A banda Bauopfer começou suas atividades em janeiro de 2004, mas os seus integrantes têm larga experiência no mundo underground do metal extremo catarinense. O seu primeiro lançamento, Mephistopheles, já no primeiro ano da banda, teve grande receptividade. Na entrevista abaixo, Rafael Araldi (guitarra) fala sobre o primeiro lançamento, sobre o material ainda em produção e o cenário catarinense de metal extremo.

Entrevista feita por Kristian Derosa e publicada no dia 19/07/2006
Kristian Derosa: Saudações! Vocês lançaram o Mephistopheles em 2004 e já se preparam para lançar um novo trabalho, estou certo? Como está a produção do novo CD e qual a previsão para o lançamento?
Rafael: Ok Cristian! Primeiro quero te agradecer por abrir espaço para algumas considerações sobre a Bauopfer. Sobre nosso Debut-CD, estamos ainda em processo de gravação. Iniciamos todo o processo em junho com as guias de guitarra e estamos planejando encerrá-la até final de agosto. A idéia é lançar o material em dezembro ou em janeiro do ano que vem (2007). Contudo, não quero arriscar previsões, pois temos muito o que fazer até lá. Esperamos que tudo corra como planejado e consigamos disponibilizar o CD dentro do prazo que estipulamos.
Kristian Derosa: Quanto à divulgação, vocês pretendem seguir o exemplo do Mephistopheles disponibilizando para download?
Rafael: Provavelmente iremos disponibilizar algumas músicas para download sim. Não inteiras, evidentemente. Pela experiência que tivemos com “Mephistopheles” deu para perceber que a divulgação via web é bastante eficiente. Conseguimos cerca de 80% da divulgação das nossas músicas desta forma. Apesar de reconhecermos isso não iremos disponibilizar o CD inteiro em nossa home-page. Afinal, o objetivo de gravar um CD oficial é divulgá-lo neste formato, não em outro.
Kristian Derosa: Como foi a aceitação do público no Mephistopheles? Vocês têm algum dado sobre o número de downloads?
Rafael: Posso te garantir que “Mephistopheles” foi uma das maiores experiências pessoais como músico que já tive até hoje. A resposta do público, em especial dos que fazem download foi impressionante. Recebemos inúmeros elogios por este trabalho, o que nos deu muita força para prosseguir neste estafante trabalho de levar a frente uma banda de Black Metal. Para quem quiser ter uma noção da receptividade deste Promo-CD basta consultar nossa home-page e dar um olhada nos comentários em nosso livro de visitas. Também podem consultar algumas revistas especializadas como Rock Brigade, Roadie Crew, Metal Attack, etc. É evidente que nem todas as criticas foram neste sentido. Mas posso lhe garantir que a suma maioria dos apreciadores do Metal Extremo receberam muito bem este material. Quanto ao número de downloads não temos estimativas seguras. O que posso lhe dizer é que a cada dia nos deparamos com gente nova, comentando em nossa página, em nossa comunidade no orkut, como em outros inúmeros meios de divulgação da web, tanto do Brasil quanto do exterior. Já perdemos qualquer estimativa.
Kristian Derosa: Muitas bandas não duram muito mesmo quando os integrantes moram no mesmo bairro. Como manter uma banda sempre produzindo e fazendo shows e conciliar a distancia de alguns membros efetivos?
Rafael: Na realidade o único distante da banda sou eu. Como moro em Florianópolis realmente não é muito fácil estar ensaiando, gravando e fazendo shows, já que o restante dos membros residem em Lages. Vou pelo menos uma vez a cada mês para ensaiarmos. Creio que o maior problema desta longa intermitência entre cada ensaio é que acabamos compondo menos do que deveríamos. Mas, pelo menos com isso conseguimos manter a banda e prosseguir, mesmo em ritmo lento, com as composições, gravações e shows.
Kristian Derosa: O som de vocês tem uma característica épica junto com a agressividade bastante criativa. Quais as influências que motivaram a criação da banda?
Rafael: Já possuímos uma longa experiência dentro do cenário Black Metal catarinense. Tocamos em bandas como Dark Endless e Key of Salomon, que já possuíam um pouco da característica sonora que se ouve nas músicas da Bauopfer. Toco desde os 14 anos e desde então sempre procurei me influenciar por aquilo que gostava de ouvir. Hoje, já me coloco em um momento de maior maturidade musical, onde boa parte das influências antigas e atuais permanecem latentes, mas não determinam meu estilo de compor. Posso dizer, que para quem não conhece as músicas da Bauopfer, o que poderei dar como noção do que procuramos fazer em nossas músicas são bandas como: Emperor, Burzum, Immortal, Ulver, Moonspell, Ancient, Lux Occulta, Taak, Dark Throne, dentre outras mais. Aprecio muito a sonoridade escandinava e talvez seja isso que garanta o toque épico que você diz ter em nossas músicas. Outra característica é que praticamente em todas as bandas que tive eu sempre fui o único guitarrista. Na falta de uma segunda guitarra eu sempre procurei criar arranjos que soassem como duas. Talvez essa forma de arranjo, com acordes mais cheios tenha dado essa cara a banda. Acho que é isso.
Kristian Derosa: Como vocês vêem o cenário do metal extremo em Santa Catarina atualmente, em termos de público?
Rafael: Instável. Creio que essa seja uma boa definição. Até hoje nunca vi uma quantidade tão grandiosa (em termos numéricos) de público, mas de forma tão ausente. Tem uma molecada nova curtindo metal extremo, o que eu em particular não censuro, ao contrário de muitos “trues” por aí. Mas acho que o maior problema é que parte desta molecada não dá as caras quando devem dar, ou seja, quando rolam shows. E o pior não é isso. O pior é que muitos dos “old bangers” ou “trues”, que dá tudo na mesma merda, dão as caras menos ainda. A situação portanto é de uma ausência constante de público, de lado a lado, tanto dos velhos quanto dos novos. Mas, o que eu acho mais maluco nisso tudo é que, quando se menos espera, há um “boom” de público nos shows menos esperados. Como vê, não posso te dar um parecer claro sobre o que seja a situação atual do cenário metal em SC. Talvez estejamos em um momento de público maior do que em outros tempos, mas ainda acho que não conseguimos precisar quando iremos nos deparar com um público grande ou pequeno em um show. Como disse no começo, acho que estamos em uma situação instável.
Kristian Derosa: Como resolver o problema da pouca divulgação e pouca mídia para o cenário regional ou nacional?
Rafael: Ainda acredito que cada banda deve fazer por si. Esperar por um selo ou gravadora é uma vã ilusão. Faça você mesmo! Acho que é por aí que as coisas podem se encaminhar da melhor forma. Se aparecer uma gravadora interessada ou qualquer outro meio de divulgação o que se pode fazer é aproveitar a oportunidade. Mas, enquanto isso não rola continue na labuta, pois nem a melhor banda do mundo pode ser reconhecida sem um pouco de autonomia e esforço pessoal. O mérito só vem do esforço. Por isso mesmo desprezo muitas bandas que estão na dita “mídia”, pois são essas porcarias que ganham prestígio através de um selo, seja por uma postura ousada (os porra dos nazi são um bom exemplo) ou por qualquer outro mérito que não a música. Essas porcarias só ganharam espaço por investirem em qualquer outra coisa, menos em qualidade musical. Não queremos aparecer simplesmente. Apenas esperamos um pouco de respeito por nosso esforço e por mostrarmos o resultado deste mesmo esforço: nossa música, nossa arte. O resto que se foda!
Kristian Derosa: Para terminar, agradecemos a entrevista e deixamos este espaço para a banda fazer as suas considerações.
Rafael: Valeu Cristian! Ficamos grato por sua oportunidade e esperamos que os interessados em conhecer o som da Bauopfer visitem nossa página e façam o download gratuito de nosso Promo-CD “Mephitopheles”. Vale lembrar que quem não quiser baixar, pode ouvir as músicas em nossa rádio on-line. Basta acessar a page. Aos que já conhecem nosso som: aguardem nosso Debut! Nos encontramos no inferno!
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