Banda/Artista: Unearthly
Título: Age Of Chaos
Lançamento: Free Mind Records
Ano: 2009
Resenha por Alex Neundorf
Publicada no dia 15/12/2009
Na resenha do lançamento anterior, "Revelations of Holy Lies... Live", eu já apontava a qualidade do que poderíamos esperar para o próximo lançamento do Unearthly e finalizava com um “que venha a ‘Age of Chaos’!!!”. E finalmente veio!!! E é exatamente quando ouvimos esse play que conseguimos enfim entender porque a crítica especializada recebeu com tantos elogios esse lançamento. Com ele, temos um material que é total candidato à obra prima dos tempos contemporâneos, dos anos 2000. Na crítica deste play, me proponho um desafio (desde já perdido): espero tão somente não repetir tudo aquilo que já dissera naquela outra oportunidade.

Sobre o Unearthly não há muito o que comentar, nem muita introdução a se fazer, afinal é uma banda que veio galgando degraus nesses anos de uma forma muito profissional, honesta e honrada, por isso mesmo, lembrada e proclamada como a mais importante banda de Black Metal do cenário brasileiro atual. O que é uma gigantesca responsabilidade, afinal deve honrar uma tradição que tem nomes tão importantes e que fizeram escola em variadas localidades do globo, nas mais variadas vertentes ou subgêneros (temos um testemunho do legado que o Unearthly carrega com a última faixa, uma bela e oportuna homenagem ao Sarcófago). Diria, sem o temor de parecer exagerado, que o Unearthly é uma das bandas de Metal das mais importantes da América Latina na atualidade. Já era, mas com esse lançamento só cristaliza essa posição e lança as bases para intenções mais ambiciosas ainda.

Com relação à arte, esta ficou a cargo da Mysterian Art. Mantém o padrão dos lançamentos anteriores. É também um pouco da identidade do Unearthly. O encarte é simples e bem feito. Contém as informações necessárias ao leitor-ouvinte. E sim, uma dica: nunca deixem de conferir em qualquer encarte, a seção de agradecimentos. Ali podemos ver (até certo ponto) como uma banda se relaciona com suas congêneres. O Underground necessita de união e de esforços coletivos, só alcançados através de uma mentalidade livre de preconceitos e de vaidades. Podemos presenciar isso aqui.

A gravação ficou a cargo de Ciero do renomado estúdio paulistano. O DaTribo dispensa comentários. Basta verificarmos que as melhores gravações realizadas em solo nacional são provenientes dali e cada vez mais as bandas o procuram. A verdade é que o DaTribo de certa forma, ao longo dos últimos anos, vem concentrando as produções mais expressivas do metal nacional e se tornando um centro aglutinador para bandas que almejam um aspecto mais cristalino para seu som.

Em relação às letras, ao aspecto lírico contido nesse álbum, temos uma continuidade que é a marca do Unearthly e, é claro, da vertente metal que se comprometem executar. Profanação, ódio, anti-clericalismo, anti-religiões, são a tônica em todas as faixas. A responsabilidade pelas letras é bem distribuída entre Mictiam e Eregion.

A abertura fica a cargo da destruidora “Murder the Messiah”. Sem firulas, sem rodeios, sem perda de tempo, é destruição de cara. Um riff muito marcante é a característica desse som. Nele temos a base dos versos principais. O som se apresenta até bem simples em seu começo, mas logo após o solo (mais ao menos ao meio da música) começa algumas derivações complexas, com andamentos sutilmente diferentes e variações dos riffs anteriores. O tema abordado é evidente e a sonoridade é algo fronteiriço entre o Black Metal e o Death Metal. A seguir, mantendo a brutalidade temos “Rise the Scents of Death”. Nesta segunda faixa temos uma breve intro com uma guitarra com sonoridade mais acústica, para logo descambar para uma destruição com características mais Black Metal. Sem dúvida esse som é um destaque. Possui uma levada muito legal, riffs de guitarra muito marcantes, batera precisa, brutal nas horas exatas e quebrada em outros momentos. A terceira faixa chama-se “Thrust the Flag of Sin” e é bastante brutal desde o seu início. Com essa terceira música podemos perceber que há algo marcante e que confere identidade a esse play: todas as músicas possuem em algum momento aqueles riffs que soam como se fosse uma escada (todo o riff inicial da primeira faixa e terceira faixas exemplificam esse efeito que eu procurei mencionar, mas prestem atenção ao longo de todo o play). Esses riffs em conjunto com o baixo e a batera principalmente, dão um efeito muito legal nos ouvidos. Nesse som é o refrão que chama mais a atenção. Muito bem construído. Ao se aproximar do fechamento dessa faixa, temos uma parte mais lenta e cadenciada e que precede o solo. Com “Commando XXI” temos com certeza outro grande destaque desse material. Que som fudido. Todo intrincado e brutal. As linhas vocais de Eregion estão muito bem encaixadas com esse som e, apesar da simplicidade da letra (com um refrão em português), são extremamente brutais. Aí entramos com a faixa que intitulada esse play, em “Age of Chaos” temos mais uma excelente mostra do poder criativo desta banda. O som começa (e termina) fazendo referência, aparentemente, ao mundo islâmico, ou então ao oriente médio. Se for o que eu suponho que seja, idéia bem interessante: essas duas religiões (catolicismo e islamismo) são, sem dúvida, a fonte do caos e prenunciam o caos. São dois sistemas de pensamento dos mais destrutivos que o homem já teve a infelicidade de construir. Mas falando da música, temos aqui um som bruto, intrincado, cadenciado. Em minha opinião a faixa mais bem sucedida do álbum. Por isso mesmo, é a faixa título. Candidata desde o seu lançamento a clássico e a hino da banda. “Incarnation of Salvation” vem na seqüência quase como uma emenda. Mantém o ritmo da anterior e as mesmas características, embora uma sonoridade mais oriental seja mais pronunciada nesta. Ao menos no riff introdutório. Por sinal essa junção entre uma guitarra mais lenta e a batera ultra-veloz ficou muito interessante e marcante. A sétima faixa é instrumental e se chama “Lullaby for Lucifer”. Uma bela composição de cordas apenas. Depois de duas excelente faixas, serve para acalmar e fornecer o clima para a próxima. Com “Anthems, Marchs and Warsongs” temos outra ótima música. Ouvindo, tenho a impressão que vai ser extremamente difícil eleger alguns destaques. A bem da verdade todas os sons deste play possuem um primor fudido e merecidamente o álbum ao todo é um grande destaque. Com esse oitavo som, começamos com uma sirene anti-aérea e logo partimos para uma violência e brutalidade marcadas principalmente pelo ritmo da bateria. A guitarra, na introdução desse som, é mais comportada em termos de velocidade. A composição continua na mesma linha das faixas anteriores, ou seja, extremamente cativante e marcante. Tanto que fica difícil você não sair dessa audição com a impressão de que você reconheceria facilmente cada música do álbum. Aspecto que, convenhamos, é difícil ocorrer nas bandas contemporâneas de metal extremo. Atenção especial a partir dos dois minutos, quando começa uma parte com bastante cadência. Aproximando do fim, temos a nona faixa. “Revelations of Holy Lies” foi a primeira música a ser divulgada desse play. Saiu em sua versão ao vivo no lançamento do ano passado. Foi com essa música que pudemos constatar a mudança no som dos caras. Do Black Metal tão característico, para um som muito mais brutal, nas fronteiras do Death e do Black Metal. A gravação de estúdio dessa faixa só melhora o que já se podia conferir no ao vivo. Para fechar esse material, temos um cover do legendário Sarcófago. “Orgy of Flies” é a décima faixa e uma excelente homenagem a esse ícone e precursor do metal extremo nacional. Conta com as participações especiais de Marcão do Claustrofobia, Panda do Oligarquia, além do próprio Ciero do DaTribo e o engenheiro de som Trek. Aspecto novo incorporado à música é o sampler com as moscas na introdução. No geral, ficou com a cara do Unearthly e ligeiramente mais rápida.

Sempre digo, timbres são como odores e sabores: sempre tem aqueles que mais lhe agradam e aqueles que te desagradam. Então a única coisa que pode desagradar é um ou outro timbre. Mas nada que macule esse que tem tudo para ser um legendário marco do metal nacional.

Meus destaques vão para “Rise the Scents of Death”, “Commando XXI” e “Age of Chaos”. Mas como já disse o álbum ao todo é um grande destaque. Não tem como torcer o nariz para qualquer uma das faixas. No todo ele é ótimo. Brutalidade, cadências, originalidade, melodias, tudo na dose certa. Eregion (Guitarra e Vocals), Dennie Arawn (Guitarra), M. Mictian (Baixo) e Mauro Duarte (Bateria) nos apresentam neste play uma verdadeira trilha sonora para a era que eles mesmos anunciam. Os caras chegaram a um outro patamar. Merecidamente conquistaram esse lugar.
Tracklist:
1. Murder the Messiah
2. Rise the Scents of Death
3. Thrust the Flag of Sin
4. Commando XXI
5. Age of Chaos
6. Incarnation of Salvation
7. Lullaby for Lucifer
8. Anthems, Marchs and Warsongs
9. Revelations of Holy Lies
10. Orgy of Flies
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