Banda/Artista: Bloody
Título: Engines Of Sins
Lançamento: Independente
Ano: 2008
Resenha por Alex Neundorf
Publicada no dia 02/03/2009
Há quase três anos trabalhando na divulgação de seu debut, eis que surge o Bloody novamente, agora com mais um lançamento de peso para o ano de 2008. "Engines of Sins" é o segundo full da banda e realiza um passo significativo na evolução, sob vários aspectos, do Bloody: desde a parte instrumental e temática, até outros aspectos mais detalhistas, como arte de capa e conceito, letras (bem mais trabalhadas em inglês), etc. Em um momento anterior, na resenha do “Slow Death”, comentei sobre um dos aspectos, talvez dos mais importantes para uma banda: o profissionalismo que esta apresenta. E ainda, depois de três anos, continua com a mesma força e vigor! Nesses três anos de estrada, divulgando o álbum de 2005, as portas foram abertas! Shows ao lado de nomes dos mais expressivos do nosso metal nacional, além de bandas com calibre internacionais, tais como Krisiun, Torture Squad, Claustrofobia, Andralls, entre outras várias. Desde 2007, mais especificamente desde setembro, o Bloody vinha trabalhando, entre gravações e mixagens, para o lançamento, em julho de 2008, de “Engines of Sins”.

Somente para motivo de retrospectiva, além da demo "Eat your Brain", de ótima recepção nos meios undergrounds de 2002, também a participação em duas coletâneas de nível e abrangência nacionais, e o lançamento do debut full-lenght de 2005, o acima da média "Slow Death", o Bloody vem através deste "Engines of Sins", como mesmo mencionam em release, "firmar definitivamente o nome do Bloody na cena nacional e nos corações de todos os headbangers do Brasil". Pode-se mesmo afirmar que, Paulo Tuckumantel (vocals), Fabio Bloody (guitars), Andre Tabaja (bass) e Luis Coser (drums), que formam essa admirável banda de Hortolândia, na região metropolitana de Campinas, estado de São Paulo, se não alcançaram o objetivo antes mencionado, ao menos deram um passo significativo para alcançar "corações e mentes" do público metálico nacional.

Este trabalho conta com 11 sons, todos produzidos por Ciero, do renomado Da Tribo Studio de São Paulo, e tendo como proposta, mesclar as tecnologias de gravação analógicas e digital, tentando assim obter o melhor resultado possível. A arte da capa representa um homem crucificado e perpassado de parafusos, hastes metálicas, pregos, etc. Talvez mesmo, um cristo modernizado. O próprio título do álbum, “Engines of Sins” (vale atentar para os três “S” destacados do nome) me fez pensar na “arte” do sofrimento e da dor, propostas pelo personagem Pinhead e seus cenobitas (do autor Clive Barker): “no tears, please. It's a waste of good suffering”. Mas não, aqui a proposta temática é ligeiramente outra, talvez mesmo inspirada indiretamente pelo acima exposto, mas refere-se basicamente, como dizem em release: ao “homem como seu próprio Deus e suas conseqüências. Homens como máquinas de pecados, crucificados como falsos deuses de seus destinos, acreditando em algo invisível, e se aproveitando dessa fé, para enriquecer e alimentar uma falsa ordem estabelecida para controlar as massas, impedindo-as de expressar suas vontades”. Vale lembrar que este álbum não possui uma faixa que, claramente, o intitula. 

É, talvez, a música de abertura, “Bloody Machine”, que melhor exerça essa função. Ela inicia com um som irregular de uma máquina entrando em funcionamento, como se estivesse “pegando no tranco”, para depois manter a harmonia de uma linha de montagem. Por pouco mais de um minuto, esse som maquínico mantém-se em conjunto com os riffs de guitarra, e funcionam como uma breve intro. Por sinal, o riff inicial dessa música esta realmente muito interessante. Enfim, “Welcome to the Bloody Machine”. Depois, dessa ótima recepção, podemos concluir que este é um excelente som e candidato a se tornar um hino para os próximos anos. Sem dúvida, uma vigorosa abertura. A seguir, em “Invisible Faith” ouvimos um som que inicia bastante rápido e então enreda para um solo inicial. Refrão maravilhoso. Mais ao meio da música, ouvimos uma pequena parte mais parada, enfatizando uma marca registrada dessa banda, que são as partes cadenciadas. “No Pay, No Gain” apresenta uma sonoridade que ainda lembra uma das maiores influências dessa banda, o Thrash Metal bay area. Liricamente, mais do que nunca nesse álbum ao todo, o tema da crítica a igreja, ou as religiões de uma forma geral, onde você recebe sua salvação (ou as “graças de deus”) equitativamente ao quanto você está disposto (ou possui) para pagar: “no pay, no gain”. A mais curta, com quase 4 minutos, é “Kill the Order”, que se apresenta como um grito crítico contra a ordem. Meio que embebida na filosofia no anarquismo, aparentemente, afinal: “que o último político seja enforcado nas tripas do último padre”. O quinto som é, na minha opinião, um dos maiores destaques desse play. “Forbidden Words” é o som nacional mais fudido que eu ouvi nos últimos tempos!!! E ainda tem até um “ôooo”!!! Muito bom!!! Não à toa, é o som com maior número de audições no myspace dos caras. “It´s time... to say... some forbidden words... we desire... to say… FUCK YOU”. Depois desse som, segue “Evil's Science”, que é a mais longa, contando com quase seis minutos. Serve como um descanso, embora nem tanto... Fala sobre purificação racial, sobre eugenia, por isso mesmo: “Evil´s Science”. Nesse som, o vocal é um pouco diferenciado, abusando dos guturais mais graves na maior parte do tempo. Excelente trampo nas guitarras, cozinha precisa. Letra até bem simples, mas bem trabalhada com a parte instrumental. Com “Forsaken by the Gods” temos um som que começa já a uma velocidade razoável e então se encaminha para uma cadência fudida, para banguear alucinadamente. Ótimos riffs. O som de número 8, é a única cantada em português: “Vírus”. Difícil esse trampo. Quem já fez, ou tentou, fazer som com letras em português sabe da dificuldade em não soar ridículo, em casar letra com instrumental. Sem dúvida, mais um dos destaques deste “Engines”. A seguir, e já nos aproximamos do fim do play, é a antepenúltima faixa. “The Outcome”, assim como “Immortal Rage” (a faixa 10), nos encaminham para o desfecho final. Esta última, por sinal, trata sobre um tema interessante: o “Massacre de Virgínia Tech”, ocorrido na Universidade de Virginia em abril de 2007 e que foi o maior assassinato em massa (33 mortos), em escolas, dos EUA. Por fim, “Chaos Empire” é o fechamento necessário. Depois de mais de 50 minutos de destruição e de um excelente Thrash Metal, moderno em certo sentido e tradicional em outro, a 11ª faixa desse play, conclui magistralmente. E esse som, que trata do homem e suas construções, do futuro do homem em um mundo que ele mesmo criou e criará, acaba com uma bateria mais tribal e sons de prato que remetem a máquina de abertura.

Para finalizar, como é de praxe, vou aqui apresentar meus destaques: em primeiro lugar, mas não em ordem de importância (apenas para enumerar mesmo), o esmero para com seu público, na medida em que, vemos no encarte, as letras continuam sendo traduzidas para o português, e agora (depois de “Slow Death”) com ainda mais detalhes (todas as músicas possuem na abertura, antes das letras propriamente ditas, um dístico que as introduz). Realmente, trabalho primoroso e que deveria servir de exemplo, afinal não custa nada fazer essa espécie de legenda. Em termos musicais e, digamos, “sonoros”, é verificável a evolução: as composições tornaram-se ligeiramente mais complexas e trabalhadas, a sonoridade ganhou mais identidade e a qualidade final ficou absolutamente impecável. Destaques individuais para Luis Coser (que recentemente deixou o Bloody), que evoluiu grandiosamente na bateria e ao Fábio Bloody, que conseguiu trabalhar de forma magistral nos riffs que compõe esse material.
E sim, Stay Bloody Fuckin Rules.
Tracklist:
1 - Bloody Machine
2 - Invisible Fatih
3 - No Pay, No Gain
4 - Kill the Order
5 - Forbidden Words
6 - Evil's Science
7 - Forsaken by the Gods
8 - Vírus
9 - The Outcome
10 - Immortal Rage
11 - Chaos Empire
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