Para o pessoal "enturmado" na cena Grindcore do nosso país, é desnecessário fazer um breve comentário sobre essa banda que já está na estrada há 15 anos. O Subcut tem muita história pra contar, de seus integrantes originais apenas o baterista Afonso continua firme até hoje. Estão para lançar material novo e há a possibilidade deles tocarem aqui em Santa Catarina esse ano. Abaixo segue a entrevista feita com o único remanescente da banda.

Entrevista feita por Carrascu e publicada no dia 27/07/2006
Carrascu: Esse ano o Subcut completa 11 anos de estrada. É muito tempo se você levar em conta que existiram muitas bandas, nesse período, que acabaram já. Como você explica a sobrevivência do Subcut durante todos esses anos e como foi essa batalha pra se manter firme e forte nos seus ideais?
Afonso: Cara, não é fácil. Você se depara com vários obstáculos, mas você não pode desanimar. Além da falta de grana e algumas trocas de integrantes, a gente continua, principalmente porque gostamos do que fazemos. Somos uns egoístas fdp, não estamos nessa pra agradar ninguém a não ser nós mesmos, saca. Com a banda, realizamos vários sonhos, conhecemos muitas pessoas e ainda temos muita coisa pra concretizar.
Carrascu: Podemos afirmar que hoje em dia a cena está mais forte do que antigamente? Será que isso explica a volta de algumas bandas das antiga? Como você compara a cena dos anos 90 com a de hoje em dia?
Afonso: Hoje, o acesso a informações e divulgação na internet, torna tudo mais fácil e bem mais rápido. Uma comparação, nos anos 80 quantas cartas voce postava como CARTA SOCIAL?...e hoje? Email, MP3, Myspace, Orkut se tornaram muito mais eficientes e práticos do que as ditas cartas sociais. Quanto a volta de bandas antigas, não saberia lhe dizer, pois isso é muito particular de seus integrantes, porque as vezes você escuta que tal banda ressuscitou por causa da grana, mas esquece que o cara que toca nesta banda, também tem o tesão pra tocar, pra passar seus sentimentos. Então, é preciso ver os dois lados antes de malhar, saca... Comparando a cena dos anos 80/90 com a de hoje, prefiro a de hoje, mas sinto saudades dos anos 80.
Carrascu: E o que você tem a dizer sobre bandas que se dispõe a fazer barulho, um som nada comercial, e depois de um tempo acabam e dizem que o motivo principal foi a falta de apoio, de não ter conseguido uma gravadora que bancasse eles. Será que essas pessoas estão cientes do que é o underground brasileiro? Será que eles se iludiram tanto assim em achar que ganhariam dinheiro fazendo som anti-comercial ou simplismente era uma desculpa pela falta de vontade de continuar?
Afonso: Patético. Se um cara e/ou banda está nessa esperando se tornar um rock star, ou se tornar aceito num seguimento, no caso aqui, fazendo um som anti-comercial como você disse, é melhor ele trilhar por outros caminhos. Não tenho nada contra nem a favor, cada um siga seu caminho, mas esperar que alguém faça alguma coisa por você e se não o conseguir, dar uma desculpa dessa, é patético.
Carrascu: Muitas bandas estão aderindo a nossa língua como padrão em suas letras. Isso não é de agora, sabemos, mas o Subcut no início cantava (ou berrava) em inglês e passou para português em 99. Quais ganhos você destacaria nessa mudança? A importancia em valorizar o nosso país pode começar pelo ato de fazer suas letras todas em português e com isso visar nossa cena primeiramente, ao contrário da maioria das bandas que cantam em inglês para ser mundialmente compreedidas?
Afonso: Cara, na época, simplesmente optamos por berrar em português, para podermos expressar melhor nossos sentimentos, visto que nossas letras retratam nosso dia-a-dia, coisas que vivenciamos e sentimos. Talvez em outra língua, isso não ficaria explícito, pelo seu entendimento, saca... Em relação a valorizar nosso país, a valorizar uma cena nacional, cara valorizamos um mundo sem fronteiras, onde um dia possa-se ter um convivio de respeito mútuo, de igualdades, sem essa de civismo, amor pela pátria e tal.
Carrascu: As letras da banda contam sobre o cotidiano, sobre a vida social e assuntos relacionados à nossa realidade. Desviando-se um pouco sobre a banda, o que você acha que deveria melhorar no Brasil? Você concorda com protestos violentos, como aqueles feitos pelo MLST na Câmara dos Deputados em Brasília há pouco tempo?
Afonso: Conscientização da população. Não adianta você reclamar somente do governo. Tem que reverter este estado de inércia. Todo ano de eleição, é a mesma coisa, o povo se esquece e vota sem consciencia. É preciso pesquisar as propostas dos partidos e não simplesmente anular seu voto. Porque aquele menos informado continua votando naqueles que estão ai, fazendo carreira a muitos anos. Muitas manifestações são vistas como atos de vandalismo e não de mudanças, onde acabam se tornando protestos violentos, talvez não por opção dos protestantes e sim de quem lucra com isso.
Carrascu: Em ano de eleição, como você diz, é sempre a mesma coisa. Ao meu ver, parece que os partidos sempre procuram não deixar opções boas para os eleitores, fazendo com que muitos leigos, que não sabem que a maioria dos votos nulos exigirão novas eleições com candidatos diferentes, votem nos "menos piores" que ali estão. Você acha que deveríamos mesmo votar nos menos piores já que a chance de maioria nulo é quase impossível nesse país?
Afonso: Então, quando comecei a exercer essa minha arma de revolta, eu anulava meus votos, mas a partir de umas três eleições pra cá, eu comecei a analisar os candidatos e ai, mudei meu pensamento, como você mesmo mencionou "voto nulo é quase impossivel mudar a eleição neste país". Não que eu não anule hoje, pelo contrário, se no meu ponto de vista, eu não sentir credibilidade na plataforma de de diretrizes dos candidatos, eu anulo sim. O leque de opções de candidatos, seja, vereador, prefeito, governador, deputados e etc... está quase sempre vindado aos politicos de carreira. Mas a passos lentos, acredito que a mentalidade de alguns políticos possa mudar, se houver cobranças por parte da população, análise de seus atos como politico e tal. Sei que não estarei vivo para ver, mas espero que meus descendentes possam vivenciar isso.
Carrascu: Bom, falemos agora sobre os planos do Subcut. O próximo CD está já está sendo gravado, é isso? Nos conte mais detalhes sobre esse novo trabalho de vocês.
Afonso: Sim, estamos em estúdio, gravando aos poucos, por causa da grana. A intenção é gravar uns 25 sons e será editado aqui no Brasil em CD e na República Tcheca em LP. Estamos gravando algumas musicas inéditas e algumas serão regravadas.
Carrascu: Já possui nome esse novo trabalho de vocês? Em qual estúdio está sendo gravado?
Afonso: Não. Ainda não pensamos nisso. Estamos gravando aqui mesmo em Prudente. Agora quanto a masterização, talvez faremos em São Paulo.
Carrascu: E sobre os shows, como está a agenda da banda? Parece que há uma grande possibilidade de vocês virem tocar aqui na capital catarinense, isso seria a primeira vez que o Subcut pisaria nessas terras para distroçar seu fudido grindcore?
Afonso: Como disse, estamos no momento gravando, entao estamos nos concentrando em ensaiar para gravar, algumas datas estao sendo agendadas, mas somente para depois de setembro. O pessoal do Sengaya que esta agilizando alguma data ai pra nós, em outubro. Esperamos que dê tudo certo.
Carrascu: O Brasil, como sabemos, é rico em bandas de qualidade! Existem realmente muitas bandas se destacando no exterior e com isso tendo um respeito muito grande por aqui, mas não apenas por isso, pois é apenas um reflexo de um excelente trabalho. Quais bandas brasileiras você destacaria hoje em dia? Como o Subcut tem uma história extensa, qual banda você viu nascer e acabar que deveria voltar à ativa, se é que ela existe na sua opinião?
Afonso: O mérito não se dá simplesmente pelo destaque fora do país, mas sim pela qualidade e preocupação em seus trabalhos. Cara, muitas bandas brasileiras eu destacaria aqui, FACADA, SUBTERA, BANDANOS, GORE GRUESOME, MDK, LYMPHATIC PHLEGM, EXPOSE YOUR HATE, CIRCUS SATANAE, HUTT, FORBBIDEN IDEAS, DISPEPSIAA, UNIDOS PELO ODIO, AGHORY, SOCIAL CHAOS, SMP, DESECRATION, e muitas...muitas outras, além das antigas ROT, FLESH GRINDER, PLAGUE RAGES, AÇÃO DIRETA e vai.... Não que eu tenha visto nascer, mas bandas como HINFAMY, DEADMOCRACY, UNDERTHREAT, FECULENT GORETOMB, seria legal se voltassem...
Carrascu: Apesar de possuirmos uma cena de ótima qualidade, como tudo na vida nada é perfeito! O que você apontaria como um fato negativo no nosso underground?
Afonso: Intrigas e desrespeito. Atualmente você se depara com indivíduos que somente cobram ações e nada fazem para melhorar a cena, seja falando mal de bandas e/ou pessoas. Infelizmente.
Carrascu: Um semana depois, entre muitos contratempos e se escondendo do patrão pra não nos pegar no flagra aqui no MSN hahahaha terminamos a entrevista! Afonso, eu agradeço muito pela paciência em responder minhas perguntas, saiba que a GoreGrinder está aí para apoiar bandas sérias e de qualidade como a sua! Espero vê-los em breve por aqui detonando tudo com o fudido som do Subcut! Agora, seus comentário finais! Abraço!
Afonso: Hahahaha. Pode cre. Agradecemos o espaço que você nos cedeu no grande GOREGRINDER Zine. O underground necessita de pessoas sérias como você. Obrigado mesmo. Parabéns pelos tópicos abordados. Obrigado à você, que se interessou em nosso trabalho e leu a entrevista. Estamos a disposição para qualquer esclarecimento.
Temos vários enderecos na internet, nem sempre atualizados, mas com bastante informações sobre o que estamos fazendo... Paz e Resistência.....SEMPRE!!!!
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Hrculis  comentou:
Ae a galera do Subcut.. firmeza tocou aqui na gig Terror house II na Republica os Brbaros fortaleceu com outras bandas a cena underground de Presidente Prudente e regio.. sem palavras uma das melhores gig
10/06/11 às 20:01 Hs
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