Soulscourge de Florianópolis/SC vem trazendo desde abril de 2006 um doom metal muito mais que depressivo e arrastado como estamos acostumados a escutar no gênero. Com o clima carregado de morbidez coloca as musicas em uma atmosfera pesada passando pelo o ouvinte questionamentos existenciais e carnais como o nome já sugere.

Entrevista feita por Filipi e publicada no dia 20/06/2007
Filipi: Quero agradecê-los pela a entrevista antes de tudo! Como foi o processo de composição da demo "Prelude to Tragedy"? Sei que cada integrante possui suas influências e características, como vocês fizeram para adequar com o objetivo do Soulscourge?
Void Mortem: É um grande prazer para nós!! O processo de composição se deu de forma totalmente desencanada e espontânea! Nameless surgiu de um improviso, fomos adaptando até se tornar o que está no cd. Redemption eu já tinha praticamente pronta, apenas montamos os arranjos de teclado e os solos de guitarra. Carve my Agony surgiu no primeiro momento em que nos juntamos para ensaiar (risos). Éramos apenas eu, a Winterlitany e o Gwrath Chaos. Pusemos para gravar e saiu do nada. E a intro (Spiritus Inferi) o Gwrath fez sozinho. Chegamos no ensaio e ela já estava lá (risos). Temos um estúdio caseiro onde ensaiamos e gravamos. Isso torna tudo muito mais fácil.
Filipi: Qual é a principal fonte inspiradora para a confecção das musicas? Quem as compõe?
Void Mortem: Muitas, muitas mesmo! O Soulscourge foi montado com a proposta de fazer um Doom Metal à 'moda antiga' digamos assim. Ou seja, o mais pesado e mórbido o possível. Acontece que cada integrante tem suas próprias influências que vão do Stoner Rock ao Black Metal passando por metal tradicional, música clássica, Gothic, Death Metal e até Hard Rock (risos). Isso acabou tornando nossa sonoridade de certa forma até meio difícil de definir. Já na parte lírica procuramos tratar de assuntos reais, perturbadores, tristezas, frustrações, mágoas, ódio, coisas que no fundo todas as pessoas guardam dentro de si, mas tentam esconder de si próprias agarrando-se na maioria das vezes em uma falsa felicidade, seja ela provinda de uma vida monótona ou de uma crença inútil. É como se tirássemos essa máscara e cutucássemos em uma ferida exposta. Feridas se curam, mas cicatrizes são para sempre. Esse seria o 'Flagelo da Alma'. Quanto a quem compõe, na verdade todos contribuem de alguma maneira, seja em um tema, um arranjo, uma letra.
Filipi: Como foi feita a confecção da demo "Prelude to Tragedy" para a distribuição? Conte-nos para quem enviaram e como adquirimos o material?
Void Mortem: Foi feita de maneira totalmente independente, tanto a gravação como a parte gráfica. Gravamos no nosso estúdio caseiro e o Gwrath praticamente cuidou de tudo, da gravação, da mixagem final e da parte gráfica do cd. Estamos muito contentes com o resultado final e esperamos que os fãs do estilo apreciem! Enviamos para algumas revistas e vendemos alguns em shows. Não temos nenhuma distribuidora, mas quem quiser comprar o CD é só entrar em contato com a gente spiritusinferi@gmail.com, ou então podem ouvir e baixar o cd no site www.myspace.com/soulscourgedoom.
Filipi: Como está sendo repercutido?
Void Mortem: A repercurssão está sendo muito boa! Na verdade melhor do que esperávamos. Estamos conquistando fãs em todos os estilos musicais o que é muito bom (risos). O mais engraçado é que tem fãs de Gothic Metal que adoraram a Nameless que é mais agressiva, enquanto muitos fãs de Black Metal elogiaram bastante a Redemption que por sua vez é mais lenta e melancólica. Quando esse tipo de coisa acontece você começa a perceber que acertou (risos). Muitos WebZines também tem nos apoiado e podemos dizer que estamos cada dia mais realizados com os resultados do nosso trabalho.
Filipi: Vejo aqui na capa algo muito interessante da demo, que é uma foto de uma menina e uma parte de uma boneca, como se estivesse sido violentada. Escuto também algumas passagens do teclado e aliado a essa imagem da capa sinto um clima de violência intervindo na inocência da criança da foto, principalmente na música Nameless (aos 2:15) e Carve my Agony. Seria um dos intuitos da banda passar algo parecido?
Void Mortem: Engraçado você comentar isso, pois eu nunca tinha analisado aquela figura dessa maneira. Você acabou de achar mais um significado (risos). Aquela imagem transmite perfeitamente o clima do CD, que é exatamente isso, algo arruinado, uma inocência perdida, uma vida destruída. Como já disse antes, nossa temática mexe muito com esse lado existencial um tanto auto-destrutivo e a capa acaba sendo uma espécie de pano de fundo para tudo isso, como a beleza e esperança que existiram um dia e o tempo transformou em cinzas.
Filipi: Como é para os outros integrantes Chagash (Baixo) e Gwrath Chaos (Bateria) administrar o tempo com Soulscourge entre suas outras bandas?
Void Mortem: E eles ainda arranjam tempo para encher a cara de vez em quando (muitos risos). O Chagash é baixista e vocal do Austhral e o Gwrath tem o Still Life, o Warkings, o Yellra, o Selvagens da Monareta e não duvido que enquanto eu respondo essa entrevista ele esteja montando mais alguma banda (risos). O cara é uma espécie de maníaco (muitos risos). Mas falando sério, no fim eles sempre dão um jeito e isso nunca foi problema para o Soulscourge.
Filipi: Quem confeccionou o logo? Possui alguma inspiração que ajudou no seu formato?
Void Mortem: Foi um grande amigo nosso e fã do Soulscourge de Minas Gerais, o Matheus Pegoraro (Storm Thor) que criou o logo. Não teve nenhuma inspiração em especial, ele desenhou alguns e nós escolhemos o que julgamos ser mais apropriado. Simples assim.
Filipi: Como anda a grade de show?
Void Mortem: Atualmente estamos concentrados em compor material novo. Temos apenas um show confirmado, aqui em Florianópolis dia 23/06. Mas estamos em busca de oportunidades para fazermos shows em todos lugares possíveis em breve! Se alguém tiver interesse por favor nos contate!!!
Filipi: Recentemente vocês participaram das eliminatórias do Wacken Open Air no Brasil, conte-nos como foi a experiência.
Void Mortem: Foi algo totalmente inesperado para nós. Quando vimos que estávamos selecionados ficamos de certa forma espantados. Foi uma ótima experiência participar do Wacken Metal Batlle, poder tocar em Porto Alegre e dividir o mesmo palco com bandas de excelente qualidade e que já estão na estrada á muito tempo como o Distraught por exemplo. Chegou a ser meio estranho, pois a banda completou 1 ano de existência exatamente no dia do show, e tínhamos ao nosso lado bandas com anos de história. Ficamos naquela de: "puta que pariu, que responsa" (risos). Mas o show foi ótimo, fomos muito bem recebidos pelo público e pelos outros músicos e esperamos poder voltar a tocar por lá assim que possível.
Filipi: Aproveitando para falar em festivais, vocês não acham meio carente os festivais para o tipo de som que o SoulScourge está propondo? Ou não há necessidade de algum festival específico para a proposta?
Void Mortem: Não acho que seria necessária a criação de um festival exclusivamente voltado ao Doom Metal. Acho até que nem seria viável, já que o público desse tipo de som ainda é relativamente pequeno no Brasil. Sinceramente prefiro festivais mistos, pois assim é mais fácil divulgar o som para outro público também.
Filipi: Na região de onde é o Soulscourge, qual é a visão de vocês quanto ao público que escuta e gosta deste tipo de som?
Void Mortem: Como disse antes, nossa música acabou atraindo diversos públicos de estilos diferentes. Aqui em S.C. aconteceu o mesmo. Não temos do que reclamar (risos). Mas no geral, fãs fiéis ao Doom Metal por aqui são poucos. Mas esses poucos fazem a diferença pois estão sempre nos shows, buscam material, apóiam mesmo!
Filipi: Qual a música que mais chama atenção no público e teve maior procura?
Void Mortem: Qual mais chama a atenção eu realmente não sei dizer. Mas a mais rodada no Myspace até o momento foi a Nameless. Nos shows acho que todas acabam despertando atenção mais ou menos da mesma maneira, seja a Nameless por ser mais agressiva, a Redemption pelo clima épico ou a Carve My Agony pela veia mórbida e gutural.
Filipi: Vocês já possuem novas músicas?
Void Mortem: Sim! Estamos com duas músicas novas. "A Nightmare Soundtrack", com um clima bem "funeral" e sinfônico, e "Drowning Inner Torment" que ficou bastante agressiva. Temos outras idéias que estamos trabalhando, mas prontas mesmo no momento são essas. Quem quiser pode assistir "A Nightmare Soundtrack" ao vivo em Porto Alegre no Youtube.com.
Filipi: Como andam os preparativos para o clipe que está para ser gravado? Qual a previsão para sair o clipe e qual música pretendem escolher?
Void Mortem: Estamos listando o que será necessário e buscando novos talentos para as cenas interpretadas (risos). Acredito que começaremos a gravar no começo de Junho, e a música será a "Carve My Agony".
Filipi: Bem termino aqui a entrevista, agradeço novamente e deixo um espaço reservado para comentar sobre o que lhe sentir vontade!
Void Mortem: Obrigado a todos do Goregrinder pelo apoio. Foi um grande prazer conceder essa entrevista! Agradecemos a todos nossos amigos e fãs que tanto tem nos apoiado. A todos os fãs de Metal sombrio espalhados pelo Brasil : Estamos ansiosos para poder encontra-los pessoalmente, tocar para vocês e, óbvio, tomarmos todas juntos (risos). "Tragedy is coming in"!!!! KEEP DOOMED
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