A Posthuman Worm é uma banda nova em nossa cena, que executa um som que é muito criticado e não aceito por parte da maioria dos envolvidos na musica extrema, por seu som misturar o podre e sujo Gore Grind com a musica eletrônica (Cyber), formando então o Cyber Gore. O grande Edgar que nos respondeu com maior boa vontade essa entrevista é o cara que sozinho cria a doentia sonoridade desse brutal projeto! Com apenas uma demo lançada o P.W. já conseguiu um grande espaço em toda a cena e é uma banda que gostei bastante também por ser bem original, fugindo de todo tipo de som Cyber já criado por ai... Saiba mais sobre essa doença nessa entrevista com o amigo Edgar.

Entrevista feita por Luiz e publicada no dia 03/06/2006
Luiz: Fala amigo Edgar, é uma honra ter vossas palavras e o fudido Posthuman Worm no humilde CRZ! Para iniciar fale um pouco sobre o Posthuman Worm, que é um grande projeto que você vem desenvolvendo na cena.
Edgar: Fico muito feliz em poder participar do CORPSE ROTTEN ZINE, você tem realizado um grande trabalho em prol da música extrema e essa entrevista é realmente honrosa para o POSTHUMAN WORM. Quanto ao P.W. ser um grande projeto, isso não é verdade, é um trabalho modesto que tem pouco tempo de vida ainda, mas que continuará explodindo tímpanos por muito tempo, he,he!
A temática musical do P.W. é polêmica e controversa, o conceito mistura ficção científica a vislumbres da ciência contemporânea a respeito da possibilidade de criação de criaturas híbridas de humano, animal e vegetais; clones, xoxes, cyborgs-replicantes que irão substituir os humanos em tarefas simples como a limpeza e complexas como o prazer sexual. Também as possibilidades da “transbiomorfose” – conquista da vida eterna através da descarga da consciência humana em um chip de computador, abandonando o nosso corpo (hardware de carne) por um novo hardware robótico com menos gasto de energia e melhor desempenho. Na verdade, as músicas da banda fazem parte de um conceito mais amplo, um universo ficcional que criei durante a pesquisa de doutorado em artes que estou desenvolvendo na Escola de Comunicações e Artes da USP, esse universo que criei intitula-se “Aurora Pós-humana” e ele já serviu para a criação de diversos trabalhos artísticos como a HQtrônica (história em quadrinhos eletrônica) “NeoMaso Prometeu”, o álbum em quadrinhos “BioCyberDrama” (lançado pela editora Opera Graphica), etc. Esse universo resultou em duas propostas sonoras, uma mais intimista, psicodélica e dark chamada POSTHUMAN TANTRA ( www.geocities.com/posthumantantra) e outra depressiva, grotesca e niilista o POSTHUMAN WORM. Criei o projeto no final de 2004 e lancei o primeiro CD-R em fevereiro de 2005, portanto o projeto tem pouco mais de um ano de vida, mas nesse pequeno tempo já conquistei algum espaço na cena, apesar do preconceito vigente sobre o estilo musical do P.W., o chamado “Cyber Gore”.
Luiz: O que você pretende passar para imunda humanidade com esse nome que leva sua banda? Os sons da Posthuman Worm, creio eu, não possuem letras, porem os títulos já dizem tudo... Porque abordar temas como “Putrid Sylicon”, “Infinite Virtual Orgasm”, “Tribal-Sex-Pig-Robot Orgy” e outros que seguem nessa linha falando de robôs, silicone, cyborgs etc?
Edgar: Sim, a maioria das músicas do Posthuman Worm não possui letra, só em alguns casos que escrevo versos minimalistas, uma ou duas frases como nos sons “Sex Bot Mantra” & “Gaya Against Biotechtoys” (as duas únicas que possuem “letra” no 1º CD-r), essa coisa da ausência de letras foi diretamente inspirada no S.M.E.S. (banda do Erwin do “Last Days Of Humanity”). Os títulos das músicas revelam a intenção e filosofia por trás delas, mas também gosto de ressaltar que as imagens são muito importantes pro P.W., minhas ilustrações criadas como complemento aos sons auxiliam na complementação da mensagem. A música do POSTHUMAN WORM é uma espécie de poema pós-moderno gore e repulsivo, uma reflexão doentia sobre a busca do prazer a qualquer custo neste mundo altamente tecnologizado do futuro. As letras tratam de sexo com criaturas híbridas de humano-animal e vegetal, transas com cyborgs, robôs multifuncionais, ou com seus próprios clones. Na minha música estou refletindo sobre o que há por trás das propostas de “criação de um mundo melhor”, os avanços tecno-científicos continuam simplesmente alimentando o ego humano em sua busca por prazer e poder! “Infinite Virtual Orgasm”, por exemplo, é uma reflexão extrema sobre o envolvimento cada vez maior das pessoas com as redes de computador, a troca do “sexo” por sua versão virtual.
Luiz: Como e quando você teve interesse por esse tipo de musica? Quais foram às primeiras bandas de Cyber que você ouviu?
Edgar: Conheci o estilo em 2003, e a primeira banda e principal inspiração pra criar o Posthuman Worm foi o S.M.E.S., há muito tempo não escutava nado novo no cenário musical extremo, a proposta do S.M.E.S. me pareceu muito insana, ela quebrava com todos os paradigmas da música grind gore, era extrema e feita em computadores (tendência abominada por boa parte dos amantes do grind), misturava podridão sonora a beats techno, e incluia samplers de instrumentos impensáveis para a música extrema. Foi um tapa na cara, imediatamente decidi que finalmente poderia realizar meu desejo de criar um projeto, mas pra isso teria que aprender a manipular os softwares de sequenciamento, fiquei um bom tempo estudando e experimentando diversos softwares. Nesse período fui em busca de outras bandas, pra conhecer o estilo, ouvi Microphallus, Libido Airbag, NWC 666, Tourette Syndrome, Scumfuck, Spermswamp, Amniotic Fluid Fontain, entre outras. Quando achei que já estava apto a criar as músicas gravei minha primeira demo!
Luiz: Muitos que ouvem o som da Posthuman Worm ficam se perguntando como é feito um tipo de som como esse. Você poderia nos explicar como é o processo de gravação desse tipo de som?
Edgar: Bem normalmente eu uso 2 ou 3 programas de sequenciamento para criar todas as bases – principalmente as percussões, depois adiciono a elas alguns efeitos noise & ambient. Com a parte instrumental pronta eu parto para a gravação dos vocais também em um software, onde incluo efeitos e distorções, finalmente incluo outros efeitos pré-gravados (vozes, gritos, gemidos) e alguns samplers, finalmente utilizo outro software para mixar tudo e aí a música fica pronta. Tudo isso é feito no meu computador, no total uso 5 softwares diferentes para criar os sons. Hoje existem dezenas de opções de programas de sequenciamento e gravação, basta que os interessados procurem na net e selecionem os que mais lhe agradem.
Luiz: Quais suas influencias na hora de (de) compor os sons da Posthuman?
Edgar: Procuro dar o máximo de identidade ao projeto, não gosto de copiar outras bandas, acho que tenho conseguido criar sons com certa personalidade, pelo menos é o que muitos dizem. A influência vem das mais estranhas formas de música extrema e ambient, de bandas como Coph Nia, Mental Destruction, Lustmord, passando por grinders como Intestinal Disgorge e chegando aos cyber gores. A questão conceitual é inspirada por filosofias “transumana” & “extropiana”, prometeismo e ficção científica hard core – filmes como “Tetsuo-The Iron Man”, eXisTenZ, Hardware & Aeon Flux.
Luiz: Como esta sendo a divulgação e aceitação no Brasil e no exterior desse primeiro material da Posthuman Worm, a Promo CD-r “Sex Bot Mantra”? Fale também dos materiais que você já participou, como Compilações, Splits etc.
Edgar: Por tratar-se do primeiro material lançado pelo projeto, estou surpreso com a recepção. Recebi comentários favoráveis e até elogios de pessoas que considero ícones da cultura grind & gore, como o amigo André do LYMPHATIC PHLEGM, o Rowan da BIZARRE LEPROUS PRODUCTIONS, O Erwin do LAST DAYS OF HUMANITY (R.I.P.) & S.M.E.S, o Diomar da ROTTEN FOETUS, o Moriguti da SONIC DEATH, o Vinícius Necrófago do DISGUSTING, o Léo do VÔMITO (R.I.P.) & NEOPLASM DISSEMINATOR, entre outros. Recentemente dei uma longa entrevista ao zine SEPTI-GORE, um dos mais importantes novos veículos dedicados à cena Gore-grind dos Estados Unidos. As propostas para participar de split CD-rs e coletâneas também têm demonstrado que a banda agradou aos ouvidos que tem massacrado. É claro que essa repercussão se restringe ao pequeno universo da música extrema e aos ouvintes abertos ao som eletrônico.
Com a boa repercussão do CD-R “Sex Bot Mantra” a Alarma Recs. do México (divisão gore-grind da American Line Prods) convidou o POSTHUMAN WORM para participar com 2 músicas de uma compilação pioneira intitulada ELECTRO GRIND GORE - reunindo 17 bandas de cyber-grind do mundo todo. O CD foi lançado em julho de 2005 e para mim foi uma grande conquista já que minhas músicas figuram ao lado da de bandas lendárias do estilo como S.M.E.S., FIBROSARCOMA & TOURETTE SINDROME. Quem quiser adquirir esta compilação pode entrar em contato direto com o selo: alarmarecs@hotmail.com / www.alarec.com .
Além da Alarma Recs outro selo se interessou pelo trabalho do POSTHUMAN WORM, a SUKK prods da Turquia que lançou em setembro de 2005 uma edição especial do primeiro CD-r “Sex Bot Mantra” em caixa de DVD e contando com um encarte especial com 8 ilustrações minhas inspiradas nas músicas e ainda 3 bonus tracks. A edição foi restrita a 100 cópias numeradas, quem quiser adquirir esse material entre em contato com o selo: http://www.sukkprods.cjb.net
No Brasil participei da compilação da CORPSE ROTTEN PROD (valeu pelo apoio) e terei um som também na compilação “Coagulated Blood” – produção em parceria dos selos SATANAEL RECORDS & CORPSE ROTTEN PROD.
Outras participações em coletâneas estão sendo acertadas para breve.
Luiz: Você me falou que esse material estará sendo relançado por um selo gringo em caixa de DVD. Fale um pouco desse relançamento.
Edgar: Foi um relançamento modesto mais bem bacana, o selo é da Turquia, a SUKK prods e o trabalho foi lançado em caixa de DVD. A recepção foi bem positiva na Europa, apesar da tiragem restrita de apenas 100 cópias.
Luiz: Sobre o Debut CD, quando o mesmo deve ser lançado? Você já possui sons gravados para esse trabalho? E essas participações especiais que o Erwin da S.M.E.S. fará, como pintou essa idéia? Essa participação sairá nesse Debut CD?
Edgar: Já tenho 14 sons gravados para esse debut, é um trabalho muito especial que comecei a idealizar em julho de 2005. Convidei o Erwin (S.M.E.S. & Last Days of Humanity) para fazer os vocais em uma faixa e lhe enviei 3 músicas prontas pra ele escolher, só que fui surpreendido por ele – pois colocou seus “vokills” nas 3 faixas!!! Além dessa participação super especial ainda terei outras como a do Zumbi, mentor do projeto cyber gore AKS e do amigo Necrófago, vocal do grande DISGUSTING, os dois já gravaram vocais pra faixas do álbum. A idéia é ter umas 20-25 músicas e mais de 40 minutos de sci-fi - cyber gore!!!! Também estou preparando um encarte especial com 8 de minhas ilustrações pós-humanas coloridas!
Estou a procura de um selo para lançar esse debut de maneira profissional, por isso não tenho pressa, enquanto isso vou participando de Splits, coletâneas e outros lançamentos.
Luiz: Bom meu amigão Edgar, pra mim foi muito fudido estar entrevistando essa que é uma das promessas do Cyber Gore nacional. Pra findar essa entrevista nos explique esse “rotulo” usado por você na hora de classificar o Posthuman Worm (“Future-tribal-computer-cyber-porn-gore-grind-noise-ambient-one-man-band”), pois Cyber Gore puro isso aqui realmente não é! Até mais!!!
Edgar: O Cyber Gore é a mais nova criação da música extrema, um aborto eletrônico podre e demente, estamos usando softwares feitos pra criar dance music para fazer música extrema, estamos subvertendo os instrumentos deles, como os punks quando se rebelaram com o prog e instituíram os 3 acordes, por isso peço que abram os seus ouvidos e deixem o preconceito de lado!!! A cena cyber gore brasileira ainda é pequena, mas além do P.W., outras bandas pioneiras do gênero no Brasil são o MURDER 2099 – com um som muito poderoso, mais na linha de Libido Airbag, o A.K.S. – violento cyber grind e o poderosíssimo HOT CUNT – essa é uma banda muito original que incorpora elementos até do funk sem limites para criar podreira, a temática da banda é totalmente “porn”. A cena está começando a crescer e espero que os selos comecem a valorizar o trabalho dessas bandas! Procurem conhecer esses sons que vale a pena!
Quanto ao rótulo, isso é uma brincadeira insana, sempre me diverti com os rótulos – que no final das contas mais confundem do que explicam, então resolvi eu mesmo rotular o meu som! O “Future” pode ser substituído por “Sci-Fi (Ficção Científica)”, “o Tribal” é porque o som tem bases percussivas meio tribais, o “Computer-Cyber” é porque é criado no computador, o “porn” porque trato de pornografia (mas de forma diferente – sexo com robôs, clones, híbridos, etc) e assim por diante. Os interessados em conhecer o estilo do POSTHUMAN WORM entrem em contato comigo. Se você curte ménage com prostitutas híbridas de cadela e mulher, gostaria de transar com garotas multifuncionais-clones-mutantes & fêmeas cyborg de aparência humana, mas com 7 bocas & 7 ânus - a trilha sonora da sua vida é o POSTHUMAN WORM!
Contatos:
a/c Edgar Franco
Av. Melvin Jones , 265, Bairro Santa Ângela
CEP: 37701-274
Poços de Caldas – MG - Brasil
oidicius@hotmail.com
www.geocities.com/posthumanworm
Compartilhar

Envie seu comentário sobre essa matéria!

Cio  comentou:
gostaria de saber como receber os cd1s das bandas. ja tenho o cd do posthuman tantra , o primeiro acho
11/06/11 às 10:15 Hs
Nome:
E-mail:
Texto:
=

Parceiros