Banda/Artista: Zombie Cookbook
Título: Outside The Grave
Lançamento: Independente
Ano: 2012
Resenha por Cristiano
Publicada no dia 02/04/2013

O Estado de Santa Catarina nunca teve representantes de destaque na cena pesada (pelo menos em termos de visibilidade), embora sempre tenha tido boas bandas de todos os subgêneros do metal e do punk desde a década de 1980. Tal fato muito provavelmente se dá em virtude da ausência de gravações oficiais e também da posição periférica que SC ocupa no país de forma geral. Porém, ultimamente, o Estado tem nos brindado com ótimas bandas e lançamentos, com sonoridades diversas e produções cheias de garra, apresentando muito som underground de qualidade. Bandas como Sodamned, Battalion, Flesh Grinder, Os Diabo a Quatro e Frade Negro estão aí para provar essa afirmação. Felizmente, para engrossar esse caldo catarinense, temos mais uma terrível anomalia sonora saindo diretamente dos porões de Joinville: Zombie Cookbook, com o petardo “Outside the grave”, uma produção independente (lançada com patrocínio da Fundação Cultural do município) de fazer os ouvidos verterem pus e a cabeça chacoalhar incessantemente. 

Formada em 2010 por algumas mentes doentias do cenário underground, o Zombie Cookbook apresenta uma sonoridade Death Metal, porém, com uma abordagem lírica voltada aos temas de terror, emanando um odor de podridão e morte, que remete o ouvinte diretamente a bandas como Autopsy e Impetigo. Não foi à toa que eles gravaram neste disco um som do grandioso Impetigo, numa versão matadora, a propósito. A influência de Autopsy pode ser percebida nos andamentos médios de algumas músicas, naquela pegada Death Metal old school que faz a cabeça de 10 entre 10 headbangers da velha guarda, como este que aqui escreve. Vale ressaltar também que, seguindo a temática adotada pela banda e sugestivo título do CD, o encarte apresenta uma HQ muito criativa, contando a origem dos “zumbis” que compõem a banda, os quais teriam sido assassinados por um violento serial killer recém-saído da cadeia e ressuscitados por alguns jovens góticos que decidiram “colocar em prática algumas baboseiras de livros e internet”. Muito original, diga-se!

Quanto aos músicos, todos são extremamente competentes e dominam perfeitamente o som que fazem. Os vocais de Dr. Stinky são animalescos, lembrando, em alguns momentos, os saudosos guturais de Chuck Schuldiner na fase “Scream bloody gore”, do Death, outra banda que certamente compõe a lista de influências do grupo. A única diferença é que Dr. Stinky usa muito mais efeitos de voz, na velha linha Gore, deixando seus gritos ainda mais animalescos. O baterista Dr. Freudstein manda muito bem nas baquetas, é veloz quando necessário e quebra direto, mostrando muita precisão, além de criatividade e versatilidade. Os dois guitarristas, Guinea Pig e Horace Bones (também da lendária banda Flesh Grinder), dão muito brilho à musica do Zombie Cookbook, com riffs velocíssimos, muito peso e agressividade, além de explorarem um lado mais melódico em alguns solos e de terem uma puta integração. Aliás, além do vocal, as guitarras são responsáveis por deixar a marca registrada de cada som de “Outside the Grave”. Quanto ao baixista Hellsoldier, este deixa faz sua função com muita competência, segurando o ritmo diversificado da banda com muita garra. 

Falando especificamente dos sons, o CD começa com “Feasting humans at dusk”, uma paulada sonora que mostra muito bem essa versatilidade do Zombie Cookbook, mesclando partes lentas a outras mais rápidas. Esta é seguida por “I sell the dead”, uma das mais velozes do disco, com um refrão que lembra um pouco as velhas bandas de Thrash/Crossover, apesar da pegada Death Metal que dá as caras logo de início. A letra dessa música é muito legal também, falando de um personagem que vende mortos (inteiros ou em pedaços!) para necrófilos, estudantes de medicina e cientistas pirados, incluindo ainda restaurantes! Impossível não imaginar a cena, certo? Logo depois, sem pausa para respirar, vem “Midnight hunger”, uma pancada que inicia bem ao estilo Autopsy, porém, logo apresentando todo o trampo elaborado dos caras, principalmente do batera, que realmente mostra criatividade ímpar com todas as trocas de ritmo frenéticas e as cadências diferenciadas, terminando num tempo bem arrastado, quase agonizante, típico dos mestres do estilo mencionados acima. Esse som também me lembrou os curitibanos do Offal, que, não por acaso, também seguem os ensinamentos do bando de Eric Cutler, Chris Reifert e companhia.

Na sequência, sem aliviar, vem “Boneyard”, do insano Impetigo, faixa que abre o clássico “Horror of the Zombies”, de 1992, dispensando comentários: ficou simplesmente perfeita, com seus pouco mais de 2 minutos e 30 de insanidade. “I drink your blood” vem com aquela batida Death Metal que motiva o mais genuíno headbanging e uma levada predominantemente midtempo. Até aqui, praticamente não há espaço separando uma faixa da outra e a porrada come solta, deixando um rastro putrefato de fétidos cadáveres e pintando de sangue as paredes da sala. Porém, antes da sexta música, há um breve intervalo na pancadaria, para o começo cadenciado de “I eat your skin”, que logo descamba para mais um Death Metal da velha escola, fechando com um fraseado de guitarra bem pegajoso, que ocupa os últimos 30 segundos da música. 

“Feast of the undead” e “V.O.D.U.N. (Vile Odor of Decomposing Unborn Necropolis)” mantém o pique do disco, com diversas passagens mais lentas alternando com alguns blast beats e tempos médios, sendo que a última, além de um puta refrão, tem um solo fudidíssimo, cheio de melodia, mostrando o lado heavy metal da banda. Demais! As mudanças de andamento são tão inebriantes nessa música que fazem dela um dos destaques do disco. “Harvest of the dawn” vem destruindo tudo que estiver pela frente, destilando toda a grosseria dos “zumbis”, assim como “Grab the guts”, que, embora seja mais cadenciada, é uma faixa extremamente pesada. “Felllows in sadism”, que conta a história de um assassino de putas, é uma faixa muito bem trampada também, deixando à mostra a veia melódica dos guitarristas e o excelente trabalho de bateria. Por fim, “Then you scream” entra sem piedade, furiosa e nervosa, e assim como todas as outras, não vai além dos 3 minutos de duração. 

Enfim, “Outside the grave” é mais um puta disco de Death Metal e, embora possa até ser visto como um motivo de orgulho para a cena do seu Estado, certamente o Zombie Cookbook vai (deve ir!) muito além dessas fronteiras imaginárias, pois a origem da banda, nesta caso, é o que menos importa. Importante, sim, é ver o underground, seja ele de onde for, crescer e se fortalecer, oferecendo aos amantes da podreira musical obras independentes cada vez mais avassaladoras. Vale cada centavo!

Tracklist:

01. Feasting humans at dusk
02. I sell the dead
03. Midnight hunger
04. Boneyard (Impetigo)
05. I drink your blood
06. I eat your skin
07. Creepy freak
08. Feast of the undead
09. V.O.D.U.N. (Vile odor of decomposing unborn necropolis)
10. Harvest of the dawn
11. Grab the guts
12. Fellows in sadism
13. Then you scream

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Zombie Cookbook  comentou:
Neeeessssss mannn........ ficou lindo demaiiissss.... obrigado brow... obrigado mesmo..... força ao underground catarinense!!!!! Zombie Cookbook
04/04/13 às 09:32 Hs
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