discutir sobre isso, mas em rodas de bar e no dia a dia quando acharmos por bem o fazer, mas não em nossas músicas e algo que envolva isso. Hoje não tocamos mais Fear Of God e Napalm Death, pois foge totalmente do conceito atual da banda, mas pelo contrário deixamos de ouvir as bandas nessa linha, pelo contrário ouvimos muito todos os estilos de Metal sem preocupação e trazemos ao nosso som tudo aquilo que de melhor cada um pode oferecer e fazer do nosso Satanic Black Death Metal, uma mistura de Metal dos anos 80 e clássico por si com o mais extremo do Metal nos dias de hoje. Quem ouve o nosso som pode estar certo que sempre vai perceber essas influências e essa opção por um estilo assim.
Carrascu: Como foi a reunião da volta da banda em 2005? Você já conhecia esses integrantes? Quais foram os principais objetivos traçados por você quando recrutou o pessoal da banda?
Baron V. C.: Quando pensei em retornar com a Bestial Atrocity em 2001 ainda, não conhecia ninguém que poderia estar comigo na banda, pois fiquei um tempo fora da cena local, apenas trabalhando e cuidando da família. Quando comecei a retornar à cena, tive que reciclar muita gente que conhecia, pois eles sumiram e nunca mais voltaram, nesse meio tempo fui pensando e falando com velhos amigos da região também. Como nada acontecia, fui esperando a hora certa. Em 2005, tive a oportunidade de conhecer o R. Dekapitator que um dia me ligou e comentou que a banda que ele e o Cadaver estavam não estava caminhando legal e assim poderiam se juntar à mim no retorno da banda, com isso só ficava o problema de arranjar um baterista. Na procura de um, o Tumor encontrou comigo em uma loja de CD e conversamos, mais ou menos uns 5 dias depois eu liguei para ele e marcamos um encontro com todos e assim a banda começou a acontecer novamente. O principal de tudo era ter a certeza de que cada um conheceria e ouviria Metal anos 80 e ao mesmo tempo o som extremo dos anos 90 e atual, para assim formar o que seria o som da Bestial Atrocity atual, numa junção com o que era no passado. Com essa certeza, ao final das contas estamos juntos a quase 02 anos.
Carrascu: Agora nos conte mais sobre esse novo trabalho de vocês, o "Odes to Satan".
Baron V. C.: Odes To Satan é a primeira demo da banda em 16 anos que foi gravada em estúdio, então para mim isso é um fato muito importante. Antes foram “lançados” ensaios, gravações de shows que até eu mesmo nem tenho mais ou que se perderam no tempo. Por sinal se alguém lendo a entrevista tiver algo entre em contato comigo, pois desejo estar pegando cópias desses materiais. São 07 músicas, sendo um cover do Bathory, que fazem uma mescla de sons antigos e novos da banda. É um trabalho simples e que até, meio que sem querer, ficou com uma sonoridade bem anos 80, pois esse trabalho nem foi masterizado, apenas mixamos e colocamos pra divulgar.
Carrascu: Quem foi o responsável pela arte da capa?
Baron V. C.: A arte da capa, eu apenas fiquei procurando uma imagem que pudesse ter algo haver com o título e acho que esta ficou perfeito. Eu editei toda a arte final do trabalho, não é nada assim que seja uma perfeição, mas de acordo com a maneira que trabalhamos e que preferimos, ficou até “bonita” demais para um lançamento da Bestial Atrocity, tão acostumada com tosquerias.
Carrascu: Recentemente vi no blog do MySpace da Bestial Atrocity uma mensagem de vocês dizendo que a banda não suporta idéias NS. O que vocês acham dessas idéias de racismo pregado por algumas bandas de Metal pelo mundo? E você não concorda comigo que é ridículo ter uma banda NS no Brasil? O cara tem um pé na senzala e quer dar uma de nórdico!!! Se fuder!!!
Baron V. C.: Pois é, não diria que a palavra suportar seja a mais correta para aplicarmos, mas eu diria que a Bestial Atrocity prefere se afastar desse tipo de bandas, por uma simples opção de cunho ideológico. Cada um tem o direito de escolher suas idéias, mas eu acho errado envolver esse tipo de questão racista e política com o Metal num todo, assim como envolver com cristianismo, evangelização e coisas do tipo. Mas por mais que não desejamos aceitar, vivemos num mundo que, se na prática não é tão assim, vivemos num mundo livre, onde todos tem direito de se expressar. Mas assim como todos, eu tenho o direito de discordar e ao mesmo tempo de preferir não me envolver com esse tipo de bandas. Errado ou certo haver nazistas no Brasil, é algo complicado, afinal já é mais do que comprovado de que o Brasil abriu as portas para os nazistas fugidos ao final da 2ª guerra. Então, existir pessoas compactuando com essa ideologia no país no passado e nos dias de hoje é até normal infelizmente. Não acho que funcione isso, mas é opção de cada um mesmo, eu me isolo e pronto. Eu tenho descendência austríaca, espanhola e até negra em meu sangue e tenho orgulho de toda essa mistura, pois essa é a prova de que sou um verdadeiro brasileiro, sem me preocupar com um estado separado dos outros ou preocupado com a limpeza de um tipo de pessoas do mundo para que eu possa viver nele. A história está mais do que comprovada, o ser humano se originou do continente africano e assim sendo todos temos um pé na senzala!!!!
Carrascu: Desde sua volta a Bestial Atrocity vem fazendo um número bom de shows, e já tem vários shows marcados para esse ano, a maioria em Piracicaba por enquanto. Desde sua volta, como tem sido a receptividade do público ao vivo? Existem fãs que ainda reconhecem músicas de 93 hoje em dia nos shows?
Baron V. C.: Nossa agenda de shows veio sendo boa para uma banda underground realmente, ainda mais sem um CD para promover, apenas uma demo em 2006. Agora em 2007 já estamos com um material novo, mais músicas sendo escritas e o ritmo não pára mesmo com os shows, agora é esperar e ver o que vai acontecer daqui por diante, queremos explorar outros estados e levar a nossa música para outros estados que nunca viram o Bestial Atrocity ao vivo, mas que sempre estão em contato conosco e comprando o nosso material. Por isso esperamos que nesse segundo semestre de 2007 e até mesmo ao entrarmos em 2008, com uma agenda bem cheia com certeza e promovendo ainda mais material novo. O público que tem nos visto realmente tem nos apoiado muito, isso é excelente mesmo e dá uma motivação ainda maior!! Pior que sim, temos músicas que o pessoal vem pedir pelo nome direto, seja das antigas quanto novas...o foda é que vemos pessoas até cantando junto algumas música, o que é estranho mesmo ao vermos, pois somos uma banda que vive no underground e isso acaba rolando...é muito foda mesmo!!! A música Elizabeth Bathory foi a última escrita com a antiga formação e uma das mais pedidas e esperadas do antigo repertório, nunca tocamos tanto essa música ao vivo com a antiga formação quanto temos tocado ela hoje com essa formação.
Carrascu: Deixo aqui o último espaço nessa entrevista para seus últimos comentários. Agradeço muito pela atenção dispensada, desejando o máximo de sucesso para a banda dentro de seus propósitos. Sigam firmes e fortes, em prol do Underground!
Baron V. C.: Quero lhe agradecer pelo espaço que nos deu, foi um prazer poder levar ao Goregrinder as nossas palavras e assim divulgar a banda ao pessoal do sul e esperamos muito em breve podermos tocar por essas terras e mostrar o nosso som a vocês. Lembrem-se que o underground é a essência do Metal e isso é o mais importante, não adianta valorizar as bandas gringas que vem ao nosso país e esquecer de apoiar as bandas que vivem no underground. Dêem suporte ao underground indo aos shows, apoiando as bandas, lendo zines e fazendo a correria junto com todos que se dedicam ao underground!!!!
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