SHITFUN - Promo 2013 - Old Grindered Days
Vinda do interior de Pernambuco, essa insana banda começou apenas em 2012, mas conta com dois membros com larga experiência no underground – Glésio Torres, bateria e vocal, e Marcos Alexandre, guitarra e vocal – o que deve explicar a barulheira refinada que sai dos alto-falantes neste momento! Fazendo jus ao estilo escolhido por eles, o bastardo grindcore, o ShitFun traz para os seus ouvintes tudo que há de mais podre em termos de música extrema, incorporando em suas composições o caráter demente do serial killer que lhes serve de inspiração temática. Afinal, assim como o assassino, o som apresentado aqui é marcado por uma agressividade incansável e, sem dar pausa para que a “vítima” (no caso, nós ouvintes) tome fôlego, manda uma paulada atrás da outra, a fim de explodir sem dó nem piedade os miolos dos pirados que se amarram numa subversão sonora!

Antes de falar do som, é interessante destacar que todas as músicas do ShitFun levam nomes femininos, pobres vítimas da psicopatia humana, capaz de produzir os mais frios e repugnantes rebentos. Subproduto de violência psicológica na infância, o matador em série escolhe apenas o sexo dos seus alvos, não importando classe social, cor ou idade. Sem dúvida, isso confere uma identidade peculiar à banda. (Anti)Musicalmente falando, a sofisticação às avessas começa animada com “Juliana Barbosa” com seus 25 segundos de intensa pancadaria, seguida pelo total grindcore de “Mônica Dias de Macedo”, que me fez voltar ao final da década de 1980, quando Fear of God, Agathocles e VNA alegravam a criançada perturbada (tipo nós, assim...) com doses cavalares de caos espremidos em alguns poucos segundos de gritaria e ruído maciço! 

Aliás, todo o disquinho aqui segue a mesma linha ignorante: as porradas são desferidas de uma vez só, em espaços de tempo confinados que não ultrapassam 1min40s, vertendo desesperadas dos ásperos e excelentes vocais guturais, das guitarras pesadonas e da bateria desenfreada. A faixa mais “trabalhada” – se é que se pode dizer isso aqui – é “Andréia Maria”, em que predomina o andamento mais arrastado, com um riff poderoso e gordo, seboso mesmo, e com uma parte rápida de arrepiar. Prestem atenção na correria da guitarra pra entender o que estou tentando dizer. É animal! Nessa linha mais pesada, nas quais se pode sacar alguns toques de death metal, são executadas (sem trocadilhos!) “Graciela Oliveira” e a agonizante “Jaqueline de Medeiros Lima”, enquanto “Carmen Lúcia de Amaral” e “Dominique Martins” seguem a trilha do hardcore, com um andamento médio perfeito pra abrir uma roda de pogo no meio da avalanche sonora provocada pelo ShitFun. As outras faixas são detonadas sem arrego, o que de forma alguma significa que elas sejam menos importantes. Longe disso, são elas que dão todo o tempero grosseiro que caracteriza o grindcore de primeira praticado pela banda e fazem desse lançamento um item indispensável pra quem curte o estilo.

Então, quem quer saber um pouco mais sobre a insanidade humana tem mais é que catar esse Promo em algum lugar, porque os caras tiveram a mão certa pra fazer um puta trabalho, com aspereza irreparável do ponto de vista de um alucinado fã de grindcore! Em tempo: como a fertilidade de ratazana no cio é praxe no gênero, além desse material, já foram lançados mais quatro espatifa-miolos em colaboração com os parceiros de manicônio – um cd split com o turbulento Bixera, um ep 7” com os japoneses do Sete Star Sept e mais duas fitas k7, uma com os canadenses do Mesrine e outra com os brasileiros do Academic Worms, Obitto e Baixo Calão.

Segunda, 23 de Fevereiro de 2015
Por: Cristiano Passos
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