Banda/Artista: Predator
Título: Homo Infimus
Lançamento: Independente
Ano: 2007
Resenha por Alex Neundorf
Publicada no dia 04/09/2011

Em mãos esse trabalho já antigo da banda Predator, originária da cidade gaúcha de Caxias do Sul. A banda existe desde 1996, ou seja, está caminhando para sua segunda década de vida, o que é um fato bem raro no nosso cenário e por isso mesmo motivo de aplauso. Executando um Death Metal de corte bastante clássico a banda é composta atualmente por Luciano Hoffmann no baixo, Roberto Ceccato na bateria (que já tocou em bandas como Blakk Market, Nevralgia e Abominattion) e Jener Milani na guitarra e nos vocais. Por sinal, vale lembrar, o batera Roberto Ceccato já concedeu uma excelente entrevista para o site há algum tempo atrás. O Predator já lançou duas demos, “Hell on the Earth” em 2003 e “Songs of Death” em 2006, além do EP mais recente (de 2009) intitulado “Earthquake”. Este “Homo Infimus” é o debut e, por enquanto, único registro full da banda, lançado no já longínquo ano de 2007 de maneira independente em relação à distros e gravadoras (contou com financiamento do Fundo Pró-Cultura da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Caxias do Sul; um belo exemplo).

Começando pela apresentação do material: temos aqui uma arte bem legal assinada pelo cada vez mais reconhecido à nível mundial, Marcelo HVC (ou também conhecido como Marcelo Vasco; se você está curioso dá uma verificada na capa de “Kill the Betrayers” do The Ordher, ou do DVD do Vader, “And Blood Was Shed in Warsaw”, ou ainda, nas recém divulgadas capas dos novos lançamentos de Nervochaos, Laconist e Exhortation, entre várias outras). O conceito me lembra algo dos círculos infernais da “Divina Comédia” do Dante, algo como o sofrimento humano, degradação, tormento, danação, entre outras palavras-chave. Mostra algo bem psicológico, quando analisado em conjunto com o título do álbum (que significa algo como ‘homem ínfimo’, na tradução do latim) e com as letras dos sons. O layout geral do encarte é obra do próprio Jener Milani e reprisa o conceito da cover art. No encarte temos todas as letras e todas as informações necessárias para se inteirar dos detalhes envolvidos na construção desse material.

A gravação, mixagem e masterização é obra do AML Studio e a produção é assinada pelo referido estúdio mais a própria banda.

Partindo para a parte musical, neste trabalho podemos ouvir oito sons mais um bônus multimídia que é o vídeo clip “Osíris”. 

A primeira faixa é “El Dia Del Toro” que, como até dá para adiantar, se refere a algo como uma tourada (aqueles lances característicos da cultura espanhola e tal). Essa letra só extenua aquilo que muita gente pensa: nessas babaquices que exploram os animais para divertir os humanos, muita gente fica na torcida pelo bicho, no caso pelo touro. Eu mesmo, torço sempre pelo touro: “the horn crosses and throw the man up, he falls on the balcony and the blood spills on the woman”. “Idiot”!!! A sonoridade é a de um Death Metal puro, articulando partes mais rápidas com cadências e quebras de andamento bem interessantes. É o som mais curto do play, com menos de três minutos, tempo suficiente para contar uma estória completa. A faixa a seguir, é a que intitula o full, “Homo Infimus”. Mantém perfeitamente o ritmo e empolga do começo ao fim. É um dos destaques do álbum, pelo seu caráter mais intrincado e andamentos diferentes. “Man, flesh without light, blind creature; man, homo infimus you are”. “Hate In Your Heart” é a terceira faixa e nelas ouvimos pouco mais de três minutos de um Death Metal vigoroso, bastante característico e dotado de identidade. O som começa com uma breve introdução bem marcante e logo descamba para um andamento mais brutal com blast beats. Mas o som continua bastante intrincado, intercalando andamentos mais rápidos com mais cadenciados. A quarta faixa é “In The Name of False Ideology” e começa com uma linha de guitarra mais fraseada, com uma batera bem marcante e com frases de vocal mais minimalistas. Essa parte bem marcada, que serve como um refrão, ficou muito interessante. “Butchery, hysteria, violence, axes, swords, cut man”. Já o conceito parece remeter as cruzadas religiosas da idade média. O próximo som é “You Are What We Were. You Will Be What We Are”, onde podemos ouvir uma intro bem climática e atraente. O som é o mais longo do play com pouco mais de cinco minutos e também é aquele que possui uma linha mais melódica, chegando mesmo a quase destoar do conjunto (ao menos na parte inicial do primeiro verso). Muito legal o refrão “you are what we were, you will be what we are” nesse andamento bem cadenciado. “Storm of Death” é a faixa que segue, mantendo o ritmo e a quebraceira. O refrão também retoma uma linha mais melodiosa (a surpresa advém principalmente do fato de nos acostumarmos, ouvindo o play até aqui, com uma ênfase maior nos elementos rítmicos do que propriamente nos melódicos; de repente, nossa atenção é guinchada para esse lado e é por isso a surpresa; acho que da maneira como foi construído o tracklist também abriu espaço para esse tipo de surpresa, taí um lado que seria importante pensar para o próximo play). Na sequência, temos “Lost In Flames”, uma faixa ótima e uma construção primorosa. Diria que é outro destaque. Por fim, a oitava faixa (é realmente um álbum dos anos 90) temos a chamativa (pelo título) “Samurai Spirit” que trata, liricamente falando, da história do samurai do século XVI Miyamoto Musashi (esse sujeito é o responsável pela criação de um estilo de luta com duas espadas e é um dos heróis lendários do Japão feudal). A intro é bem marcante e melodiosa e traz uma breve intro falada sobre o contexto histórica que perfaz essa música. O som da espada tilintando também ficou muito legal. Uma composição muito interessante e realizada com desenvoltura.

Bem, finalizando, acho que para esse material são só elogios mesmo, afinal não deixa a desejar em nenhum quesito. Qualidade de gravação e produção estão impecáveis; a arte, conceito, encarte, enfim, a apresentação está perfeita, encaixando plenamente com o conjunto da obra (letras, sonoridade mesmo); as composições e execução estão excelentes para o gênero, que se localiza, no espectro do Metal, num meio termo entre um Death Metal de corte mais clássico e um mais brutal (característico do final dos anos 90); as linhas de guitarra são poderosas e articuladas perfeitamente; a cozinha, baixo e batera, estão coordenadíssimas, mesclando blast beats com cadências e partes bem slow até; o vocal é bem classicão e segue uma linha de volume bem baixo, quase como que sussurrando, do começo ao fim, sem grandes virtuosismos, mas nem por isso menos empolgante; e o feeling, principalmente, tá ‘em dia’. Diria que esse material empolga mesmo é pelo conjunto da obra e não por individualidades, virtuosismos (chama a atenção a não existência de solos), apesar de as composições serem bastante técnicas e intrincadas. Em alguns momentos, ouvindo este material, me lembrei de bandas como o Descerebration e mesmo o Abominattion, que parecem beber nessa mesma escola de Death Metal. As faixas destaques, em minha opinião, são a faixa título “Homo Infimus” e “Lost In Flames”, a penúltima.

Como crítica mesmo, embora seja mais com o interesse de dar algum feedback para a banda, haja vista que os elogios não levam à lugar nenhum na verdade, quando pensamos no desenvolvimento e progresso (só elogios acabam empacando as coisas, ainda que mostrem o rumo certo quando a referência é o público que ouve e compra os materiais). Bem, acho que a única faceta que há de se mencionar é a produção que pode melhorar para um próximo lançamento, principalmente para as guitarras. Nesse sentido, mais camadas de guitarra fornecem um peso bem maior ao som, sem desequilibrar o conjunto. Acho que talvez falte um pouco disso: peso nas guitarras. Enfim, talvez também estejamos demais acostumados com o Death Metal dos anos 2000. Concluindo, acho que um foco interessante (onde poderia realmente melhorar) mesmo seria essa faceta “produção” do próximo material, pois em termos de identidade sonora e mesmo conceitual a banda já está transbordante. Infelizmente ainda não pude ouvir o EP “Earthquake” de 2009, para sacar a evolução, mas posso antecipar que um próximo full desses caras já está sendo aguardado com muito entusiasmo.

Tracklist:

 01 – El Dia Del Toro
 02 – Homo Infimus
 03 – Hate In Your Heart
 04 – In The Name Of False Ideology
 05 – You Are What We Were. You Will Be What We Are
 06 – Storm of Death
 07 – Lost In Flames
 08 – Samurai Spirit

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