Banda/Artista: Corporate Death
Título: Terminate Existence
Lançamento: Die Hard Records
Ano: 2008
Resenha por Alex Neundorf
Publicada no dia 13/11/2009
Diretamente de Jundiai/SP temos aqui em mãos esse play do Corporate Death, que como o próprio nome já adianta, é um Death Metal com uma qualidade acima da crítica, com técnica e brutalidade em doses certas. Não descamba nem para o ultra-técnico de bandas como o Necrophagist e Beneath the Massacre, por exemplo, nem para o ultra-brutal de bandas que querem ser o Krisiun (mas não chegam nem aos pés dos caras). Digamos que é um Death Metal que pisa no terreno que Cannibal Corpse, Malevolent Creation, Decapitated e Kataklysm já pisaram. O Corporate Death começou suas atividades em 2001 e desde então vem trilhando uma trajetória muito profissional, uma demonstração de respeito e fidelidade ao gênero. A atual formação do Corporate Death, que está reunida desde 2005, conta com Paulo (bateria), Damien (guitarra), Cau (baixo) e Flávio (vocais). De 2005 temos o primeiro registro fonográfico com a demo “Ways to The Madness”, material este que abriu as portas, de certa forma, para os caras, uma vez que foi muito bem recebido pela crítica especializada. Em 2008, enfim, depois de tocar em vários locais da região sudeste principalmente e dividir os palcos com ótimas bandas do cenário local tais como Flesh Grinder, MDK, Vomepotro, Life is a Lie, Força Macabra, Funeratus e Andralls, finalmente lançam o debut full-lenght “Terminate Existence”.

Começando pelo começo, vamos falar da arte. É nela que começa o contato do ouvinte com a obra da banda. Naturalmente, é nela que começa o positivo ou o negativo da impressão que esse ouvinte vai ter. No caso desse “Terminate Existence”, temos uma arte bem simples até, mas mesmo assim interessante. É de uma linguagem bem direta, afinal como se fala de um “fim do homem”, nada melhor que uma caveira na capa. Na contra capa temos um tanque de guerra coberto de caveiras numa atmosfera bem sinistra. Assinada pelo próprio Damien, tanto a arte como o encarte são de bastante bom gosto, pois não há exageros em nada. Em minha opinião, é até um pouco simples demais.

Uma coisa que salta aos olhos: é incrível como as bandas atualmente estão tratando de temáticas apocalípticas (embora sempre tenham ocorrido), ou então como para o Corporate Death, do “inevitável declínio da humanidade”. Acho que realmente é algo que está para além do clichê, está no imaginário coletivo, numa mentalidade difusa da galera. Essa coisa da “inevitabilidade” (vou inclusive ser mais pessimista ainda) do desaparecimento da raça humana da face da terra é algo nem muito comentado nas rodas de conversa dos amigos, nos debates filosóficos, nos “excelentes” programas de domingo à tarde, etc., mas é escancarado que essa “raça” não tem mais concerto. O “humano” não aprendeu com os erros e quando sacar as coisas que está produzindo será muito tarde. E olha que nem é só o lance ambiental, ou da eminência de novas guerras, é mais profundo ainda: é da mentalidade mesmo. Como eu disse, quando falamos desse assunto não há clichê, é até bem pedagógico para que seja visto dessa maneira.

Gravado entre junho e novembro de 2007 no H.S. Studio de Jundiaí, este play é composto por dez sons e abre com uma introdução muito bonita. “Belum Omnia Omnes” é bem atmosférica e, embora não “case” muito com o som que vem na seqüência, acho que produz o efeito desejado. O principal letrista, quando o tema é “fim do mundo”, digamos assim, é o Paulo Pinheiro. Poderíamos mesmo dizer que este álbum só não é conceitual (ou melhor, temático) porque não foi declarado assim, uma vez que todas as letras abordam de alguma forma a temática antes descrita. Voltando para a intro, ela remete a um mundo devastado, provavelmente coberto pela podridão dos corpos depois de algum evento cataclísmico (há sons de corvos, moscas e lobos). Mas tem um mínimo de otimismo aqui também: tem gente sussurrando no começo. A bagaça começa destruindo mesmo com “Living Funeral”, que de cara mostra um Death Metal bastante brutal e técnico, cheio de detalhes. Destaque para as linhas vocais ultra-graves utilizadas pelo Flávio. Realmente muito brutal. Uma ótima faixa para abrir o play. Não é a melhor faixa do CD, mas com certeza o fato de ser extremamente intensa e pesada confere um impulso foda para quem esta ouvindo. Ela dita a regra. A seguir temos “Contagious Insanity” que, ao menos nas linhas vocais, consegue ser ainda mais brutal. Embora possuindo uma tocada mais “lenta” que a anterior, mantém a intensidade. Destaque para o riff de entrada que é bem interessante e para as quebradas de andamento, mais para o meio e fim da faixa. “Inherit” é a música mais longa e conta com mais de cinco minutos. É um som que nos faz lembrar muito uma das influências declarada dos caras, especialmente o “The Bleeding” do Cannibal Corpse. O som começa com uma fala de filme, provavelmente (não consta a informação no encarte!!!). Não consigo identificar a citação. Em termos líricos, é a música mais expressiva, que conta com a letra mais bem elaborada. Chega até a ser meio nietzscheana: “Deny all, destroy the walls of truth testify the born of the new man”. É a melhor faixa até aqui. “Fading Existence” é a quinta faixa e também considero outro destaque. Mantém a mesma qualidade da faixa anterior. O verso que antecede o refrão é muito legal de ouvir, além do refrão que está baseado em uma parte bem quebrada da música. “Slaves of Madness” é, com exceção da intro, a faixa mais curta (tem pouco mais de três minutos). Fico puto quando ouço uma citação e não sei de onde ela veio. Ou porque minha memória anda uma bosta, ou porque ainda não vi o filme em questão. De toda forma, essa informação poderia constar no encarte. A sexta faixa começa com uma citação também. É uma das faixas mais rápidas e intensas. A seguir temos “Preying the Soul”. Destaco as linhas vocais do refrão: acho muito interessante esses vocais dobrados, pois conferem uma brutalidade extra exatamente numa parte que merece ser realçada. “Terminated Horizons” é um som mais longo. Em seus mais de cinco minutos ouvimos uma mescla de cadência e partes mais rápidas. Mais para o meio da música ocorre o acréscimo de outra linha de guitarra (com um timbre ligeiramente diferente) que ficou um pouco descolada, mas é questão de mixagem. Chegamos à penúltima música deste CD. Com “Painful Way” temos novamente um excelente som. O riff inicial é muito bom de ouvir e os que vêm na seqüência não ficam por menos. Apesar das variações nos riffs, é uma das mais “retonas” no andamento geral. Por fim, finalizando esse ótimo CD-debut dos caras, temos “Pit of Despair”. Esse som fecha muito bem esse play. Acho mesmo que é um dos sons mais intricados deste álbum. Cheio de riffs e variações, cheio de quebras de ritmo. Sem dúvida um destaque. A finalização é por conta de um dueto de guitarras acústicas. Aspecto que ficou muito interessante, uma vez que apesar do tema de todo o álbum remeter a uma postura mais pessimista, nesse fim temos uma sonoridade que inspira um otimismo bem forte. Um fechamento que ficou bastante bonito e espanta qualquer niilismo.

Alguns pontos que eu sugeriria melhorar (ou ao menos pensar a respeito): em primeiro lugar, em alguns momentos falta um pouco de precisão na execução de algum dos instrumentos. Senti que em alguns momentos, mesmo que raros, ocorrem pequenas falhas. Sei que o som é bem intrincando e com variadas quebras de andamento, mas senti que às vezes a bateria e a guitarra se perdem, principalmente nas partes mais lentas. Senti que o impulso mental era de mandar lenha e fazer a coisa mais rápida, mas como era gravação de material de estúdio o pessoal se conteve. Posso estar enganado, mas ao menos foi isso que senti, nas partes lentas, enfatizo. Mas é um aspecto que não compromete jamais o material, particularmente eu até gosto dessas pequenas imperfeições. São elas que conferem “corpo e alma”, honestidade ao som, afinal na era do “digital” e dos “pro-tools” nunca se sabe quando uma banda realmente tocou aquilo na gravação. Outro ponto (que é mais como uma sugestão): gostaria de ter visto no encarte algumas referências ou comentários sobre as letras. As bandas em geral deveriam repensar o papel do encarte: não apenas um repositório de letras e agradecimentos com uma arte, mas um veículo de informação que pode conter mais informações sobre a banda, sobre cada componente, sobre cada música. Sei que é caro colocar uma folha a mais, mas acho que vale a pena. Só engrandeceria ainda mais o trabalho (que não esta só na música em si).

Passando para mais alguns aspectos positivos (ao longo de toda a resenha foram vários os elogios a esse material), visando uma conclusão, o que salta aos ouvidos nessa audição é a extrema qualidade da gravação. Límpida, nítida, clara, exemplar. Além disso, as composições em geral revelam que os caras conhecem realmente o que fazem. São bastante elaboradas e intrincadas. Da gosto de ouvir. No geral todas as músicas mantêm uma homogeneidade e unidade que conferem identidade ao trabalho. Meus destaques vão para “Inherit”, “Fading Existence”, “Slaves of Madness” e “Pit of Despair”. No mais, ficamos no aguardo de uma seqüência para esse formidável trabalho. Fico imaginando apenas como ela será, uma vez que o derradeiro fim do homem já marca o debut. O que esperar? Um renascimento do homem?
Tracklist:
01. Belum Omnia Omnes
02. Living Funeral
03. Contagious Insanity
04. Inherit
05. Fading Existence
06. Slaves Of Madness
07. Preying The Soul
08. Terminated Horizons
09. Painful Way
10. Pit Of Despair
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Paulo P.  comentou:
A introdução da fading existence é do filme \" clube da luta\". e da slaves of madness é do filme o exorcista.
13/11/09 às 16:34 Hs
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