Plague Rages completa 10 anos de estrada, e na bagagem vem um currículo extenso com muitos lançamentos. Nessa entrevista, o único integrante original da banda, o guitarrista Mané nos conta um pouco sobre toda essa década de banda, seus momentos difíceis, uma comparação da cena underground de antigamente com a de hoje em dia, além de divulgar detalhes do split com o Unholy Grave que será lançado em breve.

Entrevista feita por Carrascu e publicada no dia 26/08/2006
Carrascu: São 10 anos de estrada, muitas mudanças de formação, discografia imensa e o principal de tudo: Vontade de continuar. Nos resuma a história da banda e conte qual é a maior dificuldade em manter uma banda por uma década inteira?
Mané: Olá Carrascu, antes de mais nada, obrigado pela oportunidade cara, meu, acho que você na verdade até fez um bom resumo do Plague Rages. Dez anos de banda, com algumas mudanças na formação e tal, infelizmente elas acontecem, acho que isso complemente a segunda parte da pergunta cara, uma das dificuldades em manter uma banda ativa tanto tempo é, dentre outras coisas, achar pessoas que tenham pique para tocar juntos por tanto tempo, tipo, o interesse das pessoas muda saca, as pessoas amadurecem, tem vida particular e tudo isso influi para querer deixar de tocar, mas sempre procuramos encarar mudanças na formação como algo que possa ser uma melhora para a banda, felismente isso ocorreu todas as vezes, principalmente agora, que estamos com o Xopo na bateria destruindo tudo na velocidade da luz e o Antonio que é uma máquina de fazer riffs cara, se deixar ele faz um disco por semana, com esse novo gás a banda volta a crescer e a divulgar seu material, se quando um membro deixa a banda, e isso vale para qualquer banda, a banda encarar isso como uma questão que não tem mais conserto, com certeza a banda acaba cara. Outro fator importante é a amizade saca, isso é muito importante dentro de uma banda saca, a banda é como se fosse uma família véio, todo mundo tem que se ajudar e caminhar para que a banda cresça. Claro que as dificuldade hoje são diferentes das que encontramos em 1996 (local de ensaio, instrumentos, etc), creio que hoje, com o número excessivo de bandas uma das maiores dificuldades seja fazer com que as pessoas escutem sua banda, vão até seus shows, etc, infelizmente a cena hoje se tornou uma réplica do competitivo e filho da puta mundo capitalista nesse ponto saca, é triste mas é verdade, tudo bem que hoje em dia a cena tem mais profissionalismo no que diz respeito a qualidade de shows e lançamentos, mas tem o lado ruim dessa competitividade que muitas vezes não é saudável cara.
Carrascu: E o que tu apontaria, mais detalhadamente e citando exemplos, de ruim no cenário Underground hoje em dia? Será que o "profissionalismo" de algumas bandas acabaram fazendo com que muitos achassem que é possível viver de uma banda underground no Brasil?
Mané: Não creio que viver de banda seja possível, pelo menos de bandas verdadeiramente underground saca, acho difícil, tem algumas pessoas que vivem de selo, saca, isso é bom pois essas pessoas acabam por fazer CD, 7 ep´s com qualidade muito superior as que eram lançados anteriormente, nisso a profissionalização da cena ajudou muito saca, pois temos CD´s aqui que não devem nada para material gringo, mas o que acho ruim é que as vezes as pessoas não conhecem uma ou outra banda por que essa banda não tem como investir num material gráfico melhor, ou ainda não faz o som da moda, mas a banda não deixa de ser boa, ela só termina por viver na obscuridade por que as pessoas não procuram mais aquilo que a mídia não divulga, assim uma banda com mais chances de colocar seu material na net, ou ainda que tem um selo dando uma força tem mais chances de se tornar grande dentro do underground saca, isso meio que prejudica as bandas menores, tem muita banda muito foda aí que nunca tocou em show foda pois não tem os amigos certos nos lugares certos saca, pois qualidade a maioria das bandas tem de sobra saca, é meio o que acontece com o mundo cara, a globalização esta chegando a cena cara, infelizmente.
Carrascu: Concordo em algumas partes onde você diz que existem, não só no Brasil mas em qualquer lugar do mundo, bandas muito boas porém morrem logo por justamente não estarem em evidência, não terem uma motivação além do gosto de fazer som. Mas, você concorda comigo que a maioria dessas bandas geralmente não correm atrás, ou seja, seus integrantes só se encarnam em fazer som e nada mais, não buscam contato com gravadoras, ou até mesmo, em divulgar em massa o seu trabalhos independentes entre outras coisas?
Mané: Concordo cara, muitas vezes nego espera cair do céu as coisas, e isso é uma bosta, mas tem muita banda que merecia estar num lugar melhor, com condições melhores mas não tem chance pois tem outras bandas sendo divulgadas nos meios que citei que toma espaço saca por isso que eu falei que uma dificuldade hoje é fazer sua banda ser escutada hoje em dia, tem muita banda cara, muita mesmo, e não tem pelo menos uma banda cada um saca. Por isso que mesmo as vezes o cara corre atrás, faz uma puta correria e a banda não vira, pois tem outra, as vezes ruim ou com pessoas arrogantes tocando (não esta raro hoje em dia), aí nego não consegue escutar uma ou outra banda boa por isso.
Carrascu: Quando você cita bandas que correm atrás e mereciam estar num lugar melhor, você citaria entre essas bandas a Plague Rages? Como você enxerga a sua banda no meio desse fato que você citou sobre o nosso underground nos dias de hoje?
Mané: Cara, acho que se o Plague não cresceu mais foi por uma série de fatores, dentre eles nós mesmos, tivemos, no caso eu tive já que sou o único da formação original, acho que se tivéssemos investido mais em alguns pontos no passado estaríamos maiores do que hoje, a cena deu uma reviravolta justamente numa época em que eu não podia dar tanta atenção para a banda quanto ela precisava, e infelizmente não pude contar com as pessoas que tocavam comigo na época, hoje em dia sei que posso contar com os os demais membros do Plague Rages pois sei que é importante para eles que a banda cresça saca, mas esses 2 ou 3 anos que não pude dar muita atenção para a banda hoje fazem falta e temos que correr muito para compensá-los. Nesses 10 anos de banda fizemos muitos amigos e divulgamos nosso material para o mundo, deste modo eu não incluiria o Plague Rages nessas bandas que mereciam estar num lugar melhor pois acho que dentro do que trabalhamos hoje e do que trabalhamos no passado conseguimos colher bons frutos, já que nunca sonhamos em viver de banda e sim vivemos para tocar Grindcore, estilo de música que amo cara, essa porra esta no meu sangue véio.
Carrascu: Cara, se tu pudesse voltar no passado para concertar algumas coisas na tua vida e enfim poder fazer o que acha que seria o melhor pra banda estar num patamar melhor, o que seria? Em que pontos vocês investiriam mais?
Mané: Não constumo me arrepender cara, mas acho que demoramos muito para divulgar a banda na internet por exemplo, pois nenhum de nós tínhamos net em casa, isso atrapalhou bastante, teríamos de ter tocado mais também, investido em gravações melhores, outra formação talvez, mas o principal de tudo é que a cena da qual surgimos praticametne acabou e demorou para nos "adequarmos" na nova cena que surgia saca, creio que isso ajudaria.
Carrascu: Beleza! E esse split com o Unholy Grave cara, como surgiu essa oportunidade? Vocês gravaram quantas músicas pro split? Conte mais detalhes desse trampo que está quase pronto!
Mané: Cara, a oportunidade veio do Julio, ex batera do Stomachal Corrosion, ele estava afim de investir num selo e queira fazer um lançamento com uma de suas bandas preferidas, o Unholy Grave, aí ele me perguntou se o Plague Rages não queria ser a outra banda do CD, cara, quem que toca grind não quer ter um CD com o Unholy Grave véio, na hora topamos cara, aí rolou um problemão cara, entramos em estudio e gravamos as músicas naquela mesma semana, num esquema de graça, que nosso ex baixista tinha, só que o cara do estúdio ferrou a mixagem véio, e ainda por cima demorou 4 meses para terminá-la, ou seja, íamos mandar o CD para a fábrica em fevereiro e já estávamos em abril e tudo o que tínhamos era uma gravação que servia para jogar fora, nesse meio período o Antonio entrou na banda, resolvemos gravar novamente, gravamos 9 músicas que para mim foi a melhor gravação que o Plague Rages já fez, ficou muito foda, bem brutal cara, acho que as pessoas vão gostar. O Unholy Grave vem com músicas da demo deles, uns covers e uns sons nunca lançados antes, esse CD vai ser foda, os CD´s estão prontos e devo dizer que o resultado está muito bom, agora só falta a capa para podermos sair por aí divulgando a barulheira.
Carrascu: Quem é o responsável pela criação da capa?
Mané: A capa vai ser um desenho que o Takaho, vocal do Unholy Grave, que fez, a parte deles também foi ele quem fez, a do Plague e todo o resto (parte de trás), quem tá fazendo é o Xopô, o foda que eu e ele ficamos sem micro e isso atrasou para caralho.
Carrascu: Além do split com o Unholy Grave, quais são os planos da banda para futuros lançamentos?
Mané: Bom, vamos lançar uns split tape na França, com o Vulgar Nausea, também vai sair uma 3 way tape com 2 bandas da Indonésia também, além disso vamos gravar dia 01/9 para um split CD com os malucos do Disturbance Project, da Espanha, a ser lançado na Austrália. Esses são planos já em vias de acontecer, já planos, digamos mais para o futuro distante, são uma tour pelo nordeste ou um full lenght nosso mas são só planos mesmo, sem data para serem executados.
Carrascu: Falando em full lenght da banda, a Plague Rages lançou um CD-R discografia, com todas as músicas feitas pela banda até 2004 e mais músicas inéditas, numa parceria da Bandana Records e Mulesta Punx. Como surgiu essa idéia? Foi baseada em lançamentos de bandas como Disrupt, Agathocles, Yacopsae e etc.? Nos conte mais sobre o material lançado, que vem com um poster da banda e tudo.
Mané: Cara, esse lançamento eu gostei muito, não que não goste dos outros, mas esse é meio que um livro que conta nossa história, a idéia na verdade veio do Glésio, da Mulexta Punx, ele já tinha feito isso com o Masher e eu gostei bastante, aí ele deu essa idéia para nós e claro que aceitamos cara, foi quando dei a idéia de se colocar o poster e também de dividir o lançamento por outro selo, para aumentar ainda mais a divulgação, falei então com o Julio da Bandana Records e tudo rolou, o CD-R saiu e ficou bem legal, com um encarte com comentários de pessoas que lançaram nosso material ou que dividiram splits conosco, eu gostei muito desse CD cara.
Carrascu: Nos comente mais sobre seus trabalhos além da banda. Parece que você tem um zine impresso desde 1997 e também uma pequena distribuidora de CD's, é isso? Nos fale mais sobre esses trabalhos.
Mané: Cara, na verdade meu zine não existe mais, infelizmente cara, na mesma época que tive que deixar a banda um pouco de lado tive que parar com ele também, ele se chamava Hatred. Cheguei a lançar 12 números cara, eu adorava fazê-lo cara, minha distro eu tinha dado um tempo, mas agora, que ajudei a fazer esse lançamento do Plague Rages também, vou voltar com o selo a ativa também, já temos planejado (eu e o Julio) outros lançamentos em CD-R cara.
Carrascu: Tu pode dizer quais são os planos de lançamentos em CD-R que vocês tem em mente?
Mané: Claro que sim, entramos em contato com o Derage Insane e com o Industrial Noise, estamos no aguardo da confirmação de ambas as bandas, vai ser mais um CD brutal esse.
Carrascu: Massa! Bom, voltando a falar sobre a Plague Rages, suas letras falam muito sobre política, e sabemos que esse ano é de eleição. Fazer uma propaganda em favor do voto nulo, para assim tentar conseguir maioria e obrigar novas eleições com candidatos diferentes, seria o correto ou você pensa que devemos marcar os nomes dos políticos ladrões no papel e evitar de fazer a besteira de votar neles denovo?
Mané: Cara, sou favorável ao voto nulo, claro que sabemos que ele não acabará com corrupção nem nada, quem não nasce corrupto vira corrupto depois, então você deixando de votar em um cara para votar em outro pois só estará ajudando outro cara a virar corrupto também saca, todo político é corrupto, se não se corrompeu, vai se corromper, e isso não tem mais volta, ninguém volta a ser honesto depois, é uma merda cara.
Carrascu: Então o que devemos fazer para melhorar o país? Vale a pena lutar para melhorar ou você acha que a raça humana não vale a pena e deveria ser exterminada de uma vez?
Mané: Acho que a raça humana é uma merda, a pior que pisou na face da terra cara, acho que não conseguiremos mudar o mundo nunca véio, é triste mas perdí as esperanças véio, fico até com medo do futuro que minha filha vai ter nesse mundo cara, o que podemos fazer é tentar vivermos nossa vida de uma forma que não atrapalhe a vida dos outros cara, não podemos mudar o mundo mas ainda somos donos do nosso mundo, e isso podemos fazer, podemos deixar de ser tão egoístas e pensarmos que outras pessoas vivem ao nosso redor, isso pode contribuir para um mundo um pouco menos filho da puta.
Carrascu: Concordo cara, sou da opinião que se a única lei universal fosse o respeito e o resto que se foda, seria um mundo, no mínimo, quase perfeito. Bom, chegamos ao final dessa entrevista, desejando muito anos de vida pro Plague Rages e que seus objetivos sejam sempre alcançados, com muito trabalho sério em prol do nosso Underground. Fica aqui o último espaço dessa entrevista para seus últimos comentários. Valeu!
Mané: Carrasco, valeu mesmo pela entrevista cara, curtí muito véio, obrigado pela imensa oportunidade, obrigado também pelos votos ao Plague Rages, saiba que desejo o mesmo para você e o GoreGrinder zine, que aliás merece os parabéns. Obrigado a todos que leram essa entrevista, apreciamos muito sua atenção, combatam o fascismo, racismo e toda a forma de opressão. União e Respeito sempre. Quem quiser pode entrar em contato, todos serão respondidos.
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