CROTCH ROT - Pata De Camelo
Em tempos tão bicudos, em que a patrulha ideológica do underground anda a mil por hora nas redes sociais, metralhando a todos os que ousam desafiar o seu rol de dogmas sagrados, é muito legal ver que o subgênero mais atrevido, divertido, criativo e ideologicamente mais despojado do submundo metalpunk – ou seja, o gore/grindcore – ainda dá à luz rebentos furiosos e barulhentos como o Crotch Rot

Vindo de Curitiba, esse quarteto traz aquela velha agressividade do estilo, acompanhada pela ousadia lírica e o sarcasmo próprios do goregrind, e apresenta neste ep 9 petardos que vão fazer a cabeça dos maníacos mundo afora, com certeza. Melhor de tudo é que a formação conta com membros experientes da nossa cena underground, com destaque para a ensandecida dupla feminina das cordas, Angela (baixo), que ainda faz historia com a lendária Necrose, e Cynthia (guitarra), ex-Terrorgasmo. Completam o time, Muringa (vocal), ex-Furúnculo Anal, e Leonardo (bateria), ex-Berne, mostrando que o currículo da rapaziada faz jus à barulheira que eles detonam em "Pata de Camelo".

Abusando do bom humor e da ironia, o disco começa com uma pequena introdução no melhor estilo funk carioca, logo seguida pela paulada de "Orgia do crackudo", que descreve uma suruba entre craqueiros e mendigos e já dá uma ideia do universo lírico do Crotch Rot, recheado de pornografia e cenas urbanas bem atuais. Perpassando essa atmosfera de aparente degradação, uma fina ironia e uma crítica mordaz à hipocrisia dos moralistas de plantão também estão presentes. Aliás, o sarcasmo sempre foi uma das formas mais eficazes de encarar a realidade que nos cerca e, por isso mesmo, a zombaria tem sido vista como algo perigoso na arte desde sempre.

Nessa toada, seguem faixas singelas como "Fetixaria", "Kid Bengala" – uma "homenagem" ao mito do cinema pornô nacional – "Meritocalcinha", "Pata de camelo" – que os entendidos em sexo manual conhecem como camel toe – e "Cachorro transante", todas marcadas pela pancadaria típica do goregrind: afinação baixa, alternância de pig vocals com gritos insanos, bateria metranca e muitos efeitos e vozes entremeando as faixas e dando aquele caótico toque final ao som do Crotch Rot. Registre-se, ao final, um brinde para os ouvintes: uma versão fudida de "Pikzwarteflikkerkak", dos holandeses pirados do Rompeprop.

Como esse é apenas o primeiro lançamento da banda, certamente podemos esperar muito mais em breve. Que venham os próximos lançamentos, então, e que a Crotch Rot possa trazer novos ares, ainda que fétidos, a nossa cena, e principalmente muito sarcasmo pra desmontar a seriedade risível das mentes mais obtusas do underground!

Tera, 30 de Dezembro de 2014
Por: Cristiano Passos
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