O Hierarchical Punishment completou no último mês de março 13 anos de estrada. Nessa entrevista, o baixista Carlos Diaz nos esclarece os motivos que levam a demora do lançamento do primeiro CD da banda que já possui 16 músicas gravadas desde 2005, a sua visão do Underground nacional atualmente, planos da Hierarchical Punishment entre outros assuntos.

Entrevista feita por Carrascu e publicada no dia 01/05/2007
Carrascu: Ano passado vocês lançaram um promo-CD intitulado "My Life is Torture", que é uma seleção de 6 músicas entre as 16 gravadas em 2005 que farão parte do próximo álbum do Hierarchical Punishment. O que está impedindo o lançamento desse CD no momento? O que podemos esperar além do já conhecido promo-CD? E como tem sido a repercussão do mesmo?
Carlos Diaz: My life is a Torture foi lançado realmente como disse, como uma promo, e serviria de prévia ao disco que sairia em breve. Tivemos uma boa repercursão dos sons e distribuímos muitas cópias além de mp3 disponíveis em vários sites. Entretanto para o lançamento do CD que já está gravado, não conseguimos nenhuma parceria para lançá-lo, talvez por desinteresse dos selos, ou por falta de grana mesmo, iremos provavelmente lançá-lo pela Violent Recs. do nosso vocalista Luiz Carlos, mas mesmo assim o que emperra o lançamento é grana, assim que conseguirmos juntar dinheiro pra cobrir o custo de prensagem iremos lançá-lo. Quanto ao CD que já está gravado, sou suspeito pra falar, mas o material ficou muito bom, as composições mais bem estruturadas, tivemos um maior cuidado nas gravações quanto as regulagens dos timbres, mas sem muita frescura, pois afinal de contas tocamos death grind, tenho certeza que pra quem já ouviu a promo o CD não se decepcionará com o próximo material.
Carrascu: Em que ano você entrou na banda e como surgiu essa oportunidade?
Carlos Diaz: Bom eu entrei no Hierarchical Punishment em 2003, muito por acaso. Eu tocava numa outra banda na época chamada Ninurta de Death Doom, embora sempre tivesse os dois pés no grindcore. E nós sempre tocavámos em eventos com o Hierarchical Punishment, e em função disso nossos laços de amizades sempre foram fortes. Nessa época eles tinham 3 datas de shows marcados em cidades diferentes e o Márcio (antigo baixista) teve que deixar a banda por motivos pessoais, então o Luiz Carlos me convidou pra somente cobrir essas datas, fizemos 3 ensaios e mandamos bala. Depois do último show, tomando uma cerveja com os caras eles me falaram, você pode ficar definitivamente na banda, parece que você sempre tocou com a gente? E eu é claro aceitei na hora, e estamos até hoje nos reunindo pra compor e ensaiar sem crise e sem estresse, como uma banda tem que ser.
Carrascu: E você chegou a participar da composição de todas as músicas desse novo CD ou elas já estavam prontas quando você entrou?
Carlos Diaz: Algumas músicas já faziam parte do repertório do Hierarchical Punishment, inclusive já até entraram em outras demos da banda, outras foram rearranjadas, e houve composições inéditas também, da formação que na época gravou o CD.
Carrascu: Certo, agora nos comente o incidente que aconteceu com o ex-guitarrista de vocês, Halysson Rodrigo, que veio a falecer em 2006, nos conte como aconteceu isso e tudo o que ele representou para a banda, desde sua entrada até sua trágica saída.
Carlos Diaz: Cara o Halysson foi um raio que chegou no Hierarchical Punishment, que sempre teve apenas o Leão Gazzano como guitarrista, ele tocava no Traumma aqui da baixada santista, e estava parado há um tempo, a gente estava sentindo a necessidade de uma outra guitarra na banda, e ele foi o único teste que fizemos, chegou e ficou. Sempre foi um cara que se dedicou muito a banda, principalmente nas composições, e nos detalhes que ele não ficava satisfeito se não estivessem perfeitos, a gravação do CD se deveu em função dele, que acelerou a tomada das decisões de entrarmos em estúdio, confecção das capinhas, enfim, era Hierarchical Punishment 100% entretanto ele sempre conviveu com a Leucemia desde os 16 anos, e eventualmente ele tinha que ficar internado para fazer seus tratamentos, e numa dessas internações houve complicações e ele não saiu vivo do hospital, mas deixou músicas prontas, filho e esposa, que irão com certeza torná-lo mais presente em nossas vidas. Demoramos um tempo até nos acostumarmos com o espaço vago no estúdio, mas tudo isso faz parte da vida, a morte é a única certeza, por isso aproveitar a presença daqueles que gostamos deve ser uma premissa de todos, porquê o amanhã ninguém sabe.
Carrascu: Verdade. Bom, agora nos conte como tem sido os shows da banda? Desde que você entrou, quantos shows você fez com a banda e qual em particular você mais curtiu?
Carlos Diaz: Pra te falar a verdade, nem sei mais quantos shows já rolaram, mas foram vários, não tem nenhum em particular que tenha curtido mais, alguns com uma melhor estrutura, outros sem estrutura nenhuma, mas cada um teve sua peculiaridade, o importante é encontrar com os amigos e se divertir, mas tem uma cidade que gostamos muito de tocar que é Vicente de Carvalho, aqui na baixada, a rapaziada quebra tudo no nosso show, e isso é bom demais!!!!
Carrascu: Falando na baixada, nos comente como está atualmente esta cena? Aproveito para perguntar a sua opinião sobre a cena underground de hoje, está mais unida? Mais profissional? Ou nada disso? Expresse sua opinião quanto a esse assunto.
Carlos Diaz: Certo essa é uma pergunta complicada, moro em São Vicente, cidade ao lado de Santos. Costumo dizer que a cena aqui conta somente com poucas pessoas que realmente vão ao shows apoiar o cenário underground, a maioria é aquela mulecada que daqui a alguns anos vão dizer - Ah eu escutava isso quando era muleque - vejo os show de bandas cover (que particularmente odeio) cheios, e outros eventos ótimos com pouco público, não consigo entender isso, fui a um show do Subtera, Hutt, Facada e Moments of Gore dia desses e se tivessem 20 pessoas era muito, não dá pra elogiar uma cena dessa, fico irado, pra ter gente em show de metal aqui - sem ser cover - tem que ter no mínimo 2 meses de intervalo, senão é prejuízo pros abnegados promotores que os organizam. Quanto a união da cena eu acho que embora a falta de público pagante, a cena está mais unida sim as bandas conseguem divulgar melhor seus trabalhos com a internet, mas generalizar é complicado sempre existirão excessões à regra, aqueles que só querem denegrir o trabalho dos outros, isso sempre existirá e não só no cenário underground. Quanto ao profissionalismo, das bandas melhorou muito, agora dos organizadores, não, é difícil encontrar alguém sério, mas existem claro, neste caso estes é que são a excessão.
Carrascu: Por falar em internet, hoje em dia muitos dizem que essa é uma faca de dois gumes para a nossa cena, o lado bom seria a facilidade na divulgação de uma banda, e o lado ruim seria a comodidade de baixar CD's na internet, fazendo com que muitos não comprem mais CD's. Você concorda com esse ponto de vista? Como você enxerga a entrada da internet no meio underground?
Carlos Diaz: Eu acho excelente, e foi um fato ótimo essa explosão de bandas as quais temos acesso diariamente, eu mesmo conheço muito coisa nova do mundo todo a cada dia. Quanto à compra de CDs é um problema mais das grandes gravadoras do que da bandas, pois são eles que realmente ganham grana com a venda dos CDs. Por mim, liberaria todas as músicas do Hierarchical Punishment em MP3, e vai que vai, quem quiser baixe, se eu estiver conectado no emule você vai baixar os sons do Hierarchial Punishment com certeza, metal é minha vida, mas não vivo disso, talvez por isso tenha essa visão. Tenho amigos que primeiro ouvem o disco em MP3 e depois compram o original, afinal de contas a qualidade é bem inferior, a tecnologia está aí e não há como lutar contra isso, teremos é que aprender a conviver com ela da melhor forma, ou voltar pro vinil, o que acharia ótimo.
Carrascu: É verdade, concordo contigo, não se vive do underground, se vive ele paralelamente com sua vida profissional, eu penso assim. Então, nos conte, além de lançar o CD que já está gravado, quais são os outros planos da Hierarchical Punishment?
Carlos Diaz: Acabamos de gravar um som que vai entrar no tributo do Vulcano, e deve ser lançado ainda este ano, o resultado foi o esperado e curtimos bastante gravar um som dos caras que são uma refência para nós, além disso estamos terminando algumas composições novas já com o atual guitarrista da banda e que entrou no lugar deixado pelo Halysson, seu nome é Décio Andolini e tem se mostrado muito competente. Entraremos em estúdio novamente para gravar tais composições somente depois de lançarmos nosso CD, no mais continuamos a fazer barulho por onde quer que nos convidem.
Carrascu: Agradeço muito pela entrevista cedida, desejo toda a sorte para vocês, e que continuem firmes e fortes com a banda e em seus propósitos. Deixo aqui um espaço para seus últimos comentários nessa entrevista. Obrigado.
Carlos Diaz: Eu é que agradeço a oportunidade de falar um pouco sobre o Hierarchical Punishment para o GoreGrinder. Continuaremos com passos firmes fazendo o que mais gostamos sem pretenções ou radicalismos, e caso alguém se interesse em conhecer o som, na internet tem disponível na faixa a promo MY LIFE IS A TORTURE, www.soundclick.com/hierarchicalpunishment, Força à todos!!!
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