Banda/Artista: Luvart
Título: Necromantical Invocation
Lançamento: Hammer Of Damnation
Ano: 2012
Contatos: Não informado
Site oficial:
Resenha por Cristiano Passos
Publicada no dia 29/08/2013

Muita gente pode não conhecer o Luvart, mas quem acompanha o underground há muitos anos certamente já deve ter ouvido falar nessa banda de Juiz de Fora, pois eles têm história na cena. Afinal, o início da banda remonta aos primeiros anos da década de 1990 (1993, para ser mais exato), época em que a cena extrema voltou-se mais para o black metal, após o death metal ter conquistado um espaço comercial não muito bem visto pelos fãs mais radicais. Nos anos seguintes, o Black metal também atingiria picos de sucesso comercial inimagináveis, estouro que trouxe uma gama de sofisticação musical e visual estranha para quem cresceu no meio underground. Porém, fiel aos princípios que nortearam a criação da banda, o Luvart pratica um puta black metal com óbvias e maléficas influências de doom e death metal típicas daquele período da música pesada, fazendo um disco atual que beira à perfeição exatamente por preservar as raízes sem soar forçadamente old school.

Um aspecto que chama a atenção logo de cara – e que contribui para levar o ouvinte ao inferno old school – é que a banda não prioriza as altas velocidades, mantendo uma pegada forte e pesada em detrimento dos blast beats tão comuns ao som extremo.  A primeira faixa, “To the kingdom of chaos”, chega quebrando tudo numa levada bem mais próxima do death metal sueco do que do black metal obscuro e satânico que a banda pratica, logo assumindo um ritmo extremamente pesado, fazendo lembrar das primeiras demos do Paradise Lost, embora esta banda provavelmente não seja uma influência para o Luvart. À medida que se vai ouvindo essa faixa, aí sim se percebe que a fonte de onde a banda bebe tamanho peso talvez não seja do Paradise Lost, mas sim dos trabalhos iniciais do Samael, pois há uma certa dose de melodia, melancolia e obscuridade que remetem ao climão mais macabro do trio suíço. 

“Return of the legion” segue essa levada arrastada e apresenta uma atmosfera densa, com os vocais guturais de Luggal Merodach desempenhando um papel fundamental para deixar a música ainda mais sombria e catastrófica. Aliás, a cada nota, é como se o ouvinte fosse absorvido para dentro de um verdadeiro ritual negro, e a letra da música não deixa dúvidas de que essa era a intenção da banda, com certeza, o que fica ainda mais claro em “Necromagick”, em que os espíritos da cripta desdenham da escravidão do mundo material e convidam para conhecer o mundo dos mortos! Fudido!  

Embora a sonoridade de todos os instrumentos esteja excelente, as guitarras se destacam, com uma timbragem perfeita e original, mesmo que ainda de longe lembrem o som das guitarras mais características do Autopsy em certos momentos. Talvez por isso o black metal do Luvart tenha os dois pés fincados no death metal, fazendo com  que fãs de ambos os estilos se deliciem com o peso ritualístico de “Necromantical invocation”. A propósito, a faixa-título é a mais hipnótica de todas, com uma pegada totalmente doom metal, macabra até os ossos, criando uma atmosfera de profunda e mórbida adoração satânica, em conjunto com a também opressiva “Darkened destiny” e com as igualmente lúgubres “Monarchia demonorum”, “Goddess of the night” e “The anciente ritual”.  

Com “Pestifera crucis”, o Luvart vem definitivamente fechar essa fúnebre ópera com mais um petardo de peso esmagador, arrastando-se como uma colossal besta demoníaca sobre os cadáveres de mais um sanguinário ritual, cuja sinistra maldição veio lançar “sombras sobre todas as formas de vida”, espalhando “uma praga mortal” contra a existência cristã, pronta para exterminar todos os tronos e reinos de santidade, como urra o impiedoso Luggal. Por falar na banda, além do vocalista/baixista, completam o grupo o guitarrista Brucolaques e o batera Blood Devastator (veterano do nosso deep underground, desde os tempos do saudoso Necro Disseminator!), formando mais uma pútrida horda a batalhar pelo espírito do verdadeiro metal. 

Para finalizar, vale mencionar o excelente trabalho gráfico, com o tradicional e indispensável preto e branco, ótimas ilustrações e fotos, além de uma capa belíssima, que remete à cultura medieval, tudo feito sob medida pela gravadora Hammer of Damnation. Enfim, mais um puta lançamento que merece um lugar de destaque no cenário underground mundial, não podendo ser ignorado por aqueles que curtem o mais pesado e tradicional black/death metal.

Tracklist:

1. To the kingdom of chaos
2. Return of the legion
3. Necromagick
4. The darkness calls...
5. Necromantical invocation
6. Darkened destiny
7. Monarchia demonorum
8. Goddess of the night
9. The ancient ritual
10. Pestifera crucis

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