Banda/Artista: Chaos Synopsis
Título: Kvlt Of Dementia
Lançamento: Free Mind Records
Ano: 2009
Contatos: Chaos Synopsis: jairochaos@yahoo.com.br

Contatos Metal Media Management: debora@freemindpress.net
Contatos Free Mind Records: contato@freemindrecords.com.br
Gravadora: Free Mind Records - http://www.freemindrecords.com.br/
Resenha por Alex Neundorf
Publicada no dia 20/10/2009
Quando peguei nas mãos esse que é o primeiro trabalho full-lenght do Chaos Synopsis fiquei realmente muito entusiasmado para colocar para rodar. Tive contato pela primeira vez com a banda nas viagens pela net e pelos Myspaces, assim como também através da primeira coletânea da comunidade do Orkut “Death Metal Brasil”, onde o som “2100 A.D.” compunha a sétima faixa (um contato atrasado, uma vez que a banda já havia lançado dois outros materiais oficiais: o EP “Garden of Forgotten Shadows” de 2005 e “2100 A.D.” já em 2008). Naquele momento já tinha dito que era uma das bandas que despontavam dentre as outras que compunham aquele material.

O Chaos Synopsis vem de São José dos Campos/SP e conta atualmente com Jairo (Baixo e Vocais), JP (Guitarra e Backing Vocals) e Vitor (Bateria). Começou suas atividades em 2005 e desde então são uma presença constante em shows pela região sudeste. Já tocaram ao lado de grandes nomes do cenário brazuca e até internacional, tais como Violator, Nervochaos, Sinister, Dismember, Mayhem, etc.

Gravado entre 2008 e o começo de 2009, no estúdio do Fábio Zperandio (do Ophiolatry), o Laboratório 6, este trabalho é um exemplo de gravação/mixagem. Ótimo mesmo, porque não consigo identificar nada fora do lugar. Evidentemente que é a análise de um simples ouvinte.

A arte da capa é assinada por Rafael Tavares (da Digital Miasma) e também é um aspecto a parte para ser analisado. Excelente!!! Conceito que será exemplificado nas letras: anti-clericalismo e crítica à igreja católica. A capa mostra um padre, com ar diabólico e santo ao mesmo tempo, dominando uma coitada de uma criança crente (obrigando-a a rezar ou obrigando-a a crer). E a dominação é meio que a la Pinhead (da já enfadonha série Hellraiser) com correntes que saem das mãos do padre e se prendem a carne do jovem através de ganchos. É uma leitura interessante do que essa cambada de padres pedófilos fazem com as crianças, ou do que a igreja faz, “catequizando” a criançada e tornando-as descerebradas. Toda esta cena está encerrada dentro de uma daquelas celas estofadas dos manicômios. É claro que um culto religioso é apropriadamente exemplificado pela imagem do manicômio. Internamente, o encarte não traz nada de especial. Bem simples. Apenas contendo algumas imagens que remetem aos temas das letras e também fotos estilizadas dos componentes (que ficou bem legal... os três aparecem devidamente trajados com camisas-de-força).

A primeira faixa é “Postwar Madness”. Um som maravilhoso que coube muito bem como abertura. Um riff muito cativante abre a música e leva qualquer um a banguear sem parar. Ótimo começo mesmo!!! O andamento é bem tradicional, dentro do matiz em que o Chaos Synopsis se enquadra dentro do gênero Heavy Metal. Muita cadência, guitarras, baixo e batera precisos, brutalidade característica dos anos 90. Um som que se localiza em um espaço limítrofe entre o Thrash e o Death Metal. Nos vocais, temos também um estilo bem característico dos anos 90, de escola européia, explorando graves com timbre mais característico, mas também revezando com partes mais agudas (como no refrão). Em minha opinião, a la Napalm Death dos inícios (mas também, em algum lugar, uma dose de Dismember). Em termos líricos (e aqui anoto o primeiro pecado), não há nada de inovador: a letra trata de um cenário pós-guerra como o título indica. A seguir, ouvimos “Sarcastic Devotion” que mantém o ritmo e que dá seqüência ao play com um outro ótimo riff introdutório. E aqui aproveito para falar disso: ótimos riffs estão presentes nesse play!!! Dá para perceber que os caras, ou pensam realmente na criação de riffs que propiciem quem ouve banguear, ou isso já é natural para eles. Penso mesmo que as composições revelam algo bem cerebral por trás desse power-trio, uma vez que ouvimos uma intercalação de riffs bem inteligente e interessante para quem ouve. Os riffs de introdução são sempre bem legais para bater-cabeça, os base de vocal seguram bem o andamento da parte cantada, aquelas “pontes” também são bem pensadas, não são somente uma parte “jogada” na música para emendar dois riffs, geralmente são nessas “pontes” que ocorrem quebras de andamento que tornam as músicas ótimas de ouvir. A terceira faixa do play é a “Only Evil Can Prevail”. Ela começa com uma pegada bem mais brutal que os dois sons de abertura e ai continua com o característico andamento cadenciado, alternando bons riffs. Entre os dois versos base de vocal há uma quebra de andamento bem legal, que dá um toque ainda mais interessante a esse som. A bateria também merece um destaque a parte porque nessa música, de forma mais clara, fica nítida a desenvoltura de Vitor que soube muito bem intercalar as partes mais rápidas com outras cheias de cadência e outras bem mais lentas que o geral. Em “LXXXVI” (ou “Oitenta e Seis”) temos continuidade no que já se comentou até aqui, mas diria que essa é até aqui o som mais “morno”. Há uma parte mais para o meio da música em que ocorre um bumbo duplo bem interessante e que dá uma velocidade que antecipa uma quebra mais lenta, acho que a mais lenta até aqui, mas que confere um clima também interessante. Caminhando para a metade do play, temos o quinto som com “License to Kill”. “There’s no need for us, humans, to worship any god. We are gods ourselves, we have the power to create life, and also, to destroy”, e assim inicia este rápido som. Não é nem preciso dizer que começa com uma alternância de ótimos riffs, batera e baixo precisos. Ressalto aqui novamente a parte lírica, que, em minha opinião, merecia mais esmero. A intro com a citação criou uma expectativa que não foi muito bem cumprida. Não que comprometa a audição. Apenas acho que a banda precisa dedicar mais tempo e ter mais paciência, talvez, nesse momento das composições. A repetição do último verso poderia ter dado lugar a apresentação de uma nova idéia complementar à letra. É um ponto que eu pego-no-pé porque é, em minha opinião, quesito importante na avaliação de um material. Mas claro, é o debut e a estrada vai colaborar no amadurecimento dessa parte, visto que no mais, está acima da média. E pensando bem, é exatamente isso que talvez seja o ponto nevrálgico dessa avaliação: é um som que está acima da média, portanto cria uma expectativa exagerada, levando-se em consideração que a banda está debutando e tem pouco mais de quatro anos de existência. A seguir, temos “Expired Faith” que é a faixa mais longa. Começa bem mais lenta e cadenciada, com riffs até bem simples, mas nem por isso menos cativantes e bangueantes, vamos dizer assim. Termina com uma extensa parte sem vocais. Para quebrar mesmo, no “ao vivo”, suponho. “Blinding Chains” é a próxima e é uma quebradeira só. Deve ser foda tocá-la “ao vivo” e vejo aqui uma ótima seqüência para o som anterior, não só neste play, mas também nas performances “ao vivo”. Muito bom mesmo, gostei também em especial dos vocais dobrados em “WE PART WAYS”... “From a god that’s dying day by day”. A oitava faixa recebe o sugestivo nome de “Spiritual Cancer”. Claro, é um sempre oportuno ataque a isso que conhecemos por “religião”. Concordo plenamente: Câncer. É uma excelente faixa, se as duas faixas introdutórias não existissem seria meu destaque até aqui. Lá pelos meados desse som, ele descamba para uma quebradeira fudida. E ai retorna a cadência finalizando com um solo de guitarra (são poucos os solos de guitarra). Aproximamo-nos do fim do play e “2100 A.D.” é a penúltima faixa. Já havia ouvido esse som anteriormente e gostei bastante. É um ótimo som também e conduz bem para o fim desse material. Trata de um tema bem interessante de ser trabalhado: apocalipse. Não o de tom bíblico, mas no sentido de um eminente “fim do mundo”. O tom da faixa é ameaçador: 2100. Acho que é a letra mais bem trabalhada e a que traz uma idéia bem mais interessante. “March of the Unholy” é a faixa mais curta e também ficou responsável por fechar esse material. Que som fudido para fechar esse play. Brutal de início, altamente “climático”, digamos assim. É curto porque é bem rápido. No geral, creio que seja o som mais direto mesmo. Muito bom, fechou com chave-de-ouro.

Fazendo um joguinho de palavras, visto que não temos nada contra “pecar”, vamos apontar então os “pecados” cometidos neste que é, vale lembrar, o primeiro full do Chaos Synopsis. Claro, a intenção é colaborar! Se a banda achar oportuna e construtiva tome como sugestões para os próximos lançamentos que virão. Com relação à parte das letras: acho interessante dedicar mais tempo na composição delas, não que eu tenha algo contra clichês, mas um pouco mais de esmero na sua construção é algo que poderia ser enfatizado no futuro. E além do mais, não é só na parte ‘musical’ que se encerra a identidade de uma banda, mas na parte lírica também. Existem bandas (e mesmo gêneros do Metal) que, por sinal, construíram suas identidades apenas enfatizando a parte lírica (diferenciando-se dos clichês). Por mais que as letras de quase todos os sons contidos nesse debut estejam de alguma forma relacionados com o nome “Chaos Synopsis” e com a arte da capa, poderiam ser trabalhadas com maior profundidade, em termos de reflexão mesmo sobre esses temas. Sempre que leio “Chaos Synopsis” logo penso em profundidade reflexiva, nada de nerdezas, mas algo mais “demorado” ao trabalhar as partes líricas acho que só colaboraria para com a construção de uma identidade ainda mais forte para a banda. Afinal no que tange o nome “Chaos Synopsis” e na parte propriamente “musical” a banda esbanja inteligência. Não que prejudique o trabalho, mas se a parte ‘musical’ é trabalhada de uma forma mais cerebral, a parte complementar ‘lírica’ também poderia. Outro ponto: acho que há sem dúvida um pezinho na parte mais brutal do Death Metal, e a banda demonstra que tem cacife para fazer assim também. Achei muito interessante os momentos que a banda mescla com mais ênfase as partes cadenciadas (que são uma característica do som deles) e as partes com brutalidade em doses mais avançadas (como nas últimas faixas). Nesses momentos, o som do Chaos Synopsis parece localizar-se em um ponto de interação entre dois diferentes momentos da história do Death Metal. Gostei bastante de pensar nisso, ouvindo esse som.

Os meus destaques vão para as duas faixas de abertura mais a faixa que fecha o play. São simplesmente ótimas. Tenho certeza que vão agradar tanto aqueles que curtem um som mais anos 90, como aqueles que já nasceram e viveram sob tutela dessa nova geração, acostumada com uma porradaria mais intensa. Não tenho dúvida que, se a banda demonstrar nos próximos trabalhos a mesma maturidade que demonstrou nesse debut (mas é claro, sempre avançando e evoluindo), se mantiver seu nome bem divulgado, se conseguir executar uma agenda de apresentações constantes, se mantiver uma humildade necessária a qualquer crescimento, vai logo despontar como um importante nome dentre as bandas da atual safra. Penso até que este material, mesmo sendo ainda um debut, mereceria um “tour” de divulgação (que de certa forma já vem ocorrendo), independente da escala: regional ou nacional, lugar e público para este som é garantido que há. No mais, excelente trabalho apresentado aqui por todos os envolvidos. Termino essa resenha perguntando: o que é o caos para você? Se você não tem uma definição ou ainda não pensou sobre isso (e olha que vivemos em um mundo caótico), neste debut você irá encontrar uma primeira parte (de muitas que, espero, virão) de uma sinopse para isso que chamamos “caos”.
Tracklist:
01. Postwar Madness
02. Sarcastic Devotion
03. Only Evil Can Prevail
04. LXXXVI
05. License to Kill
06. Expired Faith
07. Blinding Chains
08. Spiritual Cancer
09. 2100 A.D.
10. March of the Unholy
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Jairo  comentou:
Excelente review e dicas anotadas, fico realmente feliz que tu tenha curtido e realmente ouvido o cd e destrinchado todo o conteúdo. Abraços.
21/10/09 às 07:19 Hs
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