NELSON AUGUSTO DOS SANTOS - três décadas de underground
Quinta-feira, 2 de Maio de 2013
  O underground, em qualquer parte do mundo, conta com personagens inigualáveis, seja pela sua luta em prol da cena, por ter tocado em diversas bandas seminais, por ter atuado em zines, pequenos selos ou distros, ou por ter feito tudo isso ao mesmo tempo. Esse é o caso de Nelson Augusto dos Santos, um desses personagens da nossa cena que, por estar na ativa desde o início da década de 1980, conhece muito da cena nacional e estrangeira, tendo vivido-a intensamente em bandas como Death Angels e Desecrator, por exemplo, e no zine/selo Rotthenness, responsável por diversos lançamentos entre 1990 e 2003, como Necrose, Sarcastic, ROT e Krisiun. Atualmente, Nelson ainda milita no underground com uma distro própria e com sua banda noisecore New York Against Belzebu. É sobre um poouco de cada uma dessas coisas que fala a entrevista abaixo.

1. Olá, Nelson, tudo bem? Primeiramente, muito obrigado pela tua disposição em participar desta entrevista. Bem, quando comecei a escrever aqui neste espaço defini sua proposta básica, que é a de resgatar histórias, pontos de vista e informações sobre a velha guarda do underground brasileiro, principalmente. Você é um veterano batalhador do underground, certamente. Então, conte-nos quando exatamente você começou a se envolver com a cena e como foi esse envolvimento. 

R: Comecei a curtir rock antes do KISS chegar ao Brasil, não lembro a data, talvez 1982. Qdo o KISS veio ao Brasil eu já queria ir ao show, mas não fui.  Um amigo da classe me passou uma fita com Aerosmith, AC/DC, Picture,  Krokus e outras bandas. Eu só conhecia Pink Floyd, Genesis, YES, Led Zeppelin e Black Sabbath antes disso, mas não sabia que existia um mundo cheio de bandas mais pesadas ainda, achava que apenas essas bandas faziam som pesado.  Aí, pirei e fui correr atrás de mais bandas pesadas.  

2. Todo mundo que curte um som underground costuma lembrar da primeira banda, do primeiro disco ou fita que ouviu. Qual foi a sua/o seu? Além disso, todo fã de som extremo também costuma lembrar com facilidade do disco ou banda que mudou seu ponto de vista e o conduziu às profundezas do som mais caótico e pesado. Sendo assim, qual seu divisor de águas nessa área?

R: Essa primeira fita que falei com certeza me marcou, mas o disco foi o HOLY DIVER, do DIO. Comprei ele no antigo MAPPIN, loja de departamentos no viaduto do Chá, aqui em São Paulo.  Aquelas bases de guitarra aliadas com o peso e a estrutura das músicas eram e são foda até hoje quando ouço.   Outro que marcou muito foi o Show no Mercy, do Slayer. Também teve uma fita K-7 muito mal gravada do Venom com o LP Black Metal.  Depois disso, me surpreendi a primeira vez que ouvi Napalm Death (Scum) e um ensaio do Extreme Noise Terror. Esse primeiro contato com esse estilo até então desconhecido foi tão marcante que lembro como se fosse hoje. O Napalm eu ouvi num programa de domingo, com o Capitão de Aço, Beto Peninha e o E.N.T. e foi de uma fita k-7 que eu peguei de um amigo da Austrália. Esse amigo se chama Alan Moses, que depois mudou pra os EUA e foi ser o responsável pelo fan club oficial do Morbid Angel.  Tenho esse ensaio do E.N.T. até hoje.

3. Pra você, quando se fala em som extremo underground, se inclui Metal, Punk e Noise experimental lado a lado? Pergunto isso porque a maior parte dos veteranos da cena parece não ver problema algum nessa coexistência, embora existam pessoas que neguem essa correlação entre as duas cenas. Qual sua posição a esse respeito?

R: Logo que surge um estilo novo (que já é mistura de outros anteriormente existentes), as pessoas assimilam aquilo e começam a criar em cima e misturar com coisas e estilos antigos.  No fundo, está tudo mesclado, porque se for analisar, as primeiras mais famosas bandas “grandes” experimentais de noise ou industrial foram formadas pelo Mick, do Napalm Death (SCORN, PAINKILLER, etc), e também o GODFLESH e muitas outras...  respondo que sim, elas podem coexistir e são irmãs.

4.  Entrando na questão musical propriamente dita, qual foi sua primeira banda? Você pode contar um pouco mais a história dela?

R: Cara, a primeira banda se chamou Death Angels e foi a única que gravamos algo.  Éramos totalmente inexperientes e pra dizer a verdade eu acho que nem ensaiávamos antes da gravação. Pelo menos não lembro de nenhum dia que eu possa dizer que ensaiei.  O Paulo fazia as bases junto com o baterista, eu fui com as letras e encaixamos as letras nas músicas no dia da gravação. A gente ensaiava  uma vez a música e já gravava. Fomos pro estúdio caseiro de um amigo num domingo de manhã e ficamos o dia inteiro lá gravando.  Esse amigo era o Caio, da banda CURTO CIRCUITO, que estudava na minha classe. 

5. Como foi sua experiência e quais as dificuldades que se encontrava na época do Stench Angels? A propósito, essa banda chegou a gravar algum material? Hoje em dia, parece que não há mais nada da banda disponível em lugar algum...

R: Na verdade, o Stench Angels era o Death Angels, depois da saída do Paulo, que mudou para Bebedouro. Não fizemos nada com o Stench Angels, dois ensaios com um amigo, mas ficou por isso mesmo.  As dificuldades eram encontrar aparelhagem boa e num preço acessível. Naquela época as coisas eram mais caras e nós éramos simples Office boys, ganhando salário mínimo... 

6. Depois dessa banda, ainda na década de 1980, você chegou a tocar com mais alguém? Em caso positivo, qual(is) foi (foram) a(s) banda(s)?

R: Ainda com a formação do Death Angels tocamos três ou quatro shows ao vivo, mas usávamos outros nomes para não “queimar” o nome da banda, já que nossos shows foram bem caóticos. Eu pirava no palco, berrava, xingava todo mundo e falava palavrões e isto não era uma atitude de banda metal, mas sim, de banda punk. Eu só sabia fazer isso e eu não conseguia ter uma “atitude metal” no palco.  Tocamos uma vez com o nome de Iron Hammer e eu pintei um “I” e um ”H” nas pernas da calça, coloquei umas correntes no pescoço e fomos lá fazer barulho... Então, no fundo, éramos uma banda que fez shows como se fossem 3 bandas diferentes.   Mas volto a dizer, a banda nunca ensaiava, e quando tinha ensaio, exceto pelo Paulo e pelo Sérgio, ninguém sabia o que estava fazendo ali (inclusive eu). 

7. Ainda nos anos 80, você teve um dos zines mais importantes do país em termos de popularidade, creio eu, o Rotthenness, certo? Você pode nos contar um pouco da história desse veículo? Quando esse trabalho começou e por que ele terminou?

R: Modéstia a parte, acho que sim, ele foi importante, pois ajudou a divulgação de bandas nacionais no exterior, já que eu fazia o zine em inglês, com a ajuda da minha namorada. Existia a revista METAL e a SOMTRES, onde eu encontrava pessoas e informações. Comecei a corresponder (por carta) com toda banda que eu passava a conhecer e nisso vi que várias bandas não tinham muita divulgação na mídia impressa, então pensei em editar o zine Rotthenness, isso já em 1987, quando saiu o número 1. Segui em frente e fiz mais 4 números, até 1991, quando o zine acabou virando o Selo Rotthenness.

8. Em amplo sentido, quais as diferenças entre fazer um zine naquela época e fazer um zine hoje em dia? Lembro que teu zine buscava trazer matérias com bandas gringas, que eram colocadas lado a lado com as bandas nacionais. Pode-se dizer que, pra você, o underground nacional não devia nada ao internacional ou nem se pensava nisso na época?

R: A captação de material naquela época era muito mais demorada e difícil. Hoje qualquer banda grava e manda por e-mail. Na época ninguém tinha computador, não existia internet, era tudo na carta e muitas extraviavam e as bandas demoravam meses para responder, principalmente as bandas gringas. Sim, eu sempre coloquei as bandas nacionais no mesmo nível das gringas e na verdade, eu dava mais valor pras nacionais, porque eu sabia que ter uma banda no Brasil era bem difícil e as bandas tinham qualidade musical, porém, não tinham muito profissionalismo, porque, na verdade, a cena estava começando a se formar e tudo ainda era muito feito na raça, tipo, vamos organizar esse show e pronto, as pessoas faziam e viam no que ia dar, não existia um planejamento, era bem underground e bem apaixonante, pra dizer o mínimo. A coisa toda era movida por paixão. Lembro que quando se encontrava alguém na rua com camisa de banda a gente parava o cara pra trocar idéia, saber onde o cara morava, se ia no próximo show, etc. A amizade era feita assim, na paixão pela música, não por interesses.  Fui a ensaios das bandas Tormenta,  Krusher, Anthares, porque a gente conhecia um cara que conhecia outro que conhecia a banda, a gente ia lá na cara dura, se apresentava e pronto, conhecia os caras e ajudava no que era possível. Vendo todas essas bandas eu resolvi fazer o zine e fazer também em inglês para poder divulgar as bandas nacionais no exterior.  E isso, ironicamente, foi uma das causas que eu parei o zine, porque no final eu recebia mais material das bandas gringas do que das nacionais e pra mim o zine perdeu seu intuito principal, que era a divulgação das bandas nacionais...

9. E a sua gravadora, também chamada de Rotthenness, quando ela começou e o que o levou a entrar nesse mercado na época? Você pode falar um pouco das dificuldades de manter um selo no começo da década de 1990?

R: Por que eu pegava material de bandas que eu achava ótimas e que não tinham nada lançado oficialmente, apenas demos ou ensaios e então, eu pensei, já que ninguém lança essas bandas, eu mesmo vou lançar e ai comecei o Selo Rotthenness Records (que todos chamam de gravadora).  A dificuldade era que a divulgação que se fazia através de flyers e cartas, porque eu não tinha dinheiro para fazer propaganda em revista e também não queria isso, afinal underground é undeground, não é mainstream...  Então a divulgação era bastante demorada e eu escrevia cartas TODOS os dias e fazia toneladas de flyers na base do xerox e enviava pra todo mundo divulgar.  Com os lançamentos, ficou mais fácil, pois eu mandava os eps pra todo lugar do mundo que me contactasse e isso divulgou a ROTTHENNESS.

10.  Acho que uma das características mais marcantes do selo era lançar bandas de estilos diferentes sem pudor algum. Pra mim, parece que todo mundo ouvia o som extremo como uma coisa só, sem haver uma subdivisão maior entre Death Metal, Black Metal, Grindcore, HC, Punk ou Noise. Essa era também a orientação da gravadora?

R: Sim, eu lançava bandas extremas, não interessando o estilo, afinal underground é underground, devemos nos unir e não nos separar.  A orientação era lançar bandas honestas e que faziam um som que me agradasse, não importando o estilo. Obviamente isso é totalmente anti-comercial, uma gravadora sem estilo definido, mas era isso mesmo o que eu fazia..

11.  Qual era o critério adotado para lançar uma banda, considerando que o Rotthenness lançou bandas que eram totalmente obscuras no Brasil na época, como Barback e Dicktator, por exemplo? Normalmente, eu lembro que os selos lançavam as bandas que caíam no gosto do seu dono, pois não havia uma relação comercial nessa escolha, mas sim um critério pessoal. Com a Rotthenness também era assim?

R: Exatamente. Eu lancei as bandas que eu gostava, era totalmente pessoal a minha escolha.  E tinha que ser banda que estava começando...

12. A Rotthenness foi pioneira em lançamentos de bandas Grindcore no Brasil, certo? Afinal, você lançou Necrose, Rotting Flesh, Sarcastic e Purulence...O que te levava a investir tanto nas bandas brasileiras numa época em que o underground estava mais voltado para o Black Metal?

R: Acho que sim, fui pioneiro, mas o selo FUCKER já tinha lançado o primeiro EP do ROT, senão me engano, mas foi na mesma época que lancei o Dicktator, meu primeiro lançamento, mas eu continuei lançando e o Leandro parou o selo Fucker.

Cara, o gosto pelo barulho e pelas bandas nacionais, simplesmente isso, me impulsionava.

13. Sendo o Rotthenness um selo sem filiação religiosa e dedicado às bandas mais extremas, como ocorreu o lançamento do split Zen Garden/Antidemon? Houve alguma polêmica envolvendo esse lançamento, sabendo que essas bandas praticam white metal, estilo que causa verdadeira ojeriza para 99,9% dos headbangers e punks?

R: Na verdade, esse foi um cd que fiz em parceira com a loja/selo DESTROYER, que também era uma loja aqui em São Paulo e lançou vários outros CDs, inclusive Genocídio,  Torture Squad e outros. Esse split era pra ser Antidemon com o NYAB, mas acabou não acontecendo.   Sim, houve alguma polêmica, como sempre, mas a maioria da prensagem desses CDs ficou com a DESTROYER e não comigo. Inclusive, a DESTROYER fechou, agora mudou de endereço e virou loja de instrumentos musicais.

14. Você chegou a anunciar o fim do selo há algum tempo atrás e venda de todo o material. Isso teve alguma relação com o advento e crescimento da internet. Qual sua opinião acerca da polêmica envolvendo os downloads e esse papo todo de pirataria no meio underground?

R: Realmente o mercado ficou uma bosta e a internet contribuiu para isso e o advento do cd também. Acho que foi tudo junto e eu fui morar com minha esposa e não tinha espaço para guardar o material e eu precisava me desfazer de muita coisa.   Quanto ao download acho que se o material ainda existe na forma física, não deveria existir o download.. este deveria ser feito apenas para material que não existisse mais fisicamente e apenas liberado pelas bandas, não por qualquer pessoa...

15.  Apesar de ter anunciado esse fim, o selo ainda lançou o último CD do New York Against the Belzebu (NYAB) em 2012. Isso quer dizer que novos lançamentos podem ser esperados?

R: Esse relançamento do primeiro cd do NYAB foi feito pela TERCEIRO MUNDO, do amigo Alexandre Casalunga e não pela ROTTHENNESS.  Eu quero reviver o selo, mas não agora, pois não tenho tempo disponível e ainda preciso definir outras prioridades na minha vida.  Porém, devo lançar um livro falando do NYAB ano que  vem, 2014, ano que completaremos 20 anos de NYAB. Pretendo falar de toda a história da banda com fatos pitorescos e interessantes e fotos inéditas, tudo juntamente com um cd surpresa, que nem eu sei ainda o que vai ter.. . HAHAHAHAHA...

16. A propósito, poderia falar um pouco sobre o NYAB, sobre o seu direcionamento musical, seu início, seus lançamentos etc.?

R: Iniciei a banda em 1994 e em 1995 lançamos o primeiro EP, o split com o PURULENCE. E seguimos tocando e lançando material, alguns pela ROTTHENNESS e outros por selos que se mostraram interessados, de vários países, como Japão, Bulgária, EUA, Alemanha, Equador, etc.  Sempre tocamos grindcore, mas alguns lançamentos ficaram mais puxados para o noise e outros para o Crust/Grind. Na verdade, só existe eu da formação original e fiz vários lançamentos com formações diferentes, ou seja, num mesmo momento a banda existia com duas (ou três) formações diferentes, e quando tinha show eu tentava juntar todo mundo.  Se algum integrante não podia vir na gravação eu chamava outro amigo par se juntar a nós.   Fizemos um show que o baixista não apareceu, então, pegamos um cara da platéia e ele tocou baixo pra gente na hora.  Depois efetivamos ele com guitarrista e ficou com a gente uns três anos.  Simples assim. Costumo dizer que o NYAB é um celeiro de músicos... HAHAHAHA .  A lista dos nossos lançamentos é:

NYAB/PURULENCE - SPLIT EP 1994

NYAB - ARE YOU READY FOR NOISE ? CD 1995

NYAB/FINAL EXIT - SPLIT EP 1996

NYAB/VIOLENT HEADACHE TAPE 1996

NYAB - TRIBUTO A ANA - TAPE 1997

NYAB - STUNT - CD 1998

NYAB - STUNT/TRIBUTO A ANA - LP 1998

NYAB/AGATHOCLES/IRRITATE - CD 1998

NYAB - BATERIA E BAIXARIA - CD 1999

NYAB - BYE BYE PITTA - CD-R 2000

NYAB - FROM ENDORSEMENT - CD 2000

NYAB - É O FIM! 2.1 - DOUBLE - CD 2000

NYAB - ESFIHA BOMBS - CD-R 2001

NYAB/EMPTY GRAVE/PURE NOISE - CD 2002

NYAB - OS PE DE BARRO (6 BANDS) - CD 2002

NYAB/MEATKNIFE/DEPRESSION/I.INFECTION - CD 2003

NYAB/SORE THROAT - SPLIT CD 2003

NYAB - PUNK AS FUCK AS.... CD-R 2003

NYAB - ARE YOU READY FOR NOISE ? CD-r 2012

NYAB - RETRATO DO BRASIL CD-r 2012

NYAB - SE VOCE QUER BARULHO... FLEXI EP 2012

NYAB/GORGONIZED DORKS - SPLIT EP – 2012

NYAB/AGATHOCLES – SPLIT EP 2013

E os próximos lançamentos serão:

NYAB/DECHE CHARGE - SPLIT EP (em junho/2013)

NYAB/NUCLEAR FROST - SPLIT EP (em junho/2013)

17.  Você sente alguma resistência ou preconceito por parte de outras tendências do underground por tocar Noisecore? Afinal, além de fazer um tipo de som que, hoje em dia, não goza do mesmo prestígio do final da década de 1980 (embora eu seja um fã inveterado do estilo), o NYAB ainda apela para o humor, o sarcasmo e a ironia constantemente, elementos vistos com certa desconfiança por certos segmentos do underground, que acham que essa postura bem-humorada e som extremo não combinam. O que você acha disso?

R: Quando eu criei a banda, pensava em fazer uma banda que todos odiassem, mas como sempre foi um trabalho honesto e de coração, perduramos até hoje, apesar de críticas e muitos boicotes de shows. Conheço gente que comprou nosso primeiro split e riscou com faca o lado do NYAB...  você acredita nisso ? Desde e (principalmente) quando começamos, sofremos muita crítica justamente por causa do lado “divertido” do NYAB.  Acho que os críticos sentiram-se incomodados pelo NYAB não se encaixar na “cartilha” do grind politicamente correto. Fiz uma musica sobre este assunto no primeiro CD, a música se chama RADICAL GRINDER FASHION e expressa exatamente meu pensamento sobre essa questão. Acho que muito não entenderam a ironia e o sarcasmo das letras. Achei ótimo ser criticado, afinal o NYAB era pra ser odiado mesmo, mas ao mesmo tempo o fato de que as bandas dessas mesmas pessoas que nos criticaram serem meras cópias de bandas gringas também me deixou puto, mas eu nunca critiquei ninguém, pois cada um faz o que quer, não é esse o lema do underground e da liberdade de expressão da filosofia grind/punk ? Sempre fiz a banda para agradar a mim, não aos donos da cena.  Talvez seja por isso que o NYAB está vivo até hoje e 99,9% dos críticos da época nem curtem mais grind e nem estão mais na cena. Também existiam várias bandas sérias que levavam a atitude noisecore ao extremo, (que eu acho muito válido), então cada um segue seu caminho. Não tenho rancor de ninguém, respeito a opinião de cada um que me criticou, e até agradeço a eles por expressarem suas opiniões referentes ao NYAB.  Todas estas (e muitas outras) histórias estarão no livro.

18. Depois de tantos anos envolvido com esta cena underground, o que o mantém ligado a ela e o que você gostaria que não houvesse no nosso meio?

R: A paixão pela música é o que me mantém vivo e na cena até hoje. Eu não gostaria de ver certas competições entre as bandas e a inveja de uns poucos, mas se tratando do ser humano, não tem muito o que fazer, pois cada um age de acordo com seus pensamentos e eu não sou o dono da verdade...

19. Completando a pergunta anterior, vale a pena ainda manter essa relação com a música extrema e os meios alternativos de produção cultural? Por quê?

R: Sim, e o motivo é porque eu ainda curto som e quero sempre saber o que está acontecendo... e gosto de fazer isso.

20. Por fim, Nelson, há algo que você gostaria de comentar, algo que não perguntei e que você acha importante colocar? Fique à vontade para expressar suas últimas palavras e deixar um recado.

R: Só tenho a agradecer a você, Cristiano, pela entrevista e dizer que o NYAB está na ativa, lançando vários eps com material inédito. Apenas me escrevam e solicitem catálogo, pois ainda tenho bastante material da ROTTHENNESS para vender e trocar...  e em 2014, cd com livro...   Abraço.   

Contatos: nyab@ig.com.br e  black6666@ig.com.br

 
Postado por Cristiano Passos às 08:41Hs - Comentários (2)

Perfil de Cristiano Passos

Nascido em 1973, em Florianópolis-SC, encarnado em som underground desde 1987. Foi vocalista de bandas como Necrobutcher e Subversive Reek Mute Perturbation (SRMP), além de ter participado de diversos projetos paralelos entre 1989 e 1993. Atualmente, é baterista da banda Antichrist Hooligans e atua como rato dos porões do underground, buscando manter vivas as vozes do submundo extremo de outrora.






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