Banda/Artista: The Black Coffins
Título: Dead Sky Sepulchre
Lançamento: Black Hole Prods
Ano: 2012
Resenha por Cristiano Passos
Publicada no dia 22/12/2014

Apesar de ter sido lançado há dois anos, depois de ouvir muito este disco do The Black Coffins, eu sabia que não poderia deixar de resenhá-lo. Afinal, são poucas as bandas que, com tão pouco tempo de existência – eles começaram em 2011! – conseguem lançar um material tão destruidor! No caso do The Black Coffins, há ainda mais um ingrediente que torna esse disco imprescindível na coleção de todo fanático por death metal underground: em meados de 2014, a banda anunciou seu prematuro fim, o que significa que não teremos outro “Dead sky sepulchre” tão cedo! 

Pra começo de conversa, toda a belíssima arte do cd já conduz o ouvinte para o universo dos “caixões negros”, trazendo uma atmosfera impregnada por teias de aranha e pelo odor da morte, característica evidenciada pelo tom predominantemente escuro dos desenhos, além de um certo ar de corrosão que emana dos detalhes estéticos do disco, muito bem pensados por Fernando Camacho. Dessa forma, todo o clima de horror está pronto para que o ouvinte possa, de fato, mergulhar na música criada por estes insanos paulistas. 

Por falar em música, vamos ao que mais interessa: o cd é simplesmente perfeito para quem curte o mais assustador, pesado, sombrio e grotesco death metal da velha escola e vai agradar em cheio os ouvidos veteranos acostumados a ouvir muito Autopsy, Nihilist, Cancer et caterva, ou seja, toda aquela tralharada empoeirada esculpida milimetricamente pra fazer a raça bater cabeça instantaneamente, logo que começa “Chambers of eternal sleep”. Aliás, esse é o segundo som, pois “Dead sky burial” é uma magnífica e sufocante introdução, que se completa ao final do disco com a faixa-título, muito semelhante à intro e igualmente perturbadora, composta por um canto de garganta tibetano de meter medo! Bem, voltando ao cd, depois de “Chambers”, o cenário do caos está armado: a pancadaria come solta e, riff após riff, J. Martin (guitarra), A. Beer (baixo), M. Rabelo (bateria) e Vakka (vocal) fazem endoidar qualquer tiozão headbanger, mas certamente levam os mais jovens ao frenesi também, simplesmente porque é impossível não se emocionar com essa sonzeira!

Em termos de estilo, a banda segue o que há de melhor em termos de som extremo: death metal ríspido, pesadaço, com vocais guturais perfeitos, tempos médios na batera na maior parte do disco (ou seja, sem aquela obsessão por velocidade que marcou o gênero entre o final da década de 1990 e começo dos anos 2000) e uma altamente benéfica influência crust/punk, que dá um sabor todo original ao The Black Coffins. Aliás, no geral, a consistência da sonoridade praticada pela banda faz com que a audição do cd, mesmo repetidas vezes como estou fazendo neste exato momento, não deixe o ouvinte enjoar de maneira nenhuma. Muito pelo contrário, aliás: a cada audição, se percebe muito mais detalhes do material e a riqueza da música se confirma, penetrando fundo na memória de quem a escuta.

Quanto às faixas, é bem difícil destacar essa ou aquela música em particular, porque o cd é bem homogêneo e mantém o alto nível de cabo a rabo. Mesmo assim, pode-se mencionar a pegada crust de “Below the roots”, que é animalesca, a rifferama ensandecida de “The last spectral convoy” – um dos sons mais empolgantes dos últimos tempos, sem dúvida! – ou a atmosfera pesada e o instrumental trabalhadão de “Transition: compulsory” como momentos em que se pode dizer: “porra, valeu cada centavo esse cd!”. Contudo, todas as faixas são extremamente bem pensadas e arranjadas e não deixam o clima old school cair nunca, como se pode escutar em “Dead planets” ou na densa “The cryptborn”, a faixa mais arrastada de “Dead sky sepulchre”, um verdadeiro rolo compressor metálico.

Realmente, ao final do disco, o sentimento que fica é de um gigantesco pesar pelo The Black Coffins ter encerrado suas atividades de forma tão abrupta, pois certamente se poderia esperar muito mais por parte desse time. Felizmente, por outro lado, ainda nos restou “Dead sky sepulchre” (além de um split com Infamous Glory e um ep de 2013) para nos deixar com aquela sensação de que o underground sempre pode nos surpreender com obras irretocáveis como esta, um autêntico manifesto a favor do bom e velho metal da morte. Enfim, tá aí mais um disco marcante para inscrever na história do som pesado de todos os tempos!

Tracklist:

1. Dead sky burial
2. Chambers of eternal sleep
3. Below the roots
4. Carve the host
5. The last spectral convoy
6. Hate ‘96
7. Hibernaculum
8. Transition: compulsory
9. Dead planets
10. To the universal throne
11. The cryptborn
12. Dead sky sepulchre

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